sábado, 9 de junho de 2007

Escarafuncha

Para os fãs da escatologia, nada melhor do que meu querido ex-siso para promover o melhor espetáculo do gênero. A questão é que com sua saída, apesar de todos os cuidados, ficaram seqüelas não muito positivas, e a inchação de dias queria mesmo dizer é que uma infecção tomava conta da parte inferior esquerda (lá pro final) da minha boca.

A dentista, que supostamente tiraria os pontos, promoveu um espetáculo a la horrorshow, apertando o lado esquerdo da minha boca e narrando como saía um tal pus, e não era pouco. Pediu pra avisar mamãe que precisaria abrir os pontos, mexer lá tudo dentro novamente e depois fechar, com todo carinho. Avisei, e mostrei pra mamãe o tal pus. Mamãe ficou horrorizada, era um pus verde que inundava a parte de trás da boca. Fiquei curiosa, e ali mesmo na sala de espera tirei o espelhinho que Susan me deu para passa batom a qualquer hora do dia, e fui tentar ver por mim mesma. Não fui feliz na tentativa, em seguida a dentista me chamava com tudo preparado.

Ela era do tipo sisuda, séria até demais. Novinha ainda, contudo com um ar de competência e de ‘olha, eu sei o que estou fazendo’ que impunha muito respeito. O que tem de ser feito, será feito. Ela me tranqüiliza, pergunta como estou (e eu me limito a responder que estou bem). Conto a ela do meu último trauma com tirar pontos em que todas as tesouras estavam cegas e a tentativa repetitiva de tirar os pontos e não conseguirem me fez passar mal. Agora ela me chama de sortuda por ainda ter direito a anestesia.

Vamos começar, segure-se bem firme Fabíola porque a situação irá ficar mais apertada. Meu pensamento previa o inevitável: a parte mais fácil foi tirar os pontos antigos. O caso é que na medida em que ela mexia em um novo lugar, doía, então, mais anestesia! Depois de umas 6 aplicações o trabalho tinha de ser feito. Com dificuldade ela mexia lá no final da boca, pedindo pra que eu abrisse o máximo que podia, sendo que já estava aberto o máximo que eu conseguia. A luta de abrir mais a boca foi interminável. Mas a frase mais marcante da dentista foi pra moça que segurava o tubinho de aspirar: ‘pode aspirar ali, é só carninha mole’. Ok, leva toda a carne da minha boca... Mexa, escavaca, escarafuncha. Pegue a espátula essa e fique remexendo tudo lá dentro me causando uma sensação terrível de perda de alguma coisa, de coração acelerado e me fazendo contorcer inteira na cadeira.

Ela apertava, pressionava, limpava placa do dente ao lado, isso tudo com uma força de dar inveja a Sansão. Já faço uma teoria de que dentistas mulheres têm a tendência de se fiar que têm pouca força e assim colocam toda sua força e mais um pouco; já os homens parecem ter mais cuidado, pois sabem que precisam controlar a força que têm, mesmo o paciente estando com anestesia (é depois da anestesia a coisa fica divertida).

Ela ficou incomodada o tempo todo com minha capacidade de abrir mais a boca, mas tive de desaponta-la assim mesmo, pois os danos da tal infecção tinham chegado ao meu maxilar. Como castigo, veio a hora dos novos pontos... Com todo cuidado, ajeita a agulha e sinto passando na carne lentamente. O problema foi passar novamente a tal agulha. Escapou de todas as maneiras, foi a verdadeira rebelião! Eu ali, sentada e desolada com o fim daquela cena que não chegava, vendo uma agulha entortando cheia de sangue e até pedacinhos da mais tenra carne na minha frente.

Após todo espetáculo, finalmente chegou o momento de morder a gaze e ficar esperando um pouco na cadeira enquanto ela passa milhares de remédios dos mais sortidos. Eu fico pasma, inerte na cadeira, ainda me recuperando dos batimentos cardíacos acelerados que foram os maiores da minha vida até hoje (mesmo não tendo nenhum aparelho pra medir, o sentimento aquele...).

Paguei fisicamente todos meus pecados até aqui, vou pensar bem ao cometer os outros. De fato já até risquei da agenda os programados a curto prazo. O caso agora é descansar, continuar descansando e descansar mais um pouco até o próximo veredicto na segunda-feira.

Que assim seja!

2 comentários:

DaNieL disse...

Caramba!!! Pus verde!?! vc é bem detalhista pro meu gosto...

espero q melhore logo

Andréia Pires disse...

dentista sisuda tinha que saber tudo de sisos, né... :) tô rindo aqui da tua desgraça, mas é de nervoso.. dia 25 perco o meu dente da frente. da frente! não é siso, não vai doer, vai ter um ou dois pontos depois, mas é desesperador arrancar dente. trauma de gente pequeninha... :D bjo.