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quinta-feira, 22 de maio de 2014

O sorriso de Ale

Ao acordar e saber da notícia meu pai dizia: é uma tragédia.

Em São Paulo, minha prima mineira sofre. Ela é a mãe de um menino fantástico de 14 anos que sofreu um terrível acidente doméstico. O menino é meu primo de segundo grau. Educado do jeito mineiro, é daqueles mais educados do mundo, adora contar uma história e, sempre senti, é aquele que tinha certa identificação cultural comigo. Ele se encontra em coma conduzido num hospital em São Paulo.

Ao visita-los no final do ano passado (graças a uma amiga, Thaes, que me avisou que iria pra São Paulo e me convidou pra ir com ela), foi o menino que fez as honras da casa: me recepcionou junto com a minha outra prima grávida, botou meu café da manhã, lanche da tarde, procurou filmes para vermos juntos e dividiu comigo suas inúmeras histórias. Uma criança extremamente meiga e carinhosa (assim como a irmã), e cheia de entusiasmo em relação a família e ao futuro.

Hoje, 22 de maio, ao receber a notícia do estado do menino nossa casa parou. Eu, por mim mesma, parei. Tinha de ir na assembléia da prefeitura, buscar um livro de testes em inglês e pesquisar carro com meu pai na rua. Seria um dia agitatinho. Seria... Minha mãe quer cancelar o pequeno aniversário de minha irmã no sábado, meu pai desistiu do carro e não se sente bem. Eu, em pedaços, me desconectei da internet e estou a pensar, cá com meus botões, se é possível um pequeno belo milagre acontecer.

Faz muito tempo que não sinto tanta tristeza junta. Com o câncer de mamãe aprendi a dosar tristeza na rotina. Não estava preparada pra sentir essa invasão bárbara e cruel. O que me faz sentir triste em demasiado são as pequenas coisas: ele fez aniversário no meio de maio e, apesar de sentir vontade de mandar uma bela mensagem de aniversário, mandei um simples “feliz aniversário”, pensando em condensar pessoalmente todas as palavras de carinho logo ali, em julho. Triste porque apesar de amar muito minha família, encontro muita dificuldade em manter contato, visitá-los. Parece, pra eles, que sou muito indiferente e só penso na minha vida cultural e viagens. No entanto, cá com meus botões, penso neles e estava mesmo bolando planos de aproximar mais e mais de todos os lados da família (tanto de mamãe, quanto de papai). Tentando aproveitar o máximo da minha vida, às vezes, deixo de aproveitar o máximo da minha vida junto de pessoas da minha vida.

Estou mesmo na maior da esperança e expectativa que esse mocinho falante volte para gente. Que ele venha me contar MUITAS histórias, vou escutar todas pacientemente. Vou fazer mais esforço para visita-los, para abraça-los, para mostrar o imenso amor que tenho e que não cabe dentro de mim. Tanto que agora ele transborda em forma de lágrimas. Muitas lágrimas. Elas saem naturalmente, sem nenhum esforço, enquanto penso, enquanto escrevo, enquanto espero aquele tagarelinha nos surpreender com seu melhor sorriso.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

E a culpa é de quem

Depois da semana do Nada (aquela da enchente na qual nós todos permanecemos em casa vendo Bom Dia Brasil quase que o dia inteiro), voltei à rotina meio que com a impressão que perdi uma semana. Neste semana fiquei em casa, não vi nem muitos filmes quanto imaginaria ver normalmente, nem fiquei tanto na internet (fazendo coisas úteis ao menos), não mexi um centímetro qualquer questão acadêmica (se bobear ainda regredi), e ainda ficava no suspense de: será que tudo vai voltar amanhã (e então, de repente, se descobre que uma tragédia maior aconteceu em Niterói e o caminho para meu trabalho na região oceânica de Nikiti ta totalmente fechado).

