Contudo, o que se pode contastar é que com mais tecnologia, com mais globalização, mais distancia se averigua. Ou poderiamos dizer que quanto mais globalizada a pessoa ou família é (leia-se com recursos finaceiros), mais a distância se instaura em seu cotidiano. Como exemplo, podemos pegar a configuração da casa, cada um com seu quarto, televisão, dvd, mp3 e laptop, cada um com seus horários para refeição de acordo com a badalada agenda, até os carros são desenhados para privilegiar a distância entre os passageiros, como nas famosas peruas que os nortistas tanto adoram. Todos no compasso de um grande ditador invisível, celebrando o individualismo e o consumismo de forma bárbara.
Essa, na minha opinião, é a verdeira invasão bárbara: o momento em que as famílias não se reunem para o almoço ou para o passeio de final de semana, quando todos estão cercados de compromissos e distrações on-line, atados a programação da tv a cabo ou sintonizado frenéticamente na música do mp4. Neste momento não há diálogo, troca de idéia, demonstração de sentimento, fomentação da crítica ao mundo que vivemos, celebração de momentos puros e bobos da vida cotidiana. Isso sim é perder a luta para um gigante chamado indiferença e que vem diretamente atado ao sistema economico do nosso querido mundo globalizado: o capitalismo.
Para Marx os detentores de poder tinham os intrumentos e a classe operária a força de trabalho. Agora, os detentores de poder têm a globalização e a classe operária só quer estar dentro do processo que vê passando na televisão. O ricos continuam ricos celebrando seu individualismo, a classe média (classe essa mais indefinida que o tom de verde do mar Tailandês) perseguindo o sonho de ser globalizada, classe pobre querendo ser classe média e a classe miserável querendo não passar fome.
No final, todos perdem nesse processo de globalização do individualismo, principalmente os mais privilegiados que tantas vezes não têm o verdadeiro prazer de se preencher com o processo de Ser humano.



