sexta-feira, 4 de março de 2011

Capítulo I: A via crucis do corpo

O título desse post evoca uma obra de Clarice Lispector. Mas não é esse o assunto daqui. Aqui teremos um assunto atemporal que se agravou demais nas férias, com todos os conflitos e julgamentos próprios do assunto. Aproprio-me do bendito título para dar meu testemunho sobre a questão da perda e (principalmente) ganho de peso desses últimos meses.

(o post será longo, mas eventualmente poderá valer a pena, principalmente para aqueles que lutam com sua imagem no espelho.)

Quando menor (e maior tb) nunca pensei muito nessa questão de peso. Ser gordinha ou não, pouco me importava. Mas papai já me alertara tempos atrás, na minha quinta série (hj em dia sexta série), que eu sofreria se não perdesse peso. Aquele dito, sem dúvida, foi o primeiro que ecoou na minha mente e me fez refletir que talvez em algum momento minha vaidade limitada tivesse de olhar para esse assunto.

Na sétima série, ocorreu um milagre: emagreci. Não sei o quanto, mas foi o suficiente para que nas férias de final de ano no Rio os parentes se preocupassem que talvez alguma doença do corpo ou da alma tivesse tomado conta de mim. De fato, meus amigos, algo tinha se dado dentro de mim: tinha cansado de ser tratada como a gordinha da turma. Isto porque eu nem gordinha era! Mas em comparação com as outras ditas esbeltas era eu fruto de comparação como exemplo de quem tinha mais quilo do que o necessário. Silenciosamente, passei a comer menos. Um ano de silenciosa revolta resultou num final de ano infeliz, com pessoas me condenando mais do que gostando da minha mudança na aparência. Minha mãe foi muito julgada como desleixada e por isso resolveu agir, fazendo manjares dos deuses com regularidade. Logo, estava eu encorpando novamente.

Mais de 10 anos me separam daquele tempo (oh, a idade pesa sobre meus ombros). Agora a luta é outra: a luta é pela saúde, por um estilo de vida saudável. Na minha família é muito comum morte por problemas no coração, de ambos os lados, além da famosa pressão alta, colesterol, triglicerídeos, etc. Após a última internação repentina de meu pai, resolvi que daqui pra frente tudo vai ser diferente (como diz aquela música). Demorou um pouco, e com um pequeno-grande empurrão da minha irmã, fui levada para a tão temida academia e começando naquele mesmo dia no final de maio de 2010 a me exercitar regularmente (dois dias na semana por conta da rotina cruel e desumana).

No entanto, foi só aí que me dei conta que fazia tempos que não me encontrava com tal peso. Pela primeira vez eu estava beirando aquela linha que te separa de uma alimentação saudável para uma alimentação muleta de vez (aquele chocolate que te ajuda a esquecer da angustia dos dias basicamente toda hora). Quando me dei conta, não tão silenciosamente, comecei minha luta interna, com todo o sacrifício inerente da situação, passando por momentos de guerra e paz, de comer ou não comer, eis a questão.

A redenção veio quando comecei finalmente a correr (na esteira). Pensava eu que era incapaz de tal proeza, e hoje sinto falta de correr, e não só de correr, como de puxar um ferro (como dizem no popular) e sentir que meu corpo está em movimento, sentindo cada parte dele se esforçando, esticando e pulsando. Não posso negar que um pouco de narciso em mim emergiu quando as pessoas da própria academia começaram a reparar nos meus resultados que se deram em dois meses de dieta (passando a comer de 3 em 3 horas) e aulas de jump, esteira e musculação.

O impasse entra em cena após umas férias na Europa. Em nome do experimento, de descobrir o novo e desbravar novos sabores, acabei por me alimentar com mais calorias do que o necessário. Como consequência, cheguei ao Brasil conscientemente mais pesada, um pouco pelo remorso interno de ter jogado tanto trabalho dos últimos 5 meses de academia no lixo, e, claro, pesada ao pé da letra, desprovida de qualquer metáfora.

Ao reencontrar um amigo de tempos (que entrou no CLAC comigo), ele diz que estou mais magra. Sei que no fundo ele vê a famosa beleza preenchida, aquela de quando se gosta de uma pessoa, você não importa muito com quilinhos a mais. Entretanto, parece que quando voltei fiquei procurando no rosto das pessoas certa reprovação por me encontrar mais cheinha. Procuro e encontrando. Na verdade eu busco nelas minha própria reprovação, minha rigidez e criticidade. O caso é que meus amigos mais chegados e verdadeiramente amigos não conseguem me reprovar só por isso. Aí é quando me sinto cheia de boas vibrações e quando falo para eles que uma jornada em país desconhecido justifica os tais quilinhos (assunto que eu mesma começo).

