domingo, 19 de agosto de 2007

da lembrança mais alta

Ela era a menina que sempre quis ser.

Banho de balde, alegria, vovó, plantas da vovó, pedras, terra, pipa, bolas-de-gude, Dolly Cat, Cigarrinha Feliz, Água Branca, Vitória (a galinha), Romário (o galo), Feinha (a outra galinha), queda da escada, espada do He-man, primo, Lela, mangueira, goiabeira, cana-de-açúcar, muro alto, jorge luís, 'escatabuft', adoleta, zerinho ou um, pique alto, pique parede, pique esconde, pique cola americano, Quinta da Boa Vista, Turma da Mônica, empadão, catequese, piscina, Realengo, pracinha, Brisa, alagamento, trovão.

Ela era menina que só ficava dentro de casa, não brincava com todo mundo não. O mundo dela bastava, mas quanto ia pro mundo dos outros... Fazia correnteza.

Que saudade dela.

sábado, 18 de agosto de 2007

Só um mês

Falta um mês para meu aniversário e, em outros tempos, essa data me causaria excitação e ansiedade com o pensamento na idade seguinte. Contudo, tem horas que não se espera idade, ela vem. E é assim que tem de ser... vem turbilhão de idade, de faculdade, de dificuldade, (i)maturidade e de falta de identidade.

Sabe-se lá o que estou sendo. Sinceramente, me perco entre o agora e o depois. Será que não gosto de muita coisa que digo amar? Eu fico nisso, tempo todo ultimamente. É coisa da idade... Não, é coisa do momento, da transição toda de ser aleatório pra ser adulto. Eu acho né. Nenhum especialista conversou comigo sobre mim. E nem quero.

Fico no quarto o tempo todo, não tenho mto orgulho disso. Mas o quarto é meu habitat natural. Não pertenço mais (que batido) a esse mundo aqui à minha volta. Não pertenço. Não quero. Não quero pertencer. Sou de outra onda, outra batida, outro carnaval... Sou da sonoridade leve, sozinha, mas feliz.

Vinte e dois nunca pareceram mais libertadores. Fico pensando já no 32... e depois 42... e 52... A vida passa rápido a partir daí. E agora o que mais faço é não pertencer à minha idade, à minha vida, ao meu convívio. Acho que vou perecer de tanta angústia de não poder, com vinte e dois, tomar fôlego, coragem, rufar o peito e... Ao infinito e além!

Só um mês....

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

o bombom

Tenho experimentado um mundo novo desde meio de julho. Ser chamada de ‘professora’, alvo de toda e completa atenção, vista como ‘mais velha’, responsável pelo aprendizado alheio. Uma coleção de sensações que culminou com meu primeiro presente de aluno.

Sim, eu sonhava em ser respeitada, que eles gostassem da minha aula a ponto de quererem me agradar com sua atenção, até mesmo com um docinho. Contudo, não pensei que seria tão rápido. E foi hoje, dia 9 de agosto, que ganho o doce de Nathália.

Chego mais cedo ao Mudes, vejo que ela já está na sala me esperando. Então sem muita demora me encaminho para o início da aula. Então ela tira da bolsa um bombom em forma de coração embrulhado em papel vermelho e diz ‘olha professora, pra você’. Fiquei surpresa, sem reação... Peguei o bombom com cara de toda-boba-feliz-da-vida-mesmo em um breve momento sublime da minha existência.

Alguém pode dizer ‘mas essa daí se contenta com pouco’. Esse alguém não sabe o que um bombom custa pra aquela criança, deixar de comê-lo pra dar pra professora de português (que nem nota dá, então não é por interesse). Fiquei tão encantada... (sem contar no encanto que são meus alunos novos – apesar de alguns muito barulhentos – que retratarei numa outra postagem aleatória, afinal o bombom de Nathália merece um posto só pra ele).

E há quem diga que dar aula não dá dinheiro. Com atos desses quanto vou economizar com o plano de saúde...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Nós temos inglês de Portugal

Refletindo o papel do estudioso de Inglês, fico pensando como muitos professores se lançam à bestialidade de verem a língua como somente moeda (ensino inglês pq dá dinheiro), como status (falo inglês pq é a língua chique), enfim, inglês pra colonizador ver. Isso foi tratado na primeira aula de Inglês VII (que deu mto o q falar pelo regime ditatorial), sobre o inglês para ir para Miame comprar Rayban.

São esses professorezinhos que ganham salário para comprar roupa de grife (nada contra as grifes, mas elite intelectual gastar dinheiro só com isso?!), ao invés de investir mais solidamente em algo que vai te deixar verdadeiramente livre, a educação. Já as roupinhas vão te aprisionar sempre a cada seis meses com uma nova massada de novas ‘tendências’ deixando absolutamente obsoleto o caríssimo guarda-roupa (inclusive o pretinho básico). Ao invés de usar a língua como bandeira da heterogeneidade, a usam como reprodutora da hegemonia nortista. Pessoas que não aceitam SER mestiças e estarem num país mestiço, negro de se ver.

O aprender inglês não quer dizer baixar cabeça para o imperialismo não, ao contrário, cada um que aprende o inglês comprova que a língua é do mundo e não do tal ‘falante nativo’. Esse mesmo falante nativo que até quando dá aulas de merda é o preferidinho dos cursos de inglês. Tudo isso parte daquela atitude dos professores-imbecializados que não deveriam nem ter perdido seu tempo em alguma graduação.

Creio que é essencial que se inspire na classe a criticidade, a reflexão e o incomodo de pensar não só pedagogices de como se ensinar, mas também em como usar a língua como ferramenta de transformação, pensando no nosso umbigo, cidadãos de terceiro mundo. Chega de adoração barata a qualquer porcaria de lá, querendo falar inglês só pq todo mundo fala, para entender a letra da Madonna, ou só apra um dia visitar NY e comprar uma canequinha ‘I heart NY’ e achar que chegou ao ápice da existência.

Língua também pode ser libertação! E o inglês não é do colonizador não, é nosso também, daqui!

sábado, 4 de agosto de 2007

Divina comédia humana

Te amo, te odeio, tudo junto assim... Que coisa mais clichê, mais cafona, mais do mesmo lugar comum. Mas é assim que me sinto com vc aí, eu aqui... nós despetalados pelos detalhes tão pequenos de nós dois. Se não fosse o suficiente, vc briga, faz pirraça, provoca, mostra língua; eu te digo pra não fazer, vc me chama de demodê. Ah, tenho gosto por nos ver assim, demasiadamente humanos, infantis, anormais, adoráveis e indomáveis.

É a divina comédia humana.



Divina Comédia Humana
por Belchior
Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um
encontro casual
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou viver satisfeito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um transa
sensual
Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia
Fazendo tudo de novo e dizendo sim à paixão morando na
filosofia
Eu quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana onde nada é eterno
Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi no entanto:
Enquanto houver espaço, corpo e tempo e algum modo de
dizer não eu canto

tudo outra vez

Início de semestre, momento de descumprir todas as promessas feitas no final do semestre passado. Mal começou e fico pensando no sufoco que é sempre o fim (agora que se aproxima o Grande fim), sendo necessário no início o adiantar de leituras, de trabalhos megalomaníacos e de pesquisas impreteríveis. Agora com adicional, a responsabilidade de aulas e planejamentos.

Já sei que no final vou terminar fazendo a promessa do chocolate novamente; começar me apaixonando por sintaxe e em seguida enlouquecendo; ficar com leituras acumuladas pra última hora; com trabalhos de véspera pra fazer no sufoco da meia noite... Resumindo, o mais do mesmo da rotina nossa de estudantes universitários de cada dia.

Começará nesse agosto a contagem de um ano pra terminar tudo. Terminar o que tava tomando gosto de vez de se começar agora. Terminar com vontade de começar novamente. Duvido que seja só eu que tenha vontade essa. Duvido que só eu que vá lamentar muito depois por ter terminado tudo. Ah, eu duvido... Agosto.

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Boa pedida: música do Belchior, Tudo outra vez.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Leo & Bia




"Qualquer maneira de amar valia...
E Leo e Bia souberam amar"
(...)
como se não fosse tão longe...
(...)
como castelos nascem dos sonhos
pra no real achar seu lugar"

tempos "pan pan pan pan"

Tempos de Pan, tempos de quebrar barreiras e recordes. A cidade fantasiada de Pan por dentro e por fora, com policiais nas ruas, bandeiras do Brasil, expectativa de medalhas (de ouro) por todas as partes. O Pan trouxe turismo, lucro pra comerciantes e prostitutas que disputavam os gringos a tapa. Nem tão a tapa, afinal os atletas mexicanos de vôlei estavam dando maior sopa por Copacabana, dando piscadelas para as mocinhas da pista, todos se querendo (e jogando mal pra caramba).

Mas o clima da cidade maravilhosa tava bueno, até que uma frente fria trouxe chuva, desconforto, frio... Imagina quem tava dormindo pelas esquinas da cidade como não devem ter chiado, os atletas indo competir então, nem se fale. E os turistas, improvisaram capinhas de chuva, deram seu jeito para não perder a festa Pan-carioca.

Da minha parte, adorei observar tudo. Praça das medalhas sempre cheia, jogos emocionantes no telão, shows de rock lotados e de música brasileira nem tanto. Confraternização do povo com o pessoal que não é tããão ‘povo’ assim naquele cenário de orla de Copacabana que de fato não existe, as coisas ali são uma realidade que está longe do Rio-real-de-ser. Mas vamos e convenhamos, estamos todos de férias, realidade pra quê?

ps: todos de férias, vírgula, trabalho eu!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Situação Decisiva (continuação)

- Não é algo só físico. Você é um fofo. Foi inevitável sentir algo por você.
(risadas)
- Eu sou um fofo?
- Simplesmente gosto de você. E tenho vontade de falar contigo mais do que com qualquer outra pessoa. Fico pensando em como está, em quando vou vê-lo novamente, em te fazer bem… E são pensamentos de momento todo, não de momento só.
(silêncio)
- Olha, não quero te magoar...
- Tá bom, não completa, a gente fica por aqui.
- Não deixa eu falar, é que não quer perder sua amizade com seja lá o que possa acontecer.
- Minha amizade você terá. Mas não quero beijos de brinde. Pague 1, leve 2, só xampu.


