Foi esse o título do filme que vi ontem, um filminho lá de 1994 emprestado pela Lívia (isso é tão comum:P) e que veio a acrescentar as reflexões pós-vida universitária. A personagem se vê no vácuo eterno sem lembranças após o término da mesma, com emprego medíocre (que por sinal vem a perder), e vendo q todas as notas e esforço durante a vida universitária foram em vão, afinal ela não tem 'experiência'. Juntamente com uma amiga promíscua, um gay enrustido e um intelectual sem causa, partem pra descobrir até onde vai o niilismo dessa juventude 'anos 90' (que podemos estender a data até a década 00).
Pior que no meio da falta de expectativa vem a artificialidade das coisas (desde de programas de tv até relacionamentos amorosos) e a esperança de se chegar a certa idade numa vida estabilizada, sendo 'alguém' (que ngm sabe quem ao certo), correspondendo as expectativa da família, dos vizinhos, dos amigos perto e distantes, do papagaio, ramister e etc etc etc.
Será que não tem gente demais no processo de formação de identidade de uma pessoa só não?
Eu não sei quando vou começar a trabalha... Isso pq me recuso a trabalhar com algo fora da minha área, assim como a personagem é questionada pela mãe do pq dela nao arranjar emprego numa lanchonete. Vai ver eu quero tanto tanto tanto que vou terminar com o nada. Mas não deixarei de querer... Querer dar aula de 5ª até 8ª série num colégio público com as criaturinhas me deixando loouuuca e ao mesmo tempo enriquecendo minha existência. Mudar o mundo com literatura é mesmo possível?
O processo de queda na real, creio eu, só se completará mais para frente, de acordo com as necessidades requeridas e a não consecução de alguns objetivos a médio prazo almejadas. Por enquanto sigo na vida sem mim às vezes, transbordada de mim até demais em outras, mas cheia de dúvidas e anseios em tempo integral.
Chegar a casa dos 20, quem mandou... E fica a questão dita no filme 'pensei que aos 23 anos seria alguém'.
sábado, 20 de maio de 2006
quinta-feira, 18 de maio de 2006
e do tempo
Corre o tempo como cachoeira inesgotável desbocando ferozmente em minha frente. Que majestosa, me faz sentir diminuta, teria eu força pra afastar suas águas pra lá?
'Tempo é dinheiro', acredito que tempo é dever... Deve passar sempre rápido porque se devagar nos desbota. Só que do rápido demais nem as cores se vê, imagem borrada. O lilás e o bege se misturam...
Quero tempo, tempo pra todos os matizes. Tempo que me deva mais tempo, que não sobre, mas que também não se gaste todo. Ah, quero. Já ignorando o tempo permaneço aqui, num post rápido pela falta dele. Ih, está ele passando aqui e me desafiando a parar. Ah, eu páro sim. Páro no tempo, embaixo da cachoeira que me pressiona contra as rochas, num lugar em que as cores distinguo claramente, num tempo onde pensar que tempo é dinheiro é um crime, um pecado.
---
Das datas tenho carinho por algumas, uns dias desses que guardamos o número na memória pra nos fazer voltar a sensação que foi aquele momento. Dos dias, esse destaco, é 18. Saberia eu que além do meu nascimento 18 guardaria outro momento crucial para a existência lilás?
Páro o tempo e recordo tudo, recortes de sorrisos, toques, olhares... Ah, era música que escutava! Sim, música de certa voz, melodia pro ouvido que esperava todo tempo pelo fahbuloso destino.
Há o que 24h nenhum cobre, há o que tempo nenhum passa por cima... Há o indizível da alma, a desautomatização da vida. Faça-se assim a fahbulosa vida lilás temporariamente em festa.
'Tempo é dinheiro', acredito que tempo é dever... Deve passar sempre rápido porque se devagar nos desbota. Só que do rápido demais nem as cores se vê, imagem borrada. O lilás e o bege se misturam...
Quero tempo, tempo pra todos os matizes. Tempo que me deva mais tempo, que não sobre, mas que também não se gaste todo. Ah, quero. Já ignorando o tempo permaneço aqui, num post rápido pela falta dele. Ih, está ele passando aqui e me desafiando a parar. Ah, eu páro sim. Páro no tempo, embaixo da cachoeira que me pressiona contra as rochas, num lugar em que as cores distinguo claramente, num tempo onde pensar que tempo é dinheiro é um crime, um pecado.
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Das datas tenho carinho por algumas, uns dias desses que guardamos o número na memória pra nos fazer voltar a sensação que foi aquele momento. Dos dias, esse destaco, é 18. Saberia eu que além do meu nascimento 18 guardaria outro momento crucial para a existência lilás?
Páro o tempo e recordo tudo, recortes de sorrisos, toques, olhares... Ah, era música que escutava! Sim, música de certa voz, melodia pro ouvido que esperava todo tempo pelo fahbuloso destino.
Há o que 24h nenhum cobre, há o que tempo nenhum passa por cima... Há o indizível da alma, a desautomatização da vida. Faça-se assim a fahbulosa vida lilás temporariamente em festa.
quarta-feira, 10 de maio de 2006
e os dias
Pois então, reparei que um dos dias mais inspiradores pra escrever é justo na 4ªf, dia o qual passo o dia mais fora de casa nessa correria típica cotidiana.
POr dias passados enfrentei a máquina do mundo com Drummond. Reparei que desde pequena Drummond me chama atenção com sua negação das coisas, com o perscrutar o reino das palavras e, algo muito me chama atenção, é estar num descompasso com o mundo, na tal exclusão includente. (tá, podem me acusar de pós-modernista :P)
Veio por certo no 'anjo torto', a questão aquela de 'não sei fazer poesia' (e de fato não sei poetizar, ao menos com essa elipse de sujeito e objeto tão bem feita). E nossa, tenho de estudar métrica! Isso é ponto pacífico.
Na oficina de jogos de linguagem (por isso quartas são tão interessantes), o clima que se dá entre a meia dúzia que continua pertinente apesar de tudo é ótimo. Cada um com seu estilo um tanto qto 'marcante' e eu no meio do povo pequenina com minhas metáforas, contudo ali, pensando criação biográfica com as restrições malucas.
Maio é um mês de oscilaçoes por si só. Está sol, vem o frio, vem o vento, vem o calor, vem a chuva... e vai vindo tudo de uma vez. Há oscilação nas pessoas, metade do semestre, sensação de tudo pela metade.
Até que ando inteira, mesmo às vezes catando meus pedaços por aí.
Receio que fiz um post. Tanto tempo que isso não acontecia. De modo cada vez mais escasso vem acontecento. Enfim, prometo a mim mesma melhoras :)
POr dias passados enfrentei a máquina do mundo com Drummond. Reparei que desde pequena Drummond me chama atenção com sua negação das coisas, com o perscrutar o reino das palavras e, algo muito me chama atenção, é estar num descompasso com o mundo, na tal exclusão includente. (tá, podem me acusar de pós-modernista :P)
Veio por certo no 'anjo torto', a questão aquela de 'não sei fazer poesia' (e de fato não sei poetizar, ao menos com essa elipse de sujeito e objeto tão bem feita). E nossa, tenho de estudar métrica! Isso é ponto pacífico.
Na oficina de jogos de linguagem (por isso quartas são tão interessantes), o clima que se dá entre a meia dúzia que continua pertinente apesar de tudo é ótimo. Cada um com seu estilo um tanto qto 'marcante' e eu no meio do povo pequenina com minhas metáforas, contudo ali, pensando criação biográfica com as restrições malucas.
Maio é um mês de oscilaçoes por si só. Está sol, vem o frio, vem o vento, vem o calor, vem a chuva... e vai vindo tudo de uma vez. Há oscilação nas pessoas, metade do semestre, sensação de tudo pela metade.
Até que ando inteira, mesmo às vezes catando meus pedaços por aí.
Receio que fiz um post. Tanto tempo que isso não acontecia. De modo cada vez mais escasso vem acontecento. Enfim, prometo a mim mesma melhoras :)
domingo, 30 de abril de 2006
Procura da Poesia
por Carlos Drummond de Andrade
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
sexta-feira, 28 de abril de 2006
Dos causos e percalços da tal vida moderna
Causo 1: O perseguido
Certo dia chega o professor em aula para justificar porque faltar na semana passada. Ele, com um olhar caustrofóbico, começa a justificativa:
- Creio ter de deixa-los a par da situação que me aconteceu na semana passada ao qual me forçou a não vinda. Há muitos anos atrás, aqui na faculdade de letras, dei aula para uma moça que se via não ser lá muito normal, que teria sérios problemas psicológicos. O caso foi que anos depois me deparo com essa mulher me perseguindo, ligando para minha casa e me ameaçando e até vindo aqui na faculdade me agredir, como na semana passada. Ela alega que há algum tempo professores aqui do Fundão a pegaram e levaram a força para o CCNM (prédio de exatas) e começaram a fazer experiências científicas com ela do tipo injetarem esperma dentre outras coisas. Agora ela anda dizendo por aí que dessa experiência nasceu um menino e uma menina, loiros de olhos azuis, sendo que ela é uma negra alta e eu, não sou loiro!
É, para quem almeja vida de professor e acha que o maior problema que enfrentará será ou descaso do governo ou do aluno, vê-se que há além de tudo os ‘fãs’ perscrutando no ir e vir.
Causo 2: O comentário
Estava certa amiga esperando seus amigos na porta de certa pizzaria em certo lugar quando avistou d’outro lado da rua 3 rapazes conversando descontraidamente, sendo que um deles foi ao seu encontro. Daí desenvolveu-se uma boa conversa, de fato a famosa ‘conversinha’ sobre o que ambos faziam e coisas afins. O causo é que passado certo tempo, ali na porta da certa pizzaria, o clima estava feito e tanto o rapaz quanto a menina sentiam-se inclinados a galgar um degrau na recente amizade. Então, cavalheiristicamente o rapaz pede para a moça o direito de beijar seus lábios. Contudo, bem no meio do caminho da concretude do desejo de ambos, vem ele com seu comentário: não sei se você se importa, mas tenho namorada.
Quebra a força, não quebra? Ela, muito dignamente, dispensou o moçoilo cara de pau na mesma hora. E ele soltou um ‘ai que pena’ desconsolado. E não querendo comentar, mas já fazendo meu comentário, tinha de ser um engenheiro mecânico.
Causo 3: O enunciado
Havia eu recebido a discursiva prova de Literatura Inglesa, quando parto diretamente para a consecução da primeira questão que era, na minha concepção, recontar a história das três baladas que fora dada no título. Assim começo minha prova, sem nada mais pensar. Da primeira faço uma notícia de jornal, da segunda um roteiro de filme; da terceira tinha opção de fazer um conto infantil, mas desisti porque não havia tanto tempo assim disponível, afinal ainda tinha a segunda questão, a qual valia 6,5.
Na minha inocência de aluna aleatória ainda achei estranho o tamanho da primeira questão que só valeria 3,5. Contudo segui na façanha até chegar na segunda questão: interpretar um poema e com a sanção de fazer um parágrafo com 500 palavras. O 500 desesperou-me, fiz por volta de 250 e forçando muito. No desespero ao final da prova pergunto ao professor se ele se importava que fosse menos, ele respondeu que iria ver o que estava escrito, não iria contar palavras, 500 era só pra ter uma base (sim, o que são 500 palavras numa questão, não é?
E olha, até que estaria tudo nos eixos se não descobrisse que era uma balada para escolher, não as 3 reescrever, e que com isso além de ganhar boas debochadas do professor (“olha só, aluno de letras e não sabe ler enunciado”), ganho uma nota limitada, do tamanho da minha falta de atenção.
Certo dia chega o professor em aula para justificar porque faltar na semana passada. Ele, com um olhar caustrofóbico, começa a justificativa:
- Creio ter de deixa-los a par da situação que me aconteceu na semana passada ao qual me forçou a não vinda. Há muitos anos atrás, aqui na faculdade de letras, dei aula para uma moça que se via não ser lá muito normal, que teria sérios problemas psicológicos. O caso foi que anos depois me deparo com essa mulher me perseguindo, ligando para minha casa e me ameaçando e até vindo aqui na faculdade me agredir, como na semana passada. Ela alega que há algum tempo professores aqui do Fundão a pegaram e levaram a força para o CCNM (prédio de exatas) e começaram a fazer experiências científicas com ela do tipo injetarem esperma dentre outras coisas. Agora ela anda dizendo por aí que dessa experiência nasceu um menino e uma menina, loiros de olhos azuis, sendo que ela é uma negra alta e eu, não sou loiro!
É, para quem almeja vida de professor e acha que o maior problema que enfrentará será ou descaso do governo ou do aluno, vê-se que há além de tudo os ‘fãs’ perscrutando no ir e vir.
Causo 2: O comentário
Estava certa amiga esperando seus amigos na porta de certa pizzaria em certo lugar quando avistou d’outro lado da rua 3 rapazes conversando descontraidamente, sendo que um deles foi ao seu encontro. Daí desenvolveu-se uma boa conversa, de fato a famosa ‘conversinha’ sobre o que ambos faziam e coisas afins. O causo é que passado certo tempo, ali na porta da certa pizzaria, o clima estava feito e tanto o rapaz quanto a menina sentiam-se inclinados a galgar um degrau na recente amizade. Então, cavalheiristicamente o rapaz pede para a moça o direito de beijar seus lábios. Contudo, bem no meio do caminho da concretude do desejo de ambos, vem ele com seu comentário: não sei se você se importa, mas tenho namorada.
Quebra a força, não quebra? Ela, muito dignamente, dispensou o moçoilo cara de pau na mesma hora. E ele soltou um ‘ai que pena’ desconsolado. E não querendo comentar, mas já fazendo meu comentário, tinha de ser um engenheiro mecânico.
Causo 3: O enunciado
Havia eu recebido a discursiva prova de Literatura Inglesa, quando parto diretamente para a consecução da primeira questão que era, na minha concepção, recontar a história das três baladas que fora dada no título. Assim começo minha prova, sem nada mais pensar. Da primeira faço uma notícia de jornal, da segunda um roteiro de filme; da terceira tinha opção de fazer um conto infantil, mas desisti porque não havia tanto tempo assim disponível, afinal ainda tinha a segunda questão, a qual valia 6,5.
Na minha inocência de aluna aleatória ainda achei estranho o tamanho da primeira questão que só valeria 3,5. Contudo segui na façanha até chegar na segunda questão: interpretar um poema e com a sanção de fazer um parágrafo com 500 palavras. O 500 desesperou-me, fiz por volta de 250 e forçando muito. No desespero ao final da prova pergunto ao professor se ele se importava que fosse menos, ele respondeu que iria ver o que estava escrito, não iria contar palavras, 500 era só pra ter uma base (sim, o que são 500 palavras numa questão, não é?
E olha, até que estaria tudo nos eixos se não descobrisse que era uma balada para escolher, não as 3 reescrever, e que com isso além de ganhar boas debochadas do professor (“olha só, aluno de letras e não sabe ler enunciado”), ganho uma nota limitada, do tamanho da minha falta de atenção.
quarta-feira, 12 de abril de 2006
Epifania da greve
Acordou quinze pras seis. Sabia que já estava atrasada, então dormiu até as seis quando foi despertada de vez de seus sonhos. Levantou-se com a preguiça típica imaginando o dia que se configuraria e quanto teria de correr para não fazer de um pequeno atraso a vergonha de se entrar no meio da aula. Quase despertou de vez na hora de escolher a roupa; hoje é dia de azul... azul claro, pensou. Colheu o azul do céu bonito da manhã fresca com os olhos, e assim o copiou para seu guarda-roupa. Em nove minutos estava pronta para o café, muito pão de forma com maionese porque hoje não era dia de sentir fraqueza, era dia de prova. Forçou-se a comer tudinho e sair esbaforida para o elevador. Antes de sair do prédio de vez, separou o dinheiro, algo que nunca fazia antes de chegar ao ponto, porém hoje pareceu propício faze-lo. Caminhou pensando no frescor da manhã, que poderia ser assim o dia todo, uma brisa gelada pairando no meio de tímidos raios de sol. Chegava no ponto de ônibus estranhamente cheio. Teria acontecido algum acidente que impedia o fluxo dos ônibus? Era isso... Ninguém sabia de nada. Passam dois ônibus em direção ao seu primeiro destino, ambos lotados. Ela não se anima a pegar, afinal sempre vem outro atrás. Contudo não veio. E o que veio foram os telefonemas, “os ônibus estão em greve”. Greve? Mas não é possível, tenho prova, tenho compromissos, tenho de chegar lá me cansar o dia inteiro, voltar pra casa e reclamar do cansaço. Tem de ser assim, bramia nos pensamentos. Como podia estar tão vulnerável a uma greve de ônibus, ela e todos mil contáveis? Sentia que perdia a força, que era um alguém tão insignificante nessa história que nem o motorista do ônibus se importava. E sentia o preconceito em si “nem o motorista do ônibus”, porque haveria ele de se importar? Afinal, ela não se importava com a greve dele e esbravejava com cara chorosa contra a situação em pensamentos. Ao final de uma quase eterna hora, refletindo não haver condução que lhe sanasse o problema, entregou-se ao desgosto e foi ter em casa o troféu da decepção. Entrou, as pessoas formigavam. Ela se sentia impossibilitada de tudo. Teria de fazer uma segunda chamada que nunca fizera antes, nem quando na véspera de prova de teoria literária tinha extraído o siso. E agora, era assim? Sem ônibus, sem caminho, sem início, meio e fim. Ah, o fim, fim ela daria. Trancaria-se no quarto fechado com o pesado edredom e dali faria morada da sua inquietação cantando contos na mente e sonhando atravessado o dia que não acontecera. Teve vontade de chorar.