Isso me faz refletir que para aqueles que colocam os míseros quilos a mais a frente da carroça (que está cheia de pontos positivos, com certeza), talvez essas pessoas estejam mesmo perdendo o melhor da gente: a nossa espontaneidade, o nosso carinho mais fiel, os nossos pensamentos mais inteligentes e sagazes, o pedaço melhor da nossa simplicidade, a luz de nossos olhos, a perfeição de nosso corpo na imperfeição que tem. Temos muito mais para somar para vida de uma pessoa do que um contorno (magro ou gordo) de corpo. Temos muitos mundos dentro da gente querendo ser descobertos, e cheios de boa graça e entusiasmo.

Assim termina essa via-crucis, na promessa de bons tempos corpóreos, de superação dos limites na corrida e com nova perspectiva sobre aqueles que nos criticam pelo corpo perdendo o melhor de nós por serem tão superficiais quanto uma piscina de mil litros (ai, veneno).

Assim seja.

Amém

Introduçao

Depois de um temporada de férias bastante emocionante, volto ao nosso querido e esquecido diário virtual para tentar reestabelecer contato com os seres que aqui ainda possam habitar.

Falar que muitas coisas se passaram é um tanto quanto redundante. Então, aos poucos, vou pensando (e escrevendo) temas que perpassaram esses mais de 45 dias de férias europeias e mais os dias de isolamento consentido antes de voltar à labuta de vez.

Os assuntos atemporais desses dias foram uso de rede sociais, blogs de humor e críticas do youtube. Chamo de assuntos atemporais aqueles que não dependem de um acontecimento no mundo físico (estar trabalhando, entrar de férias). São assuntos que chamam atenção seja lá qual corte temporal que se esteja vivendo.

Este ano espero oferecer nesse blog mais do que promessas (algo que fiz muito bem nos anos anteriores). Espero retomar o gosto pela reflexão sem eira nem beira, sem pensar muitos nos críticos velados que aqui fazem morada em segredo querendo saber minha vibe ao invés de querer saber do que escrevo.

A minha onda agora é buscar uma identidade na escrita. Criticar o que quero, falar dos assuntos que me apetecem e sem medo de ser feliz ou de cópias veladas das minhas ideias, abrir minha mente para o convívio material das letras flutuando nessa nuvem internética. Ou algo do tipo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um conto qualquer

jonathan says
oi professora ja faz muito tempo mais se vc pudesse criarr um mundo como ele seria
/
?
Fah Xavier said (23:59)
oi
Fah Xavier said (00:00)
um mundo... ahaha seria de chocolate
jonathan says
aff esqueci que vc era viciada em chocolate
sem serr de chocolate se vc pudesse criar um mundo
novo
Fah Xavier said (00:01)
seria um mundo q valorizasse o conhecimento, que nao houvesse castas ou classe social, mas diferentes funçoes de acordo com o que cada um quisesse fazer
Fah Xavier said (00:03)
mas pq essa pergunta...
jonathan says
nada tenho que criar um mundo para esse mundo ser perfeito preciso saber de muitos conceitos
Fah Xavier said (00:05)
vc pode pesquisar sobre Atlantida
a cidade perdida
que era um mundo bastante interessante
jonathan says
tem link sobre atlantida livro
paginas na internet que vc recomenda
e atlantida e interessante
era um mundo dentro de outro mundo perfeito
Fah Xavier said (00:06)
diz-se que existiu
e q foi submerso
Fah Xavier said (00:07)
mas enfim, nao tenho link na internet na
tenta wikipedia, de la deve ter links
jonathan says
ok brigado foi muito bom a sua ajuda
Fah Xavier said (00:08)
de nada

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

desabafo

Depois de um dezembro vazio de palavras, de um inicio de ano com muito o que escrever venho para esse blog para um desabado do fundo da minha alma. Quase um suspiro da minha alma que nao teria coragem de dizer alto: as pessoas deviam ocultar toda a verdade de vc. Ao narrar algo do passado, ou como sentiu em relaçao a vc no inicio quando se conheceram, as pessoas NAO devem falar tudo que sentiram ou pensam. Porque fica aquele arranhao desnecessario num momento tao bonito e delicado que é quando se confessa quando se gosta de vc.

pronto.

tenho dito.

agora corram para outra pagina e deixem esse desabafo em paz.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

o sushi da resistência

Existe a pomba da paz, símbolo essa da paz daqui e de todos os cantos. Nestas últimas investidas contra os morros perigosos da cidade, eu experimentei o sushi da resisência.

Quinta-feira, um sushi num canto de Nikite pra terminar o dia e comemorar o fim dos estágios, o começo de novos tempos, etc... Fomos lá com as colegas de trabalho. A noite corria agradabilíssima, com uma chuva torrencial lá fora quando ao ir embora, chegar no meu clássico e tranquilo ponto de ônibus e me dar conta que NÃO TINHA ÔNIBUS. No mesmo momento liguei para um amiga, logo liguei para a outra... E... Arranjei lugar para dormir aquela noite, já que me encontrava sozinha numa noite chuvosa em plena Roberto Silveira deserta. A aventura de quinta acabou por aí.

