quinta-feira, 29 de setembro de 2005

O que será?

O que será que me dá que me bole por dentro
Será que me dá
Que brota a flor da pele será que me dá
E que me sobe as faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo me faz implorar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente que não devia
Que desacata a gente que é revelia
Que é feito aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos toda alquimia
Que nem todos os santos será que será
O que não tem descanso nem nunca terá
O que não tem cansaço nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro será que me dá
Que me perturba o sono será que me dá
Que todos os ardores me vem atiçar
Que todos os tremores me vem agitar
E todos os suores me vem encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz suplicar
O que não tem vergonha nem nunca
O que não tem governo nem nunca terá

Chico Buarque

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Adjetivando

Ano passado não era difícil me ver falando a alguém (no meio letrado) que determinado fato era tão 'Dead Poets Society'. Com o passar desse ano vi o tal 'Dead Poets Society' se esvair um pouco, embora mantivesse firme minha crença no poder das palavras, da poesia, no livre pensamente e em "Carpe Diem". A crise encontrou seu momento crítico quando resolvi apresentar um trabalho sobre o filme no curso de inglês. Eu queri falar de beleza, de vida, de valer a pena as pequenas coisas, da importância da literatura, da paixão e dos sonhos. Coisa demais né? Eu queria fazer esquecer um pouco de momentos tristes, dessa nossa decadência social em que todos funcionam, não vivem. Ah, queria me fazer esquecer daquela fila do INSS. Com tanto o que querer falar, chegou perto eu já não sabia se queria falar sobre isso, não tinha certeza da beleza das coisas, não tinha certeza dos sonhos (seriam eles bobos?). Ao final da minha provação fiz ontem a apresentação (embora os momentos de dúvidas tivessem sido forte), senti no final os olhares em mim parados, pensantes, mas amigos; pensei que não teria sido tão ruim; Eles pensaram vida, pensaram poesia, pensaram pensar por alguns bons minutos. Que levem isso consigo e que eu me prove a importância disso mais vezes pra mim. Aquilo foi tão 'Dead Poets Society' :) e estilo futura professora de literatura :P

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Faz frio


E faz frio no Rio. Um frio pingado de chuva enjoada. Presente garoa. Pingo, pingo, pouco pingo, mas chuva. Guarda-chuva, me guardo nele. Mas é tanto chuva, chuvinha, chuvisco, chuviscão, que às vezes deixo ele de lado e me enfrento nela sem guardar nada. E amanhã acordarei chuva. Só de lembrar dá um frio, dá umidade, dá chuvisco... dá chuva aqui dentro pensando em chuva cinza lá fora. Que saudade de frio com sol, frio com céu, frio bem frio, sem chuva, chuvisco, chuviscão. Sem lama, sem poça, sem guarda-chuva. Ahh, se é pra guarda algo que seja o calor do sol pálido no frio... Ah, saudade, saudade. Às vezes saudade parece pingo de chuva, chuvisco, chuviscão.

domingo, 25 de setembro de 2005

espelho, espelho meu

O que acontece com o blog? Ele está em crise existencial, eu não. Eu tenho falta de tempo e, quando não isso, tenho assocegamento cavalar que pode ser traduzido como ócio enduzido por conta da lista de coisas a se fazer.
Eu fiz uma listinha na 6ª ainda!

P/ final de semana:
- Fazer exercícios de inglês da SF
- Organizar material Dead Poets Society
- Exercício de Port 2 pra entregar
- Questionário de Lit. Comp.
- Começar trabalo de Funding.
- Cartazes em italiano
- Organizar mat. de análise do discurso
- e-mail p/ Solange
- Ir ao cinema.

Será que dá pra fazer tudo no domingo???
E ainda tem os tags do Hermes, revisar... O cinema já morreu nessa altura o campeonato. Que fadiga!
Vamos agir então!

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

I WISH I WERE A FISH

Nesta semana, na faculdade de Letras, viu-se algo! Estava lá o Fagner fazendo show no auditório G2 com o Ferreira Gullar do lado com seus simpáticos 75 anos. Ele começou cantando músicas que têm como letras as poesias de Gullar, enquanto o povo universitário frenético esperava a hora das ‘borbulhas’ com seu cartazes: “te quero”, “te pego fácil”, “minha mãe te ama”... Uma criatividade esses jovens.

Mas A Cena foi quando o Gullar contava a história de um poema dele ‘cantiga para não morrer’ (‘no coração dela”, ele disse.. que meigo) e contando a história dele com a russa Helena, que tiveram um intenso caso de amor (sic) e acabando o exílio dele na Rússia eles teriam de terminar, mas antes dele partir ela inventou uma viagem pra Mongólia e foi-se Helena e ele fez o poema para ela e eles nunca mais se encontram. Só que há uns 5 anos ele via um documentário espanhol sobre Prestes e numa cena de um coquitel na Rússia adivinha quem aparece? Helena! Ele tentou acha-la, mas nada adiantou... Foi então que algum ser aleatório grita no auditório lotado “procura no orkut”... Pobrezinho, ele nem entendeu e todo mundo caiu no riso! Foi bem oportuno o comentário.

E aí veio ‘borbulhas de amor’, afinal Gullar deu uma melhorada na letra pra Fagner lançar o que seria seu maior sucesso. Todos cantando pispiricos num uníssono afinado (ou quase). Foi divertidíssimo! Isso é algo numa 4º f 12h!
E de tudo ficou a questão: Helena, onde vc está!?!?!

Termino então com a letra de 'Me Leve' baseada na 'Cantiga para não morrer':
Quando você for se embora
Moça branca como a neve
Me leve, me leve
Se acaso você não possa
Me carregar pela mão
Menina branca de neve
Me leve no coração
Se no coração não possa
Por acaso me levar
Moça de sonho e de neve
Me leve no seu lembrar
E se aí também não possa
Por tanta coisa que leve
Já viva em meu pensamento
Moça branca como a neve
Me leve no esquecimento

O Clube dos Cinco

O que faz o atleta, o nerd, a louca, a patricinha e o delinqüente juntos num sábado inteiro na escola? Eles estão de castigo e devem ser punidos passando o dia na biblioteca e escrevendo uma redação sobre si próprio e os outros.

Obviamente você encontrará rock, revolta, desaforo e aquela vontade de se parecer normal aos olhos do outro. Contudo não há espelho que preserve a imagem apolínea de qualquer ser e não o faça transbordar em fraqueza, desabafo e apego. Começam se desentendendo fortemente e terminam por se identificar e até mudar seu jeito de ver mundo, ser gente. O envolvimento entre eles passa pra quem está do outro lado da tela. Impossível não se identificar num estereotipo daquele, numa reação deles referentes a assuntos como família, sexo e valores.

Ser estranho é normal (vi esse lema em algum lugar já), mas o mais fácil é sempre achar o outro estranho ou maximinizar tudo que acontece na nossa vidinha. Aí vemos também o aprendizado da compreensão mútua, da dificuldade do ser humano de lidar com seus próprios problemas e principalmente os problemas alheios.

É uma ótima oportunidade de pensarmos que adultos seremos, que educadores seremos, que pais realmente nos tornaremos. Cometeremos os mesmo erros que achamos que foram cometidos conosco?

Bem, ao final me deu mesmo uma vontade de que meus pais vissem aquilo e lembrassem um pouco do tempo deles e assim pudessem agir mais sabiamente algumas vezes.

Eu fico com a frase: “se fosse bom morar com os pais iríamos querer morar com eles a vida inteira”. Verdadeiramente, tem sentido.

domingo, 18 de setembro de 2005

La vie en Rose

Por favor, não estou traindo meu lilás querido. Mas nesses dias em que lilás é moda eu troco um pouco (só na aparência, sou um ser lilás na essência :P) e toma conta o rosa. Bolos, balões rosas, presentes rosas, homenagens rosas, pasta rosa :P Na verdade a pasta rosa foi a grande inspiração, desde do dia em que fiz 19 até pairar o 20 na minha existência.
E a suavidade do rosa toma espaço em forma de um bom abraço, se torna mais forte quando o assunto é saudade, fica CHOQUE com a demonstração de carinho partindo de partes remotas desse país (das partes remotas que eu estive, claro!) e volta rosa bebê quando o assunto é agradecimento.
Ano passado, dia 18, não parei 1 segundo no meu dia... Aula, teatro, assistir peça de teatro e estava até um pouquinho frio (e eu loucamente na garupa da Sasa por aquela RioGrande), além das inesquecíveis batatinhas no shops com a patuléia, a réles patuléia. O tempo hoje, nesse 2005, está de um ameno nublado mas não chuvoso. Passei até a tarde aturdida pra um lado e outro, festinha rosa, amigos amistosos novinhos e folha com um carinho por mim vindo sei-lá-de-onde. Eu os conheço a mais tempo, só pode. Deve dar seus méritos à capital barulhenta: nunca fiz amigos mesmo tão rápido. (Mesmo que na minha cabeça eu nunca teria saído de são chico naquele meio de 2002, boba, olha o tantão que eu perderia!).
Um ser lilás-rosa-bege, carioca-catarina-gaúcho (não necessariamente nesta ordem).
Ah, vida. Eu amo, é tudo. :)

Obrigada, senhoras e senhores! Está um espetáculo.

sábado, 17 de setembro de 2005

programa diferente

Fui num ótimo concerto no ICEBEU hoje. Apresentando-se a soprano Magda Belloti e a pianista Talitha Peres. Ambas estavam maravilhosas e logo com os primeiros acordes do piano eu me enchi de um sentimento bom transpassando uns minutos da minha existência pra algum refúgio além música. E assim seguiu, até o final. No estilo voz e piano deslifaram clássicos dos musicais da Broadway, nos quais os que mais me emocionaram foram as músicas de George Gershwim (um compositor dos anos 20 e 30), Don´t cry for me Argentina, solo de piano, e Think of me do Fantasma da Ópera (ambos de Andrew Lloyd Webber), sendo que nessa última a Magda deu um surpreendente show com sua encantadora e estrondosa voz.
Deveria ir a eventos desses mais vezes e deixar a alma ir sumindo de mim até não me encontrar mais ali. Algo assim, de bonito.
Buenas!

O Me! O Life!

O ME! O life!... of the questions of these recurring;
Of the endless trains of the faithless—of cities fill’d with the foolish;
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I, and who more faithless?)
Of eyes that vainly crave the light—of the objects mean—of the struggle ever renew’d;
Of the poor results of all—of the plodding and sordid crowds I see around me;
Of the empty and useless years of the rest—with the rest me intertwined;
The question, O me! so sad, recurring—What good amid these, O me, O life?
Answer.
That you are here—that life exists, and identity;
That the powerful play goes on, and you will contribute a verse

Walt Whitman
---
Perdão, sem traduçao pq desse verso ainda não fiz, mesmo sendo um dos meus prediletíssimos! Bem 'Sociedade dos poetas mortos'. :) Acho que vou apresentar um trabalho sobre esse filme (novamente), afinal ele é uma inspiração para a minha pessoa.

sexta-feira, 16 de setembro de 2005



queria fazer coisas bonitas ... é o lema da Andréia que se espalhou pelos 4 cantos dos blogs ganhando digníssima comunidade.