(em "Diálogos de alguma ficção")

grandes expectativas

Dia desses perguntaram pra mim o que quero da vida em termos amorosos assim. Com meu melhor olhar blasé soltei um suspiro e respondi que esperava o clichê todo aquele que conhecemos. Não convenci a audiência, por isso tive de explicar o ‘clichê todo aquele’, e foi nesse momento que descobri que não sabia que ‘clichê todo aquele’ me referia.

Quereria eu a relação meteórica, com muita paixão e arder das almas, distante de qualquer monotonia, super palpitante, contudo com prazo de validade? Ou aquela calma como as águas de um laguinho, cheia de ternura, e blá blá blás, bem bege assim? Mais ainda, aquela do imprevisível, da descoberta a todo o momento, cheio de altos e baixos, mas sempre tentando manter a força? Ou a relação cabo-de-guerra, cada um puxa pro seu lado, ninguém quer ceder, até q no final um cai?

Enfim, com seus prós e contras, cada tipo de relação não supera a surpresa de se esperar o que virá no virar da página. Isso sim me é interessante, essencial: o inusitado de tudo. Que seja clichê, que seja brega, que seja tudo aquilo, ou nada aquilo, mas minhas grandes expectativas estão voltadas pras sensações novas que isso poderá trazer. Até que a primeira briga, melhor amiga, intriga, seja lá o que for, nos separe. Ou não.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Situação decisiva

- Olha, podemos discutir relação?
- Sim...
- Então... Pra onde você acha que estamos indo?
- Em que sentido?
- Da relação... Você acha que acabou?
- Isso depende... Depende dos dois lados. Se assim quisermos, seria o fim.
- E o que você sente... É só físico ou algo mais?
- Não complica...
- Estou perguntando, pô!
- Físico... E você?
- Um pouco dos dois.
- Nesse caso, deixa eu confessar algo...

(em "Diálogos de alguma ficção")

suspiros

Esse pessoal saudosista por natureza tem saudade da sombra que foi ontem. Tem saudade do pôr-do-sol aquele de 5 anos atrás, mesmo podendo ter agora mais bonitos. Não se contenta com o chocolate, bala, traquinagem de hoje, diz que antigamente infância era melhor e mais divertida.

Gosto de focalizar o presente, no entantoo o saudosismo sempre salta aos meus olhos com imagens daquele passado que já foi, que não será mais... Contudo, bem que poderia ser, fico pensando. Meu saudosismo chega ao ponto de ter saudade da faculdade que ainda não terminou, da cidade que ainda moro, da vida que solteira que parece que não se configurará diferente pelos próximos tempos... Saudade da música do momento que não escuto há mais de 2h, de papai e mamãe que me largaram pra mim mesma.

Dia desses, sentada num canto dessa cidade de concreto, via os carros passando de supetão, todos juntos, sirenes tocando, buzinas bramindo, a melhor companhia do mundo naquele momento, poluição (sim, quem disse que dá pra viver sem ela) e aquela sensação de ‘puxa, que saudade disso tudo’. Acho que só tem uma explicação... Nasci pra suspiros.

domingo, 15 de julho de 2007

I see you... you see me

Looks like it happened again!


Descobri essa música esse final de semana por indicação de uma nova amiga e... "Darling when I see you, I see me". Não é meiguinha;)
E o clip, a menina zuretinha, totalmente aleatória, perecendo do coração...

sábado, 14 de julho de 2007

Rio cultural

Mês de julho é mês de Rio Cultural. Nada de viajar pelo brasil a fora, as férias são para dedicação total para cultura útil ou não dos espaçoes culturais, teatros e cinemas cariocas, afinal não é qqer cidade que mesmo em uma greve cultural (?) tem milhões de opções e com grande qualidade.


A pedida de todo dia será, claro, o CCBB (Espaço Cultural Banco do Brasil). Com uma programação diversificada com exposições, amostras cinematográficas, musicais e peças de qualidade, nos cativam desde o primeiro dia do mês até o último. Também não podemos deixar de lado o fascinante Odeon BR e seu clima de Belle Epoque carioca, além de espaços culturais dos correios, da caixa e a casa frança-brasil. Um tour pelos cinemas alternativos da zona sul tb se faz necessário... Botafogo se destaca nessa modalidade. Estou vendo que meu Pan será de sala em sala. Menos mal.

Com tanta coisa no mundo, às vezes é bom se voltar para o que está perto, para o q vem de dentro, para o que é daqui do lado. Não custa admirar a beleza da cidade com o céu mais bonito. Tá, a passagem é cara... Mas a recompensa será boa, tenho fé. Serei a espectadora autista de coisas aleatórias por aí. Gostei do novo título.;)

Nathália

O nome dela é Nathália. Tem olhos e cabelos castanhos e é negra. Nunca ouviu falar da cor 'amarelo queimado', mas sabe de 'azul piscina'. Ela sempre confunde o 'mas' com o 'mais'. Tem 2 irmãs: uma de 28, com três filhas, e outra de 8 anos. Ela tem apenas 11 anos, fará 12 em breve. Tem covinhas nas bochechas e disse que não sabe de 'composto' e 'derivado'. Eu disse que ela lê muito bem. Ela lê muito bem. Reescreveu o parágrafo pq pedi. Circulou os adjetivos de rosa... A ponta da lapiseira quebrava toda hora. Troca 'd' e 't', 'f' e 'v'. Seu nome é Nathália, negra, que diz ser uma menina boa que mora com o pai, a mãe e as irmãs... Mais um cachorro e um rãmister. Minha primeira aluna, buscava reforço nas férias. Nathália que mora na 'Rua Alegria'.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

A cena do beijo

- E se eu largasse tudo por você?
- Tudo o que? Sua casa, sua esposa, seus três filhos, seu emprego milionário?
(risadas)
- Está bem, não tenho nada disso... Mas você entendeu, se eu largasse tudo por você, pra ficar contigo?
(silêncio)
- Eu te daria um beijo...
- Eu falo sério... hipoteticamente sério!
- Falo sério também... Olha aqui o beijo!
(o beijo)
- Vc não acredita...
- Não é qualquer beijo, é um beijo na chuva!


(em "diálogos de alguma ficção")

Pan... do Brasil?

Por um golpe do acaso, ligo a tv para testar um cd e quando vejo está começando a cerimônia do Pan no maracanã. Resolvi não dar uma de sem graça, e ao invés de virar a cara sem dó nem piedade fui espionar o que tinha de bom, e principalmente a entrada da delegação de São Vicente alguma coisa na qual a Isis (recém chegada de terras distantes) estaria encarregada de tal delegação.

Da cerimônia de abertura tenho a comentar q foi um misto de carnaval fora de época com criança esperança, tendo como melhores partes o momento em que tocou Villa Lobos e Céu encantando todos. Por alguns segundos até pensei ‘poxa, não custava nada ter ido’, mas quando vi o início do Jornal Nacional falando de mais de meia hora de espera pra entrar no maracanã (todo fantasiado de pan e que não é o Engenhão!), desisti do arrependimento instantaneamente.

Essas coisas de esporte mexem comigo. Me sinto tão... brasileira. E hoje vendo a abertura me senti tão... carioca. E falando em ‘carioca’, o presidente foi sabotado? Sei q foi vaiado... E não discordo de todo, afinal ficou o governo federal, estadual e municipal batendo cabeça por séculos... e quase q não saia obras infinitas do pan. César Maia, aplaudido, o maluquinho narcisista está fazendo história.

No mais, negligenciaram São Vicente e alguma coisa pra passar comerciais. Globo, sempre globo. Galvão falando de sua história de espectador do primeiro pan no brasil, priceless... Oh vida, por essas preferia esperar mais de meia hora pra entrar no maracanã fantasiado de pan.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Divagações sobre a felicidade

- E vc tá feliz?
- Como assim?(risadas)
- Não liga, eu pergunto isso pra todo mundo. Deixa perguntar direito, vc se considera feliz?
- Sim sim, problemas todos temos mas eu me considero feliz sim.
- E vc se sente feliz nesse momento? Com os últimos acontecimentos e tal?
- Sim, me sinto feliz... me sinto satisfeito.
- Vc se sente feliz comigo?


(em "diálogos de alguma ficção")

domingo, 8 de julho de 2007

Alguns momentos dos melhores...


Mascote de Letras, Pretinha rules!


aren't they beautiful?


comida, comida!



zi voltou... e o sorriso todo.


Eu vejo flores em você:)

Dos dias mais felizes da vida




Não sei quais são os critérios básicos para se viver os dias mais felizes da vida; nem ao menos sei se os tais dias já passaram ou se estão por vir. O que posso inferir sobre o assunto é que já tenho grandes candidatos para o ‘cargo’. Dentre eles estão os dias da semana passada, mais especificamente o dia 06/07 em que não só um picnic foi realizado entre a turma LEJ, mas milhares de pequenas coisas se encaixaram definitivamente no seu lugar.

Certa vez duvidei do tamanho do preenchimento de uma amizade na minha vida. O que quero dizer é que pensei, amigos são muito bons, mas não sanam nossas angústias mais íntimas, nem nos ajudam tanto a sana-las, coisa do tipo, como ‘vão e voltam’ e nunca ficam de fato. Eu deveria ser severamente repreendida por esse pueril pensamento, afinal Deus (da beleza, da vida, da natureza toda), vem me mostrando que bem ao contrário do que pensava são os tais ‘amigos’ os únicos habilitados a aplacar as dores da alma.