---
Tempos depois: "acho que os ônibus voltaram...", ela agrade com sarcasmo a informação preciosa.
---
Tempos depois: "acho que os ônibus voltaram...", ela agrade com sarcasmo a informação preciosa.
domingo, 9 de abril de 2006
Autobiografia
Seria esse blog uma autobiografia inventada ou uma ficção autobiográfica?
No fim acabo por traçar um tanto de fantástico na realidade, isso eu sei.
Mas foi justo autobiografia o tema de uma das oficinas de linguagem, daí que criei uma autobiográfia ficcional de um personagem aleatório.
--
Autobiografia
Confesso que sou descendente direta de Eva. Minha doce mãe, na adolescência inconseqüente, usou de todo feminismo e sensualidade para roubar papai de sua sonsa noiva cheia de graça. Há os que não titubeiam pela maçã e foi daí que nasci, fruto proibido. Porém, como é mais que sabido nos ditos populares que o que é bom é escondido, nasceu eu, o melhor que poderia acontecer na vida de Adão e Eva dos anos 80. Claro, que como conseqüência para eles as atribulações foram muitas, afinal ser expulso do paraíso da irresponsabilidade juvenil não é tão simples. E aí foi que mamãe sentiu as dores do parto e no peito de tanto sugar sua energia, e papai no bolso. Foi 18 de outubro o dia. É, isso mesmo, faço parte dos filhos do carnaval. Embora eu mesma não me lembre do dia, lembro de mamãe tentando esquece-lo como se fora esse o motivo do pecado original. Acho que papai nunca gostou de lembrar também. Só gostaria de saber que deus os puniram com tamanha crueldade nessa história (tenho um palpite, o deus família). Contudo percebo felicidade em seus olhos ao verem que pela incauta maçã mordida originou-se toda um humanidade. A minha humanidade. Elejo-me assim a deusa solipsista deste mundo pois dessa biografia dita minha acabo por inventar cada linha da verdade que às vezes pode parecer pecadora, mas nada original.
---
ps: tem um alemento que é repetido em relação ao texto anterior.
No fim acabo por traçar um tanto de fantástico na realidade, isso eu sei.
Mas foi justo autobiografia o tema de uma das oficinas de linguagem, daí que criei uma autobiográfia ficcional de um personagem aleatório.
--
Autobiografia
Confesso que sou descendente direta de Eva. Minha doce mãe, na adolescência inconseqüente, usou de todo feminismo e sensualidade para roubar papai de sua sonsa noiva cheia de graça. Há os que não titubeiam pela maçã e foi daí que nasci, fruto proibido. Porém, como é mais que sabido nos ditos populares que o que é bom é escondido, nasceu eu, o melhor que poderia acontecer na vida de Adão e Eva dos anos 80. Claro, que como conseqüência para eles as atribulações foram muitas, afinal ser expulso do paraíso da irresponsabilidade juvenil não é tão simples. E aí foi que mamãe sentiu as dores do parto e no peito de tanto sugar sua energia, e papai no bolso. Foi 18 de outubro o dia. É, isso mesmo, faço parte dos filhos do carnaval. Embora eu mesma não me lembre do dia, lembro de mamãe tentando esquece-lo como se fora esse o motivo do pecado original. Acho que papai nunca gostou de lembrar também. Só gostaria de saber que deus os puniram com tamanha crueldade nessa história (tenho um palpite, o deus família). Contudo percebo felicidade em seus olhos ao verem que pela incauta maçã mordida originou-se toda um humanidade. A minha humanidade. Elejo-me assim a deusa solipsista deste mundo pois dessa biografia dita minha acabo por inventar cada linha da verdade que às vezes pode parecer pecadora, mas nada original.
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ps: tem um alemento que é repetido em relação ao texto anterior.
quarta-feira, 5 de abril de 2006
Alfabeto
Ali, bento cavalo derrotado, estando forçado, galgando história. Ia já levando mecanicamente nove outros parasitas queixosos, realizando sua tarefa, um veloz xucro zangado, zonziando xioso, vagando um tempo. Sem rumo queria poder ousar navegar melodiosa liberdade. Jazia ímpio horas galopando, fervorosamente ele demonstrando cuidado bestialmente amigo.
---
Feito hj no ateliê de jogos de linguagem, o objetivo era construir um texto usando as letras do alfabeto. Como se repara vai de a-z e z-a. É divetido, além de quebrar a mente. E tem um traço aí que aparece em outros textos do curso, a restrição formal. (vamos ver se é descoberto através dos próximos textos q pretendo postar aqui da oficina).
---
Feito hj no ateliê de jogos de linguagem, o objetivo era construir um texto usando as letras do alfabeto. Como se repara vai de a-z e z-a. É divetido, além de quebrar a mente. E tem um traço aí que aparece em outros textos do curso, a restrição formal. (vamos ver se é descoberto através dos próximos textos q pretendo postar aqui da oficina).
domingo, 26 de março de 2006
Eu não sei fazer poesia.
Dessa neura que me arrepia,
Descobri! Não sei ritmizar...
Se o humano é ritmo, sou o quadrado.
De forma e conteúdo não tenho resultado
E já desisto de seguir com essa utopia.
Porque se há menos leitores que poetas nesse Rio
Deixo o verso para os mais dados ao desvario
E sigo com meu pulso atado.
É que tem gente que é pra admirar
E a mente resta conceder o direito de suspirar:
Ahh, eu não sei fazer poesia.
---
:)
Dessa neura que me arrepia,
Descobri! Não sei ritmizar...
Se o humano é ritmo, sou o quadrado.
De forma e conteúdo não tenho resultado
E já desisto de seguir com essa utopia.
Porque se há menos leitores que poetas nesse Rio
Deixo o verso para os mais dados ao desvario
E sigo com meu pulso atado.
É que tem gente que é pra admirar
E a mente resta conceder o direito de suspirar:
Ahh, eu não sei fazer poesia.
---
:)
sábado, 25 de março de 2006
passa pensamento
Deu a simples vontade de vir aqui e ir escrevendo, escrevendo, traduzindo os últimos pensamentos, falando das músicas mais ouvidas e pqs inexplicáveis, reclamando até ou simplesmente refletindo sobre a saudade das coisas.
Mas não quero falar de saudade só. Quero cair na falta de coesão e falar de tudo junto, um grande panelão onde são jogas espectivas, pequenos traços do humor atual e pedaços de pensamentos andantes (como a imagem de se estar num ônibus em locomoção, na ponte...).
Acho que essa história de ficar quase 4h por dia num ônibus mexe com a gente. Ali se tem os melhores insights do dia, como se pode ter a maior melancolia. Também se encontra a maior saudade do mundo, olhando paisagens ignoradas de todo o dia, passando nuvens ou chuviscos, tudo passando. NO final é o que acontece.. estamos eternamente nessa de sermos empurrados pra algum canto, mesmo qdo nem damos um passo adiante.
E tem os pensamentos, ahh os pensamentos. Ultimamente tô nessa neura com a poesia (e não to tetando descontruir nada ¬¬). Então é que se tem a idéia de que de fato tristeza faz a melhor poesia de todas, no desentendimento aleatório que as palavras vêem com a sensação de enfahdo. Mas isso vem melhor em outra poesia... pq eu não sei fazer poesia.
Enfim, bons dias se passam, dias melhores espero. Eu acredito nisso. Sempre acreditei... Assim como acredito no diálogo. E acredito tb que tomar o fluxo de consciência nesse blog ajudará pra algo. Ou não! (como nos ensinou nosso primeiro professor de literatura :P)
Mas não quero falar de saudade só. Quero cair na falta de coesão e falar de tudo junto, um grande panelão onde são jogas espectivas, pequenos traços do humor atual e pedaços de pensamentos andantes (como a imagem de se estar num ônibus em locomoção, na ponte...).
Acho que essa história de ficar quase 4h por dia num ônibus mexe com a gente. Ali se tem os melhores insights do dia, como se pode ter a maior melancolia. Também se encontra a maior saudade do mundo, olhando paisagens ignoradas de todo o dia, passando nuvens ou chuviscos, tudo passando. NO final é o que acontece.. estamos eternamente nessa de sermos empurrados pra algum canto, mesmo qdo nem damos um passo adiante.
E tem os pensamentos, ahh os pensamentos. Ultimamente tô nessa neura com a poesia (e não to tetando descontruir nada ¬¬). Então é que se tem a idéia de que de fato tristeza faz a melhor poesia de todas, no desentendimento aleatório que as palavras vêem com a sensação de enfahdo. Mas isso vem melhor em outra poesia... pq eu não sei fazer poesia.
Enfim, bons dias se passam, dias melhores espero. Eu acredito nisso. Sempre acreditei... Assim como acredito no diálogo. E acredito tb que tomar o fluxo de consciência nesse blog ajudará pra algo. Ou não! (como nos ensinou nosso primeiro professor de literatura :P)
segunda-feira, 20 de março de 2006
sei lá, poesia tem dessas coisas
Se pra ser poeta é preciso viver na solidão,
Não quero ser poeta não.
Se pra ser poeta é preciso viver no desassossego,
Essa inquietude eu postergo.
Se pra ser poeta é preciso alma triste,
A minha de sê-lo desiste.
Se pra ser poeta é preciso viver pouco,
Prefiro viver e ser qualquer outro.
Se pra ser poeta é preciso melancolia,
Já rasgo o pranto da minha poesia.
Se pra ser poeta é preciso sentir frio,
Sem cobertor ser poeta não me arrisco.
Se pra ser poeta é preciso desprezar...
Ah não, poesia tonta que não quer rimar
Volte a tua fonte de frágeis palavras tolas!
Sei lá, poesia tem dessas coisas.
Lucila Lucet
Não quero ser poeta não.
Se pra ser poeta é preciso viver no desassossego,
Essa inquietude eu postergo.
Se pra ser poeta é preciso alma triste,
A minha de sê-lo desiste.
Se pra ser poeta é preciso viver pouco,
Prefiro viver e ser qualquer outro.
Se pra ser poeta é preciso melancolia,
Já rasgo o pranto da minha poesia.
Se pra ser poeta é preciso sentir frio,
Sem cobertor ser poeta não me arrisco.
Se pra ser poeta é preciso desprezar...
Ah não, poesia tonta que não quer rimar
Volte a tua fonte de frágeis palavras tolas!
Sei lá, poesia tem dessas coisas.
Lucila Lucet
sábado, 18 de março de 2006
Seize the day!
I went to he woods because I wanted to live deliberately,
I wanted to live deep and suck out all the marrow of life,
To put to rout all that was not life and not when I had come to die
Discover that I had not lived.
- Thoreau
I wanted to live deep and suck out all the marrow of life,
To put to rout all that was not life and not when I had come to die
Discover that I had not lived.
- Thoreau
sexta-feira, 17 de março de 2006
Extraordinariamente...

Vira e mexe voltam as idéias 'dead poets society'. E sabe que a cada vez que vemos um filme damos ênfase a um aspecto diferente. Dessa vez a história de fazer a vida extraordinária parou um pouco pra ficar remoendo dentro do si mesmo.
Nessa luta contra desautomatização da vida a palavra 'extraordinário' pesa como umas pedrinhas nas asas da borboleta, atrapalhando seu vôo por conta da pressão dum futuro enuviado (é bom evitar esse tipo de palavras!) que se aproxima. O caso é que sonhamos o tempo todo com 33843829 coisas e fica sempre aquele pensamento 'que no futuro isso, no futuro acontecerá aquilo...'. O futuro donde? Eu vejo o aqui.
O tal aqui é que vai determinar num balanço geral se minha vida foi extraordinária. Não o 'lá' irá fazê-la tal qual se almeja a palavra mágica. É algo 'Jerry Maguire', de se acordar todo o dia e dizer pra si mesmo que o dia será bom. (Com isso me peguei agora com uma nova mania, de no alogamento dos braços pela manhã antes de sair da cama pensar positivamente, em coisas buenas como as várias pessoas agradáveis as quais convivo.)
Sinceramente, aos poucos vou fazendo minha vida extraordinária. Está a passo de tartaruga essa liberdade dos grilhões de coisas chatas a se fazer. Mas na medida em que se vai tentando, passo pós passo, sorriso pós sorriso o peso da asa da borboleta vai dimunindo, as pedras vão escorrendo com o bater mais forte das asas de uma maneira constante.
terça-feira, 14 de março de 2006
No consultório da dentista....
Estava na minha consulta aparelhística de costume, quando constado em mais essa vez que na meia hora que estou ali a dentista insiste em contar pedaços da sua vida.
Dessa vez o episódio foi ‘o namorado’, ela fala pra amiga ‘ele vai entrar de férias amanhã’ (ar enfadonho), a amiga responde ‘boa sorte...’, penso ‘será que ela ta com medo dele viajar, soltar as asasinhas, coisa assim?’. Pobre menina inocente eu, o ‘boa sorte’ se referia a ‘pobre de mim (a dentista) que vou ter de atura-lo agora’. E mais pra frente o desabado ‘ah, eu não agüento mais, tanta coisa pra pensar... só quero vê-lo no final de semana e olhe lá.. Já passou o tempo da paixonite. E não é ele sabe, sou eu... mas como vou falar isso pra ele?’. Boa ‘questã’ minha cara dentista... eu com minha boca aberta entregue aos dedos afiados queria dizer com o olhar adormecido, ‘ahhh, minha cara, não estás apaixonada é o de mínimo, não o amas pra dividir sua vida com ele e ponto. Não se culpe, mas seja franca.’
Tempos atrás era a amiga da minha dentista que sofria: ‘não quero ele de volta... Ele me procura, dá esperança, mas não toma uma atitude. Passamos um final de semana perfeito e depois ele volta pra ela como se eu não importasse...’ (a Fah boquiaberta a essa altura). Acho uma comédia como elas têm facilidade de contar tudo assim no ambiente de trabalho. Com a dentista de Rio Grande era a mesmíssima coisa, a diferença é que ao contrário dessa que quer ficar avulsa, a de lá queria um par perene; e ia eu compartilhando da angústia, do cansaço, dos eventos...
Elas seguem falando, falando e falando. Eu sigo de boca aberta escutando e tentando me comunicar mesmo estando incomunicável. Dou conselhos para o stress, ‘devia tentar natação, uma terapia ocupacional é bom tb, como pintar... que tal uma aula de alongamento?’. No final eu reparo que elas necessariamente não querem um conselho... Querem só ser ouvidas e soltar o bolo todo de coisas confusas dentro de si mesmas. Como uma golfada de criança pequena no babador aquele.
Dessa vez o episódio foi ‘o namorado’, ela fala pra amiga ‘ele vai entrar de férias amanhã’ (ar enfadonho), a amiga responde ‘boa sorte...’, penso ‘será que ela ta com medo dele viajar, soltar as asasinhas, coisa assim?’. Pobre menina inocente eu, o ‘boa sorte’ se referia a ‘pobre de mim (a dentista) que vou ter de atura-lo agora’. E mais pra frente o desabado ‘ah, eu não agüento mais, tanta coisa pra pensar... só quero vê-lo no final de semana e olhe lá.. Já passou o tempo da paixonite. E não é ele sabe, sou eu... mas como vou falar isso pra ele?’. Boa ‘questã’ minha cara dentista... eu com minha boca aberta entregue aos dedos afiados queria dizer com o olhar adormecido, ‘ahhh, minha cara, não estás apaixonada é o de mínimo, não o amas pra dividir sua vida com ele e ponto. Não se culpe, mas seja franca.’
Tempos atrás era a amiga da minha dentista que sofria: ‘não quero ele de volta... Ele me procura, dá esperança, mas não toma uma atitude. Passamos um final de semana perfeito e depois ele volta pra ela como se eu não importasse...’ (a Fah boquiaberta a essa altura). Acho uma comédia como elas têm facilidade de contar tudo assim no ambiente de trabalho. Com a dentista de Rio Grande era a mesmíssima coisa, a diferença é que ao contrário dessa que quer ficar avulsa, a de lá queria um par perene; e ia eu compartilhando da angústia, do cansaço, dos eventos...
Elas seguem falando, falando e falando. Eu sigo de boca aberta escutando e tentando me comunicar mesmo estando incomunicável. Dou conselhos para o stress, ‘devia tentar natação, uma terapia ocupacional é bom tb, como pintar... que tal uma aula de alongamento?’. No final eu reparo que elas necessariamente não querem um conselho... Querem só ser ouvidas e soltar o bolo todo de coisas confusas dentro de si mesmas. Como uma golfada de criança pequena no babador aquele.
sexta-feira, 10 de março de 2006
It's Friday, I'm in love...