às vezes acho que consigo ter coesão pra transmitir meus pensamentos.
às vezes eles tropeçam uns nos outros deixando-se cair, nus.
outras, atam-se sistematicamente em uma cadeia de argolas trancadas.
tem também o gosto, o cheiro, a cor do pensamento, que não se passa nunca.
tem a dor de se pensar atropelado que se tem sempre.
há de cada um ser estrambólico, criativo.
hão de ser todos unidos num ciclo, disformes de formas distantes.
haverão eles se mostrarem escondidos assim, enigma-resposta.
outro pensamento vem, quero fazer coisas bonitas...
hei de começar dando um sorriso, sorriso em pensamento.

Humpft.

Vou torcer pelas coisas bonitas.

tá com margens?!

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

e o céu?

Ando feliz, feliz. Saltitante como antílope na relva verde. Nem deveria eu estar aqui, mas foi inevitável esse registro no meu amigo imaginário lilás prefileto (mistura de preferido com predileto)! Três dias para a virada de dígito, passei a manhã com o olhar e jeito de menina faceira, consegui ler Beowulf quase todo. Três coisas bem diferentes, bastantes ligadas. Eu sei que o aniversário não é grande coisa, o sorriso da menininha é um vácuo sem sentido (mas eu sou feliz!) e só de ouvir Beowulf dá um peso.
Ah, eu ia feliz, vim saltitando pela rua na volta do curso, vinha vindo pensando 'the sky is blue and the clouds too!'. Um pedra é jogada a minha frente. Só eu vi? Sem sentido ela apareceu ali na minha frente, barulhenta, a poucos passos. Literalmente uma pedra no meio do caminho!!! Mas eu continuava no melhor da minha viagem intergalactica por entre nuvens, céus e lembranças boas. Aí chego eu perto da Previdência Social, aaaah tenho de ver aquela fila novamente!? Aquela de senhores e senhoras, excelentíssimos que estão ali sacrificando-se por algo que lhes é de direito. O céu é tempestade. As nuvens são as da intemperança. Sigo indo por entre céus que caem e reconstroem perante minha insignificante presença esperando felicidade para todos (ah, utopia).

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

tempo, tempo

Se você não tem tempo, crie!



Eu estava com a faca no pescoço nessa 4ª já que iria chegar em casa lá pras 19h. Descobri que não teria 2 aulas, então nada melhor do que matar a 4ªf de aula. Infelizmente acabo perdendo a aula de italiano, 'mas tudo vale a pena se a alma não é pequena', passo a tarde escutando Renato Russo em italiano então.
Tenho de ler o Beowulf para a prova 'surpresa' 6ªf, prova amanhã de Lingüística (a professora é piradinha), exercícios e leituras para a aula de inglês instrumental 6ªf (adoro essa aula). Teria de ler a Ilíada, mas já cortei Grego da lista dessa semana. Ah, estudar pra prova de inglês na 2ªf (afinal, não passarei o dia 18 estudando!!!). E a vida universitária vai se revelando o caos do controle de tempo, minhas atividades extras vão ficando exprimidas como laranja pra suco e eu não tenho tempo nem pra refletir um pouquinho no meu bloguinho ( ou bloguizinho?) querido.
Mas não vou reclamar, ócio é o mal que não quero sofrer tão cedo.

domingo, 11 de setembro de 2005

um dia, é algo

Depois de 'rabujar' pela manhã, o dia transcorreu beeem tranquilo, eu escutando Elvis, depois o disco do Renato Russo em italiano, mta rádio paradiso... Pensei em ver o filme 'carteiro e o poeta' novamente, mas não, tinha de ler o conteúdo pra aula da S.F. amanhã, além das minhas tags queridas que dou uma pausa agora depois de tanto nó gramátical na minha mente.


O dia foi ótimo! E melhor ainda constatar que senti uma ponta de saudades da minha família barulhenta, minha mãe gritando se eu não quero almoçar, minha irmã reclamando de alguma coisa que eu fiz ou não fiz, meu pai explicando sempre alguma coisa com um ar de sabedoria que ele tira da manga.

Outra coisa que me dei conta agora é que hoje é 11 de setembro, o tal dia do atentado que eu vi ao vivo quando morava ainda em são Chico e esperava fazer 16 anos na semana seguinte. Eu estuda a noite numa Escola Técnica, fazia contabilidade e gostava, era uma das únicas pessoas que não trabalhavam, conhecia muita gente lá e a hora do intervalo era sempre uma festa, parava pra conversar em cada canto. Escutava Jovem Pan, transamérica, Atlântida ou a rádio UDESC e foi quando a JP começou a noticiar algo com queda de avião que fui ligar a TV e pensei 'nossa, estão atacando os EUA!'. Minha mãe na cozinha gritou (como ela grita!) 'o que está acontecendo?', 'estão atacando os estados unidos!', 'eu tô falando sério', 'olha lá então, parece que um avião bateu ali'. Mas mesmo assim eu não tinha noção do que estava acontecendo. O ápice pra mim foi quando vi pessoas se jogando da torre, aí foi que pensei 'esse é o tipo de imagem pra posteridade, eu tô vivendo a história'.

boooooooom dia! ou algo assim...

Bom dia, bom dia. Passando o final de semana sozinha dá vontande de dar 'bom dia' pras paredes. Normalmente ninguém me dá 'bom dia' mesmo, mas eu gosto de manter o custume de dar 'bom dia' para as paredes.
Passada a sessão 'bom dia', agora vem... Boa pergunta, o que vem agora? Não estou desesperada, nem angustiada, mas também não indiferente. Eu só estou esperando um agora aquele que as pessoas vivem no presente.
Graças a Lizi tenho uma nova metáfora pra me definir: um copo de requeijão na beirada da mesa. Não deixa de ser de vidro, quebra. Pessoas não vêem isso. Sou tida como a 'insensível', a 'racional'. Por que não querem me conhecer? Eu sou legal, o lado lilás é legal... Ou não né, de perto ninguém é normal, já dizia o Caetano. E segue vida nessa afirmação, reafirmação do si mesmo. É o eu com o mim que minha filha falou, eles são impossíveis, como brigam, às vezes não saem do lugar.
Sabe de uma coisa, é melhor voltar aos afazeres. Tenho a Bíblia toda pra taguinar :P
'não me diga isso, não me dê atenção e obrigada por pensar em mim.'

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

sem sono...

Sim, sem sono. É algo... Pior que estou com um cansaso desses que ficam lá no canto da mente o tempo todo esperando pra se apoderar (ou algo do tipo). O bom é que estou realmente felizinha (inha, inha), voltando com o Hermes, esperança de saber mais gramática que o prof. de Port. :P e não odiar Mattoso. O mais legal é a globalização da história, eu aqui, acolá, RioxRioGrande, além do perdão do Tiago por eu ter sido tão relapsa!

A semana na faculdade quase não aconteceu. Quando os professores não faltaram eu que não fui à aula. Coincidência. Em Português, marasmo; writing, marasmo acumulado; Lingüística, vou descobrir numa próxima aula depois de 1 semana sem a professora ir; Latim, meia horinha de aula tá ótimo; Teo. Lit., poético. Ah, teve o italiano, mas eu tava aleatória na aula, confesso. Bem, ainda tem a outra metade da semana, talvez aconteça mesmo.

Do dia de hoje tiro de melhor a volta do curso de inglês, na qual estava garoando um tiquim. Então vinha eu com aquela penugem de gotículas minúsculas caindo no meu rosto e tornando-se uma sensação muito agradável na medida em que eu andava. Ia seguindo e querendo ir mais devagar para sentir mais daquilo. Um prazer digno de Amélie Poulan! Nada de temer molhar roupa, cabelo, material... tocar a alma é o ponto. Chegar ao conforto do si mesmo e olhar pra frente e ver o indivisível mil vezes passando pela luz da lâmpada do poste. Ah, foi bonito o espetáculo da chuvinha contra o vento.

Na verdade eu ia falar do Cem Anos de Solidão agora, mas creio que tenha de ter mais lucidez pra tratar de um livro tão rico. E eu o devoro ainda, agora degustando os últimos pedaços, como para não deixar de tê-lo comigo. Aconselho a todos que leiam esse livro!

Vou dormir então... Obrigada pela atenção!

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

serelepe

O estado de pispiriquice digivoluiu e foi pras paragens da 'serelepice'. É algo assim, um estalo que dá por coisas simples e bobas até, que aparecem num instante em que o mundo parecia frio e cruel. Tenho tido muito meus momentos serelepes ultimamente. É dessa coisas de se deixar levar por um sentimento mais morno do que a frieza abrupta do semper igual; algo assim.
Confesso que passei o dia com humor duvidoso, indo pro rude rapidamente.. mas nem tudo está perdido e a Fabíola salva sua alma por umas poucas palavras.

e agora minha irmã apressa pra usar o computadorr.. mas eu já volto!
:)

domingo, 4 de setembro de 2005

drama do cobertor antigo

Num belo dia, num reino aleatório distante, deparo-me com uma constatação tão triste que fez estalar a minh’alma. Era um ser que relatava algo do namoro de pouco mais de um ano como morno e conveniência de se estar um com o outro era a força que o mantinham juntos. No entanto nada foi mais grave do que a frase: estou com ele porque sei que não encontraria alguém melhor, assim como ele está comigo porque não encontraria uma pessoa melhor. Meu choque se deu à vista. Repeti a frase, e num arrepio que deu tratei de explicar ao meu jeito: então é assim, se estar com o outro porque não tem mais nada de interessante como opção?! Vieram então justificativas do tipo ‘estar sozinho é ruim’ e que a pessoa tinha ‘virtudes admiráveis’ e me atrevi a jogar pimenta no diálogo dizendo: e se alguém se dissesse apaixonado por você, te dando possibilitando sentir aquelas ‘magiquilidades’ de inicio de namoro novamente? Não, a pessoa não estava entregue a aventuras. O namoro estava morno dos mais secos e o ‘não ficar sozinho’ e o medo de ‘não encontrar alguém melhor’ imperava.

Agora vou eu nas minhas confabulações pensar: e se alguém estivesse comigo por mera conveniência, daí quando encontrasse alguém ‘melhor’ partiria a galope deixando um bilhetinho lilás de despedida breve? Digo que outra pessoa o faria, porque não me imagino com um ser e paralelamente esperando um príncipe encantado vir me resgatar e me tirar da suposta tortura.

Será que é regra depois de um tempo os namoros sucumbirem ao mofo da mesmice? Sinceramente eu penso que não, como até vejo por aí uns apaixonados que buscam a si de maneiras diferentes, olhares diferentes e vão se descobrindo boa surpresa um para o outro e fazendo do relacionamento um vinhedo de qualidade.

Cada relacionamento é um mundo, mas daí as pessoas se tratarem como num mercado de pulgas: ‘ah, se eu encontrar um cobertor melhor eu devolvo esse’. Não se consegue viver sem coberto então? Mesmo em profunda tristeza as pessoas se limitam àquele cobertor que não querem mais na certeza de que um dia ‘encontraram um melhor’. Sonham com o dia do cobertor passado ir pro lixo, afinal não esquenta mais mesmo, contudo não vêem que enquanto mantiver este cobertor antigo consigo nunca vão conseguir se desvencilhar dele.

