terça-feira, 4 de julho de 2006

Penúltimo comentário sobre a Copa

Dentre os amigos de faculdade, hoje presenciei os dois lados no que se refere ao ‘to be or not to be’ Copa do Mundo. Uma, quer distância de todas maneiras possíveis, outro, gosta e aprecia futebol. A discussão girou em torno do comentário de que uma estátua do Ronaldinho Gaúcho teria sido queimada em SC (bizarro!), e que da mesma forma que usam tamanha energia para expressar seu descontentamento quanto ao futebol, porque o brasileiro não faz isso na política, no social, buscando melhorias e os seus direitos sendo respeitados?

A radical contra, disse que além de ser idiotice sem tamanho, Copa não servia para nada, a não ser para uma festa inútil na qual quem festeja não ganha nada, a não ser a chance de ser tapeado pelos seus governantes. Já o radical a favor insistiu que justo aquele que não tem alegrias em sua vida, ganha mal ou está desempregado é o que necessitava dessa alegria que só o time canarinho poderia proporcionar.

Diria que nesse caso nada melhor do que tomar o meio termo: é bom torcer sim, futebol é um esporte como qualquer outro e não merece ser discriminado radicalmente só por conta da sua projeção mundial, contudo não devemos nos deixar alienar por tal máquina que faz do futebol não um jogo de superação de corpo e espírito, mas de salários e nomes. Certamente o Brasil não iria mudar social ou politicamente com o Hexa, contudo são nesses eventos que invariavelmente nos sentimos vivos (ainda mais com o número extremo de cornetas e buzinadas atormentando sem horário) e criamos um senso de coletividade (superficial que seja), que nos faz olhar o outro com mais igualdade, como brasileiro e só.

Mas não adianta, usar verde amarelo não é comigo! ;)

sábado, 1 de julho de 2006

Verde e Amarelo

Hoje é dia de jogo do Brasil e de toda a parafernália em torno dele. Nada contra a Copa, contudo me cansa a super exposição da mesma a ponto de não me interessar muito por jogos da pátria amada.

Certo dia mamãe veio toda feliz me dando uma camisa verde com detalhes amarelos, dessas de futebol estilizada-moderna. Confesso que caiu bem a blusa, contudo era impressionante minha postergação em usar tal. Um belo dia resolvi usar, nem era dia de jogo, mas tive de fazer o famoso ‘grau’ e fui eu andando pelas ruas paramentada com o verde amarelo mais falso que já vi. Senti-me desconfortável, ainda pior quando cruzava com alguém fantasiado também: uma sensação de bobo da corte fora da corte, exposto às intempéries do mundo.

Olha, não sei a cor do meu patriotismo, mas certamente não é do mesmo tom de verde amarelo desse povo fazendo ‘macumba pra turista’ na Alemanha, dessas ‘mulheres’ dançantes mostrando o vulgar e fazendo propaganda de seu produto (as exportações de carne aviária do Brasil cresce surpreendentemente), do Galvão Bueno e seu ‘rrrrrronaldinho’ exaltando a estultice geral da nação, glutões e mulatas festejando a ‘glória nacional’.

Enquanto isso, num reino distante da Alemanha e distante desse Brasil da copa, reparo crianças pedintes nos sinais da vida, mulheres com seus bebês no colo desesperadas, homens fadados ao desemprego humilhados por não conseguirem sustentar sua família, senhores e senhoras madrugando na fila da previdência social... É, tem coisas que não demoram 4 anos para aparecer e nem levam 4 anos para esvaecer.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