Essa semana serviu para pensar. Pensar que ano de eleição está vindo, pensar que os mesmos problemas de sempre foram apontados com o grande agravante de tentar tirar culpa dos políticos (porque tadinhos, não podem fazer milagres). Eles não podem fazer milagres, mas o prefeito atual de Niterói está leiloando a região oceânica aos poucos, deixando que as encostas que deverias ser preservadas (e são o grande atrativo da região cheia de verde) sejam ocupadas, vendidas a preços exorbitantes para construção de mais algum condomínio de casa. Logo, como ele teria tempo de cuidar dessas encostas mixurucas no meio do nada, que ainda era um ex-lixão. Ah, gente, não vemos julgar o prefeito assim... O homem não sabe nem falar em público (isso porque governa Niterói no terceiro mandado), não gosta de aparecer em público muito menos (para quê, se a família Silveira governa Nikiti City desde seus primórdios), acata qualquer decisão que beneficie grandes empresários na cidade, incluindo os donos das empresas de ônibus (que por conta disso não tem uma linha de ônibus São Gonçalo – Icaraí, por exemplo, tendo que todo mundo pagar 2 passagens para andar mais 5 minutos de ônibus). Verdadeiramente, o morro do Bumba é CULPA da população, que se viu num lugar que o governo deu seu aval levando saneamento, luz e todas as condições básicas. Logo, que prefeitura boa essa de Niterói, que recebendo relatórios de estudiosos da UFF sobre a insalubridade do lugar, fechou os olhos e só se preocupou de não ser feito nenhum relatório na região oceânica.

Desde dos meus 16 anos tenho título de eleitor e com o passar do tempo dou maior importância a ele. Ainda sonho com o dia que as pessoas sejam mais esclarecidas, ou que menos tenham paixão na época da eleição como a final do brasileirão e que consigam argumentar o porque de votar num partido de direita e esquerda (e saibam o que essa bendita esquerda e direita significam).

Quem assim seja, Amém!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O dia em que o Rio parou com a chuva

No meio do meu pequeno mundo uma grande catástrofe inundou meus pensamentos. Tudo começou numa tarde de segunda-feira na qual a chuva começara a cair de forma regular,densa e mostrando que era de poucos amigos. Na noite, ao estar liver as 20:30h da noite, opto por esperar minha amiga da secretaria no intuito de ter alguém com quem ir sabendo que iria pegar um engarramento. O engarrafamento não foi tanto. Tanto foi o tempo que esperamos para conseguir pegar um ônibus no terminal de Niteróis por volta das 21:40h. Pegamos um ônibus daqueles menores, e foi aí que meu horror começou. As ruas pareciam cachoeiras, e meu ônibus desbravava aquilo tudo enquanto eu cá com meus botões achava melhor deixar a impáfia um pouco de lado quando lidamos com força da natureza. No entanto, o motorista não estava de acordo com meus pensamentos e ia desbravando as ruas da Dr. March (a pior via para um dia de enchente, mas não podia deixar a amiga sozinha a essa altura). Ela saltou do ônibus e eu continuei no meu desespero pessoal. Meus arredores não inundam e nem despecam, mas tive de enfrentar aquela água acumulada rente a calçada. Enfrentei, e nem dei muita importância depois de ter passado tamanha aventura dentro daqueme micro ônibus.

Certamente o problema estava por vir. Durante a noite, até o momento que estava acordada, a chuva não parava. Fiquei no meu mundinho imaginando que tanta chuva é essa que não parava de cair nem por alguns instantes. Parecia que o mundo estava com cede e os céus estavam doando tudo que tinham para o saciar. Dormi e acordei relutante, ainda nos meus sonhos, no meu mundo. E quando me dei conta estava no jornal pela manhã inteira: uma chuva sem fim que deixou pessoas sem casa, tirou a vida de outros e está causou um pânico descomunal na volta para casa das pessoas no dia anterior. Nos relatos, confesso, deixei umas lágrimas cairem no canto do olho. O desespero era real e não simplesmente daquela impressa sensasionalista.

Eu que pensei que o Rio tinha parado em um mero apagão de algumas horas, vi o Rio parar por um dia inteiro. A recomendação era que ficasse em casa durante a terça. As pessoas ficaram. Comércio nem aqui nos meus arredores abriu, imagina nos lugares atingidos. Parecia um luto discreto, quando colocamos um azul escuro no peito para dizer que estavamos tristes com algo. E todos estavam. Na quarta, ainda sem trabalhar, permaneci no meu luto, assim como outros que não podem chegar a Itaipu por conta da estrada intransitável. A UFRJ só volta às aula na segunda-feira, e eu a trabalhar também.

A chuva nos fez desacelerar. Aquela desautomazação da vida que tanto defendo foi vista de maneira muito brutal. As pessoas pararam, calcularam pra si mesmas os danos causados por uma chuva que mostra que não há nada como a força da natureza nessa vida. A falta de respeito tem de parar... Com minha linha panteísta mais do que nunca creio que só reverenciando o lugar que vivemos é que conseguiremos evitar rios de sangue na cidade maravilhosa.