Que não nos limitemos aos cobertores velhos, as estações que passaram, aos céus que só podem ser azuis.

sábado, 3 de setembro de 2005

the sky is blue...



As cores das nuvens nessa foto me pegaram de jeito. Tenho lá meu fascínio limitado por nuvens e céus por conta de um trauma da 5ª série, quando ao escrever uma redação na prova de Português sobre os desenhos da nuvens (os quais passava horas averiguando) a professora me chama na sua mesa e no meio de todos confere um tom jocoso ao se referir a minha redação dizendo: 'não existem nuvens azuis'. Todos riram, menos eu que fiquei impressionada: ué, não existem nuvens azuis? O que eu vejo então? Concordei com ela assumindo pra mim a culpa da falta de atenção dizendo que não era lá meu costume ficar olhando pro céu. De fato, dali adiante não olharia pra ele como antes, como se tivesse me ludibriado e não merecesse perdão.

Depois, mais velha e ao observar o céu de outras paragens dei-me conta de que minha nuvens azuis exitiam sim, que fossem reflexo do céu da noite, assim como essas alanrajadas o reflexo do sol poente. E que direito tem as pessoas de mandar nas nuvens de uma criaturinha?! Ou melhor, nas nuvens multicoloridas da imaginação de uma criança? Mas depois da minha indignação também refleti: eles não são culpados, são adultos que não têm mais do recordações.

As nuvens podem ter tido as cores que eu quis, contudo serei eu daqui a pouco que terei de corrigir 'as nuvens não são azuis', contando só com as recordações do tempo que não pensava assim.

fafanápole, faltam 15 dias, o que faremos no meu aniversário hein?! :)

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Tá bom, a idéia da conspiração machista do Mattoso pode ter sido demais. Mas continuo não concordando com o professor. E ainda sei que Mattoso foi um dos maiores (considerado internacionalmente) lingüistas brasileiros, contudo tem coisa que ele fez que hoje ele reconsideraria e reformularia (foi dito logo no início do post).
O momento 'feminismo' se deve mais pelo ódio às aulas. :)

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

2 filhos, um bom cinema nacional

Quando vi o cartaz a primeira vez logo pensei: ‘mais um besteirou vem por aí’. Ledo engano. Os 2 filhos de Francisco é o um filme que verdadeiramente emociona, não apelando para um melodrama barato, mas usando os fatos que sucederam na vida de forma crua num roteiro muito bem engendrado. Aliás, um parênteses aqui para parabenizar as roteiristas Patrícia Andrade e Carolina Kotscho.

A história de ‘Zezé de Camargo e Luciano’ é muito mais do que músicas melosas sertanejas,No filme que vemos a origem humilde da dupla e a sagacidade do pai em torna-los ‘alguém’ através da música. Seu Francisco era dado como louco, afinal enquanto a família passava fome ele não media esforços em manter os meninos cantando e tocando instrumentos. Obviamente ele contou com a facilidade que o mais velho, o Zezé, tinha em lidar com música, trazendo o sonho distante mais pra perto. Neste percurso para a fama contam com a infelicidade de um acidente que adiou em parte o sonho e ao final vemos que o Luciano entrou no ramo por mera sorte mesmo.


Se você está profundamente ressabiado com que verá no cinema, não se deixe impressionar pelos primeiros minutos onde me perguntei ‘o que estou fazendo aqui?’, e nem com algumas berrantes propagandas que chegam a dar ar de humor, tamanho o exagero. O filme emociona mesmo, alguém poderia dizer que nem parece filme brasileiro (muito menos tem orçamento de filme brasileiro, 5,9 milhões) e quem viu sai respeitando a dupla e ainda cantarolando ‘é o aaaamor que mexe com minha cabeça e me deixa assim’, mesmo detestando sertanejo.

Quem merece destaque especial é Ângelo Antônio por sua interpretação como o pai dos meninos, excelente; não só ele como também a Dira Paes fazendo o papel da mãe. A escolha do elenco foi muito feliz, desde os meninos quando pequenos ( a melhor parte do filme, na minha opinião), até a absoluta semelhança quando adultos (impressionante o Márcio Kierling como parece com o Zezé).

Então meu conselho é, deixe o preconceito que te impede de ir ao cinema prestigiar o filme juntamente com as vovós e mamães e assista Os 2 Filhos de Francisco sem medo, afinal estará vendo um dos melhores dramas do ano, ouso falar.

quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Mattoso e suas suposições *matantes

Se Mattoso Câmara Jr. fosse vivo com certeza ele modificaria essa teoria hipotética estruturalista dele. O meu professor de Português (o Surfista ou Lorão pras íntimas), diz que Mattoso tem a teoria mais coerente para explicar flexão de número e gênero. Creio que seja muito simples criar explicações colocando um monte * antes da palavra e está pronta! uma maravilhosa teoria da estrutura do nome na Língua Portuguesa.
O difícil não é entender tanta suposição, mas sim aceitar que a desinência de gênero de menin-o não existe e que seria uma vogal temática, sendo menino a raiz da palavra e em menin-a o 'a' seja a desinência de gênero feminino. E ainda me dizem que isso não é machismo, é só linguagem... mas ela não reflete o discurso? E qual o discurso vigente fortemente nos séculos (e ainda hj), a da superiorida do ser masculino.
Levantar questões em sala eu não posso, porém umas meninas que recém sairam do 2ª grau (podem duvidar do que quiserem que tudo lhes será dado ouvidos. E eu sou chamada de caloura? ok.

Vou criar uma nova teoria das tais estruturas de nomes e depois esse professorzinho aí estará fazendo um ctrl c/ctrl v da minhas teorias, é a solução.

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

‘Ai, minha vida”, eu grito no meu canto calada. É o calor que volta em toda sua potencialidade e me deixa com um ar de besta. Estava com uma sensação de estafa mental que transpassava a minha boa vontade de aprender italiano.


Na aula, de italiano, chega uma aluna que conta com a idade mais avançada que o geral e é professorada UniverCidade, dizendo que um aluno dela se suicidara hoje, se jogara do 7º andar. Todos ouviram, todos se calaram, saiu até uma piadinha na hora. Esse causo me remeteu ao que estava eu lendo ontem, o roteiro do Sétimo Selo de Ingmar Bergman. De fato eu só li as partes em que o Cavaleiro joga xadrez com a Morte, as partes mais incríveis, sem dúvida. Ele desafia a Morte de certo modo falando que não teria medo dela, mas sim que buscava respostas, daí o interesse por jogar xadrez. A Morte rodopiando nas respostas, um verdadeiro exercício de raciocínio e perspicácia.


A Morte afirma ‘eu não tenho segredos’. E o Cavalheiro Antonius Block está ali entre o ateísmo e a fé, tudo girando em torno do medo da morte e claro, no temor a Deus. Pode Deus ser medo de morrer? A Morte não quis revelar o tal segredo, não compete a nós sabe-lo. Fica nesse vácuo de misticismo a nossa crença, o que pode gerar uma desesperança avassaladora que acaba por gerar atos como o do menino que se joga do 7º andar de uma faculdade.


Término da aula, deixo a faculdade ‘correndinho’ pra pegar carona com a Lúcia que mora também em São Gonçalo, a qual venho toda manhã pra UFRJ. Fomos tranqüilamente pela Linha Vermelha (sem nenhum soar de bala), pegando o desvio para a ponte (uma entrada discreta), ela mantêm sua direita quando um caminhão joga-se por cima do carro, ela rapidamente freia e buzina... Fora um susto só. Mas a guarita nunca esteve tão próxima.


Passando para o que está aqui dentro, verdadeiramente não temo a morte como um ‘algo ruim’, pego um pouco da coragem do cavaleiro pra mim e poderia até jogar xadrez com ela, se soubesse. Não pediria respostas em troca, porque na minha convicção nem tudo tem explicação mesmo.
E para você, tudo tem mesmo explicação!? (por favor, respondam!:)




sábado, 27 de agosto de 2005

Stand By Me

When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see
No, I won't be afraid
No, I won't be afraid
Just as long as you stand
Stand by me

So darling, darling,
stand by me,oh, stand by me
oh, stand,
stand by me
stand by me

If the sky that we look upon
should tumble and fall
or the mountains should crumble in the sea
I won't cry, I won't cry,
No, I won't shed a tear
Just as long as you stand
Stand by me
Vejam Conta Comigo, se já não o viram. É um filmezinho de sessão da tarde muito dos bons...
Pois é, já é sábado... tô aqui fazendo nada, escutando 'guitarra y vos' do Jorge Drexler, aleatoriamente misturando uns sentimentos alguns que restam do dia de ontem. De tanta coisa eu me pergunto do que eu mais preciso. Acho q preciso ser Amélie Poulan por um dia só, depois eu me viro... depois eu trocava o vermelho e verde por outras cores (algo com lilás no meio) e me desenhava nova. Colocava um 'nariz de carambola' e responderia quando chamassem mariola. Tudo hipoteticamente falando, claro!

Ontem eu vi um filme bonitinho que me deixou com uma vontade de dar um abraço: Simplesmente Amor (aquele que o Rodrigo Santoro participou). O filme é um arranjo de flores que chega ao seu destino arrancando aquele sorriso e satisfação, embora passe por uns percalsos no caminho. "All we need is love", nunca tinho duvidado. Tenho que ver mais filmes desses pra manter firme a convicção. Ah, a trilha sonora é linda!

Uma vez na vida espero fazer o que realmente eu gostaria, falar para todos todos o que verdadeiramente acho sobre determinado assunto, visitar um país estrangeiro nem que seja o Paraguai, andar na barca Rio-Niterói, ver tulipas vermelhas e andar com um bicicleta lilás numa estrada de terra com flores caídas do outono e com um sol aquecendo levemente o meu ânimo. Não é só isso, gostaria de adentrar o CC mais um vez e encontrar a patuléia lá (sem eles não teria muita graça). Queria tb reunir minha turma do 2ª grau em São Chico, pq eles eram incríveis e divertidíssimos. Mas deixa esse negócio de almejar pra depois...


Agora estou escutando a música 'white flag' da Dido, e só de escutar o início dá um arrepio estranho. Essa música baixei a pouco tempo, ainda está no período de 'inedicidade' (credo, matei a gramática agora). Aí, certa vez em uma aula de reading da furg com o marcelo ele tocou essa música. A turma estava naquela salinha no caique, a menor (a que eu fiz a prova do vestibular), eu tava na primeira fila, o Régis tava de um lado, o Danilo do outro e reclamando das músicas q o professor trazia. Aí eu pensei, eu gosto dessa música. Mas foi por causa frase dele q eu gravei aquele momento. A Lukita na última fila cantando a música, ela já conhecia, claro! A Lizi do lado dela, a Dani e o Italiano do lado da Lizi (se não me engano). Tava o Mr. Presidente perto tb, e reclamou do gosto do professor pra música.
e agora a mariola chora, boba ela, pq a lágrima não derramada no dia certo perdura, perdura...

'i will go down with this ship...'