O caminho, o casaco

Ah, uma coisa importante, importantíssima! Hoje o ônibus de sempre, conectado na JB tocando as antigonas melosas desviou de caminho. Veio o sobressalto conhecido e logo aqueeeeele alívio maior do que todo estardalhaço ao redor da Copa. Vi-me jogada numa nova vizinhança e o trocador ao perguntar quem pararia do Barreto, respondeu resposta afirmativa de jovem ser, e então continuamos (para tristeza do trocador) pelo caminho que seguíamos. Fiquei me perguntando, mas pq esse caminho, o que teria o outro, e blá blá blá todo de pensamentos andantes aqueles. Nisso vejo algo que há tempos não reparava, nem mais notava que existia, um enterro! Sim, um pessoal de preto chorando; o dia cinza-lacriminoso parecia fazer sentido; a mulher alta, loira de sobretudo até o joelho parecia fazer bom uso da vestimenta preta. Ênfase para o menino de casaco azul escuro mais a parte olhando despreocupado todo desespero humano, numa placidez digna de criança que especula o porquê daquilo tudo. E não é que estava de azul escuro... vai ver era por isso que o ônibus tinha de dar aquela volta toda, só por uma imagem.

Imagine, um balanço de perdas e danos

É redundância falar da ‘vida lilás’ abandonada num mundo cruel de bits que não mais se movimentam como antigamente. Venho aqui mais para apreciar os confetes coloridos ao chão do final da festa do que qualquer outra coisa. Trago comigo não mais que um turbilhão de cores lilases-arco-íris se misturando e convergindo numa grande espiral de vertigem digna de escritores decadentistas. Contudo não tenho a tal técnica que lhe é tão precisa em falar sobre o nada até, mas trago a persistência daquele que comunica mais que palavras despedaçadas, daquele que no nada quer descobrir a si mesmo.

Balanço do semestre, se não fosse literatura portuguesa certamente eu estaria chorando muito mais a pitangas. Literatura inglesa foi um inferno trágico com Macbeth e Midsummer Night’s Dream e o questionário detalhado de toda 2ª e 4ª. Literatura comparada II, bem, gostaria de não ter nada a dizer, ser o famoso indiferente, mas já que a palavra é minha me recuso a falar. Inglês oral, empreendedor, desafiador também por ter dado uma aula no Áudio-Lingual Method, o que cobrou de mim mto jogo de cintura para ser professora de um método que ironicamente precisa de MUITA prática da professora. Inglês grammar, reticências de preposição, é um tópico que nunca estará fechado. Lingüística, se perdeu lá atrás, mas era uma professora gentil e fucionalista que dava aula sobre como usar lingüística para dar aula, interessante, mas não acrescentou lá grandes coisas. Italiano, foi um desafia, não acredito que passei, e mais, sabendo alguma coisa! Ah, teoria literária... vamos pular mas beeeeeem pulado essa parte, apesar de ter me dados ótimos pensamentos sobre mundo, vida e tudo mais.
E mais, e mais, e mais...
Eu quero mais dessa vida universitária, eu quero diálogo, esforço, sangue e satisfação. Por enquanto só meu sangue descolorido anda por aí, manchado de vermelho às vezes.


E não se engane, eu sou a mesma menina do ‘imagine’, mesmo tendo entrado distopia em tudo.

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Do existencialismo e da autobriografia

Senti a náusea do pré/pós prova na maior parte do dia. Por coincidência o assunto era existencialismo. "O primeiro homem" de Camus não só é existencialista, como é a autobiografia do autor tentando ser disfarçada numa ficção qualquer. Aí vem a questão, seria a toda obra uma biografia?

Isso lembra da ofina das quartas-feiras, que por sinal já terminou. Lá parei pra pensar mesmo obra biográfica, e de certa maneira acabo por refletir mais sobre qualquer comentário, seleção de palavras, vontade de idéias que tenho, afinl isso tudo é por si só elemento autobiográfico.

Falando em si mesmo, sabe desses livros que se lê algo por demais desconcertante e vê refletido aquilo dentro de si mesmo? Tinham uns sentimentos tantos de Jacques (ou Camus, como preferir) que me deixavam fora de órbita de tão parecido comigo, e mais, deu descobrir que sentia aquilo mesmo, de só admitir lendo o que estava diante dos olhos como sem poder negar o crime.