Sendo assim, dia 06/07 foi o dia em que fizemos nossa reunião e comemoração de 2 anos e meio juntos, com direito a visita ilustríssima de convidados especiais: Isis da zoropa e Fabrício de far far away. Ademais, tivemos a turma praticamente toda (só a Jubs não deu o ar da graça), brincando, comendo, cantando (if you like pina coladas), saltitando na relva entre faculdade de letras e reitoria (olha a ocupação hein!). Indescritível a sensação de GRUPO, de UNIDADE, de EU TE GOSTO TANTO. Claro, do grupo grande se tem os grupos menores, das pessoas mais íntimas. Mas é estranho como o grupo grande todo é melhor amigo sem inveja (todo mundo torcendo mto pro outro no Brasas – again!, no CLAC, nos PORTs da vida), sem ressentimento (perdão é mto bem empregado entre os nossos), com mto carinho (os cumprimentos nossos de cada dia que o diga!), com respeito e um ‘quê’ de saudosismo que já começa a adentrar nos sentimentos do grupo.

Creio que deva ter algo de destino funcionando nessa vida, ou é Deus dando provas de ‘oh, Eu existo mesmo viu?!’, pois não há outra explicação para que caísse justo com aquela turma. Deus pensou ‘tá bom, ela é uma boa menina, merece ter um oásis na terra’, e me deu justo ‘quens’ de presente... Eles todos. São meus, todos meus. E são meu motivo para que nunca nunca deixe de vir ao Rio.

Eles são o arco-íris cheios de energia, o algodão doce da pracinha, a brisa de verão que traz a sensação de bem-estar. E esse post é só pra dizer que me descobri neles... me descobri de mim mesma. Me descobri com saia rodada e no quase-sem-querer de tudo. Me descobri carioca de coração, do coração deles. Sou mais eu pq sou...

Obrigada Papai do Céu! :)

quinta-feira, 5 de julho de 2007

domingo, 1 de julho de 2007


Yo adivino el parpadeo
de las luces que a lo lejos
van marcando mi retorno.
Son las mismas que alumbraron,
con sus palidos reflejos,
hondas horas de dolor.
Y aunque no quise el regreso,
siempre se vuelve al primer amor.
La quieta calle donde el eco dijo:
"Tuya es su vida, tuyo es su querer!"
Bajo el burlon mirar de las estrellas
que con indiferencia hoy me van volver.

Volver,
con la frente marchita,
las nieves del tiempo
platearon mi sien.
Sentir,
que es un soplo la vida.
que veinte años no es nada,
que febril la mirada
errante en las sombras
te busca y te nombra.
Vivir,
con el alma aferrada
a un dulce recuerdo,
que lloro otra vez.

Tengo miedo del encuentro
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida.
Tengo miedo de las noches
que, pobladas de recuerdos,
encadenan mi soñar.

Pero el viajero que huye
tarde or temprano detiene su andar.
Y aunque el olvido,
que todo destruye,
haya matado mi vieja ilusion,
guardo escondida un esperanza humilde,
que es toda la fortuna de mi corazon.
Carlos Gardel y Alfredo Le Pera
(Volver)

sexta-feira, 29 de junho de 2007

no ritmo...

da dança... simplesmente viciante.
Duvida?



Abba - Dancing Queen

You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Friday night and the lights are low
Looking out for the place to go
Where they play the right music, getting in the swing
You come in to look for a king
Anybody could be that guy
Night is young and the music’s high
With a bit of rock music, everything is fine
You’re in the mood for a dance
And when you get the chance...

You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen
Dancing queen, feel the beat from the tambourine
You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

You’re a teaser, you turn ’em on
Leave them burning and then you’re gone
Looking out for another, anyone will do
You’re in the mood for a dance
And when you get the chance...

You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen
Dancing queen, feel the beat from the tambourine
You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Já tá acabando!



Dentre os compromissos da semana, a provinha de sintaxe.
Teve dar forma e função sintática dos argumentos internos, falar sobre concordância e ordem, só coisa divertida.

Me esbaldei na história de conceituar o que é sujeito. Disse tudo o que não era: não poderia ser como a gramática diz, sobre o fala o predicado, por conta da estrutura de tópico (Doce de abóbora, eu gosto muito - sujeito:eu, assunto: doce de abóbora); não poderia ser argumento externo, pois os verbos inacusativos o sujeito fica como argumento interno (acho q é isso), como no caso: Acabou o assunto; não poderia ser com o que concorda o verbo, pois têm estruturas como "Havia várias coisas envolvidas". Então, o que é sujeito?

Na prova 3ª prova eu respondo. Ou não.

terça-feira, 26 de junho de 2007

últimos suspiros da fahculdade de educação

Um dia bucólico esse, com certo clima de despedida na Faculdade de Educação. O povo fala, fala mal... Mas ah, bate o coraçãozinho no ‘fim’. Era último dia de aula de psicologia da educação, filosofia e sociologia terminam de vez na 5ªf.

O prédio antigo, rangendo, mas mesmo assim imponente; o teto alto com as lâmpadas penduradas parecendo q vai cair (não é erro de concordância, é o teto mesmo que pode cair); os gatos pousando pelos tetos dos carros; as velhinhas na piscina; as escadas intermináveis; as personas mais que aleatórias; o estilo educação-física-de-vida... São algos, imagens, o sereno da manhã que ficarão mais marcados do que se pensava inicialmente. Que pieguice! (nota-se que pulei a parte das aulas, sem comentários.)

Fui na livraria do Riosul (o shopping eternamente em obra) hoje, adivinhem o que pulou à minha mão? Wuthering Heigths e Dorian Gray. Agora tenho eles só pra mim, e por um ótimo preço.

Agora vamos, vamos estudar pra sintaxe, afinal o céu pode ser o limite, mas o inferno está bem mais próximo.

domingo, 24 de junho de 2007

dos escorregões do estado do rio...

O Fabio me mandou esse link e não pude resistir em colocar aqui.

A minha predileta foi essa:

dos ventos uivantes...

Hoje foi dia de morros de ventos uivantes. Fui arrebata ao lado gótico de Heathcliff e Catherine. A princípio o tal ‘inspiração’ se negava a aparecer. Contudo, não deu muito tempo para que fosse tomada por uma diretriz e a seguisse firmemente, tendo de me segurar no corrimão para não ir além.

Meu carinho por Heathcliff é maior ainda. Meu desprezo pela leviana Catherine é menos acentuado. A história, arrebatadora.

Amor assim existe? Às vezes parece que só existe vingança.

sábado, 23 de junho de 2007

sobre reitorias ocupadas


Ao ver a notícia de que a reitoria da USP foi desocupada pelos estudantes, me vejo aqui a na obrigação de pautar meus pensamentos sobre o assunto enquanto a ‘revolta’ transcorria.

A primeira coisa: temor. Greve. Sim, eu tenho uma formatura em 2008/02 e, fora Port V, nada mais poderá ameaçá-la. A ocupação da reitoria da USP gerou muita repercussão por aqui, panelaço de estudantes, ocupação por um dia da reitoria, e as eventuais passeatas pra frente da reitoria pelo bandejão (que sairá daqui a uns 30 anos, só pode).

Depois do medo, veio a vontade de saber ‘mas que diabos está acontecendo’. Afinal, pela pintura dada ao caso pelo digníssimo jornal O Globo, os estudantes eram uns depredadores baratos que lutavam por uma autonomia absurda e ponto. Pesquisando na internet vários jornais, medindo o que cada um falava, me descobri numa inebriante simpatia pelo movimento. A bandeira não era só pela autonomia (que não é pouca coisa), mas também por aqueles itens que deveriam ser de fábrica qdo se entra numa universidade federal, tais como o tal alojamento suficiente.

Não satisfeita, fui no youtube (pelo link de uma das reportagens) e me deparei com a parte mais fascinante da pesquisa. Não falo dos vídeos at all! Mas dos comentários... Imaginem a riqueza do imprevisível, os comentários me surpreenderam pra além-mar e pela primeira (e única vez até agora), passei horas no youtube simplesmente olhando comentários.

A questão toda era expectativa... eu esperava ter lá uns contras, outros a favor, mas com certeza a maioria apoiando, claro. Ledo engano da ingênua aqui, afinal o recalque de não se entrar numa federal bateu forte e todo material daria uma maravilhosa análise do discurso.

Chamavam os participantes de ‘filhinhos de papai’, de gente que não tem o que fazer, que fica mamando no dinheiro público e ainda reclama, ‘estamos sustentando vcs’, depredadores de prédio... Bem, fiquemos só com esses adjetivos. Pensei imediatamente “mas que diabos ta acontecendo com esse povo?”. Simples, presumi em seguida, todos estavam impregnadas com ‘rede-glogo-pensamento-de-vida’. Não era simplesmente ‘não concordo ideologicamente com o que vocês fazem’, era pejorativamente uma repudia que chegava a ser desnecessária. Os cães de briga do governo.

Agora pensando nisso lembro de certo amigo que sempre diz que somos todos muito passivos. Além de sermos passivos, compramos briga por uma idéia que não nos beneficia simplesmente por introjetar as idéias ‘senso comum’ que nos vendem na mais deslavada cara de verdade absoluta.

Fiquei feliz pela ocupação da USP, creio que o movimento foi coerente e se faz necessário no mar de passividade, o que não quer dizer partir pra violência, pois o maior trunfo deles foi de modo algum entrar em choque com polícia, coisa do tipo. Eu já sinto mudar muitas coisas no meu meio universitário, é sensível todo povo querer discutir as causas do caos todo, se indignar, tomar posição. Eu mesminha no final até pensei que não seria o fim do mundo atrasar um pouquinho a colação (ok, mas essa idéia passou como um flash e esvaeceu!).

Eu sei bater porta também.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Ai, filosofia da educação...

Hoje foi a apresentação do trabalho de filosofia. A idéia era fazer um ‘experimento’ com imagens, algo diferente. Bem, tendo uma semana pra esquematiza tudo, propus que fizéssemos uma curadoria como do professor Bruno Lages (ele revolucionou a vida de todo mundo de aula), com a idéia de ‘guiar’ a compreensão da leitura de um poema/conto/romance. Fui dando a idéia logo: podemos trabalhar com Blake!

A idéia era primeiramente mostrar figuras (que tivessem relação com poema) para que eles livremente associassem uma a outra; em seguida, olhariam o poema e cada um do grupo marcaria que palavras consideram chave para o entendimento e o porquê; daí já teríamos a idéia de lentes diferentes que seria trabalhada melhor na transparência com o poema, mostrando primeiro a imagem do poema com uma lente amarela (papel celofoni), com uma interpretação mais literal do poema (que foi o “the tyger”), em seguida uma interpretação mais aguçada, falando da questão da Revolução Industrial, outra lente, azul. Teria também nosso plano de aula que estava ao contrário, só poderia ser lido com um espelho, mostrando essa idéia de desconcerto, de visão diferente das coisas.