Na sexta-feira, dia 26, seria o aniversário de queridíssima amiga Renata. Tínhamos combinado há tempos de ir para o sushi perto da casa dela, até mesmo como forma de saudosismo porque tempos atrás a LEJ tinha se reunido lá para comemorar o aniversário dela. Ficamos naquela dúvida, se íamos ou não. Até que Thathá liga perguntando se poderia ser mais cedo, já que a labuta dela terminaria mais cedo aquele dia. Concordei com o mais cedo, e depois da prova de mestrado da PUC fui correndo para lá numa via cruces que passou pelo metrô de superfície, metrô e ônibus. Tudo parecia tão tranquilo, apesar do movimento na rua estar misturado com policiais armados até os dentes. Cheguei na casa de Renata, Thatha já se encontrava no sushi. Fomos para o famoso restaurante da zona Norte carioca, sentamos nas almofadinhas do chão e falamos do tempo, do espaço, da vida, do vento e da violência, mas sem perder a noção da hora.

Celebremos então o sushi da resistência, que mesmo nas horas mais inóspitas continua a existir, num protesto silencioso pelas boas coisas da vida, mesmo em tempos de guerra, seja a guerra lá de fora ou a guerra aqui de dentro da gente.

rio de janeiro cidade sitiada

O cenário carioca da semana passada foi pesado. Ônibus queimado em pleno São Gonçalo na quinta-feira, não conseguir voltar para casa, pois as companhias de ônibus tiraram os veículos das ruas, população assustada longe ou perto da vila cruzeiro. Se a ordem era tocar o terro, este foi muito bem tocado. Fiquei em dúvida se ia para a prova da PUC ou não, se dava aula no sábado na UFRJ. Acabei suspendendo as aulas, pois não suportaria se algum aluno se esforçasse para chegar a aula e algo acontecesse com ele.

A sensação de vazio toma conta, mesmo depois do tal sucesso da polícia. Estou cansada de ter de correr de bala perdida. Mesmo que nem ao menos tenha escutado um ruído de bala. Aí que tá: nesta confusão toda não escutei nenhum tiro, ainda assim o medo era tão presente quanto se tivessem atirando constantemente ao pé do meu ouvido. O pânico que é lançado pra dentro da gente é o a pior arma que polícia e bandidagem podem ter em relaçao a sociedade.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

pelo dia do ser

o dia em que devemos largar nosso orgulho bobo, nossas manias tolas, o querer estar certo sempre. pelo dia de letras minúsculas, iguais, sem essa de uma ser maior que a outra ou melhor que outra, ou mais bonita que a outra. ser bonito é simplesmente ser. e depende muito de quem olha para o nosso ser e nossa alma. dependendo da pessoa nos tornamos os seres mais bonitos do mundo. e parágrafos também, para que? e para que problematizar com ênclises, próclises e mesóclises. me faço a próclise errada da vida, sem razão gramatical de existir, mas com o intuito de ser útil nesse mundo... que não seria mais simples se me chamasse raimundo, como diria o poeta, seria só uma rima. a rima que dentro de mim há tempos pede pra sair, mas não sai. que clama pra ser tirada de dentro de mim, arrancada com força e com ênfase na silaba tonica de co-ra-çao. ah, eu sou, tu és e nós somos! somos lúcidos e conscientes da insanidade que nos acomete. sabemos que não faz sentido ser sentido agora. temos de ser insanos, temos de ser coração. não há dádiva mais suprema agora do que sermos os mesmos de sempre, os mesmos de séculos antes vindos, de eu criança e você rio, num encontro mais que puro, nos reencontrando finalmente agora para ser nós juntos. ou ser a maior mentira já inventada na terra. a mentira que inventamos para nós mesmos para sermos o que não somos... ahhh, que vertigem é essa de pensar, pensar, pensar! pensar o potencial que temos, as cores que nos cercam, o lilás da vida que não é lilás. é azul, abóbora, rosado e às vezes quase roxa. sejamos a cor que queiramos, mudando de cor como as nuvens mudam de lugar. nao deixemos desfazer o nosso ser por querer ser mais. mais do que não somos e nunca queremos ser. vamos simplesmente tentar sentir. afinal, o sentido de tudo está em sentir e querer ser sentido. vamos terminar essas linhas errôneas sem deixar claro o que se quer, sem coesão, coerência e saussure. sem ser aplicável de qualquer forma, sem ser forma... ser uma nuvem como bate o sol. e ser tão absurdo e inexplicável como quando começou todo rebuliço dentro da gente. e fim de linha.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

toda sexta ela faz tudo sempre igual...