Reparo que de existencialismo na minha vida tem muito menos do que eu pensava até ler 'Existencialismo é um Humanismo' de Sartre. Mas de autobiografias ficará sempre o 'confesso que sou descendente direta e Eva...'.

domingo, 28 de maio de 2006

breve breve reflexão

Passo toda semana esperando o final de semana; passo o final de semana esperando a semana; passo toda semana esperando o final de semana; passo o final de semana esperando a semana; passo toda semana esperando o final de semana; passo o final de semana esperando a semana; etc.

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'Oh life, it's bigger
It's bigger, and you,
And you are not me...'

(sempre toca uma música nos momentos de reflexão - REM é boa pedida.)

'I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think, I thought, I saw you's try..'

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E a vida mais-que-demais urbana segue seu rumo...

sábado, 27 de maio de 2006

Wuthering Heights

Out on the wiley, windy moors
We'd roll and fall in green.
You had a temper like my jealousy:
Too hot, too greedy.
How could you leave me,
When I needed to possess you?
I hated you. I loved you, too.

Bad dreams in the night
You told me I was going to lose the fight,
Leave behind my wuthering, wuthering
Wuthering Heights.

Heathcliff, it's me, Cathy, come home. I´m so cold,
let me in-a-your window.

Heathcliff, it's me, Cathy, come home. I´m so cold,
let me in-a-your window.

Ooh, it gets dark! It gets lonely,
On the other side from you.
I pine a lot. I find the lot
Falls through without you.
I'm coming back, love,
Cruel Heathcliff, my one dream,
My only master.

Too long I roamed in the night.
I'm coming back to his side, to put it right.
I'm coming home to wuthering, wuthering,
Wuthering Heights,

Heathcliff, it's me, Cathy, come home. I´m so cold,
let me in-a-your window.

Heathcliff, it's me, your Cathy, I've come home. I´m so cold,
let me in-a-your window.

Ooh! Let me have it.
Let me grab your soul away.
Ooh! Let me have it.
Let me grab your soul away.
You know it's me--Cathy!

Heathcliff, it's me, Cathy, come home. I´m so cold,
let me in-a-your window.

Heathcliff, it's me, Cathy, come home. I´m so cold,
let me in-a-your window.

Heathcliff, it's me, Cathy, come home. I´m so cold.

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Despois de escutar essa música anos atrás sem desconfiar sua ligação com a obra inesquecível de Emile Brontë 'O Morro dos Ventos Uivantes', sigo escutando viciosamente a vesão que ganhei do Angra, buscando a de Kate Bush.
Ah, vou ver o filme...

domingo, 21 de maio de 2006

E no final...


Não é isso que importa?

sábado, 20 de maio de 2006

caindo na real

Foi esse o título do filme que vi ontem, um filminho lá de 1994 emprestado pela Lívia (isso é tão comum:P) e que veio a acrescentar as reflexões pós-vida universitária. A personagem se vê no vácuo eterno sem lembranças após o término da mesma, com emprego medíocre (que por sinal vem a perder), e vendo q todas as notas e esforço durante a vida universitária foram em vão, afinal ela não tem 'experiência'. Juntamente com uma amiga promíscua, um gay enrustido e um intelectual sem causa, partem pra descobrir até onde vai o niilismo dessa juventude 'anos 90' (que podemos estender a data até a década 00).
Pior que no meio da falta de expectativa vem a artificialidade das coisas (desde de programas de tv até relacionamentos amorosos) e a esperança de se chegar a certa idade numa vida estabilizada, sendo 'alguém' (que ngm sabe quem ao certo), correspondendo as expectativa da família, dos vizinhos, dos amigos perto e distantes, do papagaio, ramister e etc etc etc.
Será que não tem gente demais no processo de formação de identidade de uma pessoa só não?

Eu não sei quando vou começar a trabalha... Isso pq me recuso a trabalhar com algo fora da minha área, assim como a personagem é questionada pela mãe do pq dela nao arranjar emprego numa lanchonete. Vai ver eu quero tanto tanto tanto que vou terminar com o nada. Mas não deixarei de querer... Querer dar aula de 5ª até 8ª série num colégio público com as criaturinhas me deixando loouuuca e ao mesmo tempo enriquecendo minha existência. Mudar o mundo com literatura é mesmo possível?

