quinta-feira, 8 de abril de 2010

Na boca do povo

Se não bastasse o sufoco da chuva vem o povo espalhar notícia de arrastão em Niterói e São Gonçalo. Arrastão, para aqueles que não sabem, é uma modalidade de roubo que se dá por um grupo de delinquentes que preferivelmente destrói tudo que vê pela frente. Arrastão ficou famoso no rio na década de 90 quando jovens desciam os morros cariocas para assaltar as praias de cartão postal.

Agora, no meio do suplício alheio, meia dúzia resolve reviver essa palavra que é terror número um de qualquer comerciante. Sei que foi justamente no dia que visitei o comércio da cidade que o boato veio a tona e o que via eram comerciantes e transeuntes inquietos. Eu, na minha inocência, cheguei a pensar que era por causa da chuva. Mas que chuva é essa que faria até lojas de grande porte fechar as portas.

No final voltei pra casa e grudei no jornal para saber o que se passava: em uma passeata dos moradores do morro do Estado em Niterói meia dúzia resolveu assaltar lojas. Crítico, pois se toda força militar está sendo usada para organizar e garantir a alocação daqueles que estão jogados por aí sem casa, como ficaria se os que ainda tem um teto começarem a vandalizar por aí, tirando o foco da enxente para o vanfalismo.

Vamos aguardar o próximo capitulo dessa calamidade.

O dia em que o Rio parou com a chuva

No meio do meu pequeno mundo uma grande catástrofe inundou meus pensamentos. Tudo começou numa tarde de segunda-feira na qual a chuva começara a cair de forma regular,densa e mostrando que era de poucos amigos. Na noite, ao estar liver as 20:30h da noite, opto por esperar minha amiga da secretaria no intuito de ter alguém com quem ir sabendo que iria pegar um engarramento. O engarrafamento não foi tanto. Tanto foi o tempo que esperamos para conseguir pegar um ônibus no terminal de Niteróis por volta das 21:40h. Pegamos um ônibus daqueles menores, e foi aí que meu horror começou. As ruas pareciam cachoeiras, e meu ônibus desbravava aquilo tudo enquanto eu cá com meus botões achava melhor deixar a impáfia um pouco de lado quando lidamos com força da natureza. No entanto, o motorista não estava de acordo com meus pensamentos e ia desbravando as ruas da Dr. March (a pior via para um dia de enchente, mas não podia deixar a amiga sozinha a essa altura). Ela saltou do ônibus e eu continuei no meu desespero pessoal. Meus arredores não inundam e nem despecam, mas tive de enfrentar aquela água acumulada rente a calçada. Enfrentei, e nem dei muita importância depois de ter passado tamanha aventura dentro daqueme micro ônibus.

Certamente o problema estava por vir. Durante a noite, até o momento que estava acordada, a chuva não parava. Fiquei no meu mundinho imaginando que tanta chuva é essa que não parava de cair nem por alguns instantes. Parecia que o mundo estava com cede e os céus estavam doando tudo que tinham para o saciar. Dormi e acordei relutante, ainda nos meus sonhos, no meu mundo. E quando me dei conta estava no jornal pela manhã inteira: uma chuva sem fim que deixou pessoas sem casa, tirou a vida de outros e está causou um pânico descomunal na volta para casa das pessoas no dia anterior. Nos relatos, confesso, deixei umas lágrimas cairem no canto do olho. O desespero era real e não simplesmente daquela impressa sensasionalista.

Eu que pensei que o Rio tinha parado em um mero apagão de algumas horas, vi o Rio parar por um dia inteiro. A recomendação era que ficasse em casa durante a terça. As pessoas ficaram. Comércio nem aqui nos meus arredores abriu, imagina nos lugares atingidos. Parecia um luto discreto, quando colocamos um azul escuro no peito para dizer que estavamos tristes com algo. E todos estavam. Na quarta, ainda sem trabalhar, permaneci no meu luto, assim como outros que não podem chegar a Itaipu por conta da estrada intransitável. A UFRJ só volta às aula na segunda-feira, e eu a trabalhar também.