Ela chega atrasada na aula da pós. Depois pega água nos corredores de letras, vai ao banheiro, se olha no espelho. Segue para a orientação do CLAC. Chega atrasada ou encima da hora. Quando a orientação termina ela fica ali na mesma sala, na mesma mesa esperando dar 13h enquanto corrige uns trabalhos da monitoria esperando um específico alguém ligar para irem almoçar junto com o pessoal da pós. Quando almoça, volta às 14 e tantinho, encima do laço para reunião. Quando não almoça, fica na mesma sala dos monitores do clac fazendo o que tem de ser feito o mais rápido possível. Vai para reunião da monitoria, fala dos trabalhos corrigidos, da agenda para os próximos encontros, etc. Já imenda ali mesmo a reunião do grupo de pesquisa sobre humor e ensino. Às 16h está livre para respirar um pouquinho até 16:30, quando tem de pegar o ônibus interno até o ponto do ônibus que vai para a Praia Vermelha. O ônibus sai 17:15. Chega umas 18:10 na Praia Vermelha. Vai no RioSul, compra algo que precisa, ou come alguma coisa. Volta para Faculdade de Educação. Sobe as escacas, passa pelo corredor com piso de madeira rangendo, chega na sala e fala com as pessoas aleatoriamente enquanto o professor dá atendimento pessoal para alguns alunos. Espera sua vez para falar com o professor. E neste sexta vai falar como sua prova de aula foi boa, como tudo deu tão certo e as dicas dele foram preciosas. Depois ela carrega o peso do mundo em suas bolsas e se dirige para algum lugar onde possa ter descanso absoluto.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

a gripe chegou

e por onde pararam as palavras?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

o aperto daqui

Um aperto no coração apareceu hoje. Não sei se por saúde ruim ou por impressão errada das coisas, o aperto estava aqui.

Andando assim, voltando pra casa, o aperto veio mais forte. Coloquei a mão no peito, fiz uma careta e me perguntei o que seria aquilo. Seria o aperto do que pode ter sido, do desgaste do dia que não te deixa pensar, da carta não respondida, da mala ainda pra desfazer no meio do quarto, incerta? A dor que vem de não arrumar o guarda-roupa e de deixar a vida assim, uma bagunça, vazia e incerta?

É a dor que mostra como somos vulneráveis e como temos de apostar todas as fichas naquilo que amamos. A dor chegou e se foi. Ficou a inquietação pra saber de onde ela veio, do porquê desse vazio, da falta do sei-lá-o-que mais crucial do mundo.

O aperto daqui é ter mais espaço no Rio do que posso suportar. É a falta do que está longe, daqueles me oferecem desautomatização da alma, do corpo, da mente, de tudo.

estou ligado a cabo a tudo que acaba de acontecer

A promessa - Engenheiros do Hawaii


"o céu é só uma promessa, eu tenho pressa vamos..."

terça-feira, 2 de novembro de 2010

os ventos de novembro

Novembro chega com muitas novidades. A primeira delas é que temos novo presidente. E é mulher. A melhor parte disso (eu acho) é que ninguém fica discutindo o fato dela ser mulher ou não, ou se ela teria competência ou não de governar o Brasil por ser mulher.

Na minha réles existência os ventos estão mais indefinidos do que o destino de Brasil. Não sei se haverá CPI, ou renuncia de cargos. Talvez um novo plano monetário deva ser implantado no próximo ano. Não quero ser mais um país tão somente de turismo e quero as pessoas querendo morar nele, com direito a ter casa na praia e casa no campo.

Entre as resoluções por uma nação melhor devemos investir muito mais na educação e na cultura, deixando essa história de falta de tempo e recursos de lado. Além disso a área da saúde é sempre preferencial, mas investindo na medicina preventiva com intuito de melhor também a qualidade de vida. Incentivo ao esporte e educação física é essencial, além de uma alimentação saudável para toda população.

O meu país deve ser feito também com amor, carinho. Também da emoção de se levantar todos os dias da cama e presenciar o milagre da vida e das coisas simples e bonitas que acontecem ao nosso redor.

O mais importante, poesia é a legislação vigente: "Se as coisas são impossível, ora/ não há motivo para não querê-las..."