O processo de queda na real, creio eu, só se completará mais para frente, de acordo com as necessidades requeridas e a não consecução de alguns objetivos a médio prazo almejadas. Por enquanto sigo na vida sem mim às vezes, transbordada de mim até demais em outras, mas cheia de dúvidas e anseios em tempo integral.

Chegar a casa dos 20, quem mandou... E fica a questão dita no filme 'pensei que aos 23 anos seria alguém'.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

e do tempo

Corre o tempo como cachoeira inesgotável desbocando ferozmente em minha frente. Que majestosa, me faz sentir diminuta, teria eu força pra afastar suas águas pra lá?
'Tempo é dinheiro', acredito que tempo é dever... Deve passar sempre rápido porque se devagar nos desbota. Só que do rápido demais nem as cores se vê, imagem borrada. O lilás e o bege se misturam...
Quero tempo, tempo pra todos os matizes. Tempo que me deva mais tempo, que não sobre, mas que também não se gaste todo. Ah, quero. Já ignorando o tempo permaneço aqui, num post rápido pela falta dele. Ih, está ele passando aqui e me desafiando a parar. Ah, eu páro sim. Páro no tempo, embaixo da cachoeira que me pressiona contra as rochas, num lugar em que as cores distinguo claramente, num tempo onde pensar que tempo é dinheiro é um crime, um pecado.

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Das datas tenho carinho por algumas, uns dias desses que guardamos o número na memória pra nos fazer voltar a sensação que foi aquele momento. Dos dias, esse destaco, é 18. Saberia eu que além do meu nascimento 18 guardaria outro momento crucial para a existência lilás?
Páro o tempo e recordo tudo, recortes de sorrisos, toques, olhares... Ah, era música que escutava! Sim, música de certa voz, melodia pro ouvido que esperava todo tempo pelo fahbuloso destino.
Há o que 24h nenhum cobre, há o que tempo nenhum passa por cima... Há o indizível da alma, a desautomatização da vida. Faça-se assim a fahbulosa vida lilás temporariamente em festa.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

e os dias

Pois então, reparei que um dos dias mais inspiradores pra escrever é justo na 4ªf, dia o qual passo o dia mais fora de casa nessa correria típica cotidiana.

POr dias passados enfrentei a máquina do mundo com Drummond. Reparei que desde pequena Drummond me chama atenção com sua negação das coisas, com o perscrutar o reino das palavras e, algo muito me chama atenção, é estar num descompasso com o mundo, na tal exclusão includente. (tá, podem me acusar de pós-modernista :P)

Veio por certo no 'anjo torto', a questão aquela de 'não sei fazer poesia' (e de fato não sei poetizar, ao menos com essa elipse de sujeito e objeto tão bem feita). E nossa, tenho de estudar métrica! Isso é ponto pacífico.

Na oficina de jogos de linguagem (por isso quartas são tão interessantes), o clima que se dá entre a meia dúzia que continua pertinente apesar de tudo é ótimo. Cada um com seu estilo um tanto qto 'marcante' e eu no meio do povo pequenina com minhas metáforas, contudo ali, pensando criação biográfica com as restrições malucas.

Maio é um mês de oscilaçoes por si só. Está sol, vem o frio, vem o vento, vem o calor, vem a chuva... e vai vindo tudo de uma vez. Há oscilação nas pessoas, metade do semestre, sensação de tudo pela metade.

Até que ando inteira, mesmo às vezes catando meus pedaços por aí.