I don't care if Monday's blue
Tuesday's grey and Wednesday too
Thursday I don't care about you
it's Friday I'm in love
Monday you can fall apart
Tuesday Wednesday break my heart
Thursday doesn't even start
it's Friday I'm in love
Saturday wait
and Sunday always comes too late
but Friday never hesitate
I don't care if Monday's black
Tuesday Wednesday heart attack
Thursday never looking back
it's Friday I'm in love
Monday you can hold your head
Tuesday Wednesday stay in bed
Oh Thursday watch the walls instead
it's Friday I'm in love
Saturday wait
and Sunday always comes too late
but Friday never hesitate
dressed up to the eyes
it's a wonderful surprise
to see your shoes and your spirits rise
throwing out your frown
and just smiling at the sound
and as sleek as a shriek
spinning round and round
always take a big bite
it's such a gorgeous sight
to see you eat in the middle of the night
you can never get enough
enough of this stuff
it's Friday
I'm in love
---
acho q já coloquei essa música antes... mas o hino dos tempos de patuléia acaba por ter sentido ;)
Tuesday's grey and Wednesday too
Thursday I don't care about you
it's Friday I'm in love
Monday you can fall apart
Tuesday Wednesday break my heart
Thursday doesn't even start
it's Friday I'm in love
Saturday wait
and Sunday always comes too late
but Friday never hesitate
I don't care if Monday's black
Tuesday Wednesday heart attack
Thursday never looking back
it's Friday I'm in love
Monday you can hold your head
Tuesday Wednesday stay in bed
Oh Thursday watch the walls instead
it's Friday I'm in love
Saturday wait
and Sunday always comes too late
but Friday never hesitate
dressed up to the eyes
it's a wonderful surprise
to see your shoes and your spirits rise
throwing out your frown
and just smiling at the sound
and as sleek as a shriek
spinning round and round
always take a big bite
it's such a gorgeous sight
to see you eat in the middle of the night
you can never get enough
enough of this stuff
it's Friday
I'm in love
---
acho q já coloquei essa música antes... mas o hino dos tempos de patuléia acaba por ter sentido ;)
quinta-feira, 9 de março de 2006
volta às aulas
Reflexões
- Tenho de comprar um caderno de caligrafia.
- Sou lonner por natureza.
- Montar horário é uma das maiores agonias já vividas por um ser humano naquela letras.
---
Pra não dizer que não falei das flores (essa expressão q já andei vendo por aí, começou a cair no lugar comum), as aulas seguem aos extremos: ou não tem, ou se tem é puxaaaada. Não vou reclamar não. Afinal o que tem de mais ler poemas em português galego ¬¬
- Tenho de comprar um caderno de caligrafia.
- Sou lonner por natureza.
- Montar horário é uma das maiores agonias já vividas por um ser humano naquela letras.
---
Pra não dizer que não falei das flores (essa expressão q já andei vendo por aí, começou a cair no lugar comum), as aulas seguem aos extremos: ou não tem, ou se tem é puxaaaada. Não vou reclamar não. Afinal o que tem de mais ler poemas em português galego ¬¬
quarta-feira, 8 de março de 2006
não Hei de perder a ternura...
Hj eu tive uma aula com uma professora simplesmente incrível. Ela tem pulso, mesmo não tendo um timbre de voz forte, todos querem ter aula com ela mesma ela sendo 'fresca e chata'. Humor refinado e associações inusitadas no meio de aula que acabam por despertar uma risada ou outra (isso se tratando de fonética e fonologia é algo). Resumindo, quero ser ela quando crescer (e ela é bem a amiga do tio carioca aí em riogrande). Ela reflete bem esse ideal de mulher moderna de ser A Profissional liberal, mas não perder a ternura (como dizia naquela revista alvo de críticas das analistas de discurso de plantão :P).
Até eu mesmo critiquei a questão da ternura, do jeito a ser tratado na revista de visão 'machista' ao fazer um especial pelo dia da mulher como aquela que trabalha, mas tem de cuidar do maridão, dos filhos, da casa e até dela mesma.
Só que, ao pensar de um outro patamar, vi que a questão não é a mulher casar e cuidar de sei-lá-quem-for-necessário. O problema é o 'ter de'. Ninguém tem de fazer nada que não lhe apetece. A mulher não tem de ter aqueles cuidados clássicos com o lar se não lhe é o que chama atenção (contudo terá de trabalhar pra pagar a empregada ). Ela não tem de casar até os 25 pq se não o fizer será A Solteirona da família, (mas tb não é saudável forçar o não-casamento pra mostrar que se é auto-suficiente).
Mulher, na condição que se vê de ter de mostrar competência por todos os poros, não tem mesmo de perder a ternura (o que não quer dizer manter a passividade). Afinal o que nos faz seres excepcionalmente cobiçados é algo que nenhum 'brokeback' poderá conseguir obter com a prática, a tal dita ternura.
Até eu mesmo critiquei a questão da ternura, do jeito a ser tratado na revista de visão 'machista' ao fazer um especial pelo dia da mulher como aquela que trabalha, mas tem de cuidar do maridão, dos filhos, da casa e até dela mesma.
Só que, ao pensar de um outro patamar, vi que a questão não é a mulher casar e cuidar de sei-lá-quem-for-necessário. O problema é o 'ter de'. Ninguém tem de fazer nada que não lhe apetece. A mulher não tem de ter aqueles cuidados clássicos com o lar se não lhe é o que chama atenção (contudo terá de trabalhar pra pagar a empregada ). Ela não tem de casar até os 25 pq se não o fizer será A Solteirona da família, (mas tb não é saudável forçar o não-casamento pra mostrar que se é auto-suficiente).
Mulher, na condição que se vê de ter de mostrar competência por todos os poros, não tem mesmo de perder a ternura (o que não quer dizer manter a passividade). Afinal o que nos faz seres excepcionalmente cobiçados é algo que nenhum 'brokeback' poderá conseguir obter com a prática, a tal dita ternura.
domingo, 5 de março de 2006
run Forrest, run!

Estava eu numa madrugada dessas (sempre me perco no tempo e no espaço), vendo o Intercine (programão de férias!), passando o Forrest Gump (devidamente avisada por uma fahbulosa pessoa), o tal contador de histórias. É impressionante a pura beleza daquele filme. A começar pela pena, que por alguns segundos consegue fazer sumir tudo da mente só pra ficar observando donde ela irá parar. Depois vem as centenas de frases simples e belas (dos estilo 'queria fazer coisas bonitas') que dá gosto de degustar.
Cada vez que vemos um filme temos uma visão diferenciada dele e carregamos algo de especial em relaçao a antes (tá aí o pq de ver Amélie 4 dias seguidos...). Sendo assim, desta vez Forrest me pegou desprevinida ao proferir a seguinte frase pra Jenny qdo ela começa a jogar pedras na antiga casa do pai dela e dar xilique: 'às vezes parece que não tem pedras o suficiente'.
E não é que é assim. Às vezes queremos jogar tudo pro alto, nos libertar, mas não há pedras o suficiente. Seguir por um caminho diferente, que posso nos levar a tão idolatrada felicidade... mas não há pedras o suficiente pra jogar naquilo que nos atravanca. Ah, um pouco angustiante a sensação, sufocante até. Não há pedras o suficiente nem pra continuar escrevento tem vezes também. E olha que de pedra eu entendo, colecionava quando criança (mesmo com minha mãe sempre jogando minha coleçao no quintal novamente¬¬).
Além das coisa reflexivas, há as coisas bonitas. O Forrest que cumpria sua promessa. O jeito com que eles (Forrest e Jenny) viam o por-do-sol. O Forrest que não parava de correr, via o oceano e simplesmente voltava a correr. A vida que é uma caixa de bombom... Sendo que no final fica aquela sensação de que todos nós precisamos mesmo é de um pouco tanto de carinho. (ando piegas? maybe, who knows...)
;)
quinta-feira, 2 de março de 2006
O Solipsista
Walter B. Jehovah tinha sido solipsista toda a sua vida. Não vou justificar o seu nome, pois este era realmente o seu nome. Um solipsista, no caso de o leitor não conhecer a palavra, é alguém que acredita que ele próprio é a única coisa que realmente existe, que as outras pessoas e o universo em geral só existem na sua imaginação, e que se ele deixasse de os imaginar estes também deixariam de existir.
Um dia, Walter B. Jehovah começou a ser solipsista praticante. No espaço de uma semana, a sua mulher fugiu com outro homem, perdeu o seu emprego de expedidor e partiu uma perna quando afugentava um gato preto para impedir que este se atravessasse no seu caminho.
Enquanto estava de cama no hospital, decidiu acabar com tudo.
Olhou pela janela, contemplou as estrelas, desejou que elas deixassem de existir e elas desapareceram. Depois, desejou que todas as outras pessoas deixassem de existir e o hospital ficou estranhamente silencioso, apesar de ser um hospital. A seguir, fez o mesmo ao mundo, e encontrou-se suspenso num vazio. Livrou-se do seu corpo com a mesma facilidade e depois deu o passo final, querendo que ele próprio deixasse de existir.
Nada aconteceu.
Estranho, pensou, poderá haver um limite para o solipsismo?
«Sim», disse uma voz.
«Quem és?», perguntou Walter B. Jehovah.
«Sou aquele que criou o universo que acabaste de querer que deixasse de existir. E agora que vieste substituir-me — houve um suspiro profundo — posso finalmente deixar de existir, cair no esquecimento e deixar-te ocupar o meu lugar.»
«Mas como posso eu deixar de existir? É isso que estou a tentar fazer, sabes?»
«Sim, sei», disse a voz. «Tens que fazer como eu fiz. Cria um universo. Espera até que surja nele uma pessoa que acredite realmente naquilo em que acreditaste e que queira que ele deixe de existir. Depois podes retirar-te e deixá-la ocupar o teu lugar. Adeus!»
E a voz desapareceu.
Walter B. Jehovah estava sozinho no vazio e só havia uma coisa que ele podia fazer. Criou o Céu e a Terra.
Levou sete dias a fazê-lo.
Fredric Brown
Tradução de Pedro Galvão
Excerto retirado de What Mad Universe, de Fredric Brown.
---
Aproveitei o adjetivo do comentário anterior do Italianinho para 'caçar' esse texto no google. :)
Um dia, Walter B. Jehovah começou a ser solipsista praticante. No espaço de uma semana, a sua mulher fugiu com outro homem, perdeu o seu emprego de expedidor e partiu uma perna quando afugentava um gato preto para impedir que este se atravessasse no seu caminho.
Enquanto estava de cama no hospital, decidiu acabar com tudo.
Olhou pela janela, contemplou as estrelas, desejou que elas deixassem de existir e elas desapareceram. Depois, desejou que todas as outras pessoas deixassem de existir e o hospital ficou estranhamente silencioso, apesar de ser um hospital. A seguir, fez o mesmo ao mundo, e encontrou-se suspenso num vazio. Livrou-se do seu corpo com a mesma facilidade e depois deu o passo final, querendo que ele próprio deixasse de existir.
Nada aconteceu.
Estranho, pensou, poderá haver um limite para o solipsismo?
«Sim», disse uma voz.
«Quem és?», perguntou Walter B. Jehovah.
«Sou aquele que criou o universo que acabaste de querer que deixasse de existir. E agora que vieste substituir-me — houve um suspiro profundo — posso finalmente deixar de existir, cair no esquecimento e deixar-te ocupar o meu lugar.»
«Mas como posso eu deixar de existir? É isso que estou a tentar fazer, sabes?»
«Sim, sei», disse a voz. «Tens que fazer como eu fiz. Cria um universo. Espera até que surja nele uma pessoa que acredite realmente naquilo em que acreditaste e que queira que ele deixe de existir. Depois podes retirar-te e deixá-la ocupar o teu lugar. Adeus!»
E a voz desapareceu.
Walter B. Jehovah estava sozinho no vazio e só havia uma coisa que ele podia fazer. Criou o Céu e a Terra.
Levou sete dias a fazê-lo.
Fredric Brown
Tradução de Pedro Galvão
Excerto retirado de What Mad Universe, de Fredric Brown.
---
Aproveitei o adjetivo do comentário anterior do Italianinho para 'caçar' esse texto no google. :)
quarta-feira, 1 de março de 2006
carnaval, carnaval...
Então senhoras e senhores, temos o fim hoje do tal espetáculo popular chamado carnaval. Quarta-feira de cinzas e aniversário da cidade maravilhosa (um aniversário que ninguém comemora ahaha).
Dos dias de folia, que ficou pra mim, é que nada substitui um bom livro (mesmo que ele não seja tão bom assim), um pouco de verde ao redor (mesmo que seja as plantas da avó em jarros) e uns passarinhos cantando (mesmo que seja os dois periquitos da gaiola ao lado brigando por uma fêmea). Ah, crianças também podem dar aqueeeela animada (claro, enxendo a paciência, esperniando e gritando às vezes). Outra coisa que não se pode deixar pra trás em carnavais é zombar um pouco das fantasias dos outros, mesmo que no fundo o maior palhaço seja si mesmo. E depois de tanta euforia posso dizer que dos dias que se passaram eu não perdi nada. Isso, não perdi. Não perdi horas na folia, não perdi horas no meu quarto arquitetando como minha vida poderia ser melhor se eu morasse em outro canto, e, muito menos, perdi o contato com aqueles que me criaram e deram todo seu aponho e carinho pra minha persona desde pequena, passando pra mim de toda aquela bondade de dar sorriso no rosto de ver: meus avôs.
Se eu pudesse compor uma música de sucesso, fazer um poema com instante poético, escrever uma história cativante de ser, certamente gostaria de fazer por eles, daquelas pessoas que abraçam com o coração e só.
Tantas vezes reclamamos de tudo um pouco e pasmaceira de vida. Vai ver falta criar a habilidade de olhar com mais afeto pros nossos primeiros, únicos e eternos amores, nossa família - seres que não escolhemos, porém são nossos por todo sempre.
Dos dias de folia, que ficou pra mim, é que nada substitui um bom livro (mesmo que ele não seja tão bom assim), um pouco de verde ao redor (mesmo que seja as plantas da avó em jarros) e uns passarinhos cantando (mesmo que seja os dois periquitos da gaiola ao lado brigando por uma fêmea). Ah, crianças também podem dar aqueeeela animada (claro, enxendo a paciência, esperniando e gritando às vezes). Outra coisa que não se pode deixar pra trás em carnavais é zombar um pouco das fantasias dos outros, mesmo que no fundo o maior palhaço seja si mesmo. E depois de tanta euforia posso dizer que dos dias que se passaram eu não perdi nada. Isso, não perdi. Não perdi horas na folia, não perdi horas no meu quarto arquitetando como minha vida poderia ser melhor se eu morasse em outro canto, e, muito menos, perdi o contato com aqueles que me criaram e deram todo seu aponho e carinho pra minha persona desde pequena, passando pra mim de toda aquela bondade de dar sorriso no rosto de ver: meus avôs.
Se eu pudesse compor uma música de sucesso, fazer um poema com instante poético, escrever uma história cativante de ser, certamente gostaria de fazer por eles, daquelas pessoas que abraçam com o coração e só.
Tantas vezes reclamamos de tudo um pouco e pasmaceira de vida. Vai ver falta criar a habilidade de olhar com mais afeto pros nossos primeiros, únicos e eternos amores, nossa família - seres que não escolhemos, porém são nossos por todo sempre.
sábado, 25 de fevereiro de 2006
Meninos e Meninas
Não faz muito tempo saiu no jornal (o nacional), fotos de crianças cheirando cola em pleno dia no centro de São Paulo, até sendo ajudada pelos policiais. Quem vê do jornal tem a chance de só lamentar e achar que algo está sendo feito. Contudo, na minha estadia pela terra da garoa, acabei me deparando com um mar de crianças e adolescentes em pleno pulmões nos seus saquinhos de cola.
Foi um verdadeiro espetáculo de horror, por debaixo de ponte, nas calçadas, sentadas pelos cantos ou pelo meio da cidade, elas estavam com o olhar provocativo de quem diz 'não adianta me evitar, eu estou aqui'. E eu querendo que fosse aquilo minha pura imaginação. Meninas jogadas, meninos ameaçadores. Agora me diz, eles têm condição de serem adultos? Eles de fato nunca serão gente no sentido completo da palavra (com direito, deveres e liberdade escolha). A escolha já tá feita, a rua. O domicílio não podia ser mais cruel, e o show ao ar livre de graça pra estudantes, profissionais, aposentados não poderia ser mais assustador.
Pensamos muito no que vamos ser quando crescer. Elas não tem o direito de pensar nisso, pq elas não crescem. Uma dalas veio em minha direção fixamente e desviou na última hora, fluindo pânico pelos meus poros. Aí o menino deu um risada como se dissesse 'eu não sou esse bandido que vc pensa'. Mas ele não sabia que eu não via como um bandido, mas sim um alguém que não tem nada a perder, por isso mesmo é capaz de tudo.
O caso de viver em grandes centros é esse, a ferida latente. Ali ao lado do espetáculo do 'chera-cola', tinha o redudo pornográfico de São Paulo, com mulheres em pleno dia encarando o movimento e estando paradas nas portas esperando a clientela aparecer. Cine-prives, bares dos mais pé-de-chinelo, pornografia espalhada pelos camelôs (isso nunca tinha visto). Essa indústria é poderosíssima, sabemos, mas precisava estar em pleno vapor a luz do dia no centro de uma grande capital?
Bem, precisei rever meus conceitos pra muita coisa. A principal foi continuar com meta de olhar pelo '3º setor', afinal se nao olharmos, quem olhará por eles? E mais, se não olharmos por eles quem depois olhará por nós quando tivermos nossa casa invadida, nossos filhos sequestrados, nossa vida marcada por essa tal violência?
Foi um verdadeiro espetáculo de horror, por debaixo de ponte, nas calçadas, sentadas pelos cantos ou pelo meio da cidade, elas estavam com o olhar provocativo de quem diz 'não adianta me evitar, eu estou aqui'. E eu querendo que fosse aquilo minha pura imaginação. Meninas jogadas, meninos ameaçadores. Agora me diz, eles têm condição de serem adultos? Eles de fato nunca serão gente no sentido completo da palavra (com direito, deveres e liberdade escolha). A escolha já tá feita, a rua. O domicílio não podia ser mais cruel, e o show ao ar livre de graça pra estudantes, profissionais, aposentados não poderia ser mais assustador.