A chuva nos fez desacelerar. Aquela desautomazação da vida que tanto defendo foi vista de maneira muito brutal. As pessoas pararam, calcularam pra si mesmas os danos causados por uma chuva que mostra que não há nada como a força da natureza nessa vida. A falta de respeito tem de parar... Com minha linha panteísta mais do que nunca creio que só reverenciando o lugar que vivemos é que conseguiremos evitar rios de sangue na cidade maravilhosa.

domingo, 4 de abril de 2010

I will never forget you



viagenzinha nuclear

sexta-feira, 2 de abril de 2010

eu vou, eu vou pra Petrópolis novamente eu vou...

Vou só pelas amigas mesmo. Porque as amo e quero ter viagem nuclear. Mas queria mesmo é ficar de pernas pro ar na casa da vovó. Saudade da família. Como sou ausente... e como eles me querem bem...

Mas eu vou... e vou fazer compras na rua tereza:)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

aguarda (do mendigo solipsista)

Ao descer do ônibus reparo que a música para no celular. Abro a bolsa e coloco "I hear you call" novamente pra tocar. No entanto, ao reparar que a música repetiria novamente, abro a bolsa para trocar de faixa. E troco mais uma vez. E outra vez. E mais uma, já meio olhando para o lado pensando no avançado da hora e nas últimas histórias de assalto. Então, ao olhar para frente, sentado no meio fio da loja estava o mendigo do meu mundo solipsista. Ele estava sentado no meio fio, com as pernas cruzadas e olhava na minha direção. Olhei rapidamente e tive a impressão que seu olhar era de quem preparava algo de surpreendente para a vida lilás. Era um olhar de ‘aguarda e confia, algo virá’.

Talvez o sonho da noite passada tenha sido o início disso. Ao ter uma dúvida extrema na minha mente e alma em relação a determinado assunto, meu subconsciente não perdeu tempo para mandar sua mensagem. Tive um sonho de início, meio e fim. Era uma história e eu era a protagonista, como que em uma novela mexicana. Tinha drama, tinha enredo, tinha uma verdadeira escolha de Sofia, tinha cores azuladas juntamente com tons pastéis. Tinha também reflexão. Enquanto fazia determinada ação pensava na conseqüência daquilo e na importância de determinadas pessoas. Sonhei com partes de casa, com direito a espelho e a me ver juntamente com uma pessoa. Companheirismo, amizade, amor, parecia tudo querer se definir ali. No final de tudo fiquei simplesmente sozinha, no meio fio, como que na pose do mendigo solipsista, refletindo sobre tudo que havia acontecido. E estava feliz, apesar da angústia inicial e da aparente solidão.

Me levou o dia inteiro pra entender que a quietude só se encontra olhando pra dentro. Mais Amelie poulan impossível. Esses conselhos de mim mesma pra não sair de dentro de mim não são dos melhores, mas impossível resistir.

terça-feira, 30 de março de 2010

Enfiei o pé na lama

Literalmente na chuva de ontem... Mas fui chamada de fofa pelas aluninhas fofas. Então fica neutra a escala de negatividade.

E eu deveria estar fazendo unha, cabelo e todas aquelas coisas de menininha pq hoje é a entrega de certificados. Mas ahhh, deixa eu dormir até tarde, vai... Juro que até passo uma maquiagenzinha na hora.

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And I'm Miss Purple:P



Música: Mr. Blue
de Catherine Feeny.
Achei POR ACASO. Adoro achar por acaso. AH, fascínio. (e também tenho de colocar em algum lugar, ou vou me esquecer)

(Tem alguém ligando, não vou atender o telefone. Se já tocou 3x e ninguém atendeu, qual a motivação pra continuar ligando,aff)

segunda-feira, 29 de março de 2010

acho

o fazer nada me deu saudade
daquilo que não sei direito
do amor que não tenho,
do querer que não me chama.

acho que falta um quê, uma vígula, um verso.