O caso é que foi tão legal a apresentação, eu super empolgada com o assunto (ai, literatura é meu pecado), todos trabalhando pra fazer inferências interessantes, no final trabalhamos com Walter Benjamin e um pouco de Kant. Fiquei feliz... E acabou o semestre de filosofia.


Adão e Eva, quadro por Blake.
Ela fazia a seguinte distinção entre Inferno e Paraíso: Inferno - instinto, ação, caos; e Paraíso - passivo, ordem. Uma combinação desses dois elementos que irão formar uma nova energia necessária para ser feliz.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

greve!

Vcs viram q ocuparam a reitoria da UFRJ?
Olha a moda...

da inspiração

Eu já tinha me esquecido do final do semestre passado, que além de ter de conciliar todos os trabalhos/provas/compromissos aleatórios inadiáveis/dentre outras coisas, tem de ser ter um espaço especial para a ‘inspiração’. Acontece que é de praxe (está virando, ao menos), o famoso Essay das literaturas, sendo esse semestre privilégio só da Literatura Inglesa.

É um caso sério ter tanta opção de tema e de livros (inúmeras confahbulações entre ‘great expectations’, ‘wuthering heights’ e ‘the picture of dorian gray’), escolho o livro justo pq vou trabalhar com ele na iniciação científica (‘vou trabalhar’ não, deveria estar pra lá de Bagdá trabalhando) e por ser livrinho do coração acima de tudo!!! (sim, estou falando de Wuthering Heights).

O que será q me dá, que me bole por dentro... Tive idéias fantásticas pras duas outras opções, mas bem no escolhido NADA flui! Fiquei de fazer esse trabalho desde o início do semestre, e até agora o único livro que não terminei foi justamente esse. Definitivamente os números não estão a meu favor, com ênfase no número da data de entrega, dia 25 próximo.

Grandes esperanças é o que tenho de que daqui pra frente ‘baixe’ sei-lá-que-inspiração-aleatória, e venham as idéias claras feito floquinhos de neve. Que a arte pela arte me encontre, e desse encontro, além de uma futura boa nota, saia uma tão esperada boa conjugação de pensamentos, do tipo do semestre passado que quando leio ainda hoje dá um gosto: “olha, fui eu quem fez”.

É a vaidade, Fábio, nessa vida...

Né?

quarta-feira, 13 de junho de 2007

piña coladas

Eu não pude segurar as risadas ao me deparar com esse vídeo-desenho feito da música 'If you like piña coladas'.

Se eu gosto? Eu gosto! :D



*cape: a piece of land jutting into the sea or some other large body of water.

terça-feira, 12 de junho de 2007

maquiagem

Olha só que curiosa essa reportagem do Estadão on-line hoje, falando sobre o Brasil que sai teoricamente da lista negra do trabalho escravo e da prostituição, isso por ser país 'amiguinho' do poderozo chefão. Acaba-se gerando então essa outra reportagem (também no Estadão), assegurando o caráter tendêncioso do julgamente americano para o critério do risco de tráfico humano e prostituição em uma escala de de 1 até 3, sendo que o Brasil passou da 'escala 2 alerta' para simplesmente 'escala 2'. Enquanto isso Cuba e Venezuela são tidos como escala 3. Curioso, não é?

Algo que poderia ser bom de fato para o Brasil é bom só pra imagem de plástico. O mundo inteiro vai continuar com preconceito contra nosso povo, achando que aqui prostituição é carreira q vem de berço e para os homens ser trabalhador escravo é quase certo nascendo pobre. Triste, triste maquiagem.

Aos namorados do Brasil

por Carlos Drummond de Andrade

Dai-me, Senhor, assistência técnica
para eu falar aos namorados do Brasil.
Será que namorado algum escuta alguém?
Adianta falar a namorados?
E será que tenho coisas a dizer-lhes
que eles não saibam, eles que transformam
a sabedoria universal em divino esquecimento?
Adianta-lhes, Senhor, saber alguma coisa,
quando perdem os olhos
para toda paisagem ,
perdem os ouvidos
para toda melodia
e só vêem, só escutam
melodia e paisagem de sua própria fabricação?

Cegos, surdos, mudos - felizes! - são os namorados
enquanto namorados. Antes, depois
são gente como a gente, no pedestre dia-a-dia.
Mas quem foi namorado sabe que outra vez
voltará à sublime invalidez
que é signo de perfeição interior.
Namorado é o ser fora do tempo,
fora de obrigação e CPF,
ISS, IFP, PASEP,INPS.


Os códigos, desarmados, retrocedem
de sua porta, as multas envergonham-se
de alvejá-lo, as guerras, os tratados
internacionais encolhem o rabo
diante dele, em volta dele. O tempo,
afiando sem pausa a sua foice,
espera que o namorado desnamore
para sempre.
Mas nascem todo dia namorados
novos, renovados, inovantes,
e ninguém ganha ou perde essa batalha.

Pois namorar é destino dos humanos,
destino que regula
nossa dor, nossa doação, nosso inferno gozoso.
E quem vive, atenção:
cumpra sua obrigação de namorar,
sob pena de viver apenas na aparência.
De ser o seu cadáver itinerante.
De não ser. De estar, e nem estar.


O problema, Senhor, é como aprender, como exercer
a arte de namorar, que audiovisual nenhum ensina,
e vai além de toda universidade.
Quem aprendeu não ensina. Quem ensina não sabe.
E o namorado só aprende, sem sentir que aprendeu,
por obra e graça de sua namorada.


A mulher antes e depois da Bíblia
é pois enciclopédia natural
ciência infusa, inconciente, infensa a testes,
fulgurante no simples manifestar-se, chegado o momento.
Há que aprender com as mulheres
as finezas finíssimas do namoro.
O homem nasce ignorante, vive ignorante, às vezes morre
três vezes ignorante de seu coração
e da maneira de usá-lo.

Só a mulher (como explicar?)
entende certas coisas
que não são para entender. São para aspirar
como essência, ou nem assim. Elas aspiram
o segredo do mundo.

Há homens que se cansam depressa de namorar,
outros que são infiéis à namorada.
Pobre de quem não aprendeu direito,
ai de quem nunca estará maduro para aprender,
triste de quem não merecia, não merece namorar.


Pois namorar não é só juntar duas atrações
no velho estilo ou no moderno estilo,
com arrepios, murmúrios, silêncios,
caminhadas, jantares, gravações,
fins-de-semana, o carro à toda ou a 80,
lancha, piscina, dia-dos-namorados,
foto colorida, filme adoidado,,
rápido motel onde os espelhos
não guardam beijo e alma de ninguém.

Namorar é o sentido absoluto
que se esconde no gesto muito simples,
não intencional, nunca previsto,
e dá ao gesto a cor do amanhecer,
para ficar durando, perdurando,
som de cristal na concha
ou no infinito.


Namorar é além do beijo e da sintaxe,
não depende de estado ou condição.
Ser duplicado, ser complexo,
que em si mesmo se mira e se desdobra,
o namorado, a namorada
não são aquelas mesmas criaturas
que cruzamos na rua.
São outras, são estrelas remotíssimas,
fora de qualquer sistema ou situação.
A limitação terrestre, que os persegue,
tenta cobrar (inveja)
o terrível imposto de passagem:
"Depressa! Corre! Vai acabar! Vai fenecer!
Vai corromper-se tudo em flor esmigalhada
na sola dos sapatos..."
Ou senão:
"Desiste! Foge! Esquece!"
E os fracos esquecem. Os tímidos desistem.
Fogem os covardes.
Que importa? A cada hora nascem
outros namorados para a novidade
da antiga experiência.
E inauguram cada manhã
(namoramor)
o velho, velho mundo renovado.

----

Graciosa essa poesia (além de longa), combinando com o dia ;)
E eu vou estudar pra minha prova de sintaxe amanhã!

*com direito a partes prediletas em negrito.

domingo, 10 de junho de 2007

da localização




Minha atual casa... Não é que acharam mesmo?! Parabéns ao detetive.
Lembro quando vim a primeirava vez pra essas bandas de São Gonçalo. Um misto de roça com cidade grande, algo que chama atenção daqueles que querem se livrar da intensa 'civilização' da grande capital.
Lembro da primeira vez que vi o quarto mobiliado, com internet o dia todo e um vazio do tamanho do pão-de-açúcar por estar distante de tudo mais uma vez.
Ninguém disse que ia ser fácil, mas a longo prazo alguma bonança veio (eu não fui atingida por nenhuma bala perdida e nem peguei dengue - ainda); o novo mundo se revelou a minha frente e agora... Agora, e agora José? Eu, o meu 'eu' lá de dentro, não tá sabendo se desvencilhar dele assim tão fácil. Deve ser pq está diretamente ligado ao mundo da faculdade.
Sei de uma coisa, a certeza que cresceu: a minha casa é onde está meu coração. Ele muda, a minha casa não. (Como na música Nômade do Skank).

sábado, 9 de junho de 2007

Escarafuncha

Para os fãs da escatologia, nada melhor do que meu querido ex-siso para promover o melhor espetáculo do gênero. A questão é que com sua saída, apesar de todos os cuidados, ficaram seqüelas não muito positivas, e a inchação de dias queria mesmo dizer é que uma infecção tomava conta da parte inferior esquerda (lá pro final) da minha boca.

A dentista, que supostamente tiraria os pontos, promoveu um espetáculo a la horrorshow, apertando o lado esquerdo da minha boca e narrando como saía um tal pus, e não era pouco. Pediu pra avisar mamãe que precisaria abrir os pontos, mexer lá tudo dentro novamente e depois fechar, com todo carinho. Avisei, e mostrei pra mamãe o tal pus. Mamãe ficou horrorizada, era um pus verde que inundava a parte de trás da boca. Fiquei curiosa, e ali mesmo na sala de espera tirei o espelhinho que Susan me deu para passa batom a qualquer hora do dia, e fui tentar ver por mim mesma. Não fui feliz na tentativa, em seguida a dentista me chamava com tudo preparado.