Pensamos muito no que vamos ser quando crescer. Elas não tem o direito de pensar nisso, pq elas não crescem. Uma dalas veio em minha direção fixamente e desviou na última hora, fluindo pânico pelos meus poros. Aí o menino deu um risada como se dissesse 'eu não sou esse bandido que vc pensa'. Mas ele não sabia que eu não via como um bandido, mas sim um alguém que não tem nada a perder, por isso mesmo é capaz de tudo.
O caso de viver em grandes centros é esse, a ferida latente. Ali ao lado do espetáculo do 'chera-cola', tinha o redudo pornográfico de São Paulo, com mulheres em pleno dia encarando o movimento e estando paradas nas portas esperando a clientela aparecer. Cine-prives, bares dos mais pé-de-chinelo, pornografia espalhada pelos camelôs (isso nunca tinha visto). Essa indústria é poderosíssima, sabemos, mas precisava estar em pleno vapor a luz do dia no centro de uma grande capital?
Bem, precisei rever meus conceitos pra muita coisa. A principal foi continuar com meta de olhar pelo '3º setor', afinal se nao olharmos, quem olhará por eles? E mais, se não olharmos por eles quem depois olhará por nós quando tivermos nossa casa invadida, nossos filhos sequestrados, nossa vida marcada por essa tal violência?
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006
livros
Estava eu aleatoriamente indo ao correio (sim, apesar do vício internético não largo tal meio de comunicação), sendo infeliz na minha empreitada, decido ir um sebo a caminho de casa (na verdade é uma banca de revista de canto), e lá começo a remexer nos livros, alguns em estado de decomposição, quando acho no meio deles um sobre lendas mitológicas (com direito a Beowulf!) entao não resisti. Ah, minha intençao era procurar o livro do platão aquele pra ler, Fedro, mas não tem livraria em São Gonçalo (ao menos aqui por perto). Então fiquei com o livro mitológico por R$1,50 (aí se aplica o que tem valor pra um não tem o mesmo valor pro outro). E o inusitado foi achar o seguinte título 'A fabulosa Jaqueline', minha filha já nascerá com homenagens dignas prestadas :P
Falando em livros, as leituras de férias foram em blocos, parte de um livro, parte de outro. Mas o importante não é manter a forma? E começo o ano com a vontade de conciliar mais leituras no período de estudo, pois creio estar perdendo tempo sem ter experimentado de clássicos como "Crime e Castigo", "1984", "Admirável Mundo Novo" (e distopia continua reinando não é?).
Mas deve repetir aqui que uma das minhas maiores alegrias do ano passado foi ter ganhado um livro de aniversário. No universo em que todos se dão roupas, acessorios, porta-retratos (o que não deixa de ter sua importância), um ser iluminado (Lívia Mary), deu-me o "Casa dos Espíritos" (creio estar repetindo isso). Contudo é importante salientar que em nossa cultura livros são vistos como objetos de estantes, e não de desejo, por uma grande parte.
Falando em livros, as leituras de férias foram em blocos, parte de um livro, parte de outro. Mas o importante não é manter a forma? E começo o ano com a vontade de conciliar mais leituras no período de estudo, pois creio estar perdendo tempo sem ter experimentado de clássicos como "Crime e Castigo", "1984", "Admirável Mundo Novo" (e distopia continua reinando não é?).
Mas deve repetir aqui que uma das minhas maiores alegrias do ano passado foi ter ganhado um livro de aniversário. No universo em que todos se dão roupas, acessorios, porta-retratos (o que não deixa de ter sua importância), um ser iluminado (Lívia Mary), deu-me o "Casa dos Espíritos" (creio estar repetindo isso). Contudo é importante salientar que em nossa cultura livros são vistos como objetos de estantes, e não de desejo, por uma grande parte.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Sei lá... a vida tem sempre razão
por Vinícius de Moraes
Tem dias que eu fico
Pensando na vida
E sinceramente
Não vejo saída
Como é, por exemplo
Que dá pra entender
A gente mal nasce
Começa a morrer
Depois da chegada
Vem sempre a partida
Porque não há nada
Sem separação
Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, sei lá
Só sei que ela está com a razão
A gente nem sabe
Que males se apronta
Fazendo de conta
Fingindo esquecer
Que nada renasce
Antes que se acabe
E o sol que desponta
Tem que anoitecer
De nada adianta
Ficar-se de fora
A hora do sim
É um descuido do não
Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão
--
Tem dias que eu fico
Pensando na vida
E sinceramente
Não vejo saída
Como é, por exemplo
Que dá pra entender
A gente mal nasce
Começa a morrer
Depois da chegada
Vem sempre a partida
Porque não há nada
Sem separação
Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, sei lá
Só sei que ela está com a razão
A gente nem sabe
Que males se apronta
Fazendo de conta
Fingindo esquecer
Que nada renasce
Antes que se acabe
E o sol que desponta
Tem que anoitecer
De nada adianta
Ficar-se de fora
A hora do sim
É um descuido do não
Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão
--
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006
like a ROLLING STONE!
Então personas, ando eu sumindo dessas paragens. Da última vez que aqui postei não imaginava eu a guinada do meu final de semana. E aí veio a guinada e após a fahdiga.
Fui, fui ao show dos vovôs do rock. Rolling Stones pra mim lembra a época na qual na catarse cantava alto 'I can't get no satisfaction' a plenos pulmões pra os vizinhos escutarem mesmo (ai, mas nunca deixei de ser comportadinha :P). E então tive a chance de fazer isso no meio de mais de 1 milhão de pessoas. Ohhhhhh, estava mostruoso o show. Mas o toque especial ficou por conta das pessoas do tipo que entram em nossas vidas pra mudar tudo e reestabelecer uma nova-boa ordem. E é assim que digo agora 'we'll aways have Copacabana', plagiando ao meu bel prazer a famosa frase daquele clássico romantico Casablanca.
Não posso deixar de salientar a tranquilidade que transcorreu o acontecimento nas areias de Copacabana. O único 'problema' foi a volta, 238474728 pessoas querendo sair de lá, imaginem! Mas fora esse pequeno infortúnio me vi radiante ao participar de tal evento na minha cidade de nascença.
Fiquei feliz também por descobrir dentro de mim um fahbuloso destino quase perdido no meio da secura dos dias de verão. E eu que estava prestes a jogar a toalha, fechar os olhos e me encerrar dentro da vida bege. Agora ela está lilás novamente, lilás e radiante.
Fui, fui ao show dos vovôs do rock. Rolling Stones pra mim lembra a época na qual na catarse cantava alto 'I can't get no satisfaction' a plenos pulmões pra os vizinhos escutarem mesmo (ai, mas nunca deixei de ser comportadinha :P). E então tive a chance de fazer isso no meio de mais de 1 milhão de pessoas. Ohhhhhh, estava mostruoso o show. Mas o toque especial ficou por conta das pessoas do tipo que entram em nossas vidas pra mudar tudo e reestabelecer uma nova-boa ordem. E é assim que digo agora 'we'll aways have Copacabana', plagiando ao meu bel prazer a famosa frase daquele clássico romantico Casablanca.
Não posso deixar de salientar a tranquilidade que transcorreu o acontecimento nas areias de Copacabana. O único 'problema' foi a volta, 238474728 pessoas querendo sair de lá, imaginem! Mas fora esse pequeno infortúnio me vi radiante ao participar de tal evento na minha cidade de nascença.
Fiquei feliz também por descobrir dentro de mim um fahbuloso destino quase perdido no meio da secura dos dias de verão. E eu que estava prestes a jogar a toalha, fechar os olhos e me encerrar dentro da vida bege. Agora ela está lilás novamente, lilás e radiante.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
dia ensolarado
Calor, abafado, dia de semana, não tem ocasião melhor para aproveitar e fazer um turismo pela tal cidade maravilhosa. Tanto bati o pé que consegui o que parecia tão distante: que meu pai me levasse ao centro do Rio para que ficasse sabendo como 'andar' por lá e alcançar a liberdade dos pesados grilhões da ignorância (ohhhhh).
O caso é que o dia foi agradável, andei feito uma condenada e feliz da vida por ter noção do que fica aonde com direito a ida no MAM, num monumento aos brasileiros mortos na Itália na 2ª guerra (tinha de ser na Itália mesmo!) e uma passada por copacabana pra saber por quantas anda os preparativos pro show que está balançando o Brasil (pq as pessoas do Rio mesmo estão mais que indiferentes - a não ser as vizinhas do acontecimento).
Ah, descobri a biblioteca pública (e toda imponência do prédio), além de passar pela cinelândia e dar uma olhada na reforma que fizeram no cinema Odeon (com vários filmes alternativos no circuito - além da promessa interna que fiz de conferi-los). Falando em circuito cultural, situei o espaço cultural Banco do Brasil na minha rota de ônibus/barca e me arrico mesmo a dar uma passada por lá nos próximos dias.
Dia leve, compromissos leves, caminhada pesada. Meu rosto sofreu com o sol escaldante digno de quase 40graus - encontra-se devidamente vermelho.
Blá blá blá a parte, precisamos mesmo de dias ensolarados (agradeceria se não estivesse tão quente).
E agora a Lizi me fala da diferença de dois cremes/máscara para rosto no qual um é máscara, o outro é não-máscara e insiste que eu entenda! Ai, minha vida!
Ah, pior, matei a aula de italiano hj. Que feio... Mas falando nela devo me manifestar no meu diário internético predileto sobre a injustiça feita pelo CLAC aos estudantes de letras, os quais estavam em uma turma (com 19 alunos) e foram impostos a mudar para outra (com 2 alunos) só pq eram de 'letras' (isto é, isentos) e teriam de estar na turma que lhes forem lucrativas (já que cobram 190,00 de inscrição). Fomos (mesmo não estando eu lá tomo as dores) vilipendiados por sermos o elo mais fraco e o pior, a falta de educação ao qual fizeram o 'pedido'. No final eu vou continuar no mesmo horário mesmo... E os outros. Tanto barulho por nada.
Que vontade de falar hoje. E escrever.
O caso é que o dia foi agradável, andei feito uma condenada e feliz da vida por ter noção do que fica aonde com direito a ida no MAM, num monumento aos brasileiros mortos na Itália na 2ª guerra (tinha de ser na Itália mesmo!) e uma passada por copacabana pra saber por quantas anda os preparativos pro show que está balançando o Brasil (pq as pessoas do Rio mesmo estão mais que indiferentes - a não ser as vizinhas do acontecimento).
Ah, descobri a biblioteca pública (e toda imponência do prédio), além de passar pela cinelândia e dar uma olhada na reforma que fizeram no cinema Odeon (com vários filmes alternativos no circuito - além da promessa interna que fiz de conferi-los). Falando em circuito cultural, situei o espaço cultural Banco do Brasil na minha rota de ônibus/barca e me arrico mesmo a dar uma passada por lá nos próximos dias.
Dia leve, compromissos leves, caminhada pesada. Meu rosto sofreu com o sol escaldante digno de quase 40graus - encontra-se devidamente vermelho.
Blá blá blá a parte, precisamos mesmo de dias ensolarados (agradeceria se não estivesse tão quente).
E agora a Lizi me fala da diferença de dois cremes/máscara para rosto no qual um é máscara, o outro é não-máscara e insiste que eu entenda! Ai, minha vida!
Ah, pior, matei a aula de italiano hj. Que feio... Mas falando nela devo me manifestar no meu diário internético predileto sobre a injustiça feita pelo CLAC aos estudantes de letras, os quais estavam em uma turma (com 19 alunos) e foram impostos a mudar para outra (com 2 alunos) só pq eram de 'letras' (isto é, isentos) e teriam de estar na turma que lhes forem lucrativas (já que cobram 190,00 de inscrição). Fomos (mesmo não estando eu lá tomo as dores) vilipendiados por sermos o elo mais fraco e o pior, a falta de educação ao qual fizeram o 'pedido'. No final eu vou continuar no mesmo horário mesmo... E os outros. Tanto barulho por nada.
Que vontade de falar hoje. E escrever.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006
Hino da fahse nova
Tendo a Lua
Eu hoje joguei tantas coisas fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografia, gente que foi embor
A casa fico bem melhor assim.
O céu de Ìcaro tem mais poesia que o céu de Galileu
E lendo os teus bilhetes eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante sem saber voar.
Desprezando as asas que você me deu.
Tendo a lua aquela gravidade
Aonde o homem flutua
Merecia visita não de militares
Mas de bailarinos e de você e eu.
Eu joguei tantas coisas fora
E lendo os teus bilhetes eu penso no que eu fiz
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim.
Tendo a lua...
Eu hoje joguei tantas coisas fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografia, gente que foi embor
A casa fico bem melhor assim.
O céu de Ìcaro tem mais poesia que o céu de Galileu
E lendo os teus bilhetes eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante sem saber voar.
Desprezando as asas que você me deu.
Tendo a lua aquela gravidade
Aonde o homem flutua
Merecia visita não de militares
Mas de bailarinos e de você e eu.
Eu joguei tantas coisas fora
E lendo os teus bilhetes eu penso no que eu fiz
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim.
Tendo a lua...
terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
mateando
And so it is...
Estava eu agora nessa tarde calorosa donde a manhã tinha dado tudo perfeitamente bem (não paguei o dobro do curso, marquei consulta na dentista e de quebra descobri que aqui do lado de casa concertam impressora), encontrei-me num vácuo de existência (ou simplesmente no ócio de quem não quer ter mto o que fazer momentaneamente), daí indo buscar do fundo do baú o costume deixado na mateira ao lado da cama de 'chimarrear' um tantinho. Daí que após lavar a louça (sim, agora isso está fazendo parte do cotidiano da nova fah), fui fazer meu chimas tranquilinha, lembrando das cômicas tentativas iniciais onde em RioGrande quase entupi a tubulação do prédio ao jogar a erva na pia, derramar mate por todo o canto, fazer o famoso chimas flutuante e seguir na sagaz tentativa de acertar o ponto ao preparar o chimas nosso de cada dia.
O dia não é frio, mas vem sobressaltos de ventos distantes trazendo a boa e velha recordação de outras querências (não, não é pagos! - aprendi com o Italiano!). O caso é que dessa vez consegui regredir e derrarmar erva pela pia toda, ao menos não fiquei toda verde como era costumeiro.
Agora sigo na tarde tonta saboreando ao ar do ventilador (que geralmente dispenso) a degustar silenciosamente meu chimas, sozinha, porém com novas convicções aliadas as de sempre, juntamente com a satisfação pelo simples.
Acho que estou a caminho de alguma coisa. Esta alguma coisa está aqui dentro se contruindo gradativamente (não, não é um filho!), querendo crescer e aparecer de modo a melhorar a qualidade de vida não só minha, mas daqueles que me cercam tão de pertinho aqui dentro da minha caixinha, da minha morada.
Próximos posts virá algo de social que muito pensei nos dias que passei por são paulo.
Estava eu agora nessa tarde calorosa donde a manhã tinha dado tudo perfeitamente bem (não paguei o dobro do curso, marquei consulta na dentista e de quebra descobri que aqui do lado de casa concertam impressora), encontrei-me num vácuo de existência (ou simplesmente no ócio de quem não quer ter mto o que fazer momentaneamente), daí indo buscar do fundo do baú o costume deixado na mateira ao lado da cama de 'chimarrear' um tantinho. Daí que após lavar a louça (sim, agora isso está fazendo parte do cotidiano da nova fah), fui fazer meu chimas tranquilinha, lembrando das cômicas tentativas iniciais onde em RioGrande quase entupi a tubulação do prédio ao jogar a erva na pia, derramar mate por todo o canto, fazer o famoso chimas flutuante e seguir na sagaz tentativa de acertar o ponto ao preparar o chimas nosso de cada dia.
O dia não é frio, mas vem sobressaltos de ventos distantes trazendo a boa e velha recordação de outras querências (não, não é pagos! - aprendi com o Italiano!). O caso é que dessa vez consegui regredir e derrarmar erva pela pia toda, ao menos não fiquei toda verde como era costumeiro.
Agora sigo na tarde tonta saboreando ao ar do ventilador (que geralmente dispenso) a degustar silenciosamente meu chimas, sozinha, porém com novas convicções aliadas as de sempre, juntamente com a satisfação pelo simples.
Acho que estou a caminho de alguma coisa. Esta alguma coisa está aqui dentro se contruindo gradativamente (não, não é um filho!), querendo crescer e aparecer de modo a melhorar a qualidade de vida não só minha, mas daqueles que me cercam tão de pertinho aqui dentro da minha caixinha, da minha morada.
Próximos posts virá algo de social que muito pensei nos dias que passei por são paulo.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006
primeiro segundo post
Então é essa a proposta que venceu, manter o blog o mesmo mas com uma recapiada básica (que espero não ser igual a feita nas estradas brasileiras). Falando em estrada, viram que estou de voltar ao mundo internético depois de 3 semanas e um dia e meio de passeio pela terra da garoa. O saldo positivo da viagem me rendeu um ânimo de mudar pequenas mazelas deixadas de lado no cotidiano que me acompanhava massantemente. A felicidade maior é que mesmo depois de me esbaldar na comida mineira da tia receber o comentário 'vc emagraceu hein' (mulher não muda!).
O que tenho reparado mesmo é que o 'ai, minha vida' vai ficando um suspiro fraco, que não sai de voga mas também não toma espaço como antes. São dessas coisas que se dizem normais de mudança. Eu relutei tanto pra colocar margens aqui... Era como se quisesse mascarar a vida lilás no óbvio do sempre que já não era. Coisas assim.