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

poieses

"A literatura busca não apenas discorrer acerca de suas diferenças culturais mais sobretudo sujerir ao leitor novas indagações e tentativas de interpretação sobre o mundo. Como figura da história, o homem encontra na literatura seu contínuo fluxo de indagação."
Acima está um dos pensamentos da aula de Fundamentos da Cultura Literária Brasileira, com o queridíssimo Luis Edmundo.
O que muito me interessou na última aula foi ele falando do 'espanto ancestral', o espanto que o homem tem em viver. Você sabe pq está no mundo?!? Nem eu. Daí que escrevemos, lemos obras literárias, e vejo daí tb o pq de termos nossos 'blogsinhos'.
A literatura é um indagador da existência, forte pra mim conceber isso assim de perto.
Nascemos pra amar, sorrir, sofrer, cantar, querer ou tudo junto? Ou tudo separado? Ou tudo tudo? Gosto do 'tudo tudo', nascemos pra tudo, pra nos ilimitar, afinal a limitação já é o que vem de fábrica. E a literatura ali, transparecendo todo nosso espanto e vontade de aparecer.
E os que não lêem? Desperdiçam de ter suas questões aguçadas e um néctar a mais na vida bege/cinza. Decifrar o indecifrável, constantes indagações, isso é uma pequena amostra do que a tal litatura pode fazer conosco.
Ouso a mim mesma com meus versos de gaveta, sinto-me agitava e transbordada de vivacidade. Se a gaveta um dia for descoberta não nego nada, mas nego que eu venha escrever algo parecido novamente. Se cada folha voar ao esquecimento, canto ainda uma música dessas lentas e brindo no meu silêncio as palavras que se foram pra uma ilha cheia de espanto, voltando a sua fonte.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

e a greve?

Os funcinários da UFRJ já estão de greve (ao menos da Faculda de Letras). Os professores nem sinal dão da tal greve, parece até que não existe. Tanto é assim que tinha pensado que a greve só seria para funcionários mesmo, aí uma professora meio 'perdida' comenta que 'se entraram de greve estou furando inocentemente'. Então senti a dimensão de perigo que nos cerca: além de ficar sem a biblioteca, ficar sem aula? E ter aulas nas férias, naquele calor típico (que começa a se manifestar agora), na claustrofobia das salas da UFRJ seria algo que gostaria que não acontecesse. Tenho dito, tenho outros planos...

Em relação ao andamento do curso, uma boa constatação: matérias como 'fundamentos da cultura brasileira', 'literatura comparada' e 'fundamentos da literatura inglesa' têm mudado o ânimo das criaturas aleatórias e dado um estímulo, além da oportunidade do contato com tantos clássicos da literatura, além de professores interessadom e compromissados com o que fazem. Finalmente!

Uma última observação é que a 'tal cidade maravilhosa e metrópole cultural e diversificada' exige algo que não tenho, uma certa liberdade e uma audácia que me pesa ter. Creio que seja isso, por vendo artificialmente, o que causa tanto bege.

E a greve???

terça-feira, 23 de agosto de 2005

ser bege

Como posso eu estar tão bege??!! É em todo o canto, tudo o que eu faço: estou bege!!! Cor do conformismo, do calar-se, do pensar e não fazer ou do não pensar logo de uma vez. Simplesmente não tenho um Atitude, fico calada e calada no meu cantinho de menina bege. Eu visto bege e a roupa fica transparente, toda bege eu sou. Não, não sou! Minha vida é lilás. Ou era!?!? Ih, tá aí uma coisa pra resolver, ou não.

Vindo pra casa agora pouco do inglês vi uma enorme fila de pessoas sentadas nas calçadas, preparadas para dormir, em nome de serem atendidas amanhã na previdência social. Vejo aquilo umas quantas vezes e tem como se conformar? Passar ali e olhar indiferente dizendo por dentro 'tá tudo normal'? Eu desvio o olhar, mas vejo de rabo de olho, pessoas idosas até olhando curiosas e eu lá por dentro em rebuliço me perguntando: por que? É simples a pergunta: por que??? Por que deles estarem ali? Por que do meu rebuliço? E do 'por que' vem o 'posso mudar?'. Sendo a professorinha de escola pública aquela, posso mudar??!! Serei bege com eles? Olharei bege, ensinarei bege, gritarei bege, chorarei bege?

É muita interrogação pra um ser aleatório só... Só quero não ser bege na hora em que eu tiver o relativo poder de mudar a vida de uma criaturinha e só.

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Brisa

Continuando a história da Brisa (a bicicletinha da minha infância), ela foi o meu primeiro desafio no quisito superar as 'diferenças'. Ela era rosa bebê, cor que eu não gostava mesmo, e eu era lilás... Imagina então o conflito entre mim e ela. Parece estranho, mas antes de tudo tive de superar as 'diferenças' e daí pude superar-las na minha vida, afinal eu não suportava aquelas menininhas que se acham a fanta uva do deserto de tão metidas e que tentavam aproximação com a minha pessoa e acabava por ficar sozinha no recreio. Mas depois da Brisa, do nosso convívio diário, das andadas sem rumo, pensamentos distantes, quedas e mais quedas (adorava inventar uma história, como ficar fazendo manobrinhas nos morrinhos) as coisas iam mudando no mundo lilás de Fabíola e ficavam mais rosa, rosa bebê. :)


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I will kill the Anonymous!!!!

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domingo, 21 de agosto de 2005

dia de sorte

Quando eu era menor comecei acreditar em uma época que quando eu sentia muita raiva depois começavam a acontecer coisas boas. Certa vez eu quebrei todo meu velocípede... era vermelho e azul de plático e ficou despedaçado; um bom tempo depois ganhei a Brisa, minha bicicleta rosa da Monark com quem eu conversava bastante. Mais velha, na 6ª série, os professores de educação física obrigaram os alunos a comprar uma rifa de R$1,00 ou então ficavam sem nota, teria que preencher aquele bilhete da sena com os números sabe e o resultado do vencedor sairia com o resultado da sena; achei o fim do mundo isso e indignada discutindo com eles... até que desisti, marquei iradamente(isso existe?) os seis números na frente deles e até me esqueci quando eles conferiram... Eu e outra menina tínhamos dividido o prêmio em dinheiro por acertar cinco números.
Que eu me lembre foram esses dois exemplos, na verdade o segundo fez renascer o primeiro. E eu me esforcei muito pra ter raiva e quebrar alguma coisa, me revoltar e falar em tom alto gritante com alguém. Tentativas falhas. Quando sentia muita raiva depois disso eu chorava... Ah, a descoberta do choro, adeus velocípides e bilhetes premiados.

sábado, 20 de agosto de 2005

uma música aleatória

Estav\ eu escutando minha musinha no ônibus na volta para casa quando mais de uma vez toca a música da Zélia Duncan com a letra abaixo. Tem um ritmo tão bueno, mas eu não entendia nada do q a mulher cantava!!! ahaha Procurei música por música até a achar a letra! :) Aleatoridade total, com vocês "Vi, não vivi":

Primeira vez que eu te vi
Meu coração não fez clique
Se ouvi ou vi, não vivi
Seu clique, seu trique-trique
Não vi sushi, sashimi
Nem eros, nem afrodite
Primeira vez que eu te vi
Primeiro vi seus limites

Vi, não vivi
Não senti onda por ti, não senti
Nem o menor apetite
Não senti o tremelique
Senti
Não me entenda por ti
Não vivi
Não senti frenesi
Nem o menor apetite
Não senti tremelique
Senti

Não vi nenhum colibri
Não vi sua "bad trip"
Sino batendo, não ouvi
Nem vi se havia convite
Sol, búzios, nós dois ali
Com ares de casal 20
Nem com os olhos comi
Nem "veni", nem "vidi" nem "vinci"

Vi, não vivi
Não senti onda por ti, não senti
Nem o menor apetite
Não senti o tremelique
Senti
Não me entenda por ti
Não vivi
Não senti frenesi
Nem o menor apetite
Não senti tremelique
Senti

Primeira vez que eu te vi
Contive os meus palpites
Falei de rilke, leminski
Assim que vi seus grafites

Vi, não vivi
Não senti onda por ti, não senti
Nem o menor apetite
Não senti o tremelique
Senti
Não me entenda por ti
Não vivi
Não senti frenesi
Nem o menor apetite
Não senti tremelique
Senti

Tem uma outra história de música de bus, ontem escutei 'everybody is free'', música na qual tem um cara (baita voz) falando aquele texto do 'filtro solar' (q até tem uma versão com o Pedro Bial). A música em inglês dava até arrepios de se escutar e o melhor é q eu entendi tudo :P ÊÊÊÊ um dia eu tinha q melhorar né!?!

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

temporada aberta para a 'explicação' (ou falta dela)



A aleatoridade tem explicação?!

Só um pedaço, fico limitada por enquanto, a só um pedaço... e um mês.

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Che giorno è oggi?

- Mercoledì!

Primeira aula de italiano no CLAC (já perdi umas 3), adivinhem a minha primeira palavra???? 'yeahh'. Só esqueci de trocar na mente inglês-italiano, detalhe!

terça-feira, 16 de agosto de 2005

A gripe me fez um favor: não fui à aula hoje. Aí aproveito para estudar gramática, gramática e gramática(da língua inglesa), além de morfologia(do português). Um troca justa.

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Hoje o dia foi 'pesaroso' (mistura de pesado com horroroso). Depois de aguentar uns bons esporros da 'queridíssima' professora, enfrentei um passar mal estranho de calor no ônibus, além de minha garganta muito doer doer.

Confesso, estou exagerando em achar o dia tão ruim, pq não foi. Ao menos não o sinto assim. A minha garganta ainda dói, mas fora isso o resto já passou. Passado tão cedo, trato que seja logo.
A questão é que tenho pensado nessa coisa de passado, presente e futuro. Daqui a pouco mudança de dígito me alcança, e aí?! Viro adulta já ou será que vem a prazo o processo?! Que venha em parcelas a perder de vista! Não quero deixar de ser 'acriançada', e ter desculpa para sê-lo 'ah, é a idade'. Daqui a pouco não será a idade, 'ah, ela é assim mesmo'. E a idade, importa tanto assim mesmo?

Outra coisa que vem a mente é se Faculdade importa mesmo. Eu sei que importa, mas por que ela continua nao me importando e me importunando? Essa resposta fica pros próximos semestres... Termino aqui com uma música que escutando estou neste momento exatíssimo e que um pouco (muito) tem relação com essa coisa de idade, faculdade... No final achava-se que crescer era tudo e é?

Wise Up
Aimee Mann
It's not.. what you thought...
When you first... began it.
You got... what you want...
Now you can hardly stand it, though,
By now you know, it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.

You're sure... there's a cure...
And you have finally found it.
You think... one drink...
Will shrink you to... your underground
And living down, but it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.

Prepare a list for what you need,
Before you sign away the deed,
'Cause it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.
No, it's not going to stop,
Till you wise up.
No, it's not going to stop,
So just give up.
Obs. para quem gosta de trilha sonora de filmes, essa música toca em Magnólia numa hora em que passam todos os personagens principais da trama cantando-a. A partir daí que eles dão um guinada, ou tentam.
Obs. 2, quanta pergunta... seria isso bom? Espera-se!

domingo, 14 de agosto de 2005

olha quem adentra...