É a poesia que faltou!
não me visita mais aqui,nem no papel ali do lado.

a inconstância que me visita sempre:
acho que estou bem. acho. e acho que estou triste. acho.
não sei... acho que não Sou.
não é o eu que acalenta.
Não sou o eu que se precisa.

(o ócio tem dessas coisas)



música: acho
de: Carlos Careqa

não podia ter melhor letra. das minhas prediletas quando tinha meus 15 anos.

domingo, 28 de março de 2010

CARTA

Carta recebida depois de século! Alguém me escreveu, enfim. E não poderia haver melhor pessoa do que minha amiga de reflexão fahvorita: Lív Mary. É que tem gente que nasceu um pro outro. Do nada assim a gente gosta e confia. E com Lív é assim, sem mais nem menos e com muitos bons motivos confio meu mais íntimo fio de pensamento a ela.

Vou lá, tenho de escrever uma carta. Como nos velhos tempos.

Depois de uma noite muito boa

Depois de um dia corrido nada melhor do que encontrar as girlfriends nucleares. Então ir pra Lapa, chopp eterno, conversinhas. Ficar sem o núcleo muito tempo faz mal a saúde, por isso estava eu antes de poucos sorrisos. Logo, ao se sentar à mesa do bar as coisas se clarearam. Várias questões na pauta foram mais que esclarecidas e boas e planos para viagens mais que feitos. Ao sair do bar, ainda cedo, a preocupação era de assaltos da vida, já que uma amiga já havia sido assaltada. Então me acompanharam até meu ponto de ônibus e aguardaram comigo até o tal Coesa chegar. Fui-me pra pasárgada. No caminho vi 3 cegos guiados por única mulher e pensei: só mulher para guiar 3 cegos a noite em plena central do brasil. Clarisse falou sobre UM mascando chiclete que desencadeou toda um desautomatização de Ana, pra mim nem três foram suficientes para me tirar do automático de tudo.

Depois de uma noite tão boa em tudo... O que faltaria acontecer... Nada. E então que recebo a notícia que minhas amigas nucleares tinham sido assaltadas. Foram assaltadas em frente à casa de uma delas enquanto esperavam o ônibus da outra. O tal homem chegou com a arma, apresentou-a e disse querer os valores, os tais algos de valores. Uma deu o celular, outra seis reais. Bandido modesto levou o que lhe cabia e sumiu com sua arma acobreada pelos confins da terra. Às meninas restou o choro. Choro abafado, choro discreto, choro silencioso de quem teme o que há de material e espiritual nessa vida. Que não sabe bem do que ter medo, se de deus, se dos Homens, se da inversão de valor que se faz do que é deus, do que é Homem. E elas choraram juntas, porque a solidariedade e a empatia é o que persistem nesse processo de irracionalidade do ser quase humano.

Pergunto-me é que se o que nos falta é continuar consumindo até nossas casas virarem depósito de sucata do que não usamos ou tentar termos um pensamento crítico-social que nos permita entender a tristeza alheia de quererem consumir tanto quanto nós mesmos com nossa comida japonesa, petit gatout de chocolate e livros de Cambridge. Nesta encruzilhada eu digo: sinceramente, não sei.

sábado, 27 de março de 2010

Buenos Aires, te quiero

Depois de Paris, je taime e NY - I love you ( e em um constante Rio, te amo, Rio, te odeio), espero descobrir as graças (e nada de 'des'), da capital argentina Buenos Aires. Já fico ansiosa em pensar naquele climinha mais frio, boa comida, lugares interessantes e históricos para se ver, livrarias encantadoras (que já andei pesquisando no google e que o Italianinho me indicou), uma rotina diferente, falar espanhol. AH, quiero hablar español, pero... Mas vai virar um portunhol danado. No entanto, isso que não vai estragar toda a graça da brincadeira. Buenos Aires, tenho certeza, vai estar me esperando no melhor estilo portenho e com muita elegância.