Ela era do tipo sisuda, séria até demais. Novinha ainda, contudo com um ar de competência e de ‘olha, eu sei o que estou fazendo’ que impunha muito respeito. O que tem de ser feito, será feito. Ela me tranqüiliza, pergunta como estou (e eu me limito a responder que estou bem). Conto a ela do meu último trauma com tirar pontos em que todas as tesouras estavam cegas e a tentativa repetitiva de tirar os pontos e não conseguirem me fez passar mal. Agora ela me chama de sortuda por ainda ter direito a anestesia.

Vamos começar, segure-se bem firme Fabíola porque a situação irá ficar mais apertada. Meu pensamento previa o inevitável: a parte mais fácil foi tirar os pontos antigos. O caso é que na medida em que ela mexia em um novo lugar, doía, então, mais anestesia! Depois de umas 6 aplicações o trabalho tinha de ser feito. Com dificuldade ela mexia lá no final da boca, pedindo pra que eu abrisse o máximo que podia, sendo que já estava aberto o máximo que eu conseguia. A luta de abrir mais a boca foi interminável. Mas a frase mais marcante da dentista foi pra moça que segurava o tubinho de aspirar: ‘pode aspirar ali, é só carninha mole’. Ok, leva toda a carne da minha boca... Mexa, escavaca, escarafuncha. Pegue a espátula essa e fique remexendo tudo lá dentro me causando uma sensação terrível de perda de alguma coisa, de coração acelerado e me fazendo contorcer inteira na cadeira.

Ela apertava, pressionava, limpava placa do dente ao lado, isso tudo com uma força de dar inveja a Sansão. Já faço uma teoria de que dentistas mulheres têm a tendência de se fiar que têm pouca força e assim colocam toda sua força e mais um pouco; já os homens parecem ter mais cuidado, pois sabem que precisam controlar a força que têm, mesmo o paciente estando com anestesia (é depois da anestesia a coisa fica divertida).

Ela ficou incomodada o tempo todo com minha capacidade de abrir mais a boca, mas tive de desaponta-la assim mesmo, pois os danos da tal infecção tinham chegado ao meu maxilar. Como castigo, veio a hora dos novos pontos... Com todo cuidado, ajeita a agulha e sinto passando na carne lentamente. O problema foi passar novamente a tal agulha. Escapou de todas as maneiras, foi a verdadeira rebelião! Eu ali, sentada e desolada com o fim daquela cena que não chegava, vendo uma agulha entortando cheia de sangue e até pedacinhos da mais tenra carne na minha frente.

Após todo espetáculo, finalmente chegou o momento de morder a gaze e ficar esperando um pouco na cadeira enquanto ela passa milhares de remédios dos mais sortidos. Eu fico pasma, inerte na cadeira, ainda me recuperando dos batimentos cardíacos acelerados que foram os maiores da minha vida até hoje (mesmo não tendo nenhum aparelho pra medir, o sentimento aquele...).

Paguei fisicamente todos meus pecados até aqui, vou pensar bem ao cometer os outros. De fato já até risquei da agenda os programados a curto prazo. O caso agora é descansar, continuar descansando e descansar mais um pouco até o próximo veredicto na segunda-feira.

Que assim seja!

ah, deuses!







?? Which Of The Greek Gods Are You ??

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Um labirinto quase sem saída



Intrigante, desafiador.



Assustador, chocante.


O Labirinto do Fauno é um filme que explora o limite da sensibilidade, as engrenagens da realidade e os caminhos tortuosos de nossa mente.

Quem não me conhece, viu o filme e ouviu desmedidos comentários de amigos e pouco conhecidos de que esse filme deveria ver, pois era minha cara, levaria certamente um susto em relação ao tipo de pessoa que sou. Mas não tem mistério, primeiramente sou apaixonada por labirintos e lendas/histórias sobre eles; já o filme mistura realidade e contos de fadas num eixo em que não se sabe quando começa um e acaba o outro. Ou melhor, qual seria o 'verdadeiro', será que os dois realmente existem juntos?

Usando a violência do mundo real e a morbidez do mundo imaginário para compor um ambiente que vai testar a sanidade da pequena heroína, a história vem com uma premissa mais simples do que se pensa: de abrir nossas mentes pra idéias diferentes, para o novo. Um exemplo disso é a dicotomia entre o personagem do terrível capitão Vidal (aquele q domina no ‘mundo real’), um ditador que combate os revolucionários – os vermelhos – que estão na floresta, e a pequena Ofélia, criança que se deixa acreditar no mundo novo que o Fauno lhe trás e crê que pode ser uma princesa em outro mundo.

Vemos que del Toro é mesmo fã de escatologia e com isso o filme perdeu um pouco da essência mítica. Trate de bem e mal de forma tão simplista e repetitiva que chega a ofuscar um pouco a bela fotografia. Mas apesar disso, vale a pena ver e se deliciar com os implícitos dentre imagens e idéias jogadas sutilmente pelo diretor. Em suma, um labirinto que por muito pouco ficava sem saída.

domingo, 3 de junho de 2007

bobeirinha

o que está acontecendo?

Já vamos parar o terceiro dia sem nem poder falar direito.
Dente, dente meu!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

da aula

E eu ia aprensentar capítulos de Huck Finn na aula de literatura americana (29.30 e31). Mandei todo mundo ler e apresentar no meu lugar. Autoritária. O caso é que já na semana passada tinha eu falado sobre quase o livro inteiro...

vou deitar, vou deitar.

dente, dente meu

Eu arranquei um dente inteiro em pedacinho. Eu não, o dentista simpático fez isso, junto com a assistente não simpática. O caso é que logo no início, quando ele iniciava o procedimento e descaradamente cortava a carne da minha gengiva, pensava eu: mas pra diabos eu vou tirar esse dente?

Ele é um siso incluso na parte inferior a minha esquerda. Ele estava tão bem, tão feliz... E eu tive de passar horas de agonias pra tira-lo do meu corpo, lugar que pertence a ele, q ele nasceu e viveu tantos anos. Então, tirana do jeito q sou, vou e decido que tem de sair, afinal na fila ainda tem mais 5 dentes.

Pobre dente incluso, pensava, eu eqto o dentista ia com a broca perturbá-lo. Peço a ele q me perdoe, mas era necessário. Eu tinha de partir pra frente. Eu sei q nada foi igual em mim depois da retirada do meu 3º siso (este foi o 4º), mas a vida tem de continuar, eu não posso parar por conta da dor que senti no passado.

No 3º siso eu sentia a dor lá na raiz, onde a anestesia não tinha chegado. Ele me fez sentir dor, sentir vontade de não querer aquilo. Foi onde vi q não era simplesmente diversão, era algo q mexia com a vida da gente pra sempre e sempre... E até hoje me lembro da dor, ah.. aquela dor!

Mas eu tive de seguir... Perdoe quarto siso, vc teve de sair. Teve de acontecer. E nem lembrei de te levar pra casa. A gente fica displicente em certas coisas qdo passa o tempo.

Sei q meu rosto do lado esquerdo tá que parece uma bola. Só espero q eu não me chute no meio do devaneio da febre e tudo mais.

Era só um siso incluso...

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Mais um dia

Estava eu no elevador, subindo para meu querido 6º andar, acompanhada de um moço por volta de seus 40 anos, com traços indígenas, que abriu a porta do elevador para que adentrasse, quando, perto de seu 3º andar ele profere a frase ‘mais um dia se passou’. Se tivesse um espelho a minha frente ele notaria minha cara de espanto. Como assim mais um dia? Isso é bom ou é ruim? Tem alguma coisa errada com mais um dia? Ou é algo extraordinário-maravilhoso-fantástico, programa imperdível: Mais Um DIA, Mais VOCÊ!?

Aquele ‘dia’ dele tinha não só o ‘quê’, mas um alfabeto inteiro de Monalisa! Era indecifrável e ao mesmo tempo se permitia a duas interpretações, assim como os dúbios olhos de ressaca de Capitu. Traiu ou não Bentinho? É bom ou não que mais um dia tenha se passado?

Vai ver o comentário dele está mais pra ‘tem uma pedra no meio do caminho’. Nada mais que uma pedra. Nada mais q um dia... O normal é que o dia passe, por isso se passou mais um dia. Um dia inteiro se foi. E afinal, que mais falar num elevador numa noite de 5ªfeira? Comentar do tempo? Não, está muito batido. Então, vamos falar algo diferente: o dia que se passou.

Então é só isso que tenho a comentar: mais um dia se passou.

terça-feira, 29 de maio de 2007

conceito psyco I



rascunho... do caderninho do sapo rei, presente do JN.


que organização!!!

segunda-feira, 28 de maio de 2007

análise, análise...

Olha só a novidade, retomarei a análise de discurso nos pagos cariocas. Depois de uns... 2 anos afastada de qqer terminologia do meio, volto eu a pesquisar profundamente o mundo discursivo em relação a material didático, examinando tb o discurso midiático.

E o melhor, eu tô sendo paga pra isso. Ah, vida! Minha vida!

domingo, 27 de maio de 2007

Horrorshow, the old in-out e ultraviolência



Esse final de semana vi os inéditos Horror em Amityville (só se for pra mim né) e 9 semanas e meia de amor (ui ui ui), além do mais que reprisado no meu DVD, Laranja Mecânica. O cardápio foi diversificado, sendo possível com a contribuição da videoteca de Lív Mary e Thi.

Do primeiro, conversava na própria 6ªf sobre O Iluminado e JN fazia uma comparação (embora ele não tenha visto o clássico de Kubrick). Sempre tive preconceito com Amityville por achar um terror ‘fraco’, repetitivo e descartável. Vendo o filme constatei isso na prática, a velha história de cemitério indígena, criança sensitiva, influência maligna da casa, o cachorro morto (isso me lembra o filme da “Caroline”, aquele sim, é terror – hoje tosco – de verdade). Mas vale a paciência, não é dos piores... Agora O Iluminado sim, eta obra prima!