Pois contamos agora com a excelentíssima Sabrine Marins (do jeito que escrevi seu nome na inscrição pra semana acadêmica de santa maria), que com seu humor ácido já nos brinda com pérolas nas quais assinalo essa aqui: 'Sejamos apenas retardados normais.'
Viva a dona Sasa Mucca, que simplifica tudo para nossa vida bela, lilás ou não. :)

Mudando de alhos pra bugalhos, hoje, dias dos pais, dia tranquilo... Contudo matou ver Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, além da famosa confraternização massante de condomínio na hora do almoço. Tudo bem, eu sobrevivo! Mas por favor, não pensem em ver Capitão Sky, é pior do que se imagina! No entando, como um colega cinéfilo tinha falado, a última cena é boa de conferir pra dar umas boas risadas e depois se lamentar: mas tinha tanto filme na locadora, fui pegar logo esse!

Humm... final de semana que não fiz metade das coisas que eu deveria. Mas o que é dever no final?!? E eu sou uma menina responsável, juro! ¬¬

;)

sábado, 13 de agosto de 2005

Sin City - a cidade do pecado


Pecado é mesmo uma pessoa que não aprecia quadrinhos e muito menos o 'no sense' que é muito encontrados neles, ver este filme. Quando se termina de assistir não há como ter uma idéia formada sobre se é 'bom' ou 'ruim'. É um algo de digestão prolongada, mas indubitavelmente de uma qualidade ímpar.

São três histórias de alguma maneira conectadas. Policiais corruptos, assassinos procurando justiça e, obviamente, muito sangue (nem sempre vermelho). A tirada da história é o anti-herói, duvidoso de caráter muitas vezes, bancando o salvador de almas lá não muito virtuosas (como prostitutas). Tem-se lá também os políticos corruptos, assim como o clero que entra no meio. É a situação de dominadores e dominados (leitura de Karl Marx básica aí).

Chamou-me a atenção à narrativa, verdadeiramente fiel aos quadrinhos, parece que se está lendo um e, aliado a isso, as tomadas que mais 'quadrinhos' impossível! O filme é praticamente todo em preto e branco, dando ênfase com cores no que se quer destacar num determinado personagem, criando uma atmosfera diferenciada (que não consigo definir, como muita coisa que vi naquele filme).

O pensamento corre rápido, às vezes tropeça numa cena com espanto, mas vai conectanto uma coisa a outra e concatenando que aquilo que está lá na tela distante e surreal nada mais é do que uma metonímea do nosso mundo (principalmente do que se refere a capitais), contudo com um pouco de exagero (normal!).

Fico curiosa agora para ler os quadrinhos...

Um conselho: preste atenção no início pra não ficar boiando no final! :P

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Eu vou fazer italiano :P (ainda pra se decidido dessa madrugada pra amanhã)

quarta-feira, 10 de agosto de 2005

sentido

Nada é inédito. Tudo que falarmos, por mais bonito e criativo, não passará de discurso repetido. Tudo já foi dito e passamos nossa vida repetindo tudo novamente, para que nossos descendentes nos repitam...

=> ouvindo Madeleine Peyroux - this is heaven to me

Hoje eu reparava como é inconfortável esperar alguém. Reparava também o zumbido das pessoas, todas juntas, aglomeradas falando sobre seus assuntos tão de todos. E a professora de Literatura Comparada falava de sentido: a vida e tudo que se insere nela (sociedade, política, casamento) é uma constante briga das pessoas por sentido. Elas querem que o que elas pensam seja o correto e aceitável e querem pensar assim. Quando a Igreja na Idade Média ditava o que era Arte, impregnava a tudo com o seu sentido... Depois os fizeram os reis, os grandes estadistas, os ditadores. Na verdade ela falou várias coisas interessantes, apesar d'eu não concordar com tudo, porém falou o principal para me servir de combustível, que teríamos certamente que ler certos livros, porém que ela não obrigaria que o fizéssemos só por uma prova, se for para ler que seja pela nossa vontade e cede por conhecimento. Isso pra mim bastou, lerei tudo que essa mulher pedir!

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Finding Neverland

O estalo do dia se repetiu quando eu disse pra Lívia no ônibus:
- Isso é o tipo de coisa que vocês escreve num diário pra mostrar pros seus filhos de que essa idéia não saiu do nada.
Falávamos de ciúme. Lívia, Isis e eu. Comentávamos a respeito dos filmes que tínhamos visto, sobre outdoor e consequentemente propagandas, sobre músicas (obviamente citei 'Perhaps Love' e a propaganda da Perdigão que lá de pequena adoro). Era uma assunto dentro do outro como se aquela conversa já tivesse um roteiro. O cúmulo foi quando as três esperavam ansiosas por passar por um outdoor: três olhares se voltaram em conjunto pra uma rua passando, foi raro. Valeram os comentários todos.

Antes, na aula de inglês com a nossa saudosa S. Frota, a segunda pessoa mais materialista que conheço (pq a primeira é a Madonna, claro!), quando todos já tinha ido era a tal professora falando de um filme que tinha visto em NY e resaltava com veemencia:
- O filme falava de sonhos, o protagonista tinha sonhos! Daí a importância de termos os nossos.
Logo ela falando? E mais, dando força pra Lívia fazer algo relacionado com o cinema que ela tanto ama:
- Vai menina, você é jovem e tem que seguir seus sonhos. Mas pra isso você tem que correr atrás. Faz vestibular pra UFF, ali em Niterói, com certeza você passa e faz cinema, e vai combinar direitinho as duas faculdades.
Eu abobada olhando a cena, era mesmo a S. Frota falando aquilo? Era.

Já a tarde, depois do almoço, lá pras 16h, fui assistir novamente "Em Busca da Terra do Nunca", nem preciso comentar o fascínio que me exerceu o filme. "É o crocodilo tic-tac que nos persegue não é?", se é... Que tempo é esse? O tempo de sonho, imaginação, busca ou encontro?

É o Tempo, é a Arte e o Futuro que me intrigam. Que bom, assim tenho um bom motivo pra continuar com meus devaneios aleatórios, aquela vontade de espalhar Literatura. E mais do que Literatura, sentimento de Liberdade, esse de ousar, esse de nos fazermos felizes. E me passar a lição de buscar o que eu quero sim: minha Terra do Nunca!

--

Obrigada 'leitores', que não gosto de chamar assim, afinal essa palavra parece que vem de 'leite', que não gosto nem do cheiro. Perdoem o trocadilho, logo de quem iniciou o semestre em morfologia do português... Mas é que ao ver a 'troca de casa', ou a simples reformulação de outras é que realizo que isso que escrevo não é só meu, então tenho os meus pequenos grandes 'endendedores', que mesmo às vezes não endendendo nada estão comigo, aqui e além palavras. Obrigada então entendedores.

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É algo:

"Só a poesia é capaz de dizer o que as próprias coisas jamais pensaram ser em sua intimidade". (Reiner Maria Rilke)

"Tudo pode sair muito mais bonito nas fotografias, mas sai muito mais verdadeiro nas pinturas". (Mário Quintana)

domingo, 7 de agosto de 2005

A casa dos espíritos

Mesmo o livro de Isabel Allende sendo primorozo, essa adaptação para o cinema consegue arrancar bons suspiros e reflexão.

Infelizmente no filme nem tem o personagem que mais me arrancou lágrimas e me fez pensar na (in)sensatez do mundo. Jaime.

Mas ao conhecer Clara a vida muda, de qualquer um. Ela dizia que morte não era nada de ruim, era uma mudança, assim como o nascimento. Ela tb dizia que os maus acontecimentos tinham algum sentido no final de tudo, não era pra praguejar a vida por conta dos momentos ruins. E outro legado foi a vingança: vingar não muda as coisas, então para quê?

Senti como se Clara me abraçasse também :)

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

temporada aberta para a reflexão (e desespero)


Estou 'entaguinada' com pensamentos andantes. Eles vão indo... Deixando-me aqui, vendo navios. Explico: aquela sensação de pensar tudo ao mesmo tempo, coisa atrapalhando outra. O problema não é esse (o maior), o caso é que continuo usando metáforas como se fossem areia de praia em Rio Grande, as pessoas não me entendem e nem quero que bicho-gente chegue muito perto.

A figura da Ponte, de estar em movimento na Ponte, remete aos tais pensamentos andantes em fluxo de onda abissal (essa palavra é bonita). Vou indo pensando na faculdade, nas aulas que não houveram, nas que eu poderia ter, nos colegas que poderia fazer ou não, na análise do discurso que larguei, na literatura que era o sonho aquele de minina.

E no meio do vago e vago encontro uma ilha no texto que o Tiago colocou no blog dele, o novo, a nova casa. Ele falava de universidade, falava de um jeito que me sinto muito. Sinto muito, estou perdendo tempo. Isso porque fico esperando ali sentada, calada, olhando quase que aflita. Mas só notam as saias bonitas, os mais eloqüentes, os de falsa opinião formada e decoreba nata. Lamento, eu não decoro, minha opinião é algo, não falo alto e nem uso saia.

Só tenho vontade. E sabe, de verdade porque estou nisso tudo? Pra provar pro jovem, pra criança ou seja lá quem for que Literatura é bom sim! É um néctar na vida cinza, é algo de luz, de calor, conforto puro... Inquietação e reflexação tb vem no pacote; faz crescer, crescer pro melhor e bem que há. Era isso, só isso! Acometer coraçãozinho de muitos com o sentir Literatura.

O que sobrou daquela vontade, vontade que volte a vontade aquela. Veio um monte de professor me dizendo que o que sonho não é possível. Vieram com metáforas me gritando! E agora minha ponte está ruindo. Crise do 2ª ano, disse o Tiago, que seja. Mas a paisagem bonita do fundo é o que eu ainda insisto em vislumbrar, embora acizenteiam tudo...

Pensa bem, foi só primeira semana.

terça-feira, 2 de agosto de 2005

A frase do dia!

Ao vivo, direto da CPI dos correios, do mensalão, seja lá que nome estão dando, José Dirceu com a palavra:

- Eu sou inocêncio!
- O que?
- Eu sou inocente, não foi o que eu disse?

--- Definitivamente, 'inocente' só se for de nome!
Eu sou tímida tímida tímida de marré marré marré!

domingo, 31 de julho de 2005

Julho

Tá, agora voltando ao cotidiano (ou quase isso), depois de um mês praticamente todo badalado ('praticamente todo', estranho) com direito a viagens por estradas esburacadas e imaginadas por dentre mundo de chocolates. E fechei em grande estilo na casa da vovó, recebendo aquele mimo bom.
Fazendo um balanço do mês de julho, nem sei muito bem aonde ele começou, numa esperança de férias, numa angústia de provas? Sei que tinha formatura de uma prima em São Paulo que não fui e sinto um pouco de remorso por conta disso, ela é daquelas primas presentes e a faculdade foi pra ela um período de muito sacrifício, afinal morava sozinha em Sampa. Mas presente foi ver os outros primos, aqueles que deixam ser vistos (lá em Minas tem um povo que some) e contribuem com o ar da graça deles para umas férias mais que agradáveis, desde qdo era eu novinha. Mas qdo tô lá sinto falta de gente que não está mais lá. É a vida...