Digo agora que é necessária a mudança, e mais que bandeira levantada ao vento é realidade pq estou vivendo mudança. Mudança de curso, mudança de horários, mudança na relação com amigos (pra melhor na maiorida dos causos), mudança de estratégia em casa, mudança de tratamento com a irmã mais nova (eu sempre soube que tinha de partir pertinentemente de mim), mudança de achar até estrelas no céu e talvez volta da poesia perdida no meio da selva densa do fechar de pálpebras por conta do enfado.
Assim fica o primeiro dos, espero, mtos posts do novo ano que no calendário da blogosfera começa hj para minha persona.
O que tenho reparado mesmo é que o 'ai, minha vida' vai ficando um suspiro fraco, que não sai de voga mas também não toma espaço como antes. São dessas coisas que se dizem normais de mudança. Eu relutei tanto pra colocar margens aqui... Era como se quisesse mascarar a vida lilás no óbvio do sempre que já não era. Coisas assim.
Digo agora que é necessária a mudança, e mais que bandeira levantada ao vento é realidade pq estou vivendo mudança. Mudança de curso, mudança de horários, mudança na relação com amigos (pra melhor na maiorida dos causos), mudança de estratégia em casa, mudança de tratamento com a irmã mais nova (eu sempre soube que tinha de partir pertinentemente de mim), mudança de achar até estrelas no céu e talvez volta da poesia perdida no meio da selva densa do fechar de pálpebras por conta do enfado.
Assim fica o primeiro dos, espero, mtos posts do novo ano que no calendário da blogosfera começa hj para minha persona.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006
Minhas férias
Querido diário,
Minhas férias em Sampa estão ótimas. Desdo dia em que cheguei não páro em casa (no ap da prima), juntamente com os outros primos de Gov. Valadares que estão floreando meus dias com bastante alegria (inté demais!), além de barulho, risadas e um pouco de 'ai, minha vida, nao calam a boca!'. Sobretudo devo ressaltar as peripércias do meu primo menor de 5 anos que não pára de falar e a todo o canto está segurando minha mão e contando um fahbulosa história.
Já fomos na Sé, na Liberdade, Av. Paulista, Brás (lugar de sacoleiro ahaha), Playcenter (foi terrível, só peguei fila) e etc... Andei de metrô que me acabei e continuo nesse ritmo só que um pouco mais devagar já que o povo voltou pra Minas uai essa 2ªf e agora fico sentindo até falta da bagunça toda.
Está minha prima, tia e eu, eu sendo mto mimada pela tia com sua deliciosa comida mineira e curtindo o friozinho gostoso dos últimos dias com mto chocolate quente. A prima, mesmo cansada, sempre procura alguma coisa pra fazer, sair, ir pro cinema, pro barzinho da ex-faculdade dela... Whatever! Não tenho do que reclamar, a não ser da saudade internética do povo. Mas vou matando sutilmente com idas relâmpago à lan mais próxima.
Deste modo espero que a volta pro Rio não seja embaixo de chuva e mto menos que me encontre debaixo d'água. A volta fica pra semana que vem, lá pra 2ªf ou mais um pouco.
Fico por aqui... Atenciosamente.
Minhas férias em Sampa estão ótimas. Desdo dia em que cheguei não páro em casa (no ap da prima), juntamente com os outros primos de Gov. Valadares que estão floreando meus dias com bastante alegria (inté demais!), além de barulho, risadas e um pouco de 'ai, minha vida, nao calam a boca!'. Sobretudo devo ressaltar as peripércias do meu primo menor de 5 anos que não pára de falar e a todo o canto está segurando minha mão e contando um fahbulosa história.
Já fomos na Sé, na Liberdade, Av. Paulista, Brás (lugar de sacoleiro ahaha), Playcenter (foi terrível, só peguei fila) e etc... Andei de metrô que me acabei e continuo nesse ritmo só que um pouco mais devagar já que o povo voltou pra Minas uai essa 2ªf e agora fico sentindo até falta da bagunça toda.
Está minha prima, tia e eu, eu sendo mto mimada pela tia com sua deliciosa comida mineira e curtindo o friozinho gostoso dos últimos dias com mto chocolate quente. A prima, mesmo cansada, sempre procura alguma coisa pra fazer, sair, ir pro cinema, pro barzinho da ex-faculdade dela... Whatever! Não tenho do que reclamar, a não ser da saudade internética do povo. Mas vou matando sutilmente com idas relâmpago à lan mais próxima.
Deste modo espero que a volta pro Rio não seja embaixo de chuva e mto menos que me encontre debaixo d'água. A volta fica pra semana que vem, lá pra 2ªf ou mais um pouco.
Fico por aqui... Atenciosamente.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2006
quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
breve reflexão
Os blogs andam abandonados. Eu ando aleatoriamente feliz.
Acabou, não disse que era breve?
Mas não adianta, tenho de escrever mais linhas. O caso é que tem coisas que não sei dizer. Se deixar levar é a conta... E se causa um bem, que o bem continue.
Ah, leiam o post abaixo, são muito lindos esses fragmentos, a coisa mais meiga. Faz querer um abraço no final. Leiam e reflitam consigo mesmos, pela beleza das coisas bobas, querendo fazer coisas bonitas.
É, vai ver tá aí o sentido.. fazer coisas bonitas.
E eu sigo com minhas reticências em vida lilás sacudida por cores aleatórias e cativantes.
Acabou, não disse que era breve?
Mas não adianta, tenho de escrever mais linhas. O caso é que tem coisas que não sei dizer. Se deixar levar é a conta... E se causa um bem, que o bem continue.
Ah, leiam o post abaixo, são muito lindos esses fragmentos, a coisa mais meiga. Faz querer um abraço no final. Leiam e reflitam consigo mesmos, pela beleza das coisas bobas, querendo fazer coisas bonitas.
É, vai ver tá aí o sentido.. fazer coisas bonitas.
E eu sigo com minhas reticências em vida lilás sacudida por cores aleatórias e cativantes.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2006
Calvin & Haroldo
Calvin: Olhe, Haroldo, há um filhote de quati no chão.
Haroldo: Estará vivo?
C: Acho que sim, mas ele está machucado. Veja ele mal pode respirar.
H: Melhor nem mexer nele, se ele está ferido.
C: Sim. Você vigia ele. Vou correr e chamar a mamãe.
H: Espero que ela possa ajudar.
C: Claro que sim. Você não pode ser mãe se não puder consertar tudo muito bem.
****
C: Olha lá o Haroldo tomando conta dele. O quatizinho está nem ali!
Mãe do Calvin: Oh, Clavin, eu não sei se podemos fazer algo para salvá-lo. Ele parece muito mal. Vá pegar uma caixa de sapatos e uma toalha limpa.
C: Certo!
MC: Eu não sei se esta coisinha pequena vai se salvar, Haroldo! [Suspiro] Eu odeio quando essas coisas acontecem. ... Você pode notar que eu estou aborrecida quando começo a falar com você...
****
MC: Bem, eu o coloquei na caixa de sapatos. Acho que tudo que podemos fazer é conservá-lo aquecido e seguro. Vamos colocá-lo na garagem e dar água e comida pra ele.
C: Eu li numa revista que os quatis comem de quase tudo. E se é assim, vou ficar contente em doar para ele quase todo o meu jantar.
MC: Calvin, você nem sabe o que vamos comer.
****
H: Ele comeu alguma coisa?
C: Não.
[os dois olham mudos pra caixinha onde está o quatizinho]
C: [chorando, olhando pro quatizinho] Não seria muito agradecido de sua parte quebrar meu coração.
****
H: Não consigo dormir.
C: Nem eu. Não paro de pensar no quarti.
H: Espero que ele se salve.
C: Eu também.
H: Eu acho os animais tão engraçadinhos.
****
C: Papai, você já olhou o quatizinho esta manhã?
Pai do Calvin: Sim, Calvin... Sinto muito, mas ele morreu.
C: UAHHH!! [chorando desesperado]
PC: Também sinto muito, filho. Mas ele não tinha muitas chances.
C: UAHH-AAHH!
PC: Pelo menos ele morreu quentinho e seguro. Fizemos o que podíamos, mas ele se foi.
C: * chuif * Eu sei. ‘Tô chorando porque lá fora ele já se foi, mas ele ainda não saiu de dentro de mim.
****
C: [falando com Haroldo, que só ouve] Foi aqui que o papai enterrou o quatizinho. Eu nem sabia que ele existia há alguns dias e agora ele se foi para sempre. É como se não tivesse nenhuma razão para que a gente se encontrasse! Eu tive que dizer adeus assim que disse oi. * suspiro * E assim mesmo... de uma forma triste e terrível, ‘tô feliz por tê-lo encontrado. ... Que mundo idiota.
****
C: Sabe, Haroldo, não consigo entender esta história de morte. Por que aquele quatizinho tinha de morrer? Ele não fez nada de errado. Ele era tão pequenininho! Qual é a vantagem de colocar ele aqui e levá-lo de volta tão cedo? [os dois, embaixo da cama] Ou isto é mesquinho ou arbitrário, e de qualquer forma me dá calafrios.
H: Por que é sempre de noite que a gente fala disso?
****
C: A mamãe falou que morte é tão natural como nascimento, e tudo faz parte do ciclo da vida. Ela diz que nós não entendemos realmente isto, mas há muitas coisas que nós não entendemos, e nós temos apenas que fazer o melhor que pudermos com o conhecimento que nós temos. Acho que isso faz sentido. ... Mas vê se você não some. [abraçando Haroldo]
H: Não se preocupe. [retribuindo o abraço]
****
A ESSÊNCIA DE CALVIN E HAROLDO, de BILL WATTERSON – páginas 223-225 – Cedibra Editora Brasileira Ltda.
Haroldo: Estará vivo?
C: Acho que sim, mas ele está machucado. Veja ele mal pode respirar.
H: Melhor nem mexer nele, se ele está ferido.
C: Sim. Você vigia ele. Vou correr e chamar a mamãe.
H: Espero que ela possa ajudar.
C: Claro que sim. Você não pode ser mãe se não puder consertar tudo muito bem.
****
C: Olha lá o Haroldo tomando conta dele. O quatizinho está nem ali!
Mãe do Calvin: Oh, Clavin, eu não sei se podemos fazer algo para salvá-lo. Ele parece muito mal. Vá pegar uma caixa de sapatos e uma toalha limpa.
C: Certo!
MC: Eu não sei se esta coisinha pequena vai se salvar, Haroldo! [Suspiro] Eu odeio quando essas coisas acontecem. ... Você pode notar que eu estou aborrecida quando começo a falar com você...
****
MC: Bem, eu o coloquei na caixa de sapatos. Acho que tudo que podemos fazer é conservá-lo aquecido e seguro. Vamos colocá-lo na garagem e dar água e comida pra ele.
C: Eu li numa revista que os quatis comem de quase tudo. E se é assim, vou ficar contente em doar para ele quase todo o meu jantar.
MC: Calvin, você nem sabe o que vamos comer.
****
H: Ele comeu alguma coisa?
C: Não.
[os dois olham mudos pra caixinha onde está o quatizinho]
C: [chorando, olhando pro quatizinho] Não seria muito agradecido de sua parte quebrar meu coração.
****
H: Não consigo dormir.
C: Nem eu. Não paro de pensar no quarti.
H: Espero que ele se salve.
C: Eu também.
H: Eu acho os animais tão engraçadinhos.
****
C: Papai, você já olhou o quatizinho esta manhã?
Pai do Calvin: Sim, Calvin... Sinto muito, mas ele morreu.
C: UAHHH!! [chorando desesperado]
PC: Também sinto muito, filho. Mas ele não tinha muitas chances.
C: UAHH-AAHH!
PC: Pelo menos ele morreu quentinho e seguro. Fizemos o que podíamos, mas ele se foi.
C: * chuif * Eu sei. ‘Tô chorando porque lá fora ele já se foi, mas ele ainda não saiu de dentro de mim.
****
C: [falando com Haroldo, que só ouve] Foi aqui que o papai enterrou o quatizinho. Eu nem sabia que ele existia há alguns dias e agora ele se foi para sempre. É como se não tivesse nenhuma razão para que a gente se encontrasse! Eu tive que dizer adeus assim que disse oi. * suspiro * E assim mesmo... de uma forma triste e terrível, ‘tô feliz por tê-lo encontrado. ... Que mundo idiota.
****
C: Sabe, Haroldo, não consigo entender esta história de morte. Por que aquele quatizinho tinha de morrer? Ele não fez nada de errado. Ele era tão pequenininho! Qual é a vantagem de colocar ele aqui e levá-lo de volta tão cedo? [os dois, embaixo da cama] Ou isto é mesquinho ou arbitrário, e de qualquer forma me dá calafrios.
H: Por que é sempre de noite que a gente fala disso?
****
C: A mamãe falou que morte é tão natural como nascimento, e tudo faz parte do ciclo da vida. Ela diz que nós não entendemos realmente isto, mas há muitas coisas que nós não entendemos, e nós temos apenas que fazer o melhor que pudermos com o conhecimento que nós temos. Acho que isso faz sentido. ... Mas vê se você não some. [abraçando Haroldo]
H: Não se preocupe. [retribuindo o abraço]
****
A ESSÊNCIA DE CALVIN E HAROLDO, de BILL WATTERSON – páginas 223-225 – Cedibra Editora Brasileira Ltda.
domingo, 15 de janeiro de 2006
Ficção
Olá amiguinhos...
O final de semana foi tão tão tão divertido. Fiz as mesmas coisas que fiz a semana inteira. A acrescentar algumas conversas interessantes com o Italianinho da quinta sobre filosofia, com a Lizi sobre a nossa própria existencia.. fora com pessoas aleatórias sobre méxico, distopias e alguns filmes a mais.
Acho divertido da vida lilás o quanto ela mesmo virou 'amélie', com toda aquela força interna que nem sempre quem está perto consegue captar com seus momentos de altos e baixos mesmo sem mudar a expressão da face.
Ah, a luz do dia foi que descobri que nao quero ser a solução. Isso mesmo, não estou aí pra isso. Posso estar de lado, pelas beradas... Mas solução não! Meu negócio é interação, falar dicutir... bater dois dedos de prosa como diria os mineiros.
Descobri que quero visitar uma praia oriental de água azul, casar com chinês e morar no méxico por uns tempos, até me estabelicer na Amazônia onde irei estudar umas línguas indígenas.
Tá, foi tudo imaginação. Mas vai dizer que não é bom fazer da sua vida ficção? De si mesmo um personagem em transição? Do mundo o cruel vilão? E da sua existência uma suposta busca por chocolates colororidos que brilham no escuro?
:)
Sempre bate saudade do blog.
O final de semana foi tão tão tão divertido. Fiz as mesmas coisas que fiz a semana inteira. A acrescentar algumas conversas interessantes com o Italianinho da quinta sobre filosofia, com a Lizi sobre a nossa própria existencia.. fora com pessoas aleatórias sobre méxico, distopias e alguns filmes a mais.
Acho divertido da vida lilás o quanto ela mesmo virou 'amélie', com toda aquela força interna que nem sempre quem está perto consegue captar com seus momentos de altos e baixos mesmo sem mudar a expressão da face.
Ah, a luz do dia foi que descobri que nao quero ser a solução. Isso mesmo, não estou aí pra isso. Posso estar de lado, pelas beradas... Mas solução não! Meu negócio é interação, falar dicutir... bater dois dedos de prosa como diria os mineiros.
Descobri que quero visitar uma praia oriental de água azul, casar com chinês e morar no méxico por uns tempos, até me estabelicer na Amazônia onde irei estudar umas línguas indígenas.
Tá, foi tudo imaginação. Mas vai dizer que não é bom fazer da sua vida ficção? De si mesmo um personagem em transição? Do mundo o cruel vilão? E da sua existência uma suposta busca por chocolates colororidos que brilham no escuro?
:)
Sempre bate saudade do blog.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2006
Tiradas publicitárias
Estava eu passeando pelo yahoo notícias, lendo sobre os acontecimentos, para ser mais específica como o Governo americano está enrolando na reconstrução de Nova Orleans, quando me deparo com esse propaganda despretenciosa de um produto novo da Microsoft que avisa sei lá que e-mail importante você quer. Mas olhando, temo aí uma daquelas reflexões clichês de como o trabalho às vezes engole algumas pessoas. Enfim, eu gostei.


Referencial
Estava eu olhando o blog recapiado do Tiago, o Ars Rethorica, e da parte final dos fragmentos de uma resposta do papa João Paulo II sobre o uso da camisinha tiro:
"(...)Se alguém duvida de que esta entidade chamada 'a ciência' hoje possui uma autoridade maior do que a da pitonisa de Delfos, pode considerar um único fato. Experimente dizer em um jantar qualquer que o Sol gira em torno da Terra. Você será chamado de palhaço e idiota. Agora, todos vêem, todos os dias, o Sol dar a volta no céu. Todos vêem, todos os dias, a Terra paradinha onde está, e o Sol se movendo. 'Ah, mas isso é só uma impressão.' Não é não. Você não aprendeu na escola que 'o movimento depende do referencial'? "
Com essa essa tirada colocada alfinetantemente pelo seu Italiano acabou por me render um daquelas caras de 'ih, me pegaram'.
Nada é relativo ou a ciência não é por si dona da verdade?
Há a tal verdade relativa? Ou de relativa a verdade não é nada?
Relativo não foi pois criado por nós como desculpa para as nossas próprias constações que não podem ser provadas?