Indo pras semanas de amor, quem pensa que vai encontrar pornô-romance se engana (ainda bem, afinal ver cena um tanto qto explícitas dentro do convívio familiar é constrangedor). O filme foi revelador pra mim, tratou de algo tão simples e com categoria: a falta de intimidade. Não sei se poderia chamar ‘intimidade’, mas sabe aquele tipo de pessoa que chega e adora um mistério? E tudo q vc quer é um relacionamento normal (ou quase, afinal nenhum relacionamento é normal), apresentar o tal charmoso a seus amigos, saber da vida dele, do passado, da família, etc... Mas ele se fecha, te promete tudo (carinho, dinheiro, dar comidinha na boca e... tudo mais!), só que aquilo não é suficiente. A personagem de Kim Bassiger, em meio a quase falta de sanidade, passa por cima do ‘eu te amo’ do moçoilo e larga um ‘agora é tarde’, aplausos pra ela (afinal era óbvio q o próprio moço não estava preparado pra lagar seus joguinhos e pensar seriamente na palavra 'amor'). E 'slave to love' é música chiclete hein...

Mas a revelação do final de semana foi a minha querida e amada Laranja Mecânica. Isto pq todo momento que vejo esse filme meu cérebro parece que se atenta a um novo detalhe, sejam as cores, a trilha sonora, ou aquele olhar instigando do Alex. Fico praticamente hipnotizada com a tela, me rendo inteiramente a ‘surpresa’ que já sei. Creio que essa seja uma daquelas histórias bildungsroman (palavrão), assim como Great Expectations e Huckleburry Finn, donde o personagem vai aprender uma lição com o passar do tempo. Mesmo Alex não estar na infância e passar pra adolescência, creio q a passagem e aprendizagem vai de irresponsabilidade total para o despertar de uma fase adulta que chegará em breve (a qual ele já pode ver refletida em seus amigos q, em dois anos que ele esteve preso, estão trabalhando na polícia). Digo isso pq duvido que depois daquilo tuuudo Alex volte a praticar ultraviolência com o mesmo gostinho, apesar de ele afirmar ao final do filme ‘voltei a ser o mesmo’. Aquele mesmo não fica com gosto de ‘O Mesmo'. Daí tenho grande curiosidade pelo final do livro, que é diferente, vai ver q no livro fique mais clara essa vertente de bildungsroman. Quando me dei conta disso vendo o filme, foi a mesma sensação de Alex ao escutar a nona sinfonia de Beethoven.

Agora deixa eu voltar pra psicologia da educação, pensar cognitivismo, chomsky e alguma coisa mais.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

a vida é tão rara



e não pára não.

Aniversário

Hoje é aniversário da minha irmã. Sabe que sempre lembro tudo q acontece nesse dia... Acho q isso acontece desde que ela nasceu (combinemos, foi um grande choque pra mim). O caso é q minha mãe foi pra maternidade (de noite) e minha tia aleatória ficou tentando me distrair (mas ela ficou mesmo escutando o rockzinho dela), enquanto eu não parava de perguntado “onde todo mundo foi?”. Claro q eu sabia q acontecia alguma coisa, mas o prazer da surpresa era algo q guardava dentro de mim esperando ‘nossa, será q estão fazendo alguma coisa pra mim?’. Convencida, nada nada... Mas eu era única de tudo, primeira de tudo, absoluta. Aí veio aquele bebê de choro estranho e estridente e eu senti medo... Medo de perder mamãe. Depois medo de segura-la no colo e mais adiante medo das mordidas dela (que eram poderosas). E passei a vida dela toda até aqui sentindo medo: medo q se machucasse, que não fosse bem na escola, que a maltratassem, q a fizessem chorar. Desses medos todos, nunca tive medo q ela não gostasse de mim, que me achasse a chata mor, que não quisesse minha companhia. Mas agora eu tenho um medo danado, mas assim, do tamanho do mundo, que ela nunca saiba que foi meu primeiro amor, minha primeira filha, meu primeiro grande medo que me fez querer mudar, querer crescer e me tornar um bom exemplo pra ela.

Deixa estar, amor vem de Deus e há de ser sempre reconhecido, quiçá moverá montanhas. À minha irmã, o ser que não compreende meu amor, mas que amarei de todo modo (não sou fácil em sentimentos assim), todas as glórias de milhares de futuros gloriosos que tracei pra ela na minha mente... toda parcimônia, calma e compreensão com esse mundo q cansa.

(e eu choro assim, juro que choro.)

E se fosse oferecer uma música pra ela (que coisa brega), seria Why Worry do Dire Straits (vale a pena escutar, e como! É liiinda, é de carinho infinito).

terça-feira, 22 de maio de 2007

22

Dia daqueles hein. Vou dormir com tanta vontade q talvez demore só meia hora pra pegar no sono, o que é um prodígio pra quem leva em média 1h.

Eu me sinto tão amarela, de um amarelo queimado, quase laranja. Acho q o outono tá chegando em mim, as folhas já tão pra lá de caidas, as novas estão nascendo e daqui a pouco teremos frutos. Bons frutos ('bons' arbitrário ali, pq de frutas podres já deu nessa colheita).

segunda-feira, 21 de maio de 2007

fahlando sobre música...

papo inteiro sobre um caso de música e linguagem com meu amigo compositor e companheiro de programas culturais, Thiago. (quanto thiago/tiago nessa vida!)


Fah diz:
deixa ver se entendi
Fah diz:
vc tá defendendo q o discurso sonoro qdo percebido pelo individuo, além de só sentido, ele podendo ter entendimento maior da obra
[c=48]Trighost[/c] diz:
sim...
[c=48]Trighost[/c] diz:
justamente nakela parte q vc me corrigiu eu quis dizer implicitamente q música não é uma linguagem...
[c=48]Trighost[/c] diz:
ela é a própria exposição das idéias... o próprio entendimento, sem a necessidade de recursos para interpretá-los...
[c=48]Trighost[/c] diz:
por isso q as pessoas não definem música direito... pq sempre querem dizer q ela quer dizer alguma coisa... fazendo analogia a coisas no mundo físico...
[c=48]Trighost[/c] diz:
qdo ela é metafísica
Fah diz:
entedo
Fah diz:

---

c=48]Trighost[/c] diz:
lembra dakela primeira música q te mandei, pra violoncello solo do Britten
[c=48]Trighost[/c] diz:
ok
[c=48]Trighost[/c] diz:
acha q ele queria dizer alguma coisa senão akele belíssimo canto...
[c=48]Trighost[/c] diz:
é pura estética, mas com concientização, pois ele faz gerar sentido.... e isso só se faz (pelo que estou estudando e comprovando) através da repetição, reiteração e reincidência...
Fah diz:
ahh
Fah diz:
vou até escutar
[c=48]Trighost[/c] diz:
ok
[c=48]Trighost[/c] diz:
vale a pena
Fah diz:
pq to vendo q pra musica funciona beeem diferente
[c=48]Trighost[/c] diz:
como
Fah diz:
funciona diferente em relaçao a literatura
[c=48]Trighost[/c] diz:
ah sim... com certeza...
[c=48]Trighost[/c] diz:
acho q o mais próximo é a pintura abstrata...
[c=48]Trighost[/c] diz:
daí vejo como é linda e poética a pintura abstrata com esses "novos olhos sobre a música"
Fah diz:
sim sim
Fah diz:
interessante a comparaçao
[c=48]Trighost[/c] diz:
ouviu o Britten
Fah diz:
ouvi
Fah diz:
eu tava pensando nessa questao estética q disse
Fah diz:
eu tava pensando num filme
[c=48]Trighost[/c] diz:
aí q é legal q a gente pode falar sem medo... " É liiiindo"
[c=48]Trighost[/c] diz:
qual
Fah diz:
nao, em geral
Fah diz:
tipo
Fah diz:
poderiamos pegar essa musica
[c=48]Trighost[/c] diz:
ah tá..
Fah diz:
e colocar como trilha de qqer momento..
Fah diz:
nao qqer.. mas enfim,
[c=48]Trighost[/c] diz:
bem, acho q no filme se misturam mtas coisas né...
Fah diz:
daria pra encaixar numa preparaçao de casamento, as pessoas contado as horas.. ou num momento chuvoso da morte de alguem
[c=48]Trighost[/c] diz:
ah, qdo a música é empregada como trilha daí o pensamente já totalmente eviesado
[c=48]Trighost[/c] diz:
sei
Fah diz:
agora
Fah diz:
vamos pensar
[c=48]Trighost[/c] diz:
sim
Fah diz:
em colocar 'no meio do caminho tinha uma pedra' momentos antes de um casamento..
[c=48]Trighost[/c] diz:
e enquanto pensamos pegue isso
[c=48]Trighost[/c] envia:

Cancelar(Alt+Q)
Fah diz:
fica meio surreal
[c=48]Trighost[/c] diz:
hehehe sim....
Fah diz:
dificil de encaixar de forma coerente
[c=48]Trighost[/c] diz:
sabe o q eu penso de surreal...
Fah diz:
até poderia, mas seria absurdo
[c=48]Trighost[/c] diz:
é exatamente isso q vc disse..
[c=48]Trighost[/c] diz:
o surreal desafia constantemente o nosso cognitivo...
[c=48]Trighost[/c] diz:
ele sempre coloca duas coisas existem no plano físico mas q já mais coexistiriam...
[c=48]Trighost[/c] diz:
por isso é surreal, Eu Real... o meu real
[c=48]Trighost[/c] diz:
impossível seria o suabstrato, pois é experiencia estética pura...
[c=48]Trighost[/c] diz:
no surreal vc não tem como estar livre de conceitos e interpretações de experiencias constuídas previamente...
Fah diz:
sem querer acertei
[c=48]Trighost[/c] diz:

entendo..
Fah diz:
mas nao sei se concordo
Fah diz:
vc defende q a música É por si só
Fah diz:
nao é isso?
[c=48]Trighost[/c] diz:
hum...
[c=48]Trighost[/c] diz:
sim
Fah diz:
só q não é por ela SER q ela deixa de ser linguagem
[c=48]Trighost[/c] diz:
como seria uma pintura abstrata tbm... mas logo o abstrato não existe...
Fah diz:
e diria q justo por SER ela é linguagem
[c=48]Trighost[/c] diz:
olha, se a liguagem não existisse, para nos comunicarmos teríamos q pegar todos os objetos e botá-los na frente da pessoa com quem queremos nos comunicar...
Fah diz:
ah
Fah diz:
vc tá falando de língua
[c=48]Trighost[/c] diz:
é isso q a música faz... ela joga na cara os seus objetos.. tendeu
Fah diz:
linguagem tá em todo lugar..
Fah diz:
ah
Fah diz:
pera aí
Fah diz:
mas tem uma coisa
Fah diz:
ao ver alguem tocando eu nao vou entender mais ou menos da música
[c=48]Trighost[/c] diz:
sim, diga
Fah diz:
ao ver o instrumento sendo dedilhado
Fah diz:
nao vou entender mais
Fah diz:
se eu nao entendo de musica
Fah diz:
nao sei se é esse o ponto
[c=48]Trighost[/c] diz:
não é pra entender... é pra perceber... não queira entender como se alguem quisesse dizer uma mensagem, a "mensagem" da música não tem significado no plano real... é a pura exposição de objetos sonoros e como eles se dispoem no tempo...
Fah diz:
entao
Fah diz:
logo é linguagem..
[c=48]Trighost[/c] diz:
como se eu pintasse um quadro, mas não querendo mostrar pra vc um lugar ou um rosto de uma pessoa, daí a pintura abstrata.... pq vc não atribui sentido nenhum se vc for buscar no plano físico, no q vc vê, simboliza e constrói pelos estímulos...
[c=48]Trighost[/c] diz:
liguagem é qdo vc faz o uso de palavras... concorda
[c=48]Trighost[/c] diz:
palvras nos trazem a objetos, assim como os objetos nos trazem a palavras...
Fah diz:
nao
Fah diz:
tem linguagem corporal
Fah diz:
linguagem de tudo qto há
Fah diz:
desenho de criança é linguagem pura
Fah diz:
o choro de bebe é linguagem
[c=48]Trighost[/c] diz:
tbm, de qq forma nos trazem algum significado q não seja apenas um desenho...
[c=48]Trighost[/c] diz:
qdo um bebe chora, ele quer dizer algo.. certo...
Fah diz:
sim
[c=48]Trighost[/c] diz:
na música... se um bebe chora ele que simplesmente mostrar o som do seu choro... e nada mais...
Fah diz:
mas a pessoa ao escutar a musica ela vai atribuir algo dela.. até se nao goste
[c=48]Trighost[/c] diz:
ele não quer dizer q está com fome ou frio...
[c=48]Trighost[/c] diz:
é a pura apreciação estática do choro... sacou
Fah diz:
aah
Fah diz:
entendi
Fah diz:
entendi
Fah diz:
seu ponto
Fah diz:
pura apreciaçao
Fah diz:
da linguagem!
[c=48]Trighost[/c] diz:
logo, não é linguagem...
[c=48]Trighost[/c] diz:
qdo vc vê um desfile de moda...
[c=48]Trighost[/c] diz:
akelas roupas "ridículas"
Fah diz:
aaahuahudashda
[c=48]Trighost[/c] diz:
não querem dizer nada... pois elas próprias já são o objeto presente...
Fah diz:
é linguagem.. linguagem do mundo artificialmente construido pra gastar dinheiro
[c=48]Trighost[/c] diz:
agora se uma modelo desfila com algo em protesto, um desfile de conceito... aí já foge da estética...
[c=48]Trighost[/c] diz:
rsrsrs
[c=48]Trighost[/c] diz:
mas acho q agora vc entendeu
[c=48]Trighost[/c] diz:
o mal das pessoas qdo escutam música, principalmente a instrumental e contemporânea é pq elas querem atribuir significado linguístico a ela...
Fah diz:
eu entendo um pouco a sua revolta
Fah diz:
mas acho q a culpa nao é linguistica
[c=48]Trighost[/c] diz:
e o grande lance está em vc receber os estímulos, indentificar os objetos puramente explícitos ali... e entendelos no discurso temporal, como ele se dispôes, se transforma, se movimenta.. e onde estão seus limites, onde começa outro objeto..
Fah diz:
eu diria q as pessoas buscam um 'certo' 'errado', aquela tendencia q teve em literatura comparada de querer saber da vida do autor minunciosamente pra falar sobre a obra dele
Fah diz:
sendo q a obra dele simplesmente É
[c=48]Trighost[/c] diz:
exato...
Fah diz:
nao tem q remexeer a vida dele
[c=48]Trighost[/c] diz:
e mais, qdo algum diz q não gostou da música é pq não a entendeu... não conseguiu distiguir seus objetos e seus movimentos ou percursos...
Fah diz:
tipo a classica historia do poema de drummond q caiu numa prova de vestibular
Fah diz:
o 'no meio do caminho tinha uma pedra'
[c=48]Trighost[/c] diz:
embora o compositor, as vezes faça de tudo para q isso fique bem claro...
[c=48]Trighost[/c] diz:
hum...
Fah diz:
ele disse q tb erraria a questao com o poema dele, pq ele simplesmente quis dizer q no meio do caminho tinha uma pedra e nada mais
[c=48]Trighost[/c] diz:
rsrs sim...
[c=48]Trighost[/c] diz:
mas mesmo assim... ele teve q escrever "no meio do caminho tinha uma pedra"
Fah diz:
entao vc defende q gostar da musica nao implica em entender ou nao entender
Fah diz:
eu vejo assim
Fah diz:
como poesia e musica
Fah diz:
a poesia vc nao tem de entender do jeito 'certo' pq nao tem jeito 'certo'
Fah diz:
ela é o q vc constroi daquilo
[c=48]Trighost[/c] diz:
mas ousado seria se ele fosse um artista plástico... como o Duchamp e colocasse literalmente a pedro num caminho...
[c=48]Trighost[/c] diz:
só q a poesia necessita de palavra.. no máximo ela faz um mimo entre as palavras pra despertar um uso sonoro que elas possam causar... por isso q certas poesias perdem total impacto qdo traduzidas...
[c=48]Trighost[/c] diz:
tipo, nenhum japones entenderia o poder de
Vozes veladas veludozes vozes...
[c=48]Trighost[/c] diz:
sacou
Fah diz:
sim sim
[c=48]Trighost[/c] diz:
e daí a música é universal... pois transcende a linguagem para estimular o nosso processo cognitivo...
Fah diz:
certamente
Fah diz:
nesse sentido, a musica ganha
[c=48]Trighost[/c] diz:
lembra do Duchamp qdo botou akele mictório
[c=48]Trighost[/c] diz:
ou qdo desenhou um charuto gigante e escreveu "isto é um charuto" (mas acho q esse foi magrite, não sei)
Fah diz:
sim sim
[c=48]Trighost[/c] diz:
poxa, adorei esse papo... posso dar uma sugestão... posta td isso q a gente discutiu aki no seu flog... q tal
Fah diz:
aah sim
Fah diz:
boa boa
[c=48]Trighost[/c] diz:


______________________________

E é disso q comunicação é feita... e continuamos o duelo todo.

domingo, 20 de maio de 2007

a cura

Sabe que sou até uma menina espertinha, combati a ferro e fogo um vírus aleatório de última geração q se instalou ontem no meu querido e amado pc. Depois de muito choro, vela e fita amarelal, além da essencial ajuda do Tiago, a incrível fah (se sentindo a heróina) arrancou belos cabelos o invasorsinho de quinta.

O mundo foi salvo outra vez...

E sabe, tenho de me gabar, disseram q apesar de pós-moderna sou muito inteligente. Nota-se o _muito_ ali. E é assim ó, muito! ahahaha (eu disse, disse q ia me gabar... apesar do pós-modernismo todo :P).

Um recado de última hora pra quem fez o elogio: não tenha ciúme não.

Pra todo mal, a cura! ;)

sábado, 19 de maio de 2007

as invasões bárbaras



e em seguida veio Primo Levi e eu entendi a charada toda. ;)

Belo filme, sensível, crítico e de pôr semente de criticidade na cabeça da gente.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Huck finn é o máximo!


Me sinto tão ele entre cidade e floresta... não querendo ser sivilized! Como pode isso? Quero ter 13 anos novamente!
Ele vê q as pessoas civilizadas pregam uma coisa e fazem outra. É cômico a reação dele pras superstições de Jim (o escravo fugido que acham q matou Huck); ele não entende como Tom Sawyer consegue enrolar tanto as coisas pq 'assim que está nos livros'; ele mente horrores e se cansa de pensar na moral e no que faz bem pra ele.

Vale a pena conferir na sparknotes.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

homenagem

O dia já no seu início anunciava o inusitado: perdi 2 ônibus vazios que passaram, peguei um cheio com um vazio logo atrás, passei mal (pressão baixa e pagando o mico de pedir pra sentar pra não me esborrachar no chão), isso pra não ter a primeira aula (que o professor NUNCA falta - até que falta um dia). Ao invés de dar uma lida nas coisas de literatura brasileira pra prova em seguida, resolvi papear pq àquela altura era o que melhor se configurava para mim.

A prova transcorreu muito bem, falei sobre Dom Casmurro (dentre tanto a escolher) e o plano onomástico. Saí animada pronta pra falar de Wuthering Heights, quando descubro q fomos dispensados de literatura inglesa pra uma tal palestra sobre Shakespeare numa sala destinada a eventos ilustres da faculdade. O lugar era pequeno, formava-se um quadrado com as mesas, com os professores (que até então não sabia que vinham de diversas partes do Brasil) e alunos apinhados por todos cantos, tendo a sorte eu de sentar no chão atapetado (pra tudo dá-se um jeito). Pus-me a anotar o que a tal Marlene Soares dos Santos, velhinha sorridente, falava sobre a narrativa e o teatro, focalizando o teatro shakespeariano (um deleite, garanto). Em seguida, fala uma mineira sobre ideologia dentro de Shakespeare, numa peça chamada 'Tempestade' que até então nem conhecia. Na hora das perguntas é que veio a surpresa, além do comentário da gaúcha de que a ilha da "tempestade" de shakespeare pode ser aqui no Rio, veio a supreendente homenagem a dona simpática.