Oh, Pátria Amada, sigamos rumo a satisfação.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

o tempo de mim

O meu tempo se perdeu em algum lugar imaginário cuja porta secreta a senha foi esquecida. O abracadabra não a abre, as chaves em minha mão não a abrem. O tempo e a porta se perderam. E eu aqui, precisando tanto dele. Preciso dele tanto quanto a mim mesma. A necessidade se acentua quando cobram de mim o tempo que não tempo, pois partiu de mim e se escondeu numa fenda cheia de logo e insetos rasteiros, sem chance que o encontre fácil assim. Minha esperança era que vendo meu desespero houvesse ajuda de alguém. De um alguém que fosse. De uma alma que me olhasse e dissesse que não tem problema eu não ter tempo. Que temos todo tempo do mundo, como Legião já dizia. Mas meu tempo se perdeu, e não há alma que me sirva de consolo. Não há. Fica o vazio, fica minha falta de resposta, pois fico procurando um tempo que não existe e com isso perco o que mais importa nessa vida: o convívio humano. Falta a carta, faltam palavras de carinho com quem merece, falta ler todos aqueles livros para a próxima prova do acaso, falta abraçar mais papai e mamãe, falta cuidar mais das unhas e da alma.

Sem o tempo fica a falta. A falta de mim mesma, do que eu poderia ser, mas sem tempo não tem como sê-lo. Prometo que tentarei ser mais eu e menos falta de tempo. Mas pra isso preciso de muito amor seu e carinho de todos os cantos. Cansei de ser movida a grito, a drama, a palavras rudes. Agora se quiser que eu me mova e que administre a falta de tempo tem de doar muito amor. Amor. E é só.

Que se apague a luz, vou sonhar com minha falta de tempo. Vou sonhar com uma casa em Pasárgada. Vou sonhar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

dia do professor

Pela primeira vez EU celebrei o dia do professor como professora que sou. Antes me sentia quase professora, meio professora, rascunho de professora. Agora sim, sou professora. Professora sem "p" maiúsculo: professora simples e com pé no chão.

Gosto do que faço e não consigo pensar em melhor escolha. Aulas são um exercício da alma, no qual o físico e a mente entram em harmonia. Inspirar alunos vira um vício. Exercitar criatividade é o foco. Embeber-se de convívio humano é uma bênção.

Penso que todo (bom) professor tem um "quê"de Aquiles, no fundo no fundo quer ficar eternizado na memória de seus alunos, como a lenda que nunca morre. Tenho várioas Aquiles que me inspiraram e que de certa forma me ajudaram a conduzir minhas primeiras aulas. Aos poucos vou virando Aquiles do meu próprio destino de professora e marcando com minha "areté" vidas e histórias pela vida aleatória.

Repito, não poderia ter escolhido melhor.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

tenho notícias

Não sou linguisticamente aplicada. Minha redação não contempla o liquido do seu mundo. Os eixos dos meus limites se chocaram com o seu.

Tenho notícias:

Fiquei para tia nesse processo todo. Vejo já os futuros geradores de filhos lindos e saudáveis. E Eu? Parece que não tenho útero.

Tenho notícias:

O cordão umbilical foi cortado. Há de ter de se caminhar sem o escudo de Minerva. Hei de me desvincular, enfim...

Tenho notícias:

Há muitos caminhos para se chegar a Roma.

domingo, 3 de outubro de 2010

vendi meu voto

Vendi meu voto por uma sobremesa de morango. Mamãe propos: vote nos meus candidatos que faço uma sobremesa de morango (que é verdadeiramente muiiiiiito tentadora). Gostei da proposta e não me fiz de difícil não.

No dia da eleição tinha ela feito uma papelzinho para mim com todos os nomes na sequência correta. Tinham todos que ela queria. E tinha um em aberto ainda, mas com sugestão. Cheguei na urna, depois de esperar uns 10 minutos porque a urninha não quis funcionar por um tempo, me peguei olhando para uma folha branca com letras azuis fortes. Não quis acreditar, mas verdadeiramente tinha vendido meu voto. Por UMA sobremesa de morango.

Indignação, deveria ter pedido mais sobremesas!

come here




Em homenagem ao Festival, posto aqui um daqueles filmes que nos fazem mais que pensar, nos fazem sentir.


Na minha opinião, esta é uma das melhores cenas de filme da história do cinema.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

é hoje

é daqui a pouco.

mamãe comprou suco pra levar. comprou barra de cereal e fez um sanduiche pra mim.

ela nem sabe que vou fazer a prova daqui a pouco.

não tem preço.

não tem preço também ajuda de pessoas que nem sabem quem vc é. e que ajudam sem esperar nada. eu acho.

ajudam não só com material, mas também com s-u-p-o-r-t-e. com confiança.
faz toda diferença.

se eu pudesse dizer algo pra eles: vocês fazem toda a diferença nesse mundinho de meu deus. vocês fazem toda a diferença aqui no meu mundinho, aqui no meu coração.

parti dessa pra ufrj.

domingo, 26 de setembro de 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

18 de setembro

Meu aniversário caiu no sábado. O sábado de folga de muitos, é um sábadoo de pura labuta pra mim. Dia de acordar bem cedinho, de ir pra UFRJ, de dar aula no CLAC. Agora com duas turmas,de dar aula no CLAC o dia inteiro.