Estou com um nó. Esse nó não é nada relativo. Mas o referencial é o blog do Tiago :P
Ah, estou gostando disso...
"(...)Se alguém duvida de que esta entidade chamada 'a ciência' hoje possui uma autoridade maior do que a da pitonisa de Delfos, pode considerar um único fato. Experimente dizer em um jantar qualquer que o Sol gira em torno da Terra. Você será chamado de palhaço e idiota. Agora, todos vêem, todos os dias, o Sol dar a volta no céu. Todos vêem, todos os dias, a Terra paradinha onde está, e o Sol se movendo. 'Ah, mas isso é só uma impressão.' Não é não. Você não aprendeu na escola que 'o movimento depende do referencial'? "
Com essa essa tirada colocada alfinetantemente pelo seu Italiano acabou por me render um daquelas caras de 'ih, me pegaram'.
Nada é relativo ou a ciência não é por si dona da verdade?
Há a tal verdade relativa? Ou de relativa a verdade não é nada?
Relativo não foi pois criado por nós como desculpa para as nossas próprias constações que não podem ser provadas?
Estou com um nó. Esse nó não é nada relativo. Mas o referencial é o blog do Tiago :P
Ah, estou gostando disso...
quarta-feira, 11 de janeiro de 2006
Hoje eu acordei com vontade de dormir. Deve ser o Sol, tão sol que fecha meus olhos espontaneamente. Eu não devo ter tantos problemas com o Sol, que com sua luz invade cada janela com cortina aberta. Meu caso sério é a Lua, que está cheia. E por que diabos consigo ver o pão de açucar da janela do meu quarto e não consigo ver a Lua??? Isso sim é que é desperdício de vista, tantos prédios, altos prédios... Arg, gosto de casa, casa no campo pra guardar os discos e livros e os amigos e nada mais. E a Lua cheia ficou escondida por detrás do prédio da minha frente. Ai, digo que estou com vontade de dormir. E sonhar.
terça-feira, 10 de janeiro de 2006
Fahmelie...
Respeitável público, apresento-lhes: eu. Um personagem de desenho animado que toma vida, toma responsabilidade e toma suco tang de uva. Tenho a determinação de Chihiro, ao mesmo tempo que sua sensibilidade, buscando o momento de 'reconhecimento' e libertação com paciência milenar. Faço de parte de mim Amélie, pelas coisas bobas, pela harmonia dos eixos interrompidos por um breve abalo de peles e almas. Criança de fato, pessoa de acentuar o otimisto e esperando captar a nuvem azul do céu.
Gosto e aposto que você gosta de mim.
Gosto de boas lembranças, acordar tarde pensando no sonho que tive por horas a fio, admirar o vento batendo na testa, ver riscos de cores quando fecho os olhos, gastar tempo na biblioteca e na locadora e na pracinha, no cinema e andando na tarde fresca e de porquês inexplicáveis, sucos de uva e laranja, e de goiaba (só a fruta).
Não gosto de calor, ventiladores e ar-condicionado, lugares barulhentos, músicas altas demais o tempo todo, televisor ligado o dia inteiro, cinzeiro, fumaça, copos na beirada da mesa, comida na mesa do computador, falta de cantigas de roda, a falta de pessoas, olhar inquisidor, suco de goiaba e festas de aniversários.
Heal the Pain
by George Michael
Let me tell you a secret
Put it in your heart and keep it
Something that I want you to know
Do something for me
Listen to my simple story
And maybe we'll have someting to show
You tell me you're cold on the inside
How can the outside world
Be a place that your heart can embrace
Be good to yourself
'Cause nobody else
Has the power to make you happy
How can I help you
Please let me try to
I can heal the pain
That you're feeling inside
Whenever you want me
You know that I will be
Waiting for the day
That you say you'll be mine
He must have really hurt you
To make you say the things that you do
He must have really hurt you
To make those pretty eyes look so blue
He must have known
That he could
That you'd never leave him
Now you can't see my love is good
And that I'm not him
How can I help you
Please let me try to
I can heal the pain
That you're feeling inside
Whenever you want me
You know that I will be
Waiting for the day
That you say you'll be mine
(...)
by George Michael
Let me tell you a secret
Put it in your heart and keep it
Something that I want you to know
Do something for me
Listen to my simple story
And maybe we'll have someting to show
You tell me you're cold on the inside
How can the outside world
Be a place that your heart can embrace
Be good to yourself
'Cause nobody else
Has the power to make you happy
How can I help you
Please let me try to
I can heal the pain
That you're feeling inside
Whenever you want me
You know that I will be
Waiting for the day
That you say you'll be mine
He must have really hurt you
To make you say the things that you do
He must have really hurt you
To make those pretty eyes look so blue
He must have known
That he could
That you'd never leave him
Now you can't see my love is good
And that I'm not him
How can I help you
Please let me try to
I can heal the pain
That you're feeling inside
Whenever you want me
You know that I will be
Waiting for the day
That you say you'll be mine
(...)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2006
Nota de pé de página
Sim, do pé da página, afinal é daquelas que não se quer falar, a informação contida a ser escondida leitor, a letra miúda do rótulo informando dos contras do produto. É triste, é depressivo, me custa tanto, no entanto é a realidade: não visitarei os pagos gaúchos essas férias. Leviandade minha até deixar tudo tão claro na mente sem contar com os imprevistos, mas, enfim, contava mesmo em ir dar um bom abraço nos meus aleatórios amigos gaúchos. Creio que o que me custa mais é enxergar que isso é consequência de uma atitude inicial (lá nos meados de 2004/2005) que talvez sendo diferente me renderia mais frutos, pq na floresta cinza até agora colhi nasgas beges da minha complacência. Aii, minha vida... O que fazer da vida? Quando crescer eu quero ser o vento e ir pra qualquer lugar.
Agora toca 'refrão de um bolero' na minha rádio predileta... É, querem acabar com meu coraçãozinho.
Nota do pé do pé da página: fiquei sabendo disso agora mesmo.
Agora toca 'refrão de um bolero' na minha rádio predileta... É, querem acabar com meu coraçãozinho.
Nota do pé do pé da página: fiquei sabendo disso agora mesmo.
terça-feira, 3 de janeiro de 2006
All we need is love...

E muiiiito Beatles. Não sei explicar o que esse quarteto faz na minha vida lilás, mas é algo assim cambando pro alienante, afinal começa a tocar e vai vai vai rumo ao infinito e além (como diria o Buzz Lightyear do Toy Store). Além dos grandes sucessos como Help, I wanna hold your hand, yesterday, let it be, tem as que nem-todo-mundo-conhece-mas-são-boas: Im my life, Eight days a week, Close your eyes que ultimamente levam a vida lilás a loucura musical.
O 'fahnatismo' começou ainda quando era pequena (sempre se coloca culpa nas crianças, tsc tsc), quando ao escutar 'I wanna hold your hand' num especial desses de rádio fiquei vidrada pelo rock hipinotizador que impossibilita o cidadão a ficar impassível numa música dessa. Sabe-se lá o que Lennon, Paul, Ringo e Harrison fizeram pra acertar na dose do ritmo-letra e se tornar o melhor do pop mundial há décadas e décadas. (Sem essa de que é pop é ruim, eles são simplesmente Beatles). O caso sério deles ficava mesmo por conta do ego, mas essa parte a gente pula.
De fato esse meu post se deve ao acontecido no meu cd de mp3 que não toca tão somente as músicas dos Beatles, fazendo-me subir pelas paredes tentando ludibriar a mim mesma com músicas aleatórias sem conseguir saciar a minha sede de Yellow submarine, Imagine ou Strawberry Fields Forever.
Sigo cantarolando então... 'eight days a week... I loo ooo ooo ve you'
segunda-feira, 2 de janeiro de 2006
A gente vai descobrindo... Ou não.
Pois então, final de ano e blá blá blá. Se eu ainda não disse que não sou fã dessa época do ano é pq não quis nem arriscar a me tornar repetitiva. A frenetissidade temporária do povo me deixa com a pulga atrás da orelha.
Depois de passar dois bons finais de semana com a família, longe de músicas prediletas, filmes e internet vai-se acabando por fazer todo um processo interno de pensar mundo de uma perspectiva inédita.
Sempre sempre que estou na minha avó dou uma olhada nas fotos antigas. Olho o que as pessoas foram e fico tirando conclusões por minha conta e risco. Olho-me lá atirada no meio das fotos e dou meu meio sorriso satisfeito de quem escreveu história (e segue nessa) por ali.
Mas das visitas têm coisas que não mudam... Aqueles comentários de tias 'quem diria, aquela menina tão parrudinha, gordinha, agora aí...' (elogio que é bom fica na elipse). Aí que se vai descobrindo que eu posso ganhar o Oscar e ainda vão continuar com os mesmos comentários (quem se presta a fazê-los).
Outro detalhe são as crianças, só primos, as pestes. Não adianta quantas vezes eles vejam aqueles benditos power ragers, eles sermpre quererão ver novamente. E, é claro, me tacando almofadas como se eu fizesse parte da brincadeira deles. Ai, minha vida de babá.
Diria que das reflexões vieram idéias como não basta amar, mas se tem que mostrar mesmo que se ama. Marketing é o que há! Contudo puxar a orelha de quem se quer bem cai perfeitamente em determinados momentos. Ano novo é só pra ver fogos mesmo, afinal ninguém muda de um dia pro outro, ou se ganha na loteria só pq é ano novo. Quanto mais vezes se deseja 'feliz ano novo' mais parece que se vai esvaziando vendo que seu próprio ano novo não será tão feliz qto o imaginado mesmo.. Ao menos se tem muito tempo pra mudar a perspectiva. A gente vai vendo que aqueles que não têm os mesmos interesses (arte, cinema, livros) que nós nunca realizaram nossa forma de ver a vida e por vezes nosso potencial. Que ouvir é o melhor remédio pra mtos males. Que falar o que quer é inevitavelmente estar exposto a ouvir o que não imaginava e ao que não se gosta de saber. Que usar protetor solar é a melhor coisa que existe e que quem se expõe ao sol levianamente por marquinha de biquine é gente do século passado. Que recordar é o que há, mas recordar demais enferruja as máquinas e torna pensamento atrofiado. Que sonhar é o melhor escape e assim as noites e manhãs e até dias inteiros se tornam mais interessantes.
Ai, chega de 'ques', a carta da Lizi não chegou, eu estou com dor-de-cabeça e pelo corpo todo (mas mato a saudade da minha musiquinha alta). Ah, lembrei de algo tb, passava eu por uma casa tocando 'losing my religion', aí pensei imediatamente: '´ta vendo só, dizem que não gosto de festa e de dança e cia ltda, mas numa tocando REM me animo e mto!'.
Enfim, muda ano, não muda mundo e eu permaneço muda.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2005
Kong brilha nas telas

Palmas, palmas para o melhor Blockbuster do ano. Sim, o rei, o tal grandalhão da floresta: KING KONG é o melhor filme comercial do ano. Peter Jacksone seus 20 milhões de cachê têm todo o mérito por essa embriagante saga da loirinha indefesa na ilha isolada juntamente com dinossauros, insetos gigantes (com direito a vermes malditos) e, é claro, o carismático Kong.
Indubitavelmente é o Kong a criatura mais dócil e amável do filme, mesmo com seus mais de 7 metros e atitude um pouco assustadora às vezes. A química dele com Naomi Watts é algo que sentimos cá na poltrona; e no meio da barulheira e correria vemos como o animal ‘irracional’ tem apego pela sua querida e, mais do que isso, uma paixão que vai leva-lo a persegui-la por todos os cantos.
O interessante é que no meio de tanta ação a comunicação entre Kong e a mocinha era basicamente por gestos, sem nenhuma palavra, só pelo olhar (como era de se esperar), contudo não deixou de preencher a tela de ternura. O par romântico oficial seria Naomi e o pianista (aqui no filme roteirista) Adrien Brody, mas o casal não convence deixando toda a responsabilidade das cenas românticas pro macacão.
Um outro detalhe é que o mesmo motivo que me fizera relutar em ver o filme é o motivo pelo qual venho especialmente elogia-lo, os dinossauros. A partir da segunda hora do filme (prepare-se porque tem três), as tomadas incríveis na Ilha da Caveira são ‘breathtaking’ e ressaltam o lado fantasioso do cinema.
Falando em fantasia, daquelas mais bonitas, não poderia deixar de mencionar uma encantadora cena no qual o gorila ‘patina’ num lago congelado com sua amada. A cena é extremamente poética e fascinante. Só perde mesmo para a clássica cena no alto do Empire States.
Para finalizar vem meu comentário acerca do personagem de Jack Black, o ambicioso diretor Carl Denham que com seu olhar fixo no horizonte nos mostra um misto de caráter duvidoso com sonhador. Ele foge na caricatura e ainda nos brinda com a clássica frase final do filme: "Oh no, it wasn't the airplanes. It was beauty killed the beast".
O filme vale mesmo o ingresso. Só fiquei impressionada com a reação do público da minha sessão (que não era muito), que não teve sensibilidade de aceitar o amor de Kong pela frágil moça e ainda com um tom zombeteiro sobre a clássica história. Bem, se não se gosta de um filme desse do que é feito cinema afinal?
terça-feira, 27 de dezembro de 2005
nas luzes distantes

Há 3 anos e meio atrás chegava eu em uma nova cidade, o dia era chuvoso e era noite donde de longe eu via as luzinhas da cidade e nos meus olhos caiam umas lágrimas e doia tudo lá dentro do coraçãozinho. Há 1 ano eu deixei aquele pedaço de areia (literalmente) na recordação dos bons ventos (e mtos) que trouxeram pra minha vida lilás. Além da ventania, têm os maravilhosos amigos, os quais sinto falta incondicionalmente, e que hoje permancem aqui na mente como as lembranças eternas de uma boa época da vida. Ah, a nossa Idade de Ouro.
Pedi pro papel noel me deixar ver as luzinhas distantes chegando perto perto novamente.
terça-feira, 20 de dezembro de 2005
Um afã por fã
Passando por essa fase cinéfila mexicana juntamente com a Lizi, acabei por me lembrar de um causo sobre essa coisa de ser 'fã'.
Certa noite, na 6ªfeira de estréia de Harry Potter nos cinemas brasileiros, tinha eu assistido ao bruxinho e chegando em casa furto do ar vindo da sala o seguinte diálogo:
- Pai, eu quero ver Harry Potter.
- Mas você não se interessa por ver filme, nem viu os outros.
- Por isso mesmo. Eu quero ver.
- Você não liga pra isso.
Então replica ela, com a voz conotando toda a angústia:
- Mas eu preciso ser fã de algo. Eu nunca fui fã de nada.
Foi daí que refleti um pouco sobre o vazio que somos quando não temos nossa música predileta, nosso livro, nossa historinha de contos de fadas, nosso filme... Passamos a ser algo a partir daquilo que degustamos com mais afã. Só que às vezes nos limitamos a se deixar levar por aquilo que nos dizem que é bom, o que a cultura em massa nos impõe como ideal e satisfatório.
Um causo paralelo a esse foi na minha pré (blerg) adolescência, lá nos meus 13/14 anos, época de Titanics, Léo de Caprios e boy band, quando fui interpelada sobre que artista/banda eu preferia. Fique no vácuo total... Tentei escapar, sair de soslaio do acabrunhamento que me causava tal questionamento, mas não teve jeito, a guria era insistente e a todo momento voltava a esse ponto. Daí, época de Copa do Mundo (ou Olimpíadas?) que era, tocava um música da Gloria Stefan (que nem mais me lembro), mas como não podia simplesmente responder que gostava de músicas de comerciais e filmes, escapei com a tal cantora... Mas me senti muito constrangida, tinha mesmo eu ser fã de algo? Até hoje eu não sei, não sei...
De locadoras e mexicanos
A Lizi comentando do cinema mexicano fez-me lembrar que isso me rendeu certa audiência na minha nem tão amada locadora esse final de semana. Estava eu com o “Má Educação” na mão quando um funcionário dá um tímido “oi” e eu, forçando o mais simpático dos sorrisos (porque não gosto de funcionários de locadoras que nunca sabem de nada mesmo, a não ser do último lançamento popcorn), me dirijo a criatura com um abafado “oi” e volto a olhar compenetrada aquela ruma de filmes mal arrumados pensando ‘ai, eu faria muito melhor com isso aqui’, quando de repente, ali absorta sou desperta dos meus aleatórios pensamentos com o guri mostrando três exemplares mais genuínos do cinema mexicano com o seu Gael na capa perguntando “já viu esses?”. Bato o olho no filmes e abro um sorriso, dessa vez não forçado, dizendo “vi todos”. Ele sorri e pensa ‘essa menina entende do assunto’, e solta o comentário “vi o filme na sua mão e reparei que tinha o gosto diferente do normal”, isso me envaidece. Dá-se então o duelo do vi-que-não-vi, ele logo de início se protege dizendo que há pouco tinha descoberto a beleza do cinema e não conseguia larga-la (só quem se entrega aos filmes alternativos sabe de tal magnificitude). Eu não pude deixar de testa-lo com os mais incontáveis clássicos que pudera lembrar. Ele, por sua vez, me passou aquele espírito de ‘quero fazer (bom) cinema um dia’, espírito esse que precisamos aqui em nosso país para se tentar solidificar o respeito de outros pela nossa criatividade. Senti-me confortável em saber que cada vez mais jovens buscam ver além e se deixam apaixonar pelo lado complicado do cinema, aquele que externa o lado complicado de suas próprias vidas, por filmes mexicanos-euporeus e com tamanha criticidade (importante em tudo que se ambiciona). Podem não dar grandes cineastas, mas serão esses os termômetros da qualidade de obras futuros.