Receio que fiz um post. Tanto tempo que isso não acontecia. De modo cada vez mais escasso vem acontecento. Enfim, prometo a mim mesma melhoras :)

domingo, 30 de abril de 2006

Procura da Poesia

por Carlos Drummond de Andrade

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.


sexta-feira, 28 de abril de 2006

Dos causos e percalços da tal vida moderna

Causo 1: O perseguido

Certo dia chega o professor em aula para justificar porque faltar na semana passada. Ele, com um olhar caustrofóbico, começa a justificativa:

- Creio ter de deixa-los a par da situação que me aconteceu na semana passada ao qual me forçou a não vinda. Há muitos anos atrás, aqui na faculdade de letras, dei aula para uma moça que se via não ser lá muito normal, que teria sérios problemas psicológicos. O caso foi que anos depois me deparo com essa mulher me perseguindo, ligando para minha casa e me ameaçando e até vindo aqui na faculdade me agredir, como na semana passada. Ela alega que há algum tempo professores aqui do Fundão a pegaram e levaram a força para o CCNM (prédio de exatas) e começaram a fazer experiências científicas com ela do tipo injetarem esperma dentre outras coisas. Agora ela anda dizendo por aí que dessa experiência nasceu um menino e uma menina, loiros de olhos azuis, sendo que ela é uma negra alta e eu, não sou loiro!

É, para quem almeja vida de professor e acha que o maior problema que enfrentará será ou descaso do governo ou do aluno, vê-se que há além de tudo os ‘fãs’ perscrutando no ir e vir.

Causo 2: O comentário

Estava certa amiga esperando seus amigos na porta de certa pizzaria em certo lugar quando avistou d’outro lado da rua 3 rapazes conversando descontraidamente, sendo que um deles foi ao seu encontro. Daí desenvolveu-se uma boa conversa, de fato a famosa ‘conversinha’ sobre o que ambos faziam e coisas afins. O causo é que passado certo tempo, ali na porta da certa pizzaria, o clima estava feito e tanto o rapaz quanto a menina sentiam-se inclinados a galgar um degrau na recente amizade. Então, cavalheiristicamente o rapaz pede para a moça o direito de beijar seus lábios. Contudo, bem no meio do caminho da concretude do desejo de ambos, vem ele com seu comentário: não sei se você se importa, mas tenho namorada.

Quebra a força, não quebra? Ela, muito dignamente, dispensou o moçoilo cara de pau na mesma hora. E ele soltou um ‘ai que pena’ desconsolado. E não querendo comentar, mas já fazendo meu comentário, tinha de ser um engenheiro mecânico.

Causo 3: O enunciado

Havia eu recebido a discursiva prova de Literatura Inglesa, quando parto diretamente para a consecução da primeira questão que era, na minha concepção, recontar a história das três baladas que fora dada no título. Assim começo minha prova, sem nada mais pensar. Da primeira faço uma notícia de jornal, da segunda um roteiro de filme; da terceira tinha opção de fazer um conto infantil, mas desisti porque não havia tanto tempo assim disponível, afinal ainda tinha a segunda questão, a qual valia 6,5.
Na minha inocência de aluna aleatória ainda achei estranho o tamanho da primeira questão que só valeria 3,5. Contudo segui na façanha até chegar na segunda questão: interpretar um poema e com a sanção de fazer um parágrafo com 500 palavras. O 500 desesperou-me, fiz por volta de 250 e forçando muito. No desespero ao final da prova pergunto ao professor se ele se importava que fosse menos, ele respondeu que iria ver o que estava escrito, não iria contar palavras, 500 era só pra ter uma base (sim, o que são 500 palavras numa questão, não é?
E olha, até que estaria tudo nos eixos se não descobrisse que era uma balada para escolher, não as 3 reescrever, e que com isso além de ganhar boas debochadas do professor (“olha só, aluno de letras e não sabe ler enunciado”), ganho uma nota limitada, do tamanho da minha falta de atenção.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Epifania da greve