Buenos Aires, aqui vou eu. Lembranças ao Tiradentes

Libertas Quae Sera Tamen

sexta-feira, 26 de março de 2010

Fundão - Praia Vermelha

Acho que descobri quando as pessoas já passaram da fase universitária, quando não se quer mais fazer conhecidos em sala. É tanta informação já na rotina das coisas, trabalho, cursos, pesquisas, e as pessoas simplesmente não têm tempo pras outras dentro da sala de aula. As matérias de educação na Praia Vermelha conseguem explicitar isso de tal modo... Hoje reparei nas pessoas que foram para aula e que juntamente comigo descobriram que não terão aula até segunda semana de abriu (com possibilidade de não continuar tendo). O simples fato de passar uma lista de e-mail para confirmar com a professora se haveria ou não aula foi um suplício. Fora que se fala o extremamente necessário (isso SE se falar).

Talvez a gente se canse de nosso próprio curso ou somente das pessoas de nosso próprio curso. Os amigos já feitos, ótimo! Mas amigos novos... ai, minha vida, precisa-se de tempo!

quarta-feira, 24 de março de 2010

o peso de mim

Os dias estão pesados, canso com a perspectiva de acordar. Cadê a poesia das coisas, a leveza dos gestos, o supreender da criatividade. Pessoas que vivem mecanicamente, e eu sou uma delas. Acordo, durmo, durmo e acordo. Às vezes, como agora, deixo de dormir. Deixo de dormir como que para mostrar minha revolta em relação ao mundo, em relação a mim mesma. Eu sou parasita de mim. Não me ajudo a sacudir a poeira, a fazer exercícios físicos, procurar ter uma melhor alimentação, cuidar melhor dos meus olhinhos (que são supimpas), não cuido da poeira que bate aqui e às vezes não sai.

É a poluição, é o vento áspero esse que bate todos os dias quando estou no ônibus e me faz pensar: me mal-trato. Mas como podemos nos cuidar bem na rotina cinza de cidade grande,me pergunto. É acordar encima do laço,comer um algo 'rapidinho', correr pra pegar a condução, sair do trabalho com o dia mais que escurecido e acabado. Acabada a temporada de imaginaçao, às vezes penso. Por mais que milhões de histórias povoem minha mente, parece que nunca chego a cuidar delas com carinho suficiente para que sobrevivam a tantoo saculejo.

Tanta tinta cinza, tanta tinta bege. Cadê,cadê as cores vivas... I really don't know where I can find it. Talvez esteja em alunos como naquela turma que substituí essa semana que me perguntou pq não era professora, pq eu era muito boa nisso (em substituir). Mas ainda assim é um pontinho laranja no meio de tanta tinta cinza.

Preciso, preciso de pouco de mar, de pouco de sal, de pouco de inusitado.

domingo, 21 de março de 2010

adorei a idéia de ir de barco pra paquetá.

aceita-se convite. :P

quinta-feira, 18 de março de 2010

Espaço virtual: um bom começo

Semana passada na primeira aula (sábado a tarde!) da turma de básico do CLAC propus um espaço virtual (um grupo no google groups), no qual os alunos teriam a chance de trocar idéias sobre inglês, tirar dúvida, entrar em contato comigo de uma maneira fácil e rápida, esse tipo de coisa.

Passei para eles um pequeno questionário que tinha como última pergunta "algo que eu (prof) deveria saber". Um aluno colocou: não tenho internet em casa e nem no trabalho. Ahhh, pronto. Aquilo me desmontou. Pensei: vai ser UM fracasso. Ainda mais quando, ao apresentar o primeio delinear da minha tese de mestrado (o primeiro, do primeiro, do primeiro), escuto (leio), de um dos que opinaram que se fosse trabalhar com o uso de uma ferramenta no contexto de ensino de inglês que seria MUITO difícil, afinal contar com a boa vontade alheia para participar não é fácil. Então, me fechei.