Agora, comentando o “Má Educação”, eta filme porreta (poderia dizer flertando com o sotaque lá dos pagos nordestinos). O que mais me impressiona é como Almodóvar, mesmo colocando cenas/situações constrangedoras, te faz sentir, ao subir das letrinhas brancas, que se acabou de ver um grande filme, sensível e com uma estruturação fenomenal. Não sou fã do Almodóvar, mas respeito seu trabalho apesar de toda sua ‘carga’ psicológica/física intensa (quem já viu um filme dele sabe muito bem do que falo – e é o que faz muitos odiá-lo cegamente). Aconselho a ver, mas claro, dando o aviso, deixe os pudores de lado.
Um momento cômico, especialmente pra Lizi, foi quando o guri falou “ah, o Gael e o Diego Luna...” e eu saltei com o comentário empolgado “Ah, eu gosto do Gael”, mas foi de um tom tão afobado que me apressei em ressaltar “Pelo trabalho dele” com tom de conserto - isso pra não soar daquelas tietes/inconseqüentes que nunca fui, não pretendendo sê-lo – saindo o remendo pior que o soneto, como diria o dito popular. Mas Gael é algo. Ainda iremos um dia visitar Dieguito e Gael no México né Japa?
Agora, comentando o “Má Educação”, eta filme porreta (poderia dizer flertando com o sotaque lá dos pagos nordestinos). O que mais me impressiona é como Almodóvar, mesmo colocando cenas/situações constrangedoras, te faz sentir, ao subir das letrinhas brancas, que se acabou de ver um grande filme, sensível e com uma estruturação fenomenal. Não sou fã do Almodóvar, mas respeito seu trabalho apesar de toda sua ‘carga’ psicológica/física intensa (quem já viu um filme dele sabe muito bem do que falo – e é o que faz muitos odiá-lo cegamente). Aconselho a ver, mas claro, dando o aviso, deixe os pudores de lado.
Um momento cômico, especialmente pra Lizi, foi quando o guri falou “ah, o Gael e o Diego Luna...” e eu saltei com o comentário empolgado “Ah, eu gosto do Gael”, mas foi de um tom tão afobado que me apressei em ressaltar “Pelo trabalho dele” com tom de conserto - isso pra não soar daquelas tietes/inconseqüentes que nunca fui, não pretendendo sê-lo – saindo o remendo pior que o soneto, como diria o dito popular. Mas Gael é algo. Ainda iremos um dia visitar Dieguito e Gael no México né Japa?
domingo, 18 de dezembro de 2005
Maria cheia de graça

O primeiro elemento a se destacar é essa comparação religiosa na qual se pensa ter maiores raízes e que se revela somente de uma grande beleza criativa e delicada. E ainda na apresentação, me chama a atenção a frase de chamada do filme, ‘a história de milhares de outras pessoas’ (algo do tipo). Daí peguei o filme e nele o que mais fica patente é a atmosfera real na qual a história se desenvolve. Catalina Sadino Moreno faz um belíssimo trabalho ao interpretar Maria, moça de 17 anos, grávida que mora num vilarejo perto de Bogotá, acaba de se demitir e não tem perspectiva nenhuma de vida. A moça mora com a mãe, a avó e a irmã, que já tem um filho, e num ato de desespero por dinheiro acaba entrando no esquema de mulas (levando drogas em seu estômago para os EUA).
Dessa realidade de mulas não temos muito contanto, no entanto é muito difícil não se identificar com a pobreza material e de valores na qual Maria enfrenta no seu mundo de extrema pobreza. A verossimilhança se estende para cada personagem, desde o namoradinho de Maria que não quer nada da vida, mas ao lidar com a namorada grávida quer casar e que ela vá morar com ele junto com mais 10 pessoas em sua casa, a irmã que acha que Maria tem de trazer o dinheiro para comprar o remédio do filho, o chefão do tráfico que com sua auréola de bondade ameaça sutilmente a garota se houver algo de errado com a droga. Uma série de personagens que não são estereotipados, mas sim fluem naquele universo paralelo.
A segunda parte do filme é quando Maria está nos EUA e também minha parte predileta. Muitos podem criticar a escolha de Maria ao final do filme (que obviamente não posso falar), mas creio que o que ela faz é o que um ‘chicano’ no lugar dela faria mesmo. Então se vê que Maria é real, é a história real de milhares de outras pessoas que passam por aquilo e que ainda passarão.
O filme mostra a vida na tal América Latina que ninguém vê, nem nós mesmos que cá estamos. Mostra que aquele ideal de 'sonho americano' continua sendo o estandarte de muita gente que não tem mesmo a que recorrer para mudar de vida. Funciona também como uma crítica aos Governos latino-americanos que largam sua população na miséria a mercê da exploração das grandes empresas e do controlo do tráfico. Um filme de uma realidade que queremos duvidar que exista.
sábado, 17 de dezembro de 2005
come fa un'onda...
Estava eu (e continuo) escutando o "Equilíbrio Distante" e tentando pensar um pouco em italiano. Tá, saiu a repetição da música. Divertente foi ontem mesmo, no restaurante com o povo do Italiano. Não pensei que haveria tal união numa turma tão homegênea cheia de futuros físicos, professoras doutorandas ou aspirantes, artistas e pessoas aleatórias. O professor um amor de pessoa e vem como a prova de que o ensino no Brasil pode ser diferente com perseverança de quem tem mesmo jeito pra coisa, ensinar. E de italiano, io ho capito piú meno adesso.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

O outono dentre as estações do ano é a que mais me apetece. Não, não estamos no outono. Sinto só profunda falta de folhas caindo de uma cor desbotada viva e o visual preenchendo de ternura os olhos. Elas caem e com isso dão passagem para a nova vida. Como são verdadeiras e boas. Quem dera eu ser uma folha de outono, desbotadamente avivada, só que lilás.
ah, estou viciada em fotografia.
domingo, 11 de dezembro de 2005
Pare?

O pare e siga em nossas vidas é algo muito relativo. "Algo relativo" por si só já carrega uma carga de aleatoriadade muito grande, mas quando é transposto para situações reais onde se deve tomar uma atitude (ou não), algo relativo se torna aquele 'se', 'Ah si tivesse agido diferente'.
Andei parando muita coisa boa na minha vida, em detrimento de outras que pareciam mais importantes e consequentemente eu não via como concilia-las juntas. Andei parando na minha agora. Será mesmo? Só não queria ficar naquela linha imperceptível entre 'siga/pare', parei. Mas segui por outros caminhos que por certo lado me deixaram felizes, contudo por outro não me aliviam a tortuosa sensação do 'pedi'. Perdi a mim? A quem? Alguém? Perdi a terceira margem do rio ou nunca a tive?
No entanto o perder ser revestido como 'ganhei', ganhei experiência pra próxima. Agora me peço pra não parar tão fácil da próxima vez, mas tento cuidado no cruzamento, vai que vem um caminhão de lá e passa por cima de tudo? Ah, tive medo do caminhão e de perder o que nunca tive.
Enfim, aniversário da minha Japa predileta! Dia aconchegante de chuva por aqui, bom pra dar um abraço (sinta-se abraçada sua japa ordinária!!!). Sigo a vida lilás tentando não me perder na sombra do dia. E o dia foi bom.. ah, daqueles pra se ficar na história:) (obrigada japa!)
sábado, 10 de dezembro de 2005
círculo

Que círculo miúdo nesse que me encontro. O Italianinho já parte pro seu quarto blog em busca de renovação e eu me encerro na vida lilás repetitiva e insossa. A Lizi e Andréia vieram com mudança total de visual e eu sigo sem margens com medo de que ao mudar algo venha a estragar mais ainda.
Ando sumida daqui não por não ter necessariamente vontade de escrever. Mas tenho medo de escrever sempre as mesmas coisas, as mesmas reclamaçoes e chegar a uma conclusão triste de que não adianta escrever, pensar, tentar catarse que no final continua tudo no seu impassível ciclo a devorar o novo que possa vir a ameaçar a quietude da distante torre donzelística.
Tento temor não significa que renunciarei ao mesmo. Sinto só vontade de falar de livros, filmes, filosofias, distopias, Tristões e Isoldas. Ah, como fere em mim a lança da minha própria inquisição. Como enlaça mundo redondo que revela sua real vileza e aponta pra mim a ponta da minha própria lança ensopada de tédio.
Enfim, deixa eu parar de girar.
domingo, 4 de dezembro de 2005
resenha, provas e dois semestres fumegantes
Sempre que tenho uma resenha me bate uma vontade de escrever aqui. Da outra vez estava eu desesperada fazendo a resenha do livro 'língua e liberdade' de véspera (oh, que prática comum!), processando tudo cuidadosamente na mente e acabando por concluir que a língua tem de ter parâmetros que a direcionem (a tal gramática!) para não vivar uma babilônia generalizada. Agora tenho de pensar formação de palavras... De fato não se tem de pensar muito, é só olhar a proposta, criticar um pouco e deu pra bolinha do Kehdi. Afinal ainda tenho de estudar pra italiano (Desespero!!!), rodar no CLAC seria vergonhoso... Mas não cogito essa possibilidade (ainda!). E tem a prova de port 2, nem acredito que estou prestes a passar por port 2, morfologia... e aí vem um port. pior ainda, o 3 - tão temido. Ainda bem, desafios são sempre bem-vindos.
Termino o ano (vê-se que o dou por vencido), com a satisfação de ter tido um bom ano, novas inspirações (finalmente reencontrei a literatura perdida em mim), com a certeza de que 'faço parte' da UFRJ mesmo não sendo essa minha 'origem'... Termino também com a vontade de ter, paralelamente, passado o ano com pessoas que deixei num lugar far far away, aquelas pessoas nas quais não tem como não lembrar da vivacidade de como lidavam com o cotidiano, o carinho com que lidavam comigo (mas não me esqueço dos 29348723 xingamentos contra meu povo :P). Eles fizeram um tanto de mim, esse 'eu' que hoje é aceito aqui e que é feliz por conta disso. (Oh, como eu ando 'agradecedora' - eu formando palavras a força, como sempre).
And so it is... volto ao word esperando extrair algo de útil do meu cérebro e fazer uma resenha decente, afinal o prof. merece (quem diria eu falando isso!). Tivemos nossos 'desentendimentos' (na verdade eu que não o entendia) mas no final vi que ele era uma pessoa mto esforçada com um talendo incrível pra pesquisa e mal compreendindo por pseudos alunos universitários (só espero q não colem cartazer por aí, pq se eu sair com 10 no semestre vão falar que foi por puxa-saquismo :P).
E como a vida deveria ter trilha sonora saio cantando "caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento num sol de quase dezembro.... eu vou!"
Termino o ano (vê-se que o dou por vencido), com a satisfação de ter tido um bom ano, novas inspirações (finalmente reencontrei a literatura perdida em mim), com a certeza de que 'faço parte' da UFRJ mesmo não sendo essa minha 'origem'... Termino também com a vontade de ter, paralelamente, passado o ano com pessoas que deixei num lugar far far away, aquelas pessoas nas quais não tem como não lembrar da vivacidade de como lidavam com o cotidiano, o carinho com que lidavam comigo (mas não me esqueço dos 29348723 xingamentos contra meu povo :P). Eles fizeram um tanto de mim, esse 'eu' que hoje é aceito aqui e que é feliz por conta disso. (Oh, como eu ando 'agradecedora' - eu formando palavras a força, como sempre).
And so it is... volto ao word esperando extrair algo de útil do meu cérebro e fazer uma resenha decente, afinal o prof. merece (quem diria eu falando isso!). Tivemos nossos 'desentendimentos' (na verdade eu que não o entendia) mas no final vi que ele era uma pessoa mto esforçada com um talendo incrível pra pesquisa e mal compreendindo por pseudos alunos universitários (só espero q não colem cartazer por aí, pq se eu sair com 10 no semestre vão falar que foi por puxa-saquismo :P).
E como a vida deveria ter trilha sonora saio cantando "caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento num sol de quase dezembro.... eu vou!"
sexta-feira, 2 de dezembro de 2005
The road not taken
Robert Frost
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth.
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same.
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I--
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
--
Creio que tenha captado um sentido muito peculiar para mim deste poema agora. Fica-se naquela busca da estrada certa e no final existe mesmo uma certa?
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth.
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same.
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I--
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
--
Creio que tenha captado um sentido muito peculiar para mim deste poema agora. Fica-se naquela busca da estrada certa e no final existe mesmo uma certa?
quinta-feira, 1 de dezembro de 2005
aonde vamos parar???
De fato essa questão me preocupa muito, principalmente por pegar 2 ônibus todos os dias e me deparar com manchetes reluzentes da queima do ônibus com pessoas dentro. Isso aconteceu ali na Penha, relativamente perto do Fundão, onde até pensei em morar.
Os selvagens conseguiram colocar fogo num ônibus com pessoas dentro, ficar assistindo e ainda jogar pedras. Fico impressionada com a capacidade destrutiva do ser humano... Quem dera fosse 'auto-destrutiva', poderiam usar isso em prol da sociedade se eliminando dela. Lendo as manchetes on-line fiquei profundamente comovida: morreu a mãe e filha de 2 anos abraçadas e o pai tendo de assistir tudo; tinha a universitária com seus 20 que voltava da faculdade; tinha o casal cujo o rapaz conseguiu salvar boa parte das vidas q ali se encontravam por lutar contra a dor e desesperadamente abrir a punhaladas a porta traseira do ônibus.
O motivo do massacre? O de sempre... troca de tiros com polícia, mataram um traficante das redondezas e daí é simples: mata-se o cidadão que nada tem com aquilo e a culpa fica sendo da polícia, que não tinha nada de matar o traficante. Morreram 5 e 13 estão feridos (alguns gravemente). É o banditismo valorizado.. Agora encontraram um carro com 4 homens mortos com o aviso de que aqueles seriam os causadores do atentando terrorista ao ônibus, vê-se como os bandidos são bonzinhos, eles matam compulsivamente e não admitem que um dos seus vá para a vala, que companheirismo! Enquanto isso os parentes das cinco vítimas que não sobreviveram sofrerão amordaçadas a perda de seus entes, os quais seguiam sua vida tranquilamente fazendo planos, comprando presentes de natal, participando de amigos secretos e marcando confratenização em pizzaria com amigos.
É um nó na minha garganta, verbo antípatico de ver essa manchete por todo o canto. E pensar que estou tão perto e tão longe disso tudo. Estou perto espacialmente e longe psicologicamente. O pior é que nem se pode contar com político carioca, eles têm carros blindados, condomíneos fechados e seguranças, além de aliados no lado crime. E o resto? Donde fica o direito de ir e vir do cidadão? De fato, quem é cidadão no Rio? Somos todos jogados nesse pedaço de terra e obrigados a engolir centenas de atos covardes como esse, já que o descontrole tomou conta.
E eu sigo a vida lilás pensando naquela música do John Lenon sabe, Imagine...
Os selvagens conseguiram colocar fogo num ônibus com pessoas dentro, ficar assistindo e ainda jogar pedras. Fico impressionada com a capacidade destrutiva do ser humano... Quem dera fosse 'auto-destrutiva', poderiam usar isso em prol da sociedade se eliminando dela. Lendo as manchetes on-line fiquei profundamente comovida: morreu a mãe e filha de 2 anos abraçadas e o pai tendo de assistir tudo; tinha a universitária com seus 20 que voltava da faculdade; tinha o casal cujo o rapaz conseguiu salvar boa parte das vidas q ali se encontravam por lutar contra a dor e desesperadamente abrir a punhaladas a porta traseira do ônibus.
O motivo do massacre? O de sempre... troca de tiros com polícia, mataram um traficante das redondezas e daí é simples: mata-se o cidadão que nada tem com aquilo e a culpa fica sendo da polícia, que não tinha nada de matar o traficante. Morreram 5 e 13 estão feridos (alguns gravemente). É o banditismo valorizado.. Agora encontraram um carro com 4 homens mortos com o aviso de que aqueles seriam os causadores do atentando terrorista ao ônibus, vê-se como os bandidos são bonzinhos, eles matam compulsivamente e não admitem que um dos seus vá para a vala, que companheirismo! Enquanto isso os parentes das cinco vítimas que não sobreviveram sofrerão amordaçadas a perda de seus entes, os quais seguiam sua vida tranquilamente fazendo planos, comprando presentes de natal, participando de amigos secretos e marcando confratenização em pizzaria com amigos.
É um nó na minha garganta, verbo antípatico de ver essa manchete por todo o canto. E pensar que estou tão perto e tão longe disso tudo. Estou perto espacialmente e longe psicologicamente. O pior é que nem se pode contar com político carioca, eles têm carros blindados, condomíneos fechados e seguranças, além de aliados no lado crime. E o resto? Donde fica o direito de ir e vir do cidadão? De fato, quem é cidadão no Rio? Somos todos jogados nesse pedaço de terra e obrigados a engolir centenas de atos covardes como esse, já que o descontrole tomou conta.
E eu sigo a vida lilás pensando naquela música do John Lenon sabe, Imagine...
terça-feira, 29 de novembro de 2005
segunda-feira, 28 de novembro de 2005
No hero in her sky
Enfim, aqui volto para um momento refletor, onde os holofotes se voltam para dentro da minha rotina estreita cheia de adjetivos/decadentismo/simbolismos e mais ‘ismos’ que me custa lembrar nesse momento.