Acordou quinze pras seis. Sabia que já estava atrasada, então dormiu até as seis quando foi despertada de vez de seus sonhos. Levantou-se com a preguiça típica imaginando o dia que se configuraria e quanto teria de correr para não fazer de um pequeno atraso a vergonha de se entrar no meio da aula. Quase despertou de vez na hora de escolher a roupa; hoje é dia de azul... azul claro, pensou. Colheu o azul do céu bonito da manhã fresca com os olhos, e assim o copiou para seu guarda-roupa. Em nove minutos estava pronta para o café, muito pão de forma com maionese porque hoje não era dia de sentir fraqueza, era dia de prova. Forçou-se a comer tudinho e sair esbaforida para o elevador. Antes de sair do prédio de vez, separou o dinheiro, algo que nunca fazia antes de chegar ao ponto, porém hoje pareceu propício faze-lo. Caminhou pensando no frescor da manhã, que poderia ser assim o dia todo, uma brisa gelada pairando no meio de tímidos raios de sol. Chegava no ponto de ônibus estranhamente cheio. Teria acontecido algum acidente que impedia o fluxo dos ônibus? Era isso... Ninguém sabia de nada. Passam dois ônibus em direção ao seu primeiro destino, ambos lotados. Ela não se anima a pegar, afinal sempre vem outro atrás. Contudo não veio. E o que veio foram os telefonemas, “os ônibus estão em greve”. Greve? Mas não é possível, tenho prova, tenho compromissos, tenho de chegar lá me cansar o dia inteiro, voltar pra casa e reclamar do cansaço. Tem de ser assim, bramia nos pensamentos. Como podia estar tão vulnerável a uma greve de ônibus, ela e todos mil contáveis? Sentia que perdia a força, que era um alguém tão insignificante nessa história que nem o motorista do ônibus se importava. E sentia o preconceito em si “nem o motorista do ônibus”, porque haveria ele de se importar? Afinal, ela não se importava com a greve dele e esbravejava com cara chorosa contra a situação em pensamentos. Ao final de uma quase eterna hora, refletindo não haver condução que lhe sanasse o problema, entregou-se ao desgosto e foi ter em casa o troféu da decepção. Entrou, as pessoas formigavam. Ela se sentia impossibilitada de tudo. Teria de fazer uma segunda chamada que nunca fizera antes, nem quando na véspera de prova de teoria literária tinha extraído o siso. E agora, era assim? Sem ônibus, sem caminho, sem início, meio e fim. Ah, o fim, fim ela daria. Trancaria-se no quarto fechado com o pesado edredom e dali faria morada da sua inquietação cantando contos na mente e sonhando atravessado o dia que não acontecera. Teve vontade de chorar.

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Tempos depois: "acho que os ônibus voltaram...", ela agrade com sarcasmo a informação preciosa.

domingo, 9 de abril de 2006

Autobiografia

Seria esse blog uma autobiografia inventada ou uma ficção autobiográfica?

No fim acabo por traçar um tanto de fantástico na realidade, isso eu sei.

Mas foi justo autobiografia o tema de uma das oficinas de linguagem, daí que criei uma autobiográfia ficcional de um personagem aleatório.

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Autobiografia

Confesso que sou descendente direta de Eva. Minha doce mãe, na adolescência inconseqüente, usou de todo feminismo e sensualidade para roubar papai de sua sonsa noiva cheia de graça. Há os que não titubeiam pela maçã e foi daí que nasci, fruto proibido. Porém, como é mais que sabido nos ditos populares que o que é bom é escondido, nasceu eu, o melhor que poderia acontecer na vida de Adão e Eva dos anos 80. Claro, que como conseqüência para eles as atribulações foram muitas, afinal ser expulso do paraíso da irresponsabilidade juvenil não é tão simples. E aí foi que mamãe sentiu as dores do parto e no peito de tanto sugar sua energia, e papai no bolso. Foi 18 de outubro o dia. É, isso mesmo, faço parte dos filhos do carnaval. Embora eu mesma não me lembre do dia, lembro de mamãe tentando esquece-lo como se fora esse o motivo do pecado original. Acho que papai nunca gostou de lembrar também. Só gostaria de saber que deus os puniram com tamanha crueldade nessa história (tenho um palpite, o deus família). Contudo percebo felicidade em seus olhos ao verem que pela incauta maçã mordida originou-se toda um humanidade. A minha humanidade. Elejo-me assim a deusa solipsista deste mundo pois dessa biografia dita minha acabo por inventar cada linha da verdade que às vezes pode parecer pecadora, mas nada original.