O caso é que é nessa semana que a senhora simpática e modesta comemora seus 70 anos, e pelo que pude comprovar, também o pleno reconhecimento no que faz por sua total simplicidade, generosidade, como falaram: não compartilhando do ethos da sociedade moderna de estrelismo, competitividade e mesquinhez. A dona marejou não só os olhos dela de lágrimas, como de muitos ao redor. Foi a choradeira mais alegre, pois todos viam refletido nela o famoso 'queria ser assim quando crescer'. E te digo, amigo que me lê espassadamente, Marlene Soares dos Santos é um grande exemplo de se colocando amor no que se faz só poderá dar bons frutos, que reconhecimento vem como consequência, além de ela ser das que acredita que sempre se pode exigir mais da inteligência do aluno (isto é, ela reprovava mesmo, sem delongas).

Ela estava ali, e com seus 70 anos... Se fosse dito que era homenagem, não vinha, não era dada a essas cousas. Mas qdo disseram que era palestra pros graduandos, veio exultate, sem exitação em compartilhar seu conhecimento. E contou risonha de quando a perguntaram se ela não temia os 70 anos e respondeu 'eu temo sim, mas conheço muita gente que passou dos 70 anos e sobreviveu'. E como ela disse, está com seus 70, mas renovada pelos amigos ao redor, pelos que a procuram ainda hoje. Contou que ao se aposentar na UFRJ depois de anos de casa (ali desde a graduação e sempre ali - e o bonito é que alcançou renome nacional e internacional sem nunca ter saido dali), sentiu que fosse parar de ser parte daquele todo, contudo procurava pensar que na verdade sempre faria parte. Agora ela tinha certeza que fazia parte sim da UFRJ e citou Machado de Assis: "Por essas honras..." esqueci o resto, mas sei q tinha consolo, algo como 'essas honras valem como consolo'.

É, aprendi em 1h e meia o que se custa a ver em anos de faculdade. E que vejo muitos se formando sem ainda ter aprendido. E ainda teve bolo! Sorrisos, clima bom assim em anglo-germânicas e letras inteira... Todos falaram a língua da ternura.

domingo, 13 de maio de 2007

só pra lembrar

que hoje é dia de reunião na casa do Antonio... e eu queria jogar imagem e ação!
Além de caçoar de certo italiano dizendo 'feliz 24' :P

Ao invés disso, vou fazer meu resumo até o capítulo VI de Wuthering Heights, e ainda terminar Dom Casmurro pra prova de litbras amanhã, não esquecendo de dar uma boa lida nos outros resumos de livros (5 no total). (e olha a hora!)

sábado, 12 de maio de 2007

PicNic LeJ



Nossa, essa vai pra história! Bendito seja o Fabrício q registrou esse momento.
Detalhe, a cada semestre as pessoas sofrem mutações acentuadas, destacando-se Jorge Nelson e Thi, fora eu mesma.

Essa foi minha primeira confraternização com a turma (quiça a primeira da turma), todos tomaram chimarrão, e fizemos a novela 'Chimas da Paixão', que faltou ser escrito o script até hoje, além de risadas e gracejos comuns de dias como esse.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

pra pular

Socorro, eu já não tô sentindo nada. Nem medo, nem calor, nem fogo... não dá mais pra chorar, nem pra rir. Socorro, qualquer alma mesmo q penada me empreste suas penas! Já não sinto amor nem dor, já não sinto nada...
Faço minhas as palavras de Arnaldo Antunes.

No meio de tantas teorias aleatórias sobre a vida bela, no final eu sou seguidora de Caeiro: não há teoria, não há metafísica.. Simplesmente as coisas são. O sol nasce todo o dia e não há mágica nenhuma, simplesmente ele é. Não há nada demais na lua, é só um satélite! Oras...

Mentira tudo... Eu acho o nascer do sol estupendo, a lua tem sua magia (ainda mais qdo os dois mesmos olhares só se podem unir através da lua), e eu queria pular corda com os jovens do colégio de aplicação:
‘o homem bateu em minha porta e eu abri...
senhoras e senhores põe a mão no chão
senhoras e senhores pule num pé só
senhoras e senhores dê uma rodadinha
e vá pro olho da rua
senão vai levar foguinho’


Inusitado foi o velhinho no ponto de ônibus no dia chuvoso, algo de aconchegar a alma no meio do frio e da chuva: quando cheguei no ponto ele comenta ‘dias como esses que as pessoas param aqui com alegria e satisfação’. Em seguida perguntou se eu trabalhava ali. Disse que só estagiava. Então ele perguntou que área. Falei: letras, monossilábica, cara vexada. Ele parou, deu um sorriso me olhou no fundo dos olhos e disse: vc acorda todo dia, sai da sua cama quentinha e vai namorar os livros. Aposto que seu namorado reclama, não é? (risadinha minha). Então, mas vc passará pelas adversidades pra alcançar a vitória. E vcs vão gozar da felicidade no futuro e então ele vai se orgulhar na namorada esforçada que tem’. O ônibus passou, diz ele... e foi-se como uma aparição. Será q ele existia mesmo, ou falava eu sozinha afetada pela chuva, pelo frio, pelos meus parafusos afrouxando?

Me arrependo de não ter pulado corda...

terça-feira, 8 de maio de 2007

Niver de lív mary

Não posso deixar de dar meu testemunho aqui de aniversário de Lívia, isso porque Lív Mary é uma superstar lejiana, formadora forte de opiniões, além de parceria literária e cinematográfica assumida.

Como era esperado, fui a primeira a chegar, com inédito salto alto devidamente 'estreado' no presente q cachorro da rua deixou em frente ao portão da casa dela. Fui logo animada encontra-la e dando o presente a la Bela e a Fera (pq não nascemos para uma vida provinciana).

Em minutos chega a gangue... Beijos, abraços, caminhos encontrados, Thiago se atirando no sofá encima de mim, minha vida... Era só o começo das tiradas sem noção de Thi. Na façanha de todos educadamente pixarem o gesso de lívia, ele ia bagunçando o desenho alheio! Além de riscar o dedo do pé! Além da cena da pilastra inenarrável aqui... No mais, ele ficou tentando caçar o 'compartimento secreto' donde lívia colocou os top dvds dela.

O melhor de tudo é q rimos MUITO, lembro muito bem de ter falado muitas vezes q nunca tinha rido tanto nos últimos meses: Ana Paula e seus problemas com gagos, Thatha e seu biquíni de R$3,000, Tex e sua dança UÔOOOOoo, Daniel e sua capciosidade, Thi sem noção! O problema é q a memória além de ser curta, mtas piadas precisam de mímica e bom contexto (uôOOO, my humps!, vcs entendeu?).

Anyway, vida q segue e... saudade de livinha continua forte.

domingo, 6 de maio de 2007

aleatória


todas numa só.. só.

“O Funcionamento da Escola e sua Função de Conservação Social”... ai bourdieu q me perdoe, mas seu texto me faz dormir. De fato hoje tudo um pouco me fez dormir. Foi essa gripe, essa dor no corpo, foi o parto das coisas acontecendo. Ora saltitando, ora bufando de raiva, ora aos prantos e simplesmente cara de paisagem: como pode caber isso tudo num dia só! Dia 5 foi um sábado no qual eu não percebi nada demais sobre a vida, não senti o sol no rosto, não saí da minha vida e nem li nada de útil. E acho q estou melhorando de 4ªf... Ou piorando. Ou indiferente. Port VI é o maior desafio dos últimos tempos!
E eu peço ajuda!

terça-feira, 1 de maio de 2007

meu dia do trabalho

Emblemático esse feriado do dia do trabalho em minha vida. Justo nele é que pela primeira vez na vida me sinto uma ‘trabalhadora’. Vou adiantando que dinheiro não ganho, mas ganho tanta coisa que é indubitavelmente SEM PREÇO, afinal ninguém pode transplantar conhecimento de uma mente a outra, pelo q saiba.

O caso é que passei (e ainda passo) o feriado esse corrigindo trabalhos dos alunos de Inglês IV a qual sou monitora voluntária. O trabalho é simples, eles têm uma lista de 20 complex prepostions pra fazer frases sobre o texto “Happiness 101” e juntamente colocar o significado e um exemplo da vasta apostilinha com complex prepositions, ou achada em dicionários por aí.


Uns chamam de loucura, outros de perda de tempo, há ainda quem diga ‘vc não tem coisa suficiente que fazer não?’. Mamãe está indignada ‘vão te fazer perder o feriado todo nisso’. No entanto, deixa eu confessar uma coisinha: eu estou A-MAN-DO. Estou me descobrindo nessa de verificar se estão cumprindo as regras do trabalho, de revisar gramaticalmente tudo (nem preciso dizer q é inglês), de julgar se é um bom exemplo ou não, se estão usando bem a complex preposition... Quem me viu, quem me vê!

Acabo descobrindo nisso tudo não só um grande prazer, mas também uma maior confiança no meu taco (isto é, no meu inglês). Não é novidade a minha insegurança, o meu sentir ‘não preparada’ pras atividades que envolvem a tal língua. E ainda antes de começar a corrigir sentia aquele frio na barriga em relação a tal responsabilidade, conhecendo eu alguns alunos e sabendo q o domínio da língua deles é excelente, e logo EU a corretora.

Mas esse é um ‘cargo’ q conquistei justo por estar no inglês VI (e ter passado com louvor por ‘Orora’ e sua fonética e fonologia), e não no IV, além disso, fiz prova tá... Não passei em primeiro, mas passei com média pra ser aceita como voluntária. Enfim, sou eu uma trabalhadora!

Deixa eu terminar a correção, ainda tenho de verificar os disquetes e cds q eles colocaram junto dos trabalhos... Revisar os trabalhos todos e assinalar a nota final. E o poder da caneta vermelha (ou do lápis mesmo, pois não pretendo usar caneta vermelha), está em minhas mãos, Muahahaha).