O que busco mesmo são respostas. Não pros trabalhos de aula, esses são obrigações de uma cidadã consciente do seu papel social para com o mundo e com o nada, mas sim respostas no que tangem a intransigência, o não falar...
Faltam palavras tantas e sobram gestos apertados que me deixam presa dentro de mim, além da absurda vontade de gritar: AHHHHH!!!! Aí vou pra catarse, escuto uma música ALTA! (can’t stand me now dos Libertines é ótima)... e e e e? Ops, música alta a essa hora? Não se escuta música que perpassa a porta do quarto... Só que pensei q música era pra ser escutada às vezes, só pra libertar ligeiramente o espírito enfahdado. Enfim, se não posso escutar alto, ninguém que se atreva a me mandar calar boca quando eu estiver cantando desafinadoramente BEM alto.
Bem, agora retorno ao estilo comportado-reprimido de sempre, esperando terminar trabalhos, portifolios, Ilíadas, resenhas, provas nessas duas reles semanas que, sinceramente, não sei se necessariamente eu quero que acabe.
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal.
*Part extracted from the lyric “Like a Rolling Stone” by Bob Dylans.
Ps.: tenho de escutar mais Jorge Drexler
O que busco mesmo são respostas. Não pros trabalhos de aula, esses são obrigações de uma cidadã consciente do seu papel social para com o mundo e com o nada, mas sim respostas no que tangem a intransigência, o não falar...
Faltam palavras tantas e sobram gestos apertados que me deixam presa dentro de mim, além da absurda vontade de gritar: AHHHHH!!!! Aí vou pra catarse, escuto uma música ALTA! (can’t stand me now dos Libertines é ótima)... e e e e? Ops, música alta a essa hora? Não se escuta música que perpassa a porta do quarto... Só que pensei q música era pra ser escutada às vezes, só pra libertar ligeiramente o espírito enfahdado. Enfim, se não posso escutar alto, ninguém que se atreva a me mandar calar boca quando eu estiver cantando desafinadoramente BEM alto.
Bem, agora retorno ao estilo comportado-reprimido de sempre, esperando terminar trabalhos, portifolios, Ilíadas, resenhas, provas nessas duas reles semanas que, sinceramente, não sei se necessariamente eu quero que acabe.
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal.
*Part extracted from the lyric “Like a Rolling Stone” by Bob Dylans.
Ps.: tenho de escutar mais Jorge Drexler
sexta-feira, 25 de novembro de 2005
sexta-feira, 18 de novembro de 2005
Sen to Chihiro No Kamikakushi
Em algum lugar uma voz me chama
Do fundo o meu coração
Que eu possa sempre sonhar
Os sonhos que tocam meu coração
Tantas lágrimas de tristeza
Infinitas lágrimas rolaram
Mas sei que do outro lado
Encontrarei você.
Toda vez que caímos no chão
Olhamos para o céu lá no alto
E acordamos para seu azul
Como se fosse a primeira vez
Como o caminho é longo e solitário
E não enxergamos o fim
Posso abraçar a luz com meus dois braços
Quando digo adeus meu coração pára
Com ternura eu sinto
Que meu corpo silencioso
Possa ouvir o que é verdadeiro
O milagre da vida
O milagre da morte
Os ventos, as cidades e as flores
Todos nós dançamos numa só unidade.
Em algum lugar uma voz chama
Do fundo do meu coração
Continue olhando seus sonhos
Não os deixe morrer
Por que falar de sua melancolia
Ou dos tristes pesares da vida
Deixe tais lábios cantarem
Uma linda canção para você
Não esqueceremos a voz sussurrante
Em cada lembrança ficará
Para sempre, para guiar você
Quando um espelho se quebra
Estilhaços se espalham pelo chão
Lampejos de uma vida nova
Refletem-se por toda parte
Janela de um recomeço
Quietude, nova luz da aurora
Deixe meu corpo vazio e silente
Seja preenchido e nasça outra vez
Não é preciso procurar lá fora
Nem velejar através do mar
Porque brilha aqui dentro de mim
Está bem aqui dentro de mim
Encontrei uma luz
Que está sempre comigo.
---
Aí está a letra música q toca (em japonês) no final do filme A Viagem de Chihiro, um filme lindo de tão puro. Ahhh, fica um suspiro.
A letras está sem pontuação adequada afinal só copiei da tradução, naas legendas. Depois falo mais sobre o filme. Em destaque uma das partes q mais gostei da música que é contagiante, mesmo em japonês.
Do fundo o meu coração
Que eu possa sempre sonhar
Os sonhos que tocam meu coração
Tantas lágrimas de tristeza
Infinitas lágrimas rolaram
Mas sei que do outro lado
Encontrarei você.
Toda vez que caímos no chão
Olhamos para o céu lá no alto
E acordamos para seu azul
Como se fosse a primeira vez
Como o caminho é longo e solitário
E não enxergamos o fim
Posso abraçar a luz com meus dois braços
Quando digo adeus meu coração pára
Com ternura eu sinto
Que meu corpo silencioso
Possa ouvir o que é verdadeiro
O milagre da vida
O milagre da morte
Os ventos, as cidades e as flores
Todos nós dançamos numa só unidade.
Em algum lugar uma voz chama
Do fundo do meu coração
Continue olhando seus sonhos
Não os deixe morrer
Por que falar de sua melancolia
Ou dos tristes pesares da vida
Deixe tais lábios cantarem
Uma linda canção para você
Não esqueceremos a voz sussurrante
Em cada lembrança ficará
Para sempre, para guiar você
Quando um espelho se quebra
Estilhaços se espalham pelo chão
Lampejos de uma vida nova
Refletem-se por toda parte
Janela de um recomeço
Quietude, nova luz da aurora
Deixe meu corpo vazio e silente
Seja preenchido e nasça outra vez
Não é preciso procurar lá fora
Nem velejar através do mar
Porque brilha aqui dentro de mim
Está bem aqui dentro de mim
Encontrei uma luz
Que está sempre comigo.
---
Aí está a letra música q toca (em japonês) no final do filme A Viagem de Chihiro, um filme lindo de tão puro. Ahhh, fica um suspiro.
A letras está sem pontuação adequada afinal só copiei da tradução, naas legendas. Depois falo mais sobre o filme. Em destaque uma das partes q mais gostei da música que é contagiante, mesmo em japonês.
segunda-feira, 14 de novembro de 2005
an old style brega party!
Devido aos defeitos visiveis no post anterior, volto eu aqui a comentar sobre a temporada de aniversários que vem sendo vivenciada na atual turma LEJ no mês de novembro. Cada final de semana contaremos com uma festa (senão 2), tendo tudo começado com o aniversário da dona Isis, a festa do 'não emtre na picina', com direito a bexigas daquelas compridas na qual se faz bichinhos onde as crianças (nós!) passaram um tempo brincando de fazer 'coroa' para colocar na cabeça.
Este final de semana tivemos an old style brega party na casa da Thaís! Confirmamos a tese de que somos umas crianças. Brincamos de assassino e detetive (a brincadeira tradicional de aula), telefone sem fio (com direito a cada frase!) e o ápice foi a dança das cadeiras, com direito a tombos (nenhum meu!), vôos fenomenais, empurrões e puxadas de cadeira. Entre anteninhas, óculos escuros e plumas fizemos literalmente a festa, cantando That Thing You Do e sendo feliz! Uma aventura particular foi minha da Isis e da Livia, que moramos do outro lado da ponte, pegamos 2 ônibus e 1 barca, nos aventuramos tarde da noite na paisagem do centro da cidade do Rio, dentre refletores e prédios históricos. O Centro do Rio o que tem de encantador a noite tem de perigoso, uma pena. Enfim, o sábado foi algo!
E agora a próxima edição de festa será o bota-fora da Sue (nem todas são de aniversário :/) e o niver do Daniel em algum lugar desse Estado! (quanto exclamação!!!!) :P
Este final de semana tivemos an old style brega party na casa da Thaís! Confirmamos a tese de que somos umas crianças. Brincamos de assassino e detetive (a brincadeira tradicional de aula), telefone sem fio (com direito a cada frase!) e o ápice foi a dança das cadeiras, com direito a tombos (nenhum meu!), vôos fenomenais, empurrões e puxadas de cadeira. Entre anteninhas, óculos escuros e plumas fizemos literalmente a festa, cantando That Thing You Do e sendo feliz! Uma aventura particular foi minha da Isis e da Livia, que moramos do outro lado da ponte, pegamos 2 ônibus e 1 barca, nos aventuramos tarde da noite na paisagem do centro da cidade do Rio, dentre refletores e prédios históricos. O Centro do Rio o que tem de encantador a noite tem de perigoso, uma pena. Enfim, o sábado foi algo!
E agora a próxima edição de festa será o bota-fora da Sue (nem todas são de aniversário :/) e o niver do Daniel em algum lugar desse Estado! (quanto exclamação!!!!) :P
domingo, 13 de novembro de 2005
sexta-feira, 11 de novembro de 2005
sem caminho
Às vezes as portas se encerram e ficam os pensamentos inertes, tropeçando dentre fatos um tanto pertubadores. Na verdade, logo cedo, pensei em fazer um post sobre a mesquinhez do ser humano por conta de um situação análoga a de RioGrande (no que se refere a pequenez de pensamento de certos seres) que sucedera aqui numa dessas minhas turmas aleatórias (iriam eles colar cartazes de mim por conta disso? não são tão maduros assim...). Enfim, esse pensamento se perdeu no que o dia foi passando e chegada a hora de ir embora. Primeiramente, chego no ponto de ônibus e em seguida passa o meu ônibus, assim que entro me dou conta de que deixara o me casaco na mão de um amigo enquanto arrumava a papelada, e ao exclamar 'meu casaco!' com cara de drama de novela mexicana o trocador sugere que eu desça... E o faço... e creio que talvez tenha sido aí o erro (acerto?), afinal as cenas que me vieram a seguir foram de uma vertigem profunda para minha pessoa.
Então, fiquei lá esperando sozinha, depois de me ser entregue o casaco, o ônibus que demorou uns bons minutos para passar. Era um do tipo 'frescão' (sem ar-condicionado, mas com poltronas de viagem). Assim ia eu pela cidade universitária, deitada na poltrona e com um soninho misturado com a sensação boa de conforto quando, após a curva, em frente ao prédio de educação física avisto um homem no chão. A princípio achei que fosse algo sem importância, do tipo estar ali deitado na grama... Não demorou muito para que concatenasse com a cena odionda que ia se formando perante meus olhos descrentes: o homem estava morto! Foi esaa impressão que se apossou de mim e eu haveria de ter de passar por aquela cena mais um vez quando o ônibus pegasse o retorno. ah, eu nao queria... E foi aí que vi um jovem com uma mochila nas costas, com seu piercing na sobrancelha, no telefone celular bem perto do lugar do acontecido, rindo ao certo de contar o que se passava de 'emocionante' na sua vida universitária. Falava com quem ele rindo? Talvez com o pai: 'olha só pai, estou aqui no fundão e acabou de ocorrer um acidente sinistro. Sim, um homem atropelado.. creio que estava numa moto.. Parece ter um 20 poucos anos.. quase a minha idade.. (risada). tá maior movimento aqui, vindo bombeiro, polícia... Tem uma moça no chão deitada falando no celular tb, acho q ela tava junto.. ela está com um ar de tão desesperada, de 'meu mundo caiu'. Pra vc vê pai, a gente vem pra faculdade e acontece de tudo (mais risada). Eu mesmo, um idiota aqui andando e rindo se bobiar uma ambulância dessa passa por cima de mim. Ah pai, o senhor sabe que eu tomo cuidado né, não se preocupe. Não se preocupe com todo meu deboxe, minha estultice, minha mesquinhez, minha mente tacanha e pequena. Ah Pai, eu te digo pra não te importares também com minha mania de grandeza, de querer ser melhor que os outros, de passar a perna no outro e achar q o mundo gira ao meu redor.. logo de mim, que nao aproveito nem 2% da capacidade do meu ceérebro e vivo me entorpecendo com essas músicas de batida forte, com as bebidas de todas as sortes, com as mulheres de todos os tipos e nem cogito a minha insignificância nisso tudo, nisso tudo que se chama Mundo. Pai, não demora e descubro que quem anda morrendo sou eu'.
Perdão o tom 'pessimista' mas tem vezes que não tem como deixar escapar... Acho que seja outra da 'janela secreta'.
Então, fiquei lá esperando sozinha, depois de me ser entregue o casaco, o ônibus que demorou uns bons minutos para passar. Era um do tipo 'frescão' (sem ar-condicionado, mas com poltronas de viagem). Assim ia eu pela cidade universitária, deitada na poltrona e com um soninho misturado com a sensação boa de conforto quando, após a curva, em frente ao prédio de educação física avisto um homem no chão. A princípio achei que fosse algo sem importância, do tipo estar ali deitado na grama... Não demorou muito para que concatenasse com a cena odionda que ia se formando perante meus olhos descrentes: o homem estava morto! Foi esaa impressão que se apossou de mim e eu haveria de ter de passar por aquela cena mais um vez quando o ônibus pegasse o retorno. ah, eu nao queria... E foi aí que vi um jovem com uma mochila nas costas, com seu piercing na sobrancelha, no telefone celular bem perto do lugar do acontecido, rindo ao certo de contar o que se passava de 'emocionante' na sua vida universitária. Falava com quem ele rindo? Talvez com o pai: 'olha só pai, estou aqui no fundão e acabou de ocorrer um acidente sinistro. Sim, um homem atropelado.. creio que estava numa moto.. Parece ter um 20 poucos anos.. quase a minha idade.. (risada). tá maior movimento aqui, vindo bombeiro, polícia... Tem uma moça no chão deitada falando no celular tb, acho q ela tava junto.. ela está com um ar de tão desesperada, de 'meu mundo caiu'. Pra vc vê pai, a gente vem pra faculdade e acontece de tudo (mais risada). Eu mesmo, um idiota aqui andando e rindo se bobiar uma ambulância dessa passa por cima de mim. Ah pai, o senhor sabe que eu tomo cuidado né, não se preocupe. Não se preocupe com todo meu deboxe, minha estultice, minha mesquinhez, minha mente tacanha e pequena. Ah Pai, eu te digo pra não te importares também com minha mania de grandeza, de querer ser melhor que os outros, de passar a perna no outro e achar q o mundo gira ao meu redor.. logo de mim, que nao aproveito nem 2% da capacidade do meu ceérebro e vivo me entorpecendo com essas músicas de batida forte, com as bebidas de todas as sortes, com as mulheres de todos os tipos e nem cogito a minha insignificância nisso tudo, nisso tudo que se chama Mundo. Pai, não demora e descubro que quem anda morrendo sou eu'.
Perdão o tom 'pessimista' mas tem vezes que não tem como deixar escapar... Acho que seja outra da 'janela secreta'.
quinta-feira, 10 de novembro de 2005
no caminho de volta
Inspirei-me hoje na volta pra casa lá da faculdade, um dia chuvoso e com um friozinho agradabilíssimo. Peguei a vã meio relutante, afinal a cada dia a rota dela muda, sentei na frente, bem ao lado do motorista e aí que começou a minha observação. O motorista proferia umas palavras pra si mesmo, não conseguia escutar. Às vezes falava algo mais alto sobre o trânsito e eu impasssível agia como se nem estivesse ali. Observava o balê do trânsito, ele zig-zagueando na pista molhada, dentre os carrinhos e caminhões e eu assistindo tudo procurando escutar o q ele falava pra si mesmo tentado curar um pouco daquela solidão motorística de todo o dia. Em seguida ele se incomodava com a música da rádio, aquelas batidas repetidas de hip-hop e em pensamento eu dava razão a ele. Dai clica ele no CD, tocando Paralamas do Sucesso e ele cantarola... Ponte e cantarolar, meu olhar pra frente acompanhava o ritmo de tudo.
Depois disso, estava eu no ônibus pra casa dormindinho quando ao depertar por um barulho estranho olho a minha frente e deparo-me com aquela criancinha de seus 1 pra 2 anos sorrindo com os dois dentinhos e covinhas na face... Ah, esbanjei sorriso pra ela, ser puro e perscrutador. Ela ficava, com seu par magnetizante de olhos azuis, a se admirar com todo e qualquer movimento dentro do ônibus, alternando com olhadas para seu reflexo na janela... O rosto era todo fascínio com o descobrimento do mundo. Momento fotografável na memória de tanta pureza.
E foram essas minhas inspirações para voltar com o meu amigo de longa data já, o blog. E voltar ao ritmo, pq nao. O caso é que essa correria cotidia nos sufoca como uma porção asfixiante jogado no ar, fica-se totalmente exposto a isso e sem máscara, mas tentarei aqui lutar contra a tal automatização da vida.
Depois disso, estava eu no ônibus pra casa dormindinho quando ao depertar por um barulho estranho olho a minha frente e deparo-me com aquela criancinha de seus 1 pra 2 anos sorrindo com os dois dentinhos e covinhas na face... Ah, esbanjei sorriso pra ela, ser puro e perscrutador. Ela ficava, com seu par magnetizante de olhos azuis, a se admirar com todo e qualquer movimento dentro do ônibus, alternando com olhadas para seu reflexo na janela... O rosto era todo fascínio com o descobrimento do mundo. Momento fotografável na memória de tanta pureza.
E foram essas minhas inspirações para voltar com o meu amigo de longa data já, o blog. E voltar ao ritmo, pq nao. O caso é que essa correria cotidia nos sufoca como uma porção asfixiante jogado no ar, fica-se totalmente exposto a isso e sem máscara, mas tentarei aqui lutar contra a tal automatização da vida.
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