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ps: tem um alemento que é repetido em relação ao texto anterior.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Alfabeto

Ali, bento cavalo derrotado, estando forçado, galgando história. Ia já levando mecanicamente nove outros parasitas queixosos, realizando sua tarefa, um veloz xucro zangado, zonziando xioso, vagando um tempo. Sem rumo queria poder ousar navegar melodiosa liberdade. Jazia ímpio horas galopando, fervorosamente ele demonstrando cuidado bestialmente amigo.

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Feito hj no ateliê de jogos de linguagem, o objetivo era construir um texto usando as letras do alfabeto. Como se repara vai de a-z e z-a. É divetido, além de quebrar a mente. E tem um traço aí que aparece em outros textos do curso, a restrição formal. (vamos ver se é descoberto através dos próximos textos q pretendo postar aqui da oficina).

domingo, 26 de março de 2006

Eu não sei fazer poesia.
Dessa neura que me arrepia,
Descobri! Não sei ritmizar...

Se o humano é ritmo, sou o quadrado.
De forma e conteúdo não tenho resultado
E já desisto de seguir com essa utopia.

Porque se há menos leitores que poetas nesse Rio
Deixo o verso para os mais dados ao desvario
E sigo com meu pulso atado.

É que tem gente que é pra admirar
E a mente resta conceder o direito de suspirar:
Ahh, eu não sei fazer poesia.

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:)

sábado, 25 de março de 2006

passa pensamento

Deu a simples vontade de vir aqui e ir escrevendo, escrevendo, traduzindo os últimos pensamentos, falando das músicas mais ouvidas e pqs inexplicáveis, reclamando até ou simplesmente refletindo sobre a saudade das coisas.

Mas não quero falar de saudade só. Quero cair na falta de coesão e falar de tudo junto, um grande panelão onde são jogas espectivas, pequenos traços do humor atual e pedaços de pensamentos andantes (como a imagem de se estar num ônibus em locomoção, na ponte...).

Acho que essa história de ficar quase 4h por dia num ônibus mexe com a gente. Ali se tem os melhores insights do dia, como se pode ter a maior melancolia. Também se encontra a maior saudade do mundo, olhando paisagens ignoradas de todo o dia, passando nuvens ou chuviscos, tudo passando. NO final é o que acontece.. estamos eternamente nessa de sermos empurrados pra algum canto, mesmo qdo nem damos um passo adiante.

E tem os pensamentos, ahh os pensamentos. Ultimamente tô nessa neura com a poesia (e não to tetando descontruir nada ¬¬). Então é que se tem a idéia de que de fato tristeza faz a melhor poesia de todas, no desentendimento aleatório que as palavras vêem com a sensação de enfahdo. Mas isso vem melhor em outra poesia... pq eu não sei fazer poesia.

Enfim, bons dias se passam, dias melhores espero. Eu acredito nisso. Sempre acreditei... Assim como acredito no diálogo. E acredito tb que tomar o fluxo de consciência nesse blog ajudará pra algo. Ou não! (como nos ensinou nosso primeiro professor de literatura :P)

segunda-feira, 20 de março de 2006

sei lá, poesia tem dessas coisas

Se pra ser poeta é preciso viver na solidão,
Não quero ser poeta não.
Se pra ser poeta é preciso viver no desassossego,
Essa inquietude eu postergo.
Se pra ser poeta é preciso alma triste,
A minha de sê-lo desiste.
Se pra ser poeta é preciso viver pouco,
Prefiro viver e ser qualquer outro.
Se pra ser poeta é preciso melancolia,
Já rasgo o pranto da minha poesia.
Se pra ser poeta é preciso sentir frio,
Sem cobertor ser poeta não me arrisco.
Se pra ser poeta é preciso desprezar...
Ah não, poesia tonta que não quer rimar
Volte a tua fonte de frágeis palavras tolas!
Sei lá, poesia tem dessas coisas.

Lucila Lucet

sábado, 18 de março de 2006

Seize the day!

I went to he woods because I wanted to live deliberately,
I wanted to live deep and suck out all the marrow of life,
To put to rout all that was not life and not when I had come to die
Discover that I had not lived.

- Thoreau