No caminho fiquei pensando: "Quereria eu ficar em casa, fazendo nada, fazer festa na noite, ir pra algum lugar interessante?". Sabe, caro leitor, devo confessar: o que eu queria mesmo estar fazendo era exatamente aquilo: a caminho do CLAC, encima da hora (porque a fahdiga não me permitiu acordar na hora certa), esbaforida e ansiosa por mais um dia de aula. E quando se sabe o que quer, o ambiente fica do mais leve e mais aprazível, e é aí...

Notei movimentos estranhos na turma da manhã, mas resolvi ignorar. Cheguei, coloquei a data no quadro, estava atrasada (e odeio estar atrasada). Eles não me disseram 'feliz aniversário', nem eu notei. Era um ir e vir de indivíduos... Até que se faz ali a surpresa: o bolo chega, com guaraná (e fanta uva), e salgadinhos e empadinhas e mais doces. Um encanto dessa vida. Muitos abraços, muito afeto, muitos parabéns. Eu fico perplexa, não sei como reagir. Sinto felicidade sincera. Sinto que algo do meu trabalho é bom para que eles sintam tamanha vontade de organizar tudo aquilo por mim. Na minha modéstia,no fundo no fundo, penso que não precisava tanto. Mas já que teve, vamos comer!

Bolo e salgadinhoa já foi o suficiente para o almoço. Começo a me preparar para a tarde. Na tarde, mesmoo a turma sendo querida igualmente a turma de demanhã, não havia notado nada de estranho, e sabia que eles me dariam seus sinceros parabéns e só. Os alunos do semestre passado me pregam uma surpresa, deixando um presente encima da minha mesa, uma daquelas cestas com tudo dentro. Coisa mais graciosa, eu fiquei sem fala. Neste ínterim, chegaram os alunos, começamos a aula, eu já tinha minha cota de felicidade preenchida. Vamos para o intervalo, Sue me chama para ir lá fora, vou acompanha-la. Quando volto, vejo meus antigos alunos me esperando para um abraço, quando sou puxada para dentro de sala e... Supresa: bolo, guaraná, salgadinhos, eles cantando parabéns, e eu transbordei. Lágrima correi. Felicidade transbordou. Muitos abraços, muito carinho... Eles contando a façanha de organizar aquilo tudo. E eu pensando: meu deus, eu mereço isso tudo? logo eu que nem faço nada demais?

Agradeci ambas as turmas, claro que eles riram de mim porque do meu jeito s'erio, acabo por falar coisas engra'cadas. Quando voc^e faz o outro sorrir tudo muda pra melhor. Eles foram respons'aveis por sorrisos engessados nessa minha face.

(e meu treclado acabou de se desconfigurar, eba)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sobre interesses

"Eu queria apenas dizer que gosto de você com seus defeitos. Amo ou venero poucas pessoas. Por todo o resto, tenho vergonha da minha indiferença. Mas aqueles que amo, nada jamais conseguirá fazer com que eu os deixe de amá-los, nem eu próprio e principalmente nem eles mesmos. São coisas que eu levei muito tempo para aprender. Agora já sei."


Albert Camus - O primeiro homem

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Coisas boas de setembro

Setembro é o mês de aniversário dessa que vos fala. Por esse motivo é um amontoado de dias que presto sempre muita atenção. Assim, nos meus pensamentos ao longo do ano venho enumerando as coisas boas e ruins de setembro. Começarei pelas boas, porque o que há de bom em setembro se sobressai muiiiiito mais do que o que tem de negativo.

Assim comecemos com a lista:

1) 1) Primavera. E não só a primavera (para o hemisfério sul), mas o outono para o hemisfério norte, o que significa um clima sem muito calor ou sem muito frio para ambos os lados, com paisagem bucólica e um clima gostoso de transição.

2) 2) Não tem muita chuva. Repare ao longo dos anos, tirando a semana do 07 de setembro (que sempre chove), setembro não é um mês que se caracteriza por tempestades que arrasam o mundo, catástrofes ou tragédias afins. Um bom mês para fazer festa de aniversário.

3) 3) Depois de agosto. Agosto as pessoas estão carregadas, estressadas, encucadas. Setembro chega com um feriado, as pessoas ficam felizes, leves e pensam que o ano está quaaase acabando logo depois da primeira prova do semestre.

4) 4) Morangos são baratos. Este é um dos GRANDES benefícios do mês, morango em cada esquina. Literalmente, é só andar pelas ruas e verá a fruta dita elitista por um precinho miúdo. Me esbanjo no morando (e na sobremesa de morango da mamãe).

5) 5) Setembro é espelho de dezembro. Não sei isso é um benefício notável, mas o mês de setembro é idêntico ao mês de dezembro, isto é, os dias da semana caem exatamente nos mesmos dias. Deu pra entender? Então, se você quiser saber que dia da semana cairá o natal, pode olhar também no calendário de setembro para chegar o dia.