Só que aí... a semana foi passando, alguns assim que entraram no grupo já deram o ar da graça, mas em geral... Nada demais. Desanimei. Pronto, tudo é um fracasso (ai, drama!). No entanto, um postou um texto sobre dicas para se aprender uma segunda língua, outro um video (mto engraçado) em inglês de uma menina irlandesa passando trote para uma construtura pedindo para demoliar a escola(ué, é em inglês, isso que importa); aí, outro postou uma música que gosta, melhor, fez o upload da música no grupo (ohhhhhhhhh) e ainda colocou a música para as pessoas acompanharem (wake me up when september ends do green day). Aí uma aluna responde dizendo que não conseguiu fazer o upload, por isso colocou um link com a música em um site aleatório (ohhhhhhhh), e ainda postou um video sobre a pronúcia to TH no inglês *thank you*, assunto esse tratado na nossa primeira aula (OHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH).

Gente, isso tá beirando algo muito bom. Levando em consideração que alguns NUNCA participarão, ou por timidez, ou por falta de tempo, ou por não saber mexer bem na ferramenta, para primeira semana de aula o grupo 'bombou' a seu jeito. Tirando minhas participações como 'resposta' de algo ou a famosa apresentação, eu mesma nem participei muito. Logo, creio que falar sobre o uso de ferramentas online para o aprendizado de inglês pode dar certo, de alguma maneira, com esse inglês básico. E se não der, o fato de não haver participação também é algo a ser pesquisado.

Que assim seja!

domingo, 14 de março de 2010

quero ir pra paquetá
quero mar perto
respirar sal no ar
quero ver verde quando olhar pra cima
quero ver você perto ali
contemplando o sol que baixa no seu rosto
quero sentir areia nos sapatos
quero rodopiar na árvore
e dar por si que a paisagem é bonita

não quero ponto
não quero nós
não quero raios
não quero hora
não quero só

Wikipedia Machine Translation Project

Tenho uns amigos que são umas peças raríssimas. Um deles é o Italiano da Quinta. Em uma conversa mais que informal ele me revela seu atual projeto de férias, que seria então a Wikipedia Machine Translation Project.

Tem gente que tem como hobby fotografia, tocar baixo, ou escrever poemas... O Italiano faz projetos linguisticos computacionais. A única coisa que eu invejo é não ter taaaanto conhecimento computacional quanto eu queria. Talvez, como dizia para o Italiano, eu crie um filho que seja bom em computação e goste de linguistica. Veremos.

sábado, 13 de março de 2010

CLAC que vem

As pernas doem. O coração sorrri. Primeiro dia do novo semestre de CLAC e novamente uma turma de básico lotada com 30 alunos. Apesar do desafio, a parte prazerosa é observar as faces ansiosas pelo novo e proporcionar a eles uma boa nova experiência. Aprender língua não é fácil, nem para aqueles que já têm faciliade. Há de se ter o desgaste, horas a estudar, a aula que por vezes pode ser massante (afinal, no caso do clac são 4h em uma sala que nos faz derreter). No entanto, quando se leva as coisas com leveza e tentando puxar um entusiasmo nas pessoas, tudo melhora.

O que tenho a dizer sobre hj, finalmente, é que adoro a minha profissão. Dar aula é uma inspiração e me faz uma pessoa melhor.

terça-feira, 9 de março de 2010

os últimos dias como deveriam ser

Ai, minha vida! Uns dias agitados. Respiro fundo... Viver tem dessas coisas. Amiga assaltada do lado de casa, outras que pegam uma baita enchente saindo da minha casa, alunos que se batem no vidro do curso, eu que ganho monitoria e perco em menos de uma semana. Se fosse para fazer lista de últimos acontecimentos, muitas linhas de caderno seriam usadas.