A reflexão do mês, creio eu, tenha sido vida (ou morte), a linha que liga um lado ao outro. Pensei não pensando, pensei sentindo falta, pensei sem especulações, só por pensar... Vi o Auto da Compadecida e lá Chicó cita um verso 'cumpriu a sentença irremediável...' e assim vai... O Pablo ia falando do trem num poema, uma metáfora bonita essa que roubei por um instante enquanto estive por Minas. A 'Maria Fumaça', o que significaria andar nela?
Vendo hoje o filme 'Minha Vida' (com esse nome, teria eu de ver!) complementou então a idéia que já vinha se formando da vida, da falta dela... esse post não é pra ser triste, de modo algum! Nada de pessimismo, mas reflexão, pensar só caminhante por um terreno que não diz a nosso respeito! Porém sempre tateamos lá...

Pulando, teve em julho um inverno que não vi muito. Contudo bebi um tanto de chimarrão, digno do frio de pagos gaúchos. E falando em gaúchos, foi tanta coisa que não parei pra pensar direito no ano passado, no fórum mudial de educação, a patuléia em Porto Alegre chuvendo, felizes, pispiricos, cantantes e críticos (isso sempre!). Fazendo chapinha no Tio Régis, a Tia Lizi surtando e caindo na porta do banheiro(muito cômico), a Dani e eu cantando ando aaaando, a Sasa desafinaaaando mais que todo mundo junto! E o Italiano, pobrezinho, sofrendo de guia do povo da pedagogia (sempre sobra pra um Italiano), e além disso nosso fiel escudeiro em Poa, tentava nos guiar por lá... E o caso Régis e Marcelo nem vou comentar! :P

Livros, li uns tantos, reli uns alguns, não fiz as traduções de poemas (só um terminei) e nem li o livro de contos em inglês. Não sei o que me acontece, mas pro inglês me dá um preguiça sem fim, confesso! Mas não posso parar agora, ou posso? Sei lá se posso, só que não páro, nem pararei, não creio que pararia. Páro um pouco com a internet, isso é fato (queira eu!), páro de ser ranzinza logo sempre com minha irmã (tá parecendo promessa de virada de ano já) e páro, páro com mais algumas coisas que não tô lembrada. Lembrar-me-ei.

Ah, mas pensa bem, andei fazendo uns contos (tá, foi um só) e uns poeminhas (foram mais de uns), e melhor que não tenho vergonha deles, eles são frutos do agora e só. Nada demais, nada de menos. Nada e tudo em palavrinhas adjetivando minha existência, rélis caminhada de importância pra mim. Daqui a pouco mudam os dígitos da minha vida por 10 anos. E eu que sonho em ter 10 anos novamente.

Deixo julho de 2005 descansar agora, esperando amanhã uma boa volta às aulas. Deixo julho descansando com todos os outros, outros que vivi momentos de êxtase. Esse julho foi de um morno confortável, ao contrário de uns 'frios-quentes' que houveram e me deixaram sequelas de até hoje. E pior que a causa foi em um junho (30), virando uma relíquia de Julho.


Se deixar escrevo um livro sobre o mês. Deixo o capítulo aberto para os outros 'julhos' que vierem.

Sem tino...

Lua cheia,
Varinha de condão.
Casa cheia,
Cadeado no portão.

Não deixe entrar,
Saia solidão.
Deixe-me encontrar,
Saia de balão.

Suma a bomba,
Soma canção.
Em suma a bomba
Desconta perdão.

Suma cheia,
Varinha de balão.
Saia bomba,
Lua canção.

sexta-feira, 29 de julho de 2005


A Fantástica Fábrica de Chocolate é um filme que certamente marca aquele que vê de uma uma forma leve, mas que fica ali, permanente na alma desde o momento que se tem contato com a vida do menino Charlie. Adentra-se num mundo de sonhos, sonho de criança esse, da criança comum que simplesmente É criança. Charlie é essa criança, que não é heroína, nem tem poderes a la Superman; ele passa por dificuldades e reconhece na sua família um refúgio de ótimos momentos. Já as outras que passamos a conhecer são aquelas que parecem querer 'crescer' logo, preocupadas com um mundo que não é dela, não vivendo a imaginação comum da idade, que se encerra em um mundico traçado por chicletes, video games, poneis ou comida, muita comida. Para aquelas crianças o limite é não ter limite. Para Charlie o limite é a imaginação, o sonho, a fábula, o chocolate.
O excêntrico Willy Wonka abre suas portas para aquelas cinco criaturinhas, saindo uma vencedora. Venceu aquela que não nega que é criança, com idéias de crianças, concatenando com os 'absurdos' da fábrica, procurando aprender e não julgar o certo ou errado ou verossímel, afinal se é tão somente criança.
Confesso que no início quase chorei e no final saí sorridente, mais pispirica do que nunca. Vontade de vê-lo novamente é o que não falta. Um filme para todos os dias, agradável, sensível, bonito de ver, com rio de chocolate e emoção.
Ai, minha vida, quantas vezes sonhei que teria uma fábrica de chocolate! Senti-me o Charlie da história...
Divertidos!

Os arquétipos

O guloso

A competitiva

A mimada

O alienado

O menino comum
Um sonho, meu sonho.






quarta-feira, 27 de julho de 2005

Chegando então em casa. A volta foi agradável, uma temperatura amena e uma gripe em todos. Não pude deixar de observar cada centímetro da estrada como se tivesse de gravar em meu cérebro, porém acabei por cochilar em alguns momentos...

O verde era verde de vários tipos, camuflando gente, flor, bixo e a mim mesma naquela paisagem de morros e morros. Altos e baixos, como dentro da gente, como me senti várias vezes, oscilando de cá para lá em curvas fechadas de exigir atenção mais que dobrada. Estive a criar historinhas paras as pessoas que viviam nas casinhas da beira de estrada, para os sertenejos que via passar, ou na lida. A vida na roça, como é sofrida, eu me admirava e admirava cada pessoinha q passava, e via meninos soltando pipas, meu sonho de pequena era soltar um pipa. E via o senhor com a enchada passando na beira da estrada, para onde ele iria serpentiando por aquela estrada sem fim? Para onde descabaria a vida dela que bem naquele momento cruzava com a minha, ele com o chapeu preto, com o rosto sofrido, com a sandália caminhando passos curtos... E cruzava comigo naquele momento, ele olhou para mim e eu retornava o meu olhar atônito: eu existia na vida dele por uns segundos, ele existiria na minha mais do que isso.
E continuavam as curvas, e chegou uma hora q me forçava a ficar acordada, o olho desobedecia e fechava. Tanto verde igual-diferente que eu queria observar. Mantive aquela dança dos olhos por uns instantes, logo o olho vencia e fechava. Fechava consciência, fechava verde... Ia pra não sei aonde. Acordava depressa, onde estou agora? Mais verde, mais buracos. Certo momento haviam um grupo de homens que tampavam os buracos (tantos tantos) com o barro vermelho (que gruda que é uma beleza no asfalto) e colocaram a plaquinha: 'colaborem por favor'. Eu colaborei, com dinheiro, com um obrigada, pq eles faziam aquilo... Não tinham nem carro... TInham esperança de conseguir o jantar a li de certo, e eu agradecia com os olhos empapados de lamúria por tanta tanta... tanto descaso. Comigo, com a estrada, com eles. Não cuidam da gente. Não nos cuidamos, o governo não cuida, eu não cuido. Ahh, a culpa, ela cruzou com o verde e se destrambelhou pirambeira abaixo. Ficou o verde e o barro vermelho (lembra a Itália, bandeira :P).
Junto com a paisagem vinha a música, eu escolhia, escutei Kid Abelha, meu lado meloso é esse. Meu pai não gosta. Escutei também 'eu presto atenção no que eles dizem mas eles não dizem nada', e nenhuma palavra me dizia, ou dizia o que eu via, a paisagem se dizia e era só. Só eu e a música e a paisagem, livres. Presa era eu, em casa imagem, casa curva, árvores com flores lilases não faltavam, parecia que sabiam que era eu quem estava passando. Eram lilases para mim, eram sim. E eu me fazia verde pra elas. Éramos natureza, natural, eu queria estar lá, saltar do carro, parar tudo tirar uma foto e olhar sorrindo pra dentro de mim: eu seria feliz. Observando plantações de café, vaquinhas pastando, homens capinando, crianças brincando, mulheres esperando. Eu era feliz, de um feliz que é, permanece.

Páro na parte da felicidade. Deixo a lua para depois e com ela a inquietude.

:)

Saudades do blog...
As férias de internet acabaram!

sexta-feira, 22 de julho de 2005

Fah pirambeira abaixo...

Não, não caí. Pirambeira (expressão típica de Minas que denomina uma colina) é por onde ando passeando... Ruas que são um tobogã! Cima pra baixo... verde, verde, verde.
O caso é que até chegar em Valadares, pensei que várias vezes não seria possível, afinal o que tem de buraqueira nessa estrada não é mole! Eram carros, caminhões, ônibus a 20km por hora para menos, isso tudo para passar pelo 'rali'. Um absurdo de abandono fazem que 2 anos que a estrada vai só piorando! No verão, com tanta enchurrrada, há quedas de pontes, de pedaços de estrada e queda de barreiras. O caso é que não se tem descanso, acaba se perdendo o prazer de estar na estrada e... O risco é grande para todos que estão nela. É lamentável.
Em um momento passa um carro no sentido contrário e o motorista gritou 'o mensalão daqui tá faltando' e meu pai em todo o empenho desviando dos buracos deu-lhe a resposta pronta e rápida 'ééé'... E continuava a situação, só piorando.
O caso sério é a volta, enfrentar tudo novamente... arg!

terça-feira, 19 de julho de 2005

E sobre sermos professores...

Esse, se não é, será um tema recorrente do blog. Vivo neste meio de perto e a distância, inevitável não escutar histórias e perspectivas que divido aqui com umas linhas.
O último dia do curso de extensão sobre dia Clarice foi proveitoso para se ver que o que com a litératura dela ela trata de nós mesmos tão profundamente que as professoras muito falaram da vida delas. Uma contava que tinha um aluninho dela da 5ª série que se dizia apaixonado por ela (a professora) e que ele tinha problemas não só visuais(usava uns óculos daqueles beeem fundo de garrafa), mas também mental, pois ele não acompanhava os outros; os outros tiravam com a cara dele por ele ser 'estranho' e ela dizia que era cortante ver aquela criança que não conseguia acompanhar o raciocínio dos demais, além de ter um problema de família na qual ele ia ficando cego com o tempo... E ela assistindo tudo aquilo sem poder mover uma palha.
A outra professora contou de algo bem típico de professor de escola pública (supletivo) em grandes cidades, alunos que mexem com o tráfico e não aceitam o veredito da professora, questionam a todo momento pq aprender o que é sujeito se eles já estão com a vida feita no tráfico e ainda mostram bolos de dinheiro para professora, afirmando que de não precisam daquilo. E ela pergunta 'o que faz aqui então?', eles não respondem, mas estão ali para fazerem parte da estatística do governo em relação ao eficaz combate ao analfabetismo. Enquanto isso vão de 'trabuco' para sala de aula, e ai da professora se disser um 'não' para as criaturas. E eu dou meus mais sinceros parabéns ao gonverno pelo combate ao analfabetismo! ¬¬

O primeiro caso vai de encontro aquelas propagandas do governo veinculadas no início desse ano sobre escolas que deveriam estar de portas abertas pra alunos 'especiais', na sua integração com as outras crianças. Esqueceram de avisar que nem as escolas, nem os professores e nem as crianças estão lá preparadas pra alguém 'especial'. Se as crianças já normalmente pegam no pé umas das outras e exploram os esteriótipos ao extremo (quem é alto demais, gordinho ou magrelo sabe o que é isso!).
Por conseguinte vemos o que a 'escola' representa para muitos jovens: uma perfeita inutilidade. Vão ao colégio, bagunçam, ameaçam professor, sentem-se os maiorais e o motivo, qual seria? Eles não sabem! Não sabem o porquê de estudar... O estudar que é massante, chato e que desde sempre rezam por acabar.