6) 6) Minha mãe faz aniversário em setembro. Exatamente um dia depois do meu aniversário. O mês de aniversário da mãe da gente tem de ser SEMPRE especial.

7) 7) Não tem dia das crianças, dia dos namorados,dia dos pais, dia das mães, dia da tia, dia de nada... O que quer dizer que nada de presente acumulado: dar um presente representando as duas datas :P

Concordo com a afirmação de que o aniversário é importante só pra quem faz, afinal quem nasceu naquele dia (supostamente) fui eu mesma. Mas é tão boa a festa que é feita pelos outros e por nós mesmos. E é gostoso o processo de fazer aniversário porque se pensa naqueles pequenos detalhes dos dias ao redor que não se pensaria nunca normalmente.

Que assim seja setembro!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

new soul



simplesmente apaixonante música q video

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

nuvem de palavras do blog

O wordle é bem legal. Esse programinha que transforma seu texto em uma nuvem de palavras. Aconselho. E muito. Descobri no III Seminário Lingnet :D

Aqui vai o wordle da página inicial do blog no momento:


title="Wordle: blogminhavida"> src="http://www.wordle.net/thumb/wrdl/2360132/blogminhavida"
alt="Wordle: blogminhavida"
style="padding:4px;border:1px solid #ddd">



http://www.wordle.net - nuvem de palavras

a saga educacional

Amanhã é o dia que terei para me inscrever no mestrado da ufrj (o último dia). Cadê o pré-projeto? O gato comeu, só pode. Tenho nada ainda... Ao menos o curriculo de 5 páginas está garantido. Além, é claro, de uma fadiga, de uma pressão psicológica, de uns olhos pesados e fundos cansados de mundo. Ah, os documentos também, com direito a foto 3x4 novinha. E até que bonitinha. Enfim, não vou me desviar do assunto: vou abrir um documento do word e começar a escrever o projeto aquele de tecnologia e ensino que 'sempre sonhei'.

aff

terça-feira, 31 de agosto de 2010

o primo de sempre

Hoje é o aniversário do meu primo Luan. Não lembro a idade dele, mas deve ser algo por volta dos 21/22. Ele foi `meu primeiro primo`. Ao menos o primeiro primo perto de mim. Os outros estavam longe, em Minas Gerais. Ele tinha uma espada do He-man que eu adorava. Ele também. Quando soube que ele ia embora escondi a espada com o intuito dele lembrar-se dela e não querer ir até que a encontrassem. A minha intenção era fazer com que não a encontrassem nunca e ele ficasse comigo para sempre.




Esta foto foi de um aniversário que nossas mães organizaram para ser juntos. Meus 5 anos, creio que 3 anos dele. A festa foi bonita, mas eu fiquei um pouco de figurante. Sei que na hora desta foto ele pegava minha mão, agarrava bem forte e dava aquela risada gostosa. Minha mãe gritava para eu olhar para câmera, mas a ternura do sorriso dele era mais interessante de se ver. No final nasceu uma das minhas fotos favoritas, uma foto cujo sentimento embutido consigo respirar quando fecho os olhos.

Parabéns então para o único primo que tive. O primo que brincou comigo, que eu disse NÃO quando ele queria andar na minha bicicleta, que dividia os brinquedos comigo, que foi meu primeiro aperto no coração de saudade nessa vida.

Como gosto de escutá-lo até hoje dizer: "e aí, prima".

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

pequeno grande amor

De acordo com cometários no youtube este video foi promovido por um petroquimica da malásia com o intuito de mostrar o amor que transgride a questão da etnia.

É muito fofo:



E o video da Hannah pra acompanhar, aquela garotinha apaixonada pelo professor :)

Apimentada

Tenho umas excentricidades culinárias sem precedentes. Por isso cozinho só pra mim. O caso é que fui inventar o cardápio de hoje com o que tinha de prático e apetecível; acabei juntando tomate, milho de latinha, nuggets e uma pao plus vita com pasta de soja (sabor cebola e alho). Tudo ia uma delícia até que resolvi dar uma apimentada na coisa. Peguei o molho de pimenta especial de mamãe (daqueles que a pimenta fica curtida) e derramei... Derramei com vontade. Resultado, assim que meu paladar encontrou a tal pimenta meus olhos choraram de emoção. Fui comendo até quando pude, num misto de lágrimas e admiração pela minha capacidade de estragar o cardápio perfeito. Enfim, ao menos o suco de morango estava extremamente saboroso. Ao menos. E a pimenta provavelmente cortará meus lábios até tarde da noite de hoje.

aff

domingo, 29 de agosto de 2010

O vestido entrou!

Entre tantos acontecimentos interessantes, tantas histórias intrigantes que perpassam a minha existência presente, resolvo voltar aqui nessas águas turvas para falar do meu vestido que depois de meses coube em mim novamente. Não é vestido qualquer, é daqueles vestidos de festa de se usar em casamentos, 15 anos e outras festas no qual se tem uma mulher usando branco e algum tipo de tiara. E a explicaçao da preocupaçao com o vestido vem logo abaixo.

Foi-se inaugurado no povo LEJiano a temporada de casamentos. Começou com Gláucia pureza que limitou o convite dela para uns pouco quatro da turma (que obviamente não me incluia) e tendo sua segunda edição com o casamento de Paulex, no dia 11 de setembro, em algum endereço dessa cidade mais que grandiosa cujo bairro desconheço. Ainda teremos a edicaçao de novembro com Talita. Logo, além dos problemas de deslocamento, vem aquela pequena (que eufinismo) preocupação sobre o que usar, afinal sua imagem ficará perpetuada no album de casamento de alguém, além de correr o risco de parar no youtube.

Minha meta era emagrecer para caber então num tal vestido que comprei no canadá. O vestido é forma pequena, e mesmo 10kg mais magra ele ficava justinho. O bom é que ele não aparente ficar tão justinho, pois ele tem um bendito forro por baixo que _aperta_ tudo. Confesso que uns meses atrás o tal forro não me ofereceu passagem, e fiquei de fora do meu próprio vestido. Fiquei perplexa. E agora José? Não tem poesia que salve, o problema está nas medidas. Principalmente nas medidas a serem tomadas para conter o excesso de medidas.

Foi daí então que surgiu toda uma reflexão sobre estética (ou falta dela) e de saúde (ou falta dela). A falta da palavra "saudável" na minha existência é algo gritante. Precisava deixar esse grito de fora e trazer um pouco do equilíbrio silencioso que se tem quando se mantem corpo e mente em compasso. Logo, veio a academia, logo a nutricionista e um mês depois menos 4kg. Tudo parecia muiiito fácil até que me dei conta que não mais emagrecia... E que mais caia na tentaçao da excessão (de férias,de visita, de preguiça).

Temporariamente derrotada, resolvi achar o querido vestido só para o teste final e me conformar que teria de gastar algumas notas amarelas em novo vestido. E o resultado foi, o vestido entrou. Entrou. Entrou... Nao tá uma brastemp, mas entrou... Agora a motivaçao voltou. Não matarei academia na segunda-feira. Farei exercício físico até nas minhas mini-férias na próxima semana e o drama do não-caber ficou por AQUI.

E ponto.

Ponto final.

Até meus próximos menos-5kg.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

divagações

às vezes eu sinto que as pessoas perdem o interesse na gente. E talvez elas sintam que a gente perca o interesse nelas. A verdade é que eu sinto qualquer perda de interesse como uma avalanche aqui dentro do peito. Incontrovável desmoronamento que me deixa de pernas bambas por pensar na falta de aceitação de um sentimento puro que é o de ser amigo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

coisas de pensamentos avulsos

De tantos fatos que sucederam na vida aleatória dessa que vos fala nada fielmente nesse blog abandonado ao próprio azar, só consigo me lembrar da Prosa do Papagaio. Este é pois o livro que acabei de ler de uma autora chamada Gabriele, que me autografou o livro que por muito acaso ganhei nesta segunda-feira última. Tudo muito por acaso que acabou gerando aquela tal improbabilidade infinita, que por sua vez gerou uma identificação momentânea em relação ao estilo e escrita da tal autora premiada. É que a tal moça escreve num estilo machadiano inconfundível, que por sua vez é dos meus prediletos na hora de escrever qualquer rascunho para ser chamado de literário.

Na verdade a literatura deu nó. Há chamados para que eu volte a escrever o que na verdade nunca escrevi. Há chamados para que eu faça um mestrado na área literária e me junte a alguma estrelas da enfadonha teoria literária. Como devo então me comportar diante de tanto chamados infames que me consomem a alma e me deixam com o cérebro na mão?

Do louro de Gabriele tive amostra de muito bom vocabulário e de uma quase iluminação que não deveria, por nenhum valoroso pedido de outros seres dos mais variados, seguir por um caminho que não seja... Falta palavra. Haveria pois caminho algum a ser seguido? O Louro tinha seu alpiste, suas castanhas, seu gosto em escrever e era fiel a isso, além de todos os latinismos. Parece que não sou fiel a nada. Nem a escrever, nem ao alpiste que alimente minha alma.

Creio que o que falta nessa tagarelice constante do dentro de mim comigo mesma é uma realização miúda que seja, um prêmio pela minha simpatia, um louvor ao meu sutil senso de humor, um querer da minha companhia. Falta eu ser literária, fazer literatura, tentar enxergar o desapercebido dos olhos que cá habitam o meu peito.