Bem, começando com meu bolo duplo (que ainda bem que esse não engorda) da sexta passada. Amigos que marcam e desmarcam em cima da hora (uma delas literalmente encima da hora - exatamente na hora marcada). Isto é das poucas coisas que me irrita grandiosamente. No entanto, houve uma grande superação da minha suposta raiva. Não fiquei irritada. Que seja. Pessoas vão e vem, quem quer ficar no seu caminho, que fique. Se não aparecer, se aparecer, fica em sua vida aqueles que QUEREM. Eu sempre quis ficar na vida de todo mundo, e desde algum tempo me cansei um pouco disso. Vou participar mais ativamente da minha existência, que às vezes deixo para lá por falta de tempo.

Depois, no final, fiz tudo que queria na sexta passada, andei pelo centro da cidade, fui no CCBB (e quero ir novamente para vez umas peças por lá), e fiz minha programação comigo mesma. Saí na Lapa com Thatha, dividimos um pouco de nós mesmas e foi extremamente gostoso (e, claro, com a preseça do chopp eterno). Não se precisa de muita gente para fazer uma tarde de sexta feliz.

A semana começou inocentemente, com reunião do clac, com perspectiva de verdadeiramente INÍCIO de semestre. Tive de largar o setor de apoio acadêmico na UFRJ (que me rendeu uma boa história na quinta passada que não posso esquecer de contar aqui). E então eu VI. Tem conexão incrível entre as coisas deste mundo. Ah, tem. Por um milésimo de segundo as coisas acontecem ou NÃO acontecem. Ou, simplesmente elas ficam como deveriam ser... È, eu concordo que deveria mesmo ser assim.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sobre formatura, filmes e amizades

Precisamos dar o primeiro passo. Isto que aprendemos com filmes como Preciosa (Precious, candidatíssimo ao Oscar). Na tarde de sexta feira, última do mês de fevereiro, foi a colação de grau da licenciatura da minha querida e eterna LEJ. Perdi o passo deles depois que fui pro Canadá, mas certamente nunca me mantive muito longe da atividade da turma. Nos dias anteriores, nos quais programávamos um simples almoço depois da cerimônia no campus da Praia Vermelha da UFRJ, vi nascer discussões grandes em relação ao que é pertencer a um grupo ou não. Essas discussões tive comigo mesma, pensando no que faz alguém dizer que não vai ao almoço por não fazer parte do grupo, sendo que estudou sempre com o grupo. Se eu quero fazer parte do grupo, se eu quero encontrar alguém (independente de ser LEJ, núcleo, amelístico, colega de trabs, aluno), simplesmente encontro. O que vale é força de vontade, é o querer dividir um momento com alguma pessoa.

Observando a formatura deles, e a ótima oportunidade de reunir a LEJ (quem sabe pela última vez), reparei que só eu era de fora ali do grupo. Eu iria para aquela colação até mesmo se conhecesse só uma pessoa. Calhou de ser minha turma, mas convidada, é um momento tão peculiar e de ter boas conversas que não perderia isso por nada. Também poucos aceitaram emendar o programa para chegar a melhor parte do dia (que só viria ao fechar da noite), primeiro de ir ao cinema e depois de ir para bar esperando a Thatha sair do trabalho. Desta forma, fomos Renata, sapacaxo e eu, para ver Precious. O filme foi lindo, chorei chorei chorei, pensei em várias questões e me deu vontade de ler o livro. E então thatha chegou, fomos pro bar, Renata reclamando, a gente fazendo o sapacaxo dela de emo, nós duas dividindo um tanto de existência. E, é claro, a melhor parte do dia chegou, um brownie de chocolate no shopping dando adeus a toda idéia de dieta: suspiros.

Essa narrativa toda só para me lembrar como que a turma se viu vinculada deste modo pela última vez. As coisas vinham mudando, agora... Mudará surpreendentemente, nós mesmos e os outros. O relacionamento que fica são daqueles que cultivam, cultivam com a alma e com a presença, porque a amizade também depende de um passo de cada vez, e nunca se pode deixar de dar o próximo passo, seja pra mandar sms no celular, pra convidar para ir ver um filminho, ou simplesmente conversar da vida.