E eu ainda fico pensando: pra que serei professora mesmo? Acho que ainda fica valendo aquela teoria de ensinar 'boas maneiras' ao invés de Língua Portuguesa.

ÊÊÊÊÊ o Dani esteve aqui!

Pois então, na 2ª feira (ontem), o Danilo esteve aqui em casa! Fui buscá-lo no terminal de Niterói e viemos aqui pra casa onde começamos a conversar sobre a cidade do Rio, sobre a FURG, UFRJ, Rio Grande, a vida, a fonética (Nãnilo), demos boas e grandiosas risadas! A internet não funcionou então ficamos escutando música no computador, ele conseguiu fazer tocar CD aqui no micro (desde qdo tinha instalado o gravador de CD não funcionava). Aí gravamos rapidamente uns CDs enquanto conversávamos e tirávamos umas fotos. Falando em foto, imaginem o Danilo tirando foto com câmera digital... Minha irmã teve ataque de riso até: ela tirou umas 6 vezes a mesma foto! ahahahah Normal do Danilo! Falamos tb de viagens, obviamente e ele conversou aqui com meu pai, mãe e tudo mais (o Danilo é super comunicativo). Pena que eu fiquei de viajar hoje, senão ele passava uns dias por aqui.
Ahh, senti-me próxima, próxima daquela patuléia ordinária! E faço o convite a eles que venham me visitar, sabendo que não é nada de um dia pra outro, mas pode-se lá pensar no assunto :) Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, o Danilo prova isso pra quem quiser ver: ele anda pelo Rio pra cima e pra baixo. E quem vier, busco onde for , trago aqui pra casa, não tem perigo de se perder. Daí saborearemos um bom chimas e passaremos ótimos dias aqui, juntos! :)

Por agora, fica em suspenso minha viagem pra Minas por mau tempo (subir serra de Petrópoles não é indicado).

Buenas!

domingo, 17 de julho de 2005

arrematando a história...ou não!

A fé é algo bonito, como a Andréia disse no comentário anterior e Lizi arrematou questionando como o povo nordestino viveria sem fé. É isso que sempre me perguntei, como aquele povo viveria sem Fé! Sinceramente não sei... Sei o que vi no "Auto da Compadecida" hoje, filme que não me canso de ver. Além de ser uma risada só, remete a uma graciosidade de pensamentos e reflexões.

A risada vai do início ao fim, mas aquela parte que aperta o peito é quando João Grilo tá pra se entregar e a Compadecida se desespera e diz que 'não', aí ele volta pra terra. Voltando, no final do filme um homem pede um pedaço do pouco que eles tem de comida e a moça dá de bom grado e ainda afirma: 'dizem que Cristo se disfarsa de mendigo'.

Eu digo que nosso conforto é tanto que não conseguimos entender o que é não ter o que comer, uma criança não ir bem na escola porque sente fome de comida e valores, a dor da ferida dos outros. Tentamos entender do que é nosso. Temos fé no nosso bom Deus.

Mas, não indo muito longe, podemos nos perguntar e como nosso vizinho vive? Como aquela mulher que limpa a sala vive? E aquele homem que capina ali adiante? E as 3483748 pessoas que cruzamos todos os dias? Os nossos amigos? Como viver com ou sem fé? O que é viver?

Deixo pra lá a essa altura os pensamento já estão trôpegos e me entrego a nada mais do que à poesia :)

Quanto vive o homem, afinal?
Vive mil anos ou um só?
Vive uma semana ou vários séculos?
Por quanto tempo morre o homem?
O que significa para sempre?
(Pablo Neruda)

sexta-feira, 15 de julho de 2005

audas audas!


A Fé é algo. Ontem estava discutindo com o Hobbinho a questão da religiosidade, como ela vem sendo deixada de lado no mundo da lógica e da tecnologia. Aí realizei, a questão mesmo não é a fé no mundo, mas sim a minha Fé. Porém a madrugada não estava nada convidativa para essas reflexões.
Agora pouco assisti novamente "Paixão de Cristo" e prestei atenção em cada detalhe, me emocionei, fiquei refletindo e indo pro mundo das questões enquanto via. Eu via a menininha Fabíola que desde cedo ia pra Igreja, pra catequese, que decorava cada oração como um novo desafio a ser vencido, como se crescesse perante Deus. A menininha que mesmo contestando algumas coisinhas mantinha pra si toda a Fé: em Deus, nela mesma, na Humanidade. Acreditava que quando ficasse grande sua Fé fosse indo junto, olhava as velhinhas na Igreja e pensava: "só depois de velho que esse povo volta", sabia todos os cânticos de cor (era uma das partes prediletas dela), até defendia Maria quando um crende daqueles armados vinha inquiri-la como se a verdade pertencesse só a um. A verdade... a menininha achava que tudo era verdade, mas nao achava verdade alguma.
E a verdade pra você o que é, inquiriu Cláudia a Pilatos. Ainda completou: se você não pode ouvi-la ninguém vai escutar por você. E é o que eu digo pra menininha, você tem que escutar por si própria, não esperar da boca do outro. Use sua mente, seus sentidos todos e busque a Verdade por si, por seus olhinhos que pequenos olham lá da alma. Menininha que acreditou, que foi sincera, que rezou todos os dias (na ordem exata de cada oração aprendida), que abraçou... Não se perca por aí, por um 'aí' passado e esquecido, volta e me ensina o que podemos aprender com a verdade, a nossa.

Indiferença

Tanto foi-se falado falado disso ano passado, qual o pior: o ódio ou a indiferença?
Andei, andei pensando... O ódio não é aquele que te corrói, consome feito ferrugem? E a indiferença, o que é? Aquilo que é 'nada', que vc não sente por alguém que vc já sentiu?
Combati que a indiferença é pior que o ódio, machuca mais alguém ser indiferente a você do que te odiar. Na verdade são passos, antes de chegar a indiferença se chega ao ódio(nem sempre). A indiferença seria o ápico do ciclo.
Quando se está naquela de odiar é pq a pessoa faz diferença, daí o 'odiar', fazia tanta diferença e nos desapontou tanto. Agora, quando se sente indiferença... A pessoa não significa mais nada na nossa existência, página mais que virada, indiferente. É suavemente mais cruel: nos consome menos, mas extinguimos o outro do nosso pensamento, do nosso cuidado.
Particularmente não sou adepta do ódio... Não por ser a pessoa mais virtuosa do mundo (hahahaha), mas por simplesmente não gostar de alimentar isso dentro de mim. Se algo me chateia ou tento resolver ou camba pra indiferença.
- Eu não sou extremista e deu! (como diria o Tio Régis).
Vou pensar mais aleatoriamente...

quarta-feira, 13 de julho de 2005

Doce invasão

Renderam meus sentimentos, roubaram minha atenção, expulsaram a amargura e calaram a solidão. Vieram aos poucos, em bandos de alguns raros para brigarem pela minha alegria e espontaneidade. Quando vi estava minha vida inundada com um tanto deles por todo o canto que eu olhava. Agora sorrio quando penso neles e torço para estarem no raio do meu olhar mais um vez.

- Rimas pobres, palavras simples... Mas não preciso de muito: pessoas que estimo, a patuléia de sempre, tulipas vermelhas, borboletas amarelas, um lugar com o pôr-do-sol mais bonito que eu possa imaginar. E só. Digo: só. Pra fazer vida lilás...

(agora era a hora perfeita de ter uma foto da patuléia, mas não sei fazer aquele treco q a Lizi me ensinou direito... bem, fiquemos com a imaginação, mais rica que tudo;)

Lembra São Chico:



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E escrevi um conto! Sim, um conto... Depois de 498273482 anos sem fazer algo de útil: um conto! Rélis conto que vem como adrenalina na minha veia. Ah, um conto... Fruto da docilidade hostil.

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Ps. 1 - Medeleine Peyroux é mesmo ótimo!!! Obrigada pela dica Andréia!
Ps. 2- Que post aleatório...
Ps. 3- Não um terceiro :P

-

Um último suspiro... Ahhh, saudades :)

terça-feira, 12 de julho de 2005

Tentativa

Confesso, hoje estou um pouco desnorteada. Não foi por conta da tia Clarice, eu juro! Mesmo sendo o último dia do curso de extensão sobre ela, hoje foi o dia mais light em termos de mergulho na literatura da tia. Estou com uma coisa de 'sei lá' com reticências muito forte, pensando repensando, cuidando a linguagem minunciosamente dentre de mim tentando, sim, tentando espairecer alguma coisa nessa mentizinha minha de garota de apartamento. É difícil, mas tenta-se.
Tento há tempos ser uma irmã melhor, menos egoísta (o quarto que é só 'meu'), uma filha mais agradável (indo ver novela com a mamãe se preciso), um colega de faculdade legazinha (participante dos eventos extra-classe quando possível), e uma boa aluna pra todos da família terem orgulho da futura médica que eles não puderam ter. Eu tento, tento, eu tento.

Ainda hoje vinha pensando no ônibus (recorrente esse veículo) uma maquininha dessa de reter pensamentos, cada parte dele e nos dar pra deleite. Deleite de quem? Aí está um dos motivos pq leio Clarice, ela é um pensamento constante, de um coisinha vai indo, indo e parando pra lá de Bagdá... e dentro da gente na verdade não para nunca. Não é técnica, é deixar-se levar... Só. Não tem nada demais nem de menos, não quero ser Clarice ou Virginia Wolf. Quero ser... existir, transcender, ser um eu 'subjetivo', não o eu dos outros. Eu me sou, quero ter forças pra me abarcar e só, só, sozinha vencer e ser vencida por essa lacuna que é viver.

Estabeleci regras a serem quebradas e retomadas, revi planos que eram pro esquecimento mesmo, proferi olhares que escaparam como suspiros inacabados e observei a sorte de gente que era sortuda por se ter e a outrem. Eu me tinha, e só, não me tinha completa. Mas as pessoas têm outras... Elas se têm? Não quis entrar nesse mérito, pq nem eu me tenho. Sem barca que me alcança, por enquanto navego. Só. Tentando. Chega por hoje :)

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Um ser que já nascera com falta. Faltava abrigo ou embarcação que abrigasse tamanha vontade do que não era. Era algo que falta consigo próprio e imperceptível a qualquer olhos. Olhos salgados por uma saudade vinda lá do infinito do não-sei-aonde. Não soubera aonde se esconder quando sentiu que sentia tanta falta por ser. Ser, aí está, era algo... Algo que olhava vazio as estradas, várias delas como um quebra-cabeça virado de cabeça para baixo procurando suprir tanta falta de si mesmo. Mesmo tão assim por dentro ele sabia que a vida era tão luz, tão externa e tão procura que cansou de faltar si quando se precisava ali.


domingo, 10 de julho de 2005

Inspirada por Madagascar




E eu sou uma zebra com crise existêncial. Sou branca de listras pretas ou preta de listras brancas?!?!?!?
:D

sexta-feira, 8 de julho de 2005

De bicicleta

"Bicicleta" foi um tema recorrente desssa minha semana. Um dia estava eu a lembrar o tempo que andava loucamente de bike pelo Rio (qdo era pequena) de casa até a pracinha juntamente com meu pai. Depois, falando da minha vontade de cruzar o Brasil de Norte a Sul de carro, vem a pessoa me responder: 'eu pensei que seria de bicicleta', com essa observação me senti tão medíocre de pensar em ir de carro... Aí, pra terminar de vez, vem a Lizi contando seu sonho no qual eu chegava em Rio Grande definitivamente de bicicleta, lá casa do Italiano (que não era no Cedro :P, mas na Buarque de Macedo) e ela se encontrava lá também a minha espera.
Acho que vou pegar minha bicicleta lilás e sair viajando por aí, vai ver que está nisso o meu destino, ao menos por essa semana! :)





Ps. Nunca pensei que fosse tão difícil traduzir poemas do Walt Whitman.

A voz do povo

Os apresentadores do Jornal Nacional ontem anunciaram contentemente que o povo poderá decidir se se deve proibir ou não o comércio de armas de fogo em um referendo (palavra estranha essa), no qual os eleitores TÊM que responder a seguinte pergunta: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?". O que eles não explicitam é que antes de responder essa pergunta nós, os eleitores, seremos bobardeados por um imprensa tendenciosa que irá mostrar que a única alternativa viável (já que a escolha está em nossa mãos), será votar CONTRA o comércio de armas. O terrorismo da Globo vem sido feito há tempos, aquele que levanta a mão pra falar a favor ou mesmo quem mostra dúvidas em relação aos 2 lados em questão é imediatamente condenado como alguém contra a paz e os bons costumes.
Só que ngm fala também que as armas que continuam matando por aí não são aquelas compradas em lojas, são as que estão ilegalmente na mão de bandidos e legalmente na mão de policiais (um linha tênue entre esses dois). O politicamente correto é o mais fácil e nessa facilidade o que seria um exercício de democracia é nada mais que uma votação simbólica pq todos já sabem o resultado.
Não gosto de armas, não me sinto bem perto de uma e nem olhando de loooonge (comum aqui no Rio os policiais com aquelas armonas dando um clima de 'Bagda'). Contudo simplesmente proibir só vai gerar um lucrativo comércio ilegal. O que se poderia fazer (contudo mais trabalhoso) seria através da tal educação (o que é isso mesmo em nosso país?), mostrar aos jovens que arma de fogo não faz ninguém virar super-herói, cultivar valores e mostrar alternativas reais para o indivíduo se inserir na sociedade como gente, não como bixo!
Na desigualdade começa tudo... Porém é mais confortável pra esses socialights de quinta aqui do Brasil se mostrar horrorizados com tamanha violência, dizer que lamentam e culpar as autoridades. Agora as autoridades passaram o pepino: eles que não querem ser culpados mais uma vez por conta do erro de toda uma nação. E Globo, continue fazendo da sua voz a nossa, assim não precisamos pensar mesmo, mais uma vez...

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Vc é que tipo?

Indubitavelmente é impossível classificar simplesmente pessoas por 'tipos', contudo a busca pelo conhecimento por si mesmo acaba levando o homem a perscrutar lá dentro e buscar os tais 'tipos'. Daí que achei uma comunidade no orkut chamada Tipos Psicológios (Jung) na qual haviam sites para fazer uns testes psicológicos para se descobrir o seu e já que trata de Jung resolvi fazê-lo. O teste é um classificador'>http://keirsey.com/ptest.html">classificador de temperamentos e acabou revelando pra mim mesma modificações da minha vida que eu mesma não tinha me dado de conta... É um conhecer-se mesmo.
E o resultado foi esse gráfico, que apontava para uma descrição de perfil que peguei de outro site (tb na comunidade) e conferi o que a tal sigla
Mas eu não sei. Há um 'não sei' que fica. Parece que devo fazer o teste novamente, pra ter certeza talvez, pq pra mtas perguntas eu tinha outra resposta... estranho, no mínimo curioso! Ah, façam tb :)

ps. não consegui colocar os links bonitinhos nas palavras :/

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Um dia desses,,,

Pois veio a tal de 4ªfeira, com ela as notas de inglês(passei!), a chuvinha e uma tarde agradabilíssima com os novos amigos da UFRJ.
O que me chamou atenção no dia foram as tais reflexões aleatórias de ônibus (pra variar) nas quais me veio aquele sentimento de querer partir sempre do lugar onde estou. Quando era pequena queria ganhar mundo, em seguida fui pra SC e lá seria só o incío pra mim, uma criatura impolgada com as tais mudanças; depois veio RioGrande, mais cedo do que eu esperava me tirando o conforto da tal mudança. Queria partir do Rio, queria partir de São Chico, queria partir de Rio Grande. E agora mais uma vez: quero partir. Que algo estranho esse que me toma e sentencia que meu lugar nunca é no lugar onde estou?

Questões! Questões não têm respostas...

Mas voltando aos amigos, eles se revelaram pra mim pessoas maravilhosas de se estar. Fico admirada comigo mesma que de bixo-do-mato convicto virei uma pessoa até bastante sociável (embora ainda mto reservada). O caso é que eles me pegaram para o grupo deles e pronto! a mágica se deu... Eu, como sempre, só tenho a agradecer, agradecimento que nem todos os sorrisos do mundo pagariam, mas um bom abraço paga os juros :)

Cada povo de cada canto é um pedaço desse quebra-cabeça que é a minha vida lilás de garota de apartamento...
Ai, ando pensando muito... minha vida é uma reticência!

'a vida é como espuma, por isso se confunde com o mar'.

ps. Li a carta da Lize 4x hj.

terça-feira, 5 de julho de 2005

Ai, minha vida!
Fazia tempo que não falava 'ai, minha vida'. Estou tensa, nervosa, roendo unhas... não é pra tanto, mas é algo quando se está pendurado e não se faz a MÍNIMA idéia do critério utilizado para corrigir sua prova.
Na 3ª fde hoje nada reflexões a la tia Clarice... Ai, chega 4ª logo, chega!

segunda-feira, 4 de julho de 2005

Guerra dos Mundos

Sabe aquele termo 'sem sal nem açúcar'? Pode se adequar ao filme como 'sem sangue e expressão'. Um filme sobre uma invasão cruel e impiedosa sem CRUELDADE! Quem não gosta desse tipo de filme, por favor, não vá! (a Lizi, que nem viu 'Laranja Mecânica inteiro, que não chegasse perto). Ao invés disso vê-se um show de efeitos especiais pra evitar que se veja justo a matança dos terráquios coagidos. Pessoas que viravam purpurina (ou um pó lá indefinivel), o que mais de 'sanguinário' se viu foi o ataque dos ser humano contra o outro ser humano em prol da sobrevivência.. contudo teve lá um ar de 'Titanic', um mamão com açúcar que acompanhou o filme todo e no final teve ser ápice!!!
Contudo não se pode tirar o crédito da outra parte do final, o que aconteceu com as criaturas alieníginas: foi o melhor final de filme alienígena que já vi! E passível de questionamentos filosóficos (pena que não posso contar!). Fora que Cruise fez bem o papel dele de pai desleixado que passa o final se semana com os filhos e que acaba tendo que preservá-los de todo ataque alienígena. E a menininha é incrível, a Dakota Fanning prova que é uma atrizinha de qualidade (coisa rara naquela fábrica de sonhos norte-americana) e é responsável por uma das partes mais interessantes quando ela questiona o pai se aquilo não seria um ataque terrorista.
Para não me estender muito: vale a pena ver o filme, principalmente para aqueles que não gostam de sanguera e crueldade que esses tais ataques de seres do outro mundo deveriam ter (tia Lizi vai gostar - o cartaz em japonês em sua homenagem). Pois se me acharem mto a la 'jean claude van dame', raciocinem comigo: um filme de guerra, invasão, poder bélico, alienígenas inteligentes e maquiavélicos querendo dominar o universo sem o choque de como verdadeiramente isso seria. É como ver 'Laranja Mecânica' sem o Alex praticando a 'ultra-violência'.

Para quem ia ver Batman... ainda vejo o filme do homem morcego! Este sim, espero que seja merecedor de elogios! (sim, sou fã de Batman)

domingo, 3 de julho de 2005

rema-a rema-aa

Finalmente assisti 'Diários de Motocicleta' e confesso que não estava nada ansiosa por ser tratar do "Che Guevera" afigura mítica que mtos idolatram. Eu só sentia que iria ter um 'q' de muito bonito, nada de revoluções armadas, mas sim revolução da alma. Acertei.

Uns jovens que chegam ao outro lado do rio, vão viajando de moto, a pé, a nado... Eles vão desafiando as adversidades dentre os países da América Latina e no fundo no fundo represantam aquele sonho de liberdade da juventude de sair por aí alimentada por sonhos e ideais por uma vida menos ordinária. Eles se sensibilizam pela pobreza do continente e se disponibilizam a ajudar mal sabendo que ali estava a chave de toda a mudança de filosofia de suas vidas. Contudo eles mentem, aprontam como qualquer outros dois jovens e estão simplesmente a caça de aventura, da mais genuína.
Isso acaba indo de encontro com um sonho meu ainda de infância que era percorrer todo o território brasileiro de extremo a extremo, só que não de moto (não gosto de motos), de carro, é mais confortável :P embora se perca em quisito 'liberdade de espírito'.
E o que ficou pra mim no final de tudo: será mesmo que a justiça social é algo inatingível? Rema-aa rema-aa...

sábado, 2 de julho de 2005

crianças...

Passei uma tarde espoleta com meus primos. Muitos desenhos animados (Procurando Nemo, Irmão Urso e Os incríveis), depois sessão 'vamos desenhar'... adoro desenhar com crianças pq elas fazen cada coisa tão tão tão linda e não têm noção. Um deles docilmente me perguntava a todo momento 'faubíla, o que vc vai me ensinar hoje, os números?'; só queria dizer mesmo que muito eu que estava aprendendo, mas isso já virou meio clichê... e fora que ele não entenderia afinal crianças são doutrinadas a 'aprender' e enfiam no cérebro delas q as criaturinhas não têm nadica de nada a ensinar. Pura mentira. Como gostam de mentir pra crianças! Igual a mim hoje, com a insitência e choradeira do meu primo querendo ir pra 'casa da faubíla', disse q voltava outro dia só pra buscar ele. Que vergonha... Bem que eu fazia em fingir que acreditava em adultos quando era menor.

sexta-feira, 1 de julho de 2005

verdade?

Muitas vezes me sinto num muro, ali na beirada pendendo de um lado e outro. Calo-me, não me zango e não emito juizo de valor. Estou ali e só, pq na verdade não sou eu a pessoa apta a julgar o errado dos outros.
-
“Encontrei hoje, em ruas separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro.
Cada um contou a narrativa de porquê se haviam zangado.
Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões.
Ambos tinham toda razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou que um via um lado diferente.
Não; cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, e cada um, portanto, tinha razão.
Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.”
Fernando Pessoa