Um passo de cada vez, mas sempre com a necessidade de se ter iniciativa, de se dar o primeiro passo. Desta forma, abro uma temporada na qual ficarei mais passiva, esperando convites para tomar sorvete, ir na livraria, olhar as flores crescerem (essa é do The Sims), jogar video game, fazer sessão dupla em botafogo, ir ao CCBB, ou fazer nada juntos. Afinal uma boa amizade não precisa de muito, além de iniciativa e carinho.

Tenho dito! E espero convites nucleares, etc...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O primeiro encontro

O mendigo encostado no meio fio da porta da loja, diagonalmente, dormindo. Todo dia quando passo assim está ele, nos sonhos sublimes que não posso imaginar, pois fico compadecida de um não-sei-o-quê social que ainda mora no hábito de ser humano. Mas, de fato, neste hábito de ser humano, não está incluido esperar aquele homem acordar pra lhe estender a mão. Sempre ali está no meu trajeto, ao descer do ônibus, voltar uns 100m e entrar na ruazinha que dará para meu prédio, o mendigo. Ele descansa com uma serenidade supreendente, e eu o observo quando passo, todos os dias, furtivamente. No início, quando o vi dormindo a primeira vez, tive um sobressalto,preocupada que pudesse ser algo de ameaçador. Bobagem, ele só queria descanso, eu só queria passagem... Nossos caminhos não se encontravam de fato, pois quando eu passava ele ali não estava, só seu corpo.

No entanto, hoje, tivemos nosso primeiro encontro. Ao puxar a cordinha do ônibus uns segundos adiantada o motorista entendeu que puxara eu a cordinha no atraso e parou imediatamente no ponto de ônibus anterior ao meu de modo que, ficando sem graça de dizer 'é na outra', desci ali mesmo, afinal a caminhada não era lá isso tudo (de fato era nada). Sem nem pensar, iria então passar na calçada oposta do mendigo, que desta vez, dada minha mudança de percurso, eu poderia ver de frente. Para minha grande surpresa ele estava acordado, como pressentindo que algo na tarde de segunda-feira mudara. E mudara. O que pra gente resultava o fim de uma rotina, para mim era a rotina de meus próprias dias, das minhas próprias horas que começavam. E lá estava ele do outro lado, sentando no meio fio da loja, com os cotovelos no joelho, olhando para frente. Me olhou de relance, como mais um rosto dos tantos que se vê, talvez sem nem mesmo se dar conta do rosto que via por estar divagando em seus próprios pensamentos. No meio disso tudo, eu, me senti estranha... Vê-lo dormir todos os dias na mesma posição ao passar por ali tornou-se uma espécie de ritual que agora fora abruptamente interrompido. Este era o nosso primeiro encontro e me senti mais bege que nunca, com a blusa branca do curso, jeans apertando por conta dos quilos ganhados nas férias, sapatos vermelhos, bolsa predileta, cabelos soltos. Ele com sua blusa de sempre,clara, calção e chinelos. Era o mendigo de outros abertos, como que diferente do mendigo esse que todo dia me fazia pensar nele enquanto ele dormia, que me fazia refletir sobre múltiplos assuntos desde o porquê de existirem mendigos, até o porquê de sentir que tudo era um grande sonho, como em um mundo solipsista. Talvez eu estivesse no sonho dele, sendo controlada por ele, e daí ele teria o poder de determinar o próximo acontecimento da minha existência. Por favor, que me traga uma notícia boa. Inusitadamente boa, com gosto de jujuba, com delicadeza de um arranjo de flores, com a mesma sensação de ver uma nuvem quando bate o sol. Ah, eu quero, quero e quero amanhã, meu amigo solipsista, se não for